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[Paganus] Monte Meru [M]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Paganus, 20 Jun 2013.

  1. Paganus

    Paganus Visitante

    Não sei se firo as regras do clube criando um tópico para registrar minhas tentativas infantis de poesia, mas em todo caso, se as firo peço que um moderador me alerte.

    ------------------

    O Monte Meru, segundo consta na mitologia hindu e nos relatos dos Pûranas, é a montanha cósmica, ao redor da qual orbitam Surya (o Sol) e todos os outros planetas. É o centro do Universo manifestado, e onde o Espírito habita, o lar do Senhor Brahma e de todos os deuses celestiais (deva), e um suporte de meditação ióguica tradicional. O Monte é um símbolo de todo o cosmo, de toda a vida e do espírito que impele a vida à além-vida, é o Centro, o Axis-Mundi, como a Árvore da Vida, Yggdrasill na tradição nórdica, a própria Árvore Invertida, cujos ramos se projetam na terra e raízes no céu, como a indicar a direção da manifestação e o caminho para a moksha. Árvore Sephirótica, na Kaballah etc.

    Disso se seguem dois pontos:

    1-Axis-Mundi: o Monte simboliza o cosmo, em seu aspecto natural de alteração, de nascimento, vida, morte e renascimento eterno, análogo ao próprio processo de nascimento, vida, morte e renascimento do homem. A árvore é o macrocosmo, o homem o microcosmo. Monte Meru e Purusha, o macrantropo. É a vida que pulsa nos seus aspectos mais fecundantes e mais terríveis, vida e morte, eterna sucessão angustiante e esperançosa, a dualidade da vida em si mesma.

    2-Centro Primordial: enquanto Centro, é de Meru que se origina, como de um princípio metafísico único, toda a sacralidade do mundo, desde os seus aspectos vitais mais orgânicos até toda energia espiritual, desde a autoridade bramânica até a realeza xátria, da dimensão metafísica do sexo e da guerra até a teologia monárquica, da metafísica aristocrática à metafísica ascética, ióguica. É o suporte central de meditação do iogue e de amparação política e sacral do Imperium.

    Em tudo isso, se encontra que, sendo centro, de onde o Brahman se manifestou em Purusha (espírito) e Prakrti (matéria), é para esse centro que a mesma manifestação tende. Conforme os ciclos se sucedem, as Quedas e a decadência espiritual e metafísica do homem juntamente com o cosmo, tudo se torna mais bruto e material, mais caótico e distante de Meru. Não há mais centro claramente visível, mas até os piores séculos do Kali Yuga o Monte Meru. Em outras palavras, sempre haverá oportunidade de se ascender ascética e regiamente ao Topo, parlamentar com os deuses, adorar Brahman e nele se libertar do samsara.

    ---------------------------------------------------------

    Isso ilustra bem o que a poesia é para mim. O fazer poético sempre vi como algo mais que tessitura de belos quadros para quadros vazios e mais que apologias a certas ideias e comportamentos. A poesia sempre me apareceu e me impactou como uma cosmovisão mais profunda e orgânica que a mitologia mais ancestral, da qual se alimenta, conscientemente ou não. A poesia é muito mais que qualquer ideologia ou filosofia mesmo que assim se apresente, há algo de espiritual na alma que se desnuda, ascetiza para se expressar em formas belas e com uma força, uma intensidade poderosíssima, é uma forma de se ver o mundo que é capaz de 'espiritualizar' as ideologias mais grosseiras pela própria tessitura poética, pelo desnudamento e derramamento até à morte exacerbante da personalidade. O poeta se despersonaliza para se universalizar, ele atinge aquela impessoalidade dos maiores estados místicos e iniciáticos por esse regime ascético da poesia e pelo fazer que, de fato, 'imanentiza o schaton', torna o Fim ontologicamente próximo do contingente. Toda poesia é uma busca, mais ou menos orgânica e bem-sucedida, do Monte Meru.

    Bom, chega de filosofice que importa muito pouco ou nada, o que importa é sentir, sentir a cousa mesma e por ela se chegar ao nada verdadeiro, ao tudo em tudo.

    - - - Updated - - -

    os diabos na câmara escura e brilhante

    Assim como te via, brilhando ao luar como te via, sem brilho e nem luar,
    via eu o sol dançando pelos teus cabelos, as ninfas a cantar, e rodopiar e gozar
    da eternidade sonhada e refletida no teu olhar
    sem sol nem luar, sem nada eterno nem mítico
    só o meu pensamento a rodar, e a cismar
    e... assim... vejo como um cego a sonhar
    teu sorriso belo e branco, cheio de dentes
    a me humilhar.

    Queria não pensar tanto, não lembrar sequer de ti,
    nem é tu o problema, amor, maior que a vida,
    que coroei dona do meu coração desde anos pueris mais distantes.
    Mas tem algo que me trazes e que é maior que teus olhos pretos e lindos, muito vivos;
    algo que me faz cismar.
    Um quê de pensamento e emoção, que obscurece a sensação,
    direcionado pelo meu gozo, desviado pelo gosto, afirmado pela saudade.

    Será isso o quê, quimera de Satã?
    O que me fazes sonhar, tremer, temer, balouçar,
    no inferno do desalento cair, no nada insistir,
    tristeza me engolir, o vazio fitar?

    -Isso, pobre diabo, que deverias amaldiçoar em vez de a mim caluniar
    se chama, toma tento,
    coração.​

     
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  2. Paganus

    Paganus Visitante

    Uma declaração de amor


    Queria antes de tudo te dizer

    Te dizer com a minha boca

    Com a minha boca na tua

    Com a minha língua proverbial na tua boca

    Que te amo.


    Te amo com todo o poder dos meus ombros

    Com o vigor das minhas costas

    Com a força dos meus quadris

    Com a paixão trêmula

    Extasiante

    Trêbeda

    Dos meus braços.


    Acima de tudo, te diria tão eloquentemente sobre o amor

    O meu amor por ti e o amor em geral

    O amor metafísico e o amor dos anjos

    Mas perdoa-me, não te diria em palavras


    Em palavras, não.

    Não...

    N...

    ...


    .
     
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  3. Paganus

    Paganus Visitante

    Excrescência

    I

    Sou parte da relva tanto quanto
    Sou parte da vida que escorre pelos teus dedos finos e amarelos
    Quando descobres tua flor
    Desabrochas para o mundo, para mim, para o ser da relva, relva úmida, molhada do teu doce orvalho.

    Lembrarias também, pequena,
    Dos meus olhos lânguidos com que o sol te olhava e abrasava
    Da lunar observância das regras perfuradas pelo calor das tuas reentrâncias
    E da fecundação pelo orvalho, quando de ti um deus nasce

    Com o sorriso da morte expulso de teu ventre pelo milagre

    II

    Ela visitou aqueles pastos carbonizados pela tragédia
    E traçou um círculo em torno da própria vida retilínea que te tinha como centro, princípio e termo
    Por mais que tentasses e te desviastes para cá e para lá, com tua canalhice e podridão
    Saberia, no teu íntimo sentirias, e no teu colo se derramaria

    A eterna dor e drama incessante do negro e terrível acontecimento da solidão

    III

    Ela lamentaria, amor meu
    Tua rosa de frescor
    Ter perdido antes o viço que a pureza
    Pois tais rosas, te ensinaria a vida
    São gozadas em seu esbagaçamento

    E a contemplação à distância é coisa de maricas que não metem, ou metem mal.

    IV

    Eu ando pelas vielas da rua da minha infância
    E estranho cada pedra solta, cada pequena destruição, cada casa abandonada
    Estranho cada casa nova, cada pequena construção, cada rua asfaltada
    Estranho tua ausência como estranho que cá já passaste
    Passaste com esses teus pés que não são mais meus, por essas ruas que não são mais
    As da nossa infância.

    Passaste com pés que nunca foram teus, que o são menos agora

    Quando nem em meus sonhos habitas, apenas perduras, como longínqua prenda, doce recordação.
     
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  4. Malkyn

    Malkyn The Siren

    Humbert Humbert... Não teve como não fazer a comparação! Sinto muito!
     
  5. Paganus

    Paganus Visitante

    Em movimento

    Pela eternidade me bastaria a lembrança de hoje
    Os raios do sol a banhar a tua face
    E os teus braços
    E os pelos dos teus braços, finos, macios, dourados pelos raios do mesmo sol que aquece meu coração no encontro com o teu
    Em um veículo em movimento

    Quando se move o Sol à roda da Terra que é imóvel nos teus braços que tocam os meus
    Nas espáduas que se unem ao meu peito
    Em um veículo em movimento

    O sol que bate nos teus olhos, grandes, desconfiados, quentes
    Que ilumina teu rosto encovado, nem feio nem bonito
    Que mescla as tuas cores, em formas tão nítidas
    Com as cores do meu pensamento, pelo sol iluminado
    Em um veículo em movimento

    Meu pensamento purificado, limpo, abrasado pelo sol da inocência
    Se enamora da ardência do meu corpo, que te envolve sem tocá-lo
    Vive o desejo de te consumir, te arder no meu fogo próprio, tão meu quanto teu
    Em um veículo parante

    Meus sentidos se nublam diante da imprevista consequência
    Do toque de suas pernas no meu colo
    Revirando e virando as trocas de fluxos de energia de desejo
    Em um veículo parado

    Quando tu te afastas de mim em direção a um destino
    Posto que cruel, posto que distante de mim
    Penso na tristeza, no acontecimento, nas tuas faces, vermelhas, indefesas

    Em um veículo do qual partes, que torna a se mover.
     
  6. Paganus

    Paganus Visitante

    Nesga de sol

    O sol nasce por cima dos teus ombros, com uma luz fulgurante através da nossa janela
    Ele doura de luz molhada os teus ombros salgados
    Sobe pelas tuas costas que vejo com minhas mãos
    Com o vento que desce pelos teus cabelos, que, esvoaçantes, entram na minha boca
    Aberta e fechada, aberta e fechada
    Sempre-movente, moventes os carros meu e teu, um carro só, unidos sempiternamente

    Nessa lama sem rosto, nessa água com o teu cheiro
     
  7. Paganus

    Paganus Visitante

    Trilha

    Eu te olho
    Você me olha
    Olhos que se desencontram
    Você me olha
    O volume da minha calça sobe
    Eu te olho
    Sobe mais
    Você desvia o olhar
    Ele abaixa
    Sobe
    Te olho
    Viro o corpo de lado
    Sobe o teu peito
    Desce o teu peito
    Remexes nos cabelos longos, lisos, castanhos
    Endureço as pernas duras, estremeço
    Sobe
    Desce
    Sobe
    Me enervo, te olho
    Tu me olhas
    Encontro de olhares
    Abaixo o olhar
    Olho tuas pernas, roliças, lisas, brônzeas
    Olhas meu peito, meu pescoço, minha face de barba mal feita
    De olhos negros e brilhantes, inflamados
    Olho teus olhos, castanhos, sérios, buscantes
    Sobe, desce, sobe, sobe
    Olho tuas mãos, brancas, perfeitas, unhas-pintadas
    Sobe
    Sobe, sobe, sobe
    Sobe
    Caminho, aproximo-me
    Alarga-me o teu peito
    Não caminhas, aproxima-te, vira-te pra mim, levemente
    Para ti aumenta minha mão ossuda e trêmula
    Quente
    Próximo
    Montes elevantes
    Perfume que invade meus lábios
    Perfeição do teu rosto
    Dureza superficial de minhas mãos
    Sorris

    Desabo
     
  8. Paganus

    Paganus Visitante

    Impalpabilidade

    Eu gostaria do fundo do meu coração
    De escrever um poema sem palavras
    Um poema que fosse antes um espelho ou um microfone
    Que imagens de essências celestiais

    Gostaria de fazer um poema
    Que fosse puro som
    Que fosse essa música terna, embalante
    Essa batida gostosa que faz meus pés endoidecerem
    Meu peito arder
    Meu corpo a dançar, a balançar

    Eu queria dançar, inverbalmente, poeticamente
    Queria uma composição simples, livre
    Que me livrasse do peso, da responsabilidade
    De ter costas e responsabilidades

    Queria uma canção-poema que fosse como a tua bunda girante rebolante hipnotizante
    Como o teu sorriso e teus cabelos quando ambos voam pelos ares
    Queria uma poesia dos meus passos, da minha alegria
    Do meu quadril

    Eu só queria gravar na eternidade o instante fugaz da morte da nossa mortal insignificância
    Apenas queria a imortalidade, e não qualquer imortalidade
    Queria a poesia do nosso amor
    Inverbal
    Impalpável
    Insubstancial

    Eterna
     
  9. Paganus

    Paganus Visitante

    Sorriso

    O sol a se derramar pelas vielas esburacadas
    Com a vida que se findava na rodovia
    E as casas suburbentas do nosso bairro torpe e belo
    Da nossa existência rotineira, macilenta, amorosamente tediosa
    Se mantinha e me mantinha de pé
    Por causa do teu sorriso

    Do sorriso dos teus lábios
    Do sorriso do teu colo

    Do riso das tuas pernas

    Inter-referencialidade


    Lembrei então, como quem não quisesse quase
    Dos lindos e tristes olhos meus que enxergavam tristeza e beleza
    Nas formas das paisagens anti-naturais
    Tentando penetrar com gozo e dor na essência íntima das coisas.

    Estes olhos arranquei
    Troquei-os por um colar de pérolas
    Para teu colo adornar,
    Ó minha tirana, minha escrava, minha rainha

    Sensibilidade Imperatriz.

    Puberdade


    A verdade que me nego hoje a crer
    A crer e a amar
    Era a inocência das estrelas, a placidez
    Das águas, a fúria das
    Ondas
    Do mar, o teu sorriso uterino-virginal-omphálico
    O núcleo da minha experiência

    De vida e morte.

    Ressaca

    Sobre dias de chuva terei ainda muito que falar
    Mais teria que cantar
    Prefiro porém calar

    Calo-me diante das grossas gotas que castigam os vales bueirentos
    Da minha cidade litoral, do meu porto de saudades
    Das poças explodindo sob meus pés

    Sinto apenas o beijo áspero do vento na praia, que prefiro
    O roçar de suas asas gélidas pelo meu rosto
    Contemplo o vôo dos guarda-chuvas, barracas, lonas diversas
    Admiro a fúria de Poseidon teso, rijo, ereto no devir telúrico-aquático

    Penso o quanto detesto os dias burgueses de sol
    E abraço o meu irmão proletário na sua essência chuvosa e terrível
    E me esqueço de todas as classes e teorias e idéias
    Cheirando, vendo, sentindo Deus
    Na ressaca.


    Amo essa cidade.

    Recreio

    Teria muito de que me arrepender
    Se não te amasse tanto, tanto ao ponto do desprezo
    Não por alguma lição moral, ou alguma besteira assim

    Simplesmente pelo fato de recrear meu coração com alguma coisa.
     
  10. Paganus

    Paganus Visitante

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    A tristeza paralisante que sinto
    Vem junto com a irritação da falta de nicotina
    Da falta de esperança, da vacuidade de nossa vida política
    Do meu vazio existencial
    Da minha experiência da falta de Deus,
    Da minha falta de vontade de buscar Deus
    E creio ser isso saudade tua e mágoa pelos nossos sofrimentos
    Porém passa um par de pernas brilhantes
    Levanto meu olhar
    E tudo está bem de novo!

    Sobe,sobe, fumaça, queima e sobe ao Senhor!

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    Ventos absurdos e calados remorsos enterrados
    Sem serem despertos e chamados de volta, amuados
    Permanecem me remoendo inconscientemente, me mastigando as carnes
    Enquanto meu peito estufa

    E meu sexo se inflama com esse perfume de vagabunda.

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    A minha essência, a minha consciência poética
    É ser vadio
    Minha tragédia é o medo
    De ser livre para vadiar.
    Talvez a consciência estética seja a única consciência que exista
    Talvez nada mais exista além da beleza
    Talvez só os artistas existam
    Só os romances sejam reais
    Só as pinturas revelem a essência do mundo
    E as esculturas, a profundidade da verdade
    Talvez só a poesia Seja

    E não sejamos egoístas.
     
    • Ótimo Ótimo x 1

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