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"Outros jeitos de usar a boca", Rupi Kaur

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Mavericco, 29 Abr 2017.

  1. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Tava conversando com a @Ana Lovejoy sobre esse livro e aí vi essa reportagem da Folha. Grifei as partes que achei mais curiosas. O que pensam sobre o assunto?

    §

    Do comercial ao 'cabeça', editoras do país exploram livros feministas
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    O livro de 208 páginas começou um caminho lento há um mês e agora chega às cabeças. Depois de vender quase 1 milhão de exemplares no exterior —
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    —, "Outros Jeitos de Usar a Boca" (Planeta), da canadense Rupi Kaur, quer repetir o fenômeno no Brasil.

    A obra figura, neste sábado (8), no oitavo lugar da lista de mais vendidos de ficção publicada pela Folha. E é mais uma de um filão em que as editoras agora apostam.

    Com a mais recente ascensão do feminismo, livros sobre o tema ou que abordam questões do gênero de modo lateral ganham espaço nas prateleiras. É um fenômeno de novos nomes, caso de Chimamanda Ngozi Adichie, e antigos –a obra de Simone de Beauvoir renasceu no Brasil.

    Rupi é um exemplo de que algo mudou. "Não havia mercado para poesia sobre trauma, abuso, perda", disse a autora de origem indiana ao jornal britânico "The Guardian".

    Após ser rejeitada por editoras, resolveu lançar sua obra via autopublicação. Só um ano depois chegou a uma grande casa e virou fenômeno.

    Seus poemas falam de relacionamentos abusivos, a relação com o pai, o empoderamento –termo em voga–, com um pé na autoajuda.

    Ficou famosa, em 2015, depois que o Instagram apagou uma de suas fotos. Kaur aparecia de costas, com as calças sujas de sangue menstrual.

    A Planeta, sua editora, não divulga a tiragem –mas o mercado estima que passe dos 10 mil exemplares. Para se ter uma ideia, um lançamento grande de um livro de poesia costuma ter mil exemplares.

    "O feminismo já é percebido como um 'produto' poderoso pelo mercado. Não só porque as empresas descobriram as mulheres como público mas também porque elas produzem cada vez mais conteúdo com foco no empoderamento", afirmou Raquel Cozer, editora da Planeta.

    CIFRAS

    Basta ver a obra de Beauvoir, publicada pela Nova Fronteira desde os anos 1980. Até recentemente, saía em tiragens de até 2.000 exemplares, que se esgotavam e ficavam anos fora do mercado.

    Agora, não mais. Nos últimos três anos, a obra dela vendeu 40 mil exemplares, 35% a mais do que na década anterior inteira. "O Segundo Sexo", seu livro mais famoso, representa metade disso. Em 2015, a visibilidade da autora foi ampliada a partir da polêmica em torno de uma citação sua na prova do Enem.


    Não é só no Brasil. A americana Feminist Press, uma das casas feministas remanescentes dos anos 1970, diz ter crescido 25% em 2016.

    "Nossos livros estão vendendo melhor do que nunca. E há o interesse no exterior. Na Feira do Livro de Frankfurt, há uma mudança clara. Antes, eu enfrentava o ceticismo dos grandes editores para convencê-los que publicar mulheres era importante", diz a editora Lauren Hook.

    Uma das precursoras do fenômeno, Chimamanda Ngozi Adichie, publicada pela Companhia das Letras, vendeu mais de 100 mil exemplares de todos os seus livros. O último,
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    , é o quarto no ranking de não ficção no país.

    "A apropriação do feminismo pela lógica comercial é inevitável, mas em certos casos opera contra a luta por emancipação. Em outros, é positivo por permitir que o feminismo atinja um público que antes o ignorava", diz Laura Erber, escritora e professora do departamento de teatro da Unirio.

    De todo modo, a expansão dos estudos de gênero no meio universitário –ainda que tímida– favorece livros com outro perfil. A editora de esquerda Boitempo, que publica obras do segmento, viu "Mulher, Raça e Classe", da ativista negra Angela Davis, vender mais que o esperado, 14 mil até agora. A tiragem inicial apostava em modestos 6.000.

    A tendência é o público buscar não só obras diretamente feministas, mas autoras e personagens mulheres.

    Um nome forte é a italiana Elena Ferrante, cujos três volumes de sua tetralogia napolitana já venderam 132 mil. Há até a hashtag #leiamulheres em campanha na internet.

    "O feminismo é o movimento político mais forte, articulado e com capacidade de mobilização do país. Mais até que o movimento liberal", diz Carlos Andreazza, editor da Record, nome associado ao conservadorismo político.

    "Não sei se é o grupo de pressão que forma mercado, mas há espaço para experiências individuais femininas."

    A aposta da Record para breve, nessa seara, é uma autobiografia da artista Marina Abramovic, "Pelas Paredes".

    OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA
    AUTORA Rupi Kaur
    TRADUÇÃO Ana Guadalupe
    EDITORA Planeta
    QUANTO R$ 29,90 (208 págs.)

    §

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    Dois outros links:

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  2. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Essa é uma tendência interessante. E essa apropriação comercial é esperada. O mercado não perderia essa oportunidade, mas apesar disso essa é uma popularização interessante.
     
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  3. G.

    G. Ai, que preguiça!

    Eu quando vi esse vídeo da Jout Jout fiquei com os dois pés atrás.
    Claro que só sei do que ela leu, mas a impressão foi de que a menina tascou todas as suas emoções dela la no papel de forma crua e não trabalhada e chamou de poesia por estar dizendo coisas tidas como importantes. Achei tão aberrante a voz desleixada adolescente da autora. Não admira que foi inicialmente recusado e que já vendeu esse número tanto de copias...

    Não admira tbm que a Jout Jout tenha ficado tão entusiasmada com o livro, que parece ter o proposito de como ela mesma disse dar vários tapas na cara da sociedade, de lacrar, empoderar (realmente , como diz o texto, pro bem ou pro mal, a palavra do momento), descontruir etc.
     
    Última edição: 30 Abr 2017
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  4. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    vou comentar duas coisas distintas aqui. primeiro, a questão do mercado descobrindo que há um público interessado em literatura feminista. nesse caso: fantástico. há público, sim, e tem muita coisa para lançar ainda (o
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    merecia uma chance por aqui, por exemplo). e, o principal, acho que está nas aspas da laura erber: "é positivo por permitir que o feminismo atinja um público que antes o ignorava".

    sobre a rupi kaur: no geral, eu não gostei do livro. e dói bastante dizer isso porque, considerando o que disse no parágrafo anterior, o tema que ela aborda é importante e necessário. mas o mérito da obra dela me parece mais esse, o tema e não a poesia em si. vou colocar aqui da mesma forma como coloquei para o mavericco: pode ser uma limitação minha enquanto leitora de poesia, mas eu torcia o nariz para tanta, tanta coisa ali e sempre martelando uma sensação que já vinha de quando li o the princess saves herself in this one da amanda lovelace (um tico melhor que o da rupi kaur)e que a gabriela conseguiu resumir tão bem: quebra de linha não é verso. me aborrece enquanto leitora, e depois de experimentar três autoras que seguem nessa linha já decidi que não é minha praia.
     
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  5. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    É um tema que realmente me interessa... Do que eu li da autora (tenho a impressão que se a gente se organizar direitinho, dá pra ler o livro todo só na base do que o povo anda citando) eu também não gostei. Mas eu vejo duas implicações curiosas:

    1) O lance da temática, que, como a Anica disse, tem chamado mais a atenção do que a poesia em si. É o tipo de tema que dificilmente um homem vai falar. Na verdade, pra rebobinar a fita com aquela observação clássica da nossa amiga Simone, a mulher na história da literatura sempre foi Musa e poucas vezes poeta. Quando calha dela pegar a pena, aí pode acontecer sim dela abordar algumas coisinhas que só raramente os homens abordam. Não que um homem não possa escrever um bom poema falando sobre a situação de relacionamentos abusivos. Nada disso. É só que, olhando pra trás e olhando pra hoje, e aí? Cadê? Relacionamentos abusivos infelizmente não são coisa de outro mundo. O fato de que uma poeta tenha conseguido falar desses temas de uma maneira especialmente tocante para o público feminino é algo digno de nota e me parece um argumento forte para que se defenda um movimento como o de Leia mais Mulheres (ou qualquer outra minoria que seja, bem se entenda);

    2) Ao mesmo tempo, é um ramo de poesia confessional que me parece muito forte lá fora. É como se eles tivessem pego os grandes medalhões da poesia confessional anglófona da segunda metade do século passado, a exemplo de nomes como Sylvia Plath, Anne Sexton, Ted Hughes ou Robert Lowell, só que de modo a que fossem reduzindo a voltagem poética até o ponto dela se aproximar e muito da prosa, potencializando a capacidade de comunicação e reduzindo as malhas da expressão. Eu até consigo ver alguns poetas trabalhando a matéria confessional da poesia de maneira intensa, e um exemplo que eu gosto muito de dar é o da Patricia Lockwood, que também tem uns poemas que pegam pra capar. Ela tem um texto chamado Rape Joke, onde ela diz, só a título de exemplo, numa certa parte:

    "The rape joke is that he knew you when you were 12 years old. He once helped your family move two states over, and you drove from Cincinnati to St. Louis with him, all by yourselves, and he was kind to you, and you talked the whole way. He had chaw in his mouth the entire time, and you told him he was disgusting and he laughed, and spat the juice through his goatee into a Mountain Dew bottle."

    [A piada de estupro é que ele sabia que você tinha 12 anos. Ele uma vez ajudou sua família a se mudar para dois estados, e você viajou com ele de Cincinnati a St. Louis, só os dois, e ele foi gentil com você, e você tagarelou a viagem inteira. Ele tinha comida na boca o tempo todo, e você disse que ele era nojento e ele riu, e cuspiu suco por seu cavanhaque numa garrafa de Mountain Dew.]

    Mas ela ao mesmo tempo vai além até chegar nuns poemas que eu acho bem tocantes e bem sacados, como o
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    Então assim: apesar da Lockwood também ter se tornado viral com o Rape Joke, a poesia dela é mais difícil de ser lida. Esse do List of Cross-Dressing Soldiers [Lista de Soldados Travestis] é um exemplo (ele tem um número maior de dobras internas e consegue se comunicar com facilidade com uma gaveta cultural rica que vai da Diadorim a algumas heroínas shakespearianas e o A donzela que foi à guerra, poema medieval português), mas ela tem coisas muito mais psicodélicas como The Whole World Gets Together and Gangbangs a Deer (O Mundo Inteiro Chega Junto e Estupra um Viado: é sério, olha esse título; conseguem imaginar isso se tornando viral?).

    E o que é interessante é que, se a gente fosse passar pro Brasil, dá pra ver algo parecido. Quem for fuxicar um pouco a poesia que é produzida em saraus, slams ou eventos feministas vai encontrar uma poesia à maneira dessa da Rupi Kaur com facilidade. Às vezes eles adicionam alguns aparatos poéticos a depender do tipo de produção, por exemplo rimas no caso dos slams. Um exemplo:

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    Compare com:

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    O mesmíssimo comentário que fiz sobre a temática difícil e arisca pode ser apontado aqui. A proximidade que o eu lírico estabelece com o leitor também, a ponto de falar de coisas muito íntimas sem rodeios (no caso da autora no segundo vídeo, íntimas a ponto de nem a mãe dela saber). Faz lembrar alguns dos grandes nomes da poesia do desbunde, acho que em especial a Ana C. Mas o que é interessante de ser notado, e eu acho que é algo capaz de gerar algumas reflexões boas, é que enquanto a poesia da Ana C. é marcada por um embate poderoso entre o fingimento poético necessário à criação poética e a sinceridade, esse tipo de poesia à maneira da Kaur ou do Slam que citei acima não possuem sequer resquícios disso. É como se a clivagem fosse agora em outro âmbito: no das relações íntimas do indivíduo e no das garras da sociedade apertando o pescoço...
     
    Última edição: 30 Abr 2017
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  6. Darkness

    Darkness 天使 Usuário Premium

    Não gostei!
    Acho o tema importantíssimo, mas não consegui ver como uma poesia, não consegui me sentir "tocada".
    No meu ponto de vista, parece mais um amontoado de reflexões do que esse tal "tapa na cara da sociedade" que estavam falando, dentro do geral, eu não sou grande fã de poesia e apesar de ter lido o livro em poucas horas, não me peguei refletindo sobre o tema e nem nada nesse sentido, efeito que geralmente eu espero de um livro com essa temática e crítica.
    Aliás com esse título (em português), eu havia rejeitado a leitura inicialmente, pois na minha concepção parecia indicar algo pornográfico ou no mínimo erótico.
     

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