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Oscar Wilde - O Jovem Rei e outros contos (A House of Pomegranates)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Rodovalho, 12 Mai 2011.

  1. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    !!!CUIDADO!!! CONTÉM SPOILERS!!!
    !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Li o original, A House of Pomegranates. Casa de Romãs. Acho que O Jovem Rei e outros contos é a tradução, mas posso estar enganado. O Jovem rei é o primeiro dos quatro contos contidos nesse livro.

    O primeiro livro de Wilde que li foi O Retrato de Dorian Gray. Depois li o conto O Fantasma de Canterville em uma coleção de contos variados. Até ouvir falar de O Jovem Rei e descobrir que Wilde escrevia pra crianças. Imaginem, sarcasmo e ironia pra crianças! Foi uma surpresa descobrir essa face de Wilde. Ok, vamos ao livro.

    O Jovem Rei é a história de um filho bastardo de um rei que, por reviravoltas do destino, é destinado a ser coroado. Anteriormente, ele tinha sido criado por pastores e passa por um choque ao ser incluído na realeza. Mas, inicialmente, até gosta, apesar do tédio. Até que no dia antes de sua coroação, ele começa a ter pesadelos sobre sua indumentária no dia da coroação: a coroa, o cetro e a túnica. Nesses pesadelos ele descobre os sofrimentos daqueles que foram explorados para que ele tivesse todo aquele luxo. Bom, o resto é puro spoiler, então poupo quem está lendo do final.

    O próximo conto, O Aniversário da Infante, conta a história de uma princesinha espanhola. Ela só podia brincar com outras crianças durante seu aniversário, porque era proibido que ela se misturasse com quem não tivesse sangue azul. Ela se divertiu muito. Mas a história não é sobre ela, mas sobre uma das atrações de seu aniversário: um circo de horrores. Então entra aí um bailarino anão corcunda. O Corcunda de Notredame é o *&$#(*$&. Nele, o corcunda é bonzinho e quem se dá bem é o casal de bonitinhos. Nesse Aniversário da Infante, quem está escrevendo é o Wilde. Nada de Disney. Bom, o bailarino corcunda anão não sabe que ele é feio. E ainda mais, é muito feliz. A felicidade encarnada. E quando ele se apresenta pra princesa e seus nobres amiguinhos, acham que ele está fazendo um espetáculo, nem lhe passa pela cabeça que eles estão rindo da cara dele. E pior: ele se apaixona pela princesa. Pensem na merda que pode acontecer. Ok, sem mais spoilers. Mais um detalhe é os diálogos das flores, animais e até do relógio de sol. O bom de contos de fadas é que os animais falam. E tem opiniões bem espirituosas. As flores são umas frescas, os passarinhos amiguinhos, e os lagartos acham o corcunda até bonitinho: ele só não é mais bonito que eles mesmos, é claro. Bom conto pra nos esclarecer como as crianças podem ser cruéis.

    Os outros dois contos não são tão bons, na minha opinião. O Pescador e sua Alma é a história de um pescador que vende a alma pra conquistar uma sereia. E a alma dele é sua sombra. E pra tirar a sombra ele precisa da ajuda de bruxas satânicas e o tinhoso. Então ele vende a alma e casa com a princesa e eles vivem felizes para sempre. Não. Aí que entra o Wilde. Então a sombra do pescador começa a sair pelo mundo em suas aventuras solitárias, abusando de sua imortalidade, e sua dor de cotovelo. A sombra do pescador só queria voltar a ser um com o pescador. Infelizmente, a sombra não tem coração, porque o pescador precisa de um pra amar a sereia. Então a sombra sai por aí, se aventura muito, conquista muitas riquezas, tudo pra comprar o pescador. E não adianta. Um detalhe interessante, é que essa parte me lembra muito as Mil e Uma Noites. O estilo do Wilde faz muito alusões ao ouro, prata, pedras preciosas e etcetera. Riquezas exageradíssimas. A sombra falha muitas vezes, mas descobre um jeito de convencer o pescador. E ainda tem final feliz, pelo incrível que pareça. Ok, minha definição de final feliz é um pouco diferente da maioria.

    O último conto é o mais fraco. A Criança-Estrela. Bebê abandonado é adotado por uma família de bom coração, mas cresce como um menino mimado e muito mau. Mau mesmo. Depois ele se fode e tenta se regenerar. E se regenera, depois de passar por uns testes altamente previsíveis.

    E esses são os contos de fadas. Coisas de reis e rainhas e príncipes, e muito ouro e pedras preciosas. Lições de moral no final. Coisa para crianças entenderem. Não esperem por Pequeno Príncipe. O Pequeno Príncipe é um amor perto desses príncipes de Wilde (comparação absurda).
     

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