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Pantera Negra (Black Panther, 2018)

Tópico em 'Cinema' iniciado por Turgon, 6 Jun 2012.

  1. Eriadan

    Eriadan Usuário Usuário Premium

    Assisti ontem. Excelente filme. Entra no meu TOP 5 de filmes da Marvel fácil.
     
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  2. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

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  3. G.

    G. Ai, que preguiça!

    Foi mt bom mesmo! Um filme q parece um filme mesmo ao invés de um outro clone da marvel. So quero ver de novo p ver o que acho do começo meio lento (acho q eu tava ansioso logo pra ver a ação), e para ouvir o audio original, heheh

    Mas gostei da vibracidade que a trilha conferiu ao filme e de toda a cultura que eles criaram de wakanda. Gostei dos rituais e tal (os ombros mexendo etc :) ) pareceu algo bem singular (embora talvez nem seja, por eu nao conhecer mt culturas africanas.)
     
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  4. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Depois eu reclamo desses roteiros-copia-e-cola-palimpsestos-de-jornada-do-herói e me enchem o saco.
    Bom saber que o filme se mantém por conta.
     
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  5. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Filmaço, nem vi a hora passar!
     
  6. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Levei minha afilhada, a irmã dela e meu primo para assistir Pantera Negra. Gostei muito, principalmente pela forma de mostrar que mesmo uma nação avançada em tecnologia e direitos iguais também é culpada pela omissão. Tal como acontece nos dias de hoje.

    E não ficaria nada triste se a Marvel fizesse um filme com a Iron Heart e utilizasse a irmã de T'Challa, a Shuri, como a discípula, ou mesmo rival do Tony Stark em termos de tecnologia que usam o Vibranium. A atriz Letitia Wright mostrou que ficou muito bem no papel de manjadora dos paranaue de Wakanda.
     
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  7. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Pra mim não só entrou como já encabeça a lista. Realmente esse filme veio pra bombar e ir pras cabeças! E me agrada muito que desta vez não aconteceu com algum dos personagens mais badalados e conhecidos da Marvel, o que foi muito bom pra dar uma melhor projeção pro Pantera Negra.

    Interessante que mesmo a trama rolando num país africano fictício, mas bem evoluído tecnologicamente que é algo que todos sonhariam muito em ver um dia acontecer naquele continente, ainda assim soube abordar muito bem elementos tradicionais da cultura africana e de quebra teve até participação de uma brasileira baiana de Salvador, algo que até passou desapercebido pra alguns.

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    A brasileira Nabiyah Be (centro) em cena de "Pantera Negra"Imagem: Reprodução

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    ). O que a gente ainda não sabia é que também tinha sangue nacional no elenco do filme.

    Sim, a cantora e atriz Nabiyah Be, 26, nascida em Salvador, interpreta Linda, a parceira no crime e no amor do vilão Erik Killmonger (Michael B. Jordan), um homem com conexões misteriosas com Wakanda, o país africano ficcional que é a terra do Pantera Negra, e que fará de tudo para tomar o trono ocupado por T'Challa (Chadwick Boseman). E a personagem de Nabiyah tem um papel importante em parte dessa jornada.

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    Nabiyah Be na pré-estreia de "Pantera Negra", em Los AngelesImagem: Jesse Grant/Getty Images for Disney


    "Minha personagem é meio que a Bonnie para o Clyde do Michael", brinca Nabiyah, em entrevista por e-mail ao UOL. Ela conseguiu o papel depois de fazer um teste para viver Shuri, a irmã do herói do título, interpretada pela guianense Letitia Wright.

    Mas participar de uma super-produção de um dos principais celeiros de blockbusters atuais, a Marvel, talvez nem seja a parte mais interessante da história da baiana, que tem sangue artístico correndo nas veias: ela é filha do músico jamaicano Jimmy Cliff com a brasileira Sonia Gomes.

    O astro do reggae conheceu a psicóloga paulista em uma cerimônia espiritual na praia. Durante a gravidez, Sônia se mudou para a Bahia, onde Nabiyah nasceu e passou a infância, com o pai a acompanhando de perto --ele morou em Salvador até ela ter cerca de 11 anos. "Passei metade da minha infância em turnê e/ou visitando família em outros países, mas minha casa foi sempre Salvador", diz a atriz, que mora em Nova York há oito anos.

    "Pantera Negra" foi seu primeiro filme, mas ela já tinha experiência como atriz de teatro, e pouco antes de conseguir o papel tinha estrelado o musical "Hadestown", baseado no mito de Orfeu e Eurídice, que ficou em cartaz em Nova York e em Alberta, no Canadá. Mesmo assim, foi uma experiência bem diferente participar de uma produção tão grande.

    "Eu sou fruto do teatro, tanto brasileiro como americano. Basicamente saí de um espaço extremamente comunal e colaborativo direto ao centro da máquina que é Hollywood!", brinca. "Como a Marvel tem de proteger suas histórias e manter muitas coisas em segredo, não tive acesso a muitas informações da narrativa e da personagem, o que seria normal de receber em outras produções. Então tive que me adaptar com essa maneira de trabalhar, de só saber o que é só seu. Desde a minha primeira reunião com o Ryan [Coogler, diretor] até o lançamento, a personagem mudou muito", conta.

    Ouça Nabiyah Be cantando:

    Apesar do choque inicial, Nabiyah gostou muito da experiência. "É muito bom saber que se é parte de algo que tem um peso comercial. mas também traz à superfície debates importantes sobre complexidades de identidade e como isso se reflete em traumas trans-geracionais. Essa foi a coisa mais legal. Mas não vou mentir que a criancinha dentro de mim não pulou de alegria em saber que essa seria a minha entrada para o cinema!", revela.

    Muito tem se falado sobre como "Pantera Negra" levanta debates sobre racismo e colonialismo ao retratar uma fictícia nação africana altamente desenvolvida, que esconde essa sua faceta do mundo, e que escapou da dominação e exploração europeia que devastou o continente nos últimos séculos. E a atriz acredita que o público brasileiro deve se identificar com esses debates, especialmente os espectadores afro-brasileiros.

    "Esse é um assunto que gosto muito por ser uma negra afro-brasileira-caribenha morando nos EUA. É importante entender que, apesar da negritude não ser uma experiência singular, quando se trata de países como o Brasil e os EUA, que cresceram nos ombros de escravos, nossos traumas são muito parecidos. Em termos de representatividade nas mídias, o Brasil ainda tem muito o que aprender", aponta.

    Nabiyah ainda não tem novos projetos no cinema, mas está se dedicando a gravar seu primeiro disco. "Tenho carregado a maioria dessas canções por mais ou menos três anos e estou animada em dividi-las com o mundo este ano", diz.
     
    Última edição: 20 Fev 2018
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  8. adrieldantas

    adrieldantas Relax and have some winey

    Eu gostei do filme, visualmente é incrível. Assistir no IMAX foi sem dúvida uma ótima experiência.
    Pra quem gosta de filme de super-herói, é uma boa pedida. :)
     
  9. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

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  10. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Deuses, heróis, Olimpo e Wakanda
    Ana Maria Bahiana
    19 de Fevereiro de 2018 às 14:00

    Sempre gostei de quadrinhos, mas nunca fui muito chegada em super-heróis. Alguma coisa inerente à própria definição da criatura me entediava: o fato de ser super, necessariamente retirado do mundo humano, e ameaçado apenas por outros seres igualmente super, os super-vilões. Nesse setor trans-humano, eu preferia os deuses das mitologias grega e egípcia – seus mitos me pareciam mais próximos da experiência humana, repletos de erros e falhas, inveja, paixão e desespero. Gostava especialmente das histórias de desafios impossíveis e malsinados – Prometeu, Ícaro, Aquiles e seu calcanhar. E os viajantes do submundo, esses sim super-heróicos para mim, super em sua dimensão tão humana, a da perda: Deméter, Perséfone, Orfeu.

    Fora desse universo, meus heróis favoritos eram de carne e osso mesmo, do Yukon de Jack London ao Sítio do Pica-Pau Amarelo. Eu dava uma certa trégua para o Batman, que afinal era um cidadão comum usando uma fantasia altamente desconfortável e improvável, e o Príncipe Submarino, porque vivia no mar e tinha a música-tema mais esquisita dos desenhos desanimados da Marvel na TV (se você viveu nos anos 1960 e 1970 você sabe por que os desenhos eram desanimados…).

    Nas tiras dos jornais, minha paixão era Modesty Blaise. Mulher, forte, destemida, muito inteligente, espiã, aventureira, viajante, poliglota, autossuficiente. Nada nela era super, apenas muito – e me fazia imaginar possibilidades muito além do que eu via à minha volta, nas vidas de outras mulheres. (O fato de ela ter sido criada por dois homens – o escritor Peter O’Donnell e o desenhista Jim Holdaway, ambos britânicos, só veio bater muitos anos depois. Uma das maravilhas da infância e pré-adolescência é acreditar que o extraordinário acontece por sua própria vontade de existir.)

    Todas essas ideias e memórias vieram de enxurrada nestas últimas semanas por conta de outro emissário do mundo do mito: o Pantera Negra. Acompanhei de perto, durante duas décadas, as danças e contra-danças do projeto do filme, desde a obsessão do ator e produtor Wesley Snipes com o personagem até o fenomenal sucesso de crítica do seu lançamento, agora. Duas coisas me intrigavam – o claro poder metafórico do personagem, muito mais expressivo do que qualquer de seus companheiros do panteão da HQ, e a dificuldade de capturar toda essa complexidade num filme que, por mandato e por definição, devia ser puro entretenimento.

    Sim, existem outros heróis negros no universo das HQ, mas do nome, que ecoa o Partido dos Panteras Negras dos anos 1960, às origens, no calor da luta pelos direitos civis e à sua natureza humana e utópica – rei de uma nação Africana livre, próspera, avançada, intocada pelos horrores do colonialismo e do tráfico humano –, o Pantera Negra não era mais um super-herói: era o exorcismo das sombras da América, e uma possibilidade de redenção.

    O fato do Pantera Negra ter sido criado por dois homens brancos – o desenhista Jack Kirby e o escritor Stan Lee – é uma contradição semelhante à criação da minha adorada Modesty Blaise. Pode-se ser cínico e cheio de dúvidas, mas a inteireza de ambos os personagens revela a retidão de intenções, acima de qualquer suspeita. Quando se atravessa a fronteira da inocência, que é a fronteira da adolescência, a conexão criador-criatura aparece clara, concreta. Cabe à clareza da criatura lançar luz sobre as ideias de seu criador.

    A prova dessa clareza está na adaptação da HQ para a tela, feita por um realizador negro, jovem, nascido numa família politicamente engajada de Oakland, tradicional comunidade afro-descendente da California.

    Ryan Coogler vem do cinema independente e se apresentou ao mundo com Fruitvale Station, um filme simples e poderoso, de baixíssimo orçamento, sobre a vida e a morte prematura de um rapaz negro de Oakland, na noite de ano novo de 2008. Sua capacidade para fazer um filme comercial veio a seguir com Creed, uma refrescada na mitologia de Rocky, um Lutador. Seria o bastante para encarar a engrenagem gigantesca do combo Marvel + Disney? O bastante para atender a fome insaciável de bilheteria desse monstro e ao mesmo tempo ampliar as possibilidades mitológicas do herói, reposicionando seu significado, vindo da luta pelos direitos civis e o fim da segregação, nos anos 1960, no mundo da globalização e do terrorismo institucional e de varejo?

    Sim. É tão raro ver isso – um produto pop que também é um trabalho pessoal, duas horas de entretenimento que também contêm ideias e reflexões sobre soberania e representatividade, uma oferta de distração que abraça as possibilidades do mito, da metáfora, daquilo que parece uma coisa para nos permitir pensar em outras, vendo além do véu.

    O absurdo que mora no coração da ideia do super-herói pode ser uma fonte de gozação – que é o que a maioria dos filmes da Marvel acaba fazendo. Mas também pode ser um convite à utopia. Um convite a ser além dos limites criados por outros, a ser muito, a ser além. A ser super.

    * * * * *
    Ana Maria Bahiana nasceu no Rio de Janeiro e vive em Los Angeles. Jornalista cultural, escreveu sobre cinema e música em publicações como Rolling Stone, Bizz, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo, entre outras, e foi correspondente, na Califórnia, das redes Globo e Telecine. É autora de Como ver um filme (Nova Fronteira, 2012), Almanaque dos anos 70 (Ediouro, 2006) e
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    (Companhia das Letras, 2014), entre outros livros. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.

    Fonte:
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  11. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Legalzinho. Valeu a pipoca. Consegui me identificar, por exemplo, com o vilão de um jeito que nenhum outro da Marvel até então havia feito.

    No entanto, essa discussão toda sobre representatividade já tá meio que dando nos nervos uma vez que ela em muitos casos usurpa (o verbo foi escolhido a dedo) o espaço da análise propriamente estética do filme. É como se na prática estivéssemos diante de um filme que se dissolve quando arremessado no balde sulfúrico dos textões da vida.

    Perigoso. É maravilhoso que a cultura africana seja explorada a nível internacional e com milhões de dólares injetados, mas se ela sobreviver só na base das hashtags e de campanhas da militância, existe uma chance muito grande de que se torne um exotismo vazio ou que a indústria trate novas etnias como uma simples roupagem a ser adicionada às fórmulas de sempre.

    Do mesmo modo que escrever poemas sobre navios negreiros foi algo meio que recorrente a certa altura do século XIX, criar filmes e içar a bandeira da representatividade pode se tornar algo tão inócuo artisticamente quanto. Ou seja: se o que lemos é, para todos os efeitos, uma obra de arte, então ótimo, discutamos o que há pra ser discutido num âmbito sociológico mas discutamos também e principalmente a obra de arte.

    Btw,

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  12. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!


    Nisso eu concordo. Simplesmente mostrar as diferentes culturas que fazem parte do continente africano em blockbuster só para agradar os negros desse lado do atlântico não vai resolver as mazelas que assolam vários países daquele continente.

    Mesmo eu, sendo negro, me incomodo com essa militância que só aponta o dedo em redes sociais. Como se colocar um adereço ou túnica afro fosse te tornar africano... nada mais enganoso. Ser negro no Brasil é infinitamente mais fácil do que ser negro em Serra Leoa, Somália, Nigéria ou da Eritréia.

    Tem discriminação, desigualdade e muita mortandade de negros no Brasil? Com certeza. Mas evocar a tal ancestralidade africana sem passar a limpo a nossa história de escravidão e continuar a se iludir por um país melhor. Que celebrar os ancestrais? Então, que se comece a pesquisar pelos nossos antepassados que continuam esquecidos e sem origem certa de onde vieram.

    Desculpa aí, galera. Ficou militante meu post. Não vai acontecer de novo :dente:
     
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  13. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Pois é. Claro que no caso do Pantera Negra a própria militância se torna um tema incorporado na obra, especialmente pelos dois lados conflitantes: o do Killmonger, defendendo um combate à opressão que não recusa a luta armada, e o caminho de T'Challa, que tende a ser mais diplomático e pacifista.

    Isso é visto por exemplo quando o T'Challa consegue unir, no fim do filme, tribos que até então eram rivais da sua. Penso que a decisão de abrir Wakanda aos olhos do mundo a partir de uma esécie de Ong (esqueci o nome exato) é um modo habilidoso da parte dele de retirar Wakanda do seu ostracismo histórico e igualmente incorporar as críticas que o Killmonger fez.

    Mas incomoda um pouco que se reduza o filme só a esse tipo de nuance. Ele tem mais a dizer. Por exemplo os lados obscuros da militância, no que mais uma vez voltamos ao Killmonger.

    Afinal de contas ele traz pontos relevantíssimos, alguns eu julgo até irrefutáveis, por exemplo o silêncio histórico de Wakanda, que, munida com tanta tecnologia, calou-se frente a opressão histórica contra os negros. Onde estavam os Panteras Negras frente o aparthaid ou frente os navios negreiros?

    Mas existem outros também, por exemplo a relação entre pai e filho. Neste sentido eu penso até que o filme pode ser lido sob uma clave hamletiana:

    T'Challa seria o príncipe numa jornada de amadurecimento e o Killmonger um pretendente que visa a vingança pessoal e histórica. Mais uma vez, ele é essencial na narrativa pois traz, mais do que o elemento pessoal de vingança (algo que o T'Challa conseguiu expurgar no Guerra Civil), uma vingança histórica, ou seja, uma vingança pelo povo negro, pela opressão sofrida. Todavia, ele quer essa vingança mas não reflete sobre as consequências de seus atos, o que as inúmeras cicatrizes no seu corpo, marcações dos mortos que ele já fez, demonstram muito bem.

    E refletir sobre seus atos é bem o que o T'Challa, amadurecido em parte pelos acontecimentos do Guerra Civil, faz por exemplo quando rechaça até o convite do seu pai para que vivesse num mundo transcendental e paralelo: o T'Chala entendeu que é preciso enfrentar a culpa, encará-la de frente e não descartá-la ou simplesmente esquecê-la como se não existisse. Neste sentido ele inclusive é um rei mais preparado que o seu pai.

    Mas, continuando com o paralelo hamletiano, se o T'Chala é claramente uma figura de matizes hamletianos, o Killmonger lembra muito o Laertes, que, por uma ação ensandecida do Hamlet, perde o pai de forma trágica e então corre atrás de vingança. A certa altura da peça uma personagem secundária o caracteriza assim:

    The ocean, overpeering of his list,
    Eats not the flats with more impetuous haste
    Than young Laertes, in a riotous head,

    Ou seja, ele estava inteiramente tomado pela fúria, bem o contrário do Hamlet que se afundava em pensamentos e inclusive reclamava o fato de que refletia de mais e agia de menos.

    Enfim. É importante que a gente passe a ter esse olhar mais amplo e menos marcado. Caso contrário a gente cai na armadilha de ler qualquer produção que "dê destaque a negros" (entre aspas pois não é exatamente uma questão de "dar destaque" mas sim de encarar com naturalidade que filmes possam ser feitos com mais negros no elenco do que hoje se faz); a gente, eu dizia, cai na armadilha de achar que toda produção assim obrigatoriamente é uma metáfora contra o racismo ou que pode ser dissolvida pelo discurso da militância mais engajada. Tipo o que já andaram fazendo com Cruz e Sousa, um poeta que sim, tem seus momentos de críticas poderosíssimas à sociedade escravocrata, mas que não se resume apenas a esse tipo de pauta.
     
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  14. G.

    G. Ai, que preguiça!

    Ah, Mavericco :grinlove:

    Eu estou feliz que o filme funcionou pra mim e que ele é bem natural, não é nada panfletário, ao contrário do tom prevalecente da conversa em torno do filme em si... Entao eu so ignoro toda vez que aparece uns artigos assim:
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    --- Mensagem Dupla Unificada, 20 Fev 2018, Data da Mensagem Original: 20 Fev 2018 ---
    De qualquer maneira, eu vou rever esse semana que vem e depois ou antes eu revejo o Winter Soldier pra ver mesmo qual dos dois agora é meu favorito da marvel. Será que o capitao perdeu seu posto? :p
     
  15. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Mais uma marca batida e cabe mais..

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    Filme de T'Challa ultrapassou faturamento de "Batman: O Cavaleiro das Trevas"


    “Pantera Negra” conseguiu mais uma marca histórica para a conta. Com a bilheteria deste fim de semana nos EUA, a nova produção da Marvel se tornou o maior filme solo de super-herói de todos os tempos do cinema americano.
    No total, o filme já lucrou US$562 milhões internamente e com isso ultrapassou “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, que detinha a liderança com US$534 milhões desde 2008.

    Agora, “Pantera Negra” está atrás somente de “Os Vingadores”. O filme que reúne vários super-heróis da Marvel arrecadou US$623 milhões nos Estados Unidos em 2012.

    Nos últimos dias,
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    e se tornou a 21ª maior bilheteria mundial da história. Para ultrapassar “Batman: O Cavaleiro das Trevas” mundialmente, o filme precisa arrecadar US$4 bilhões – e isso pode acontecer em breve.
     
  16. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

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