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Os Luminares - Eleanor Catton

Bartleby

happiness as such doesn’t exist
Tópico para divulgar o livro vencedor do Man Booker Prize 2013 =D

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Uma sinopse no site da Globo Livros:

Em 2013 o Man Booker Prize consagrou uma obra que quebrou paradigmas: Os Luminares, o livro mais longo e a autora mais jovem, Eleanor Catton, a receber o prêmio. Ela discutirá a obra na Flip 2014 (Festa Internacional Literária de Paraty), que acontece de 30 de julho a 3 agosto.

Ambientado na Nova Zelândia do século XIX, o romance tem como pano de fundo a corrida do ouro, em que personagens tentam desvendar a causa da morte de um homem solitário e descobrir o paradeiro de outro, que sumiu sem deixar vestígios. Trama de mistério, tudo em Os luminares é inusitado, no limite entre o estranho e o fantástico. A obra, com mais de 800 páginas, tem estrutura inspirada na astrologia e faz uma paródia do romance vitoriano.

O jovem inglês Walter Moody, recém-chegado no isolado vilarejo de Hokitika, na remota Nova Zelândia do século 19, procura descanso após sua tumultuada viagem de barco. Mas, sem perceber, ele acaba interrompendo uma reunião secreta de 12 moradores de Hokitika, que estão tentando resolver um mistério. E é durante a corrida do ouro que personagens excêntricos recontam suas histórias para desvendar a morte de um eremita e o desaparecimento do homem mais rico da cidade.

Entre os garimpeiros, um chinês traficante de ópio, um político preocupado com o eleitorado, um magnata cafetão, uma prostituta em luto, um reverendo novato e um guia maori são alguns dos envolvidos nesse mistério. E Walter Moody parece ser uma peça desse quebra-cabeça, após passar por uma experiência beirando o paranormal a caminho de Hokitika, onde pretendia fazer fortuna no garimpo.

Catton conduz o leitor por histórias que vão do místico ao exótico. Pepitas de ouro costuradas em vestidos, um tiro de suicídio que não dispara, fantasmas em caixões, uma charlatã que convoca espíritos e usa chineses como estátuas de decoração. Tudo isso na lamacenta cidade de Hokitika, onde chove intermitentemente e que prospera apenas enquanto os rios fornecerem ouro.

Eleanor Catton buscou no movimento dos astros as influências para seus personagens, dividindo o livro em partes que seguem as posições astrológicas dos signos de cada um dos envolvidos. Mas, se a Lua em Leão não explica desaparecimentos nem mortes suspeitas, a destreza de Catton costura as histórias mais surpreendentes, criando viradas repentinas na narrativa, conexões inesperadas, experiências com o misticismo e fecha firmemente as várias camadas da trama com clareza.


e no Livros Abertos uma resenha muito bacana do livro.


Por fim, um vídeo com legendas em pt com a autora falando sobre o livro:

_______



E aí? Alguém já conhecia? Tem interesse?



De minha parte, li as primeiras 130 páginas e fiquei encantado com a agudeza com que a autora descreve o psicológico dos personagens (ela cria um jogo lógico bem interessante quando revela o que se passa na mente de cada um, que você precisa ler com um pouco de calma e é uma satisfação divertida como a de resolver um enigma quando você capta como fulano é - várias vezes eu mesmo ri, por ser tão perspicaz a coisa), e como eles estão sempre tendo um olhar diferente sobre os outros e sobre as situações que os envolvem.

Outra coisa que gostei muito só nesse inicio foi como a narrativa sempre seguia num ritmo que te mantém fisgado. E também de quão bem Catton consegue descrever os ambientes em que a história está acontecendo, e várias vezes tbm ela utiliza imagens bem certeiras para descrever, empregando os elementos naturais das cenas, a maneira como tal personagem está se sentindo... tudo bem bacana...

Só não posso falar ainda sobre as coisas que mais falam nas resenhas por aí: os recursos da narrativa e o papel (de qual seria) do Zodíaco - por falar nisso, é legal como no inicio de cada capítulo, além de uma breve sinopse do que ocorrerá, os títulos referem-se, geralmente, a que personagem encontrará qual outro, ou discorrerá sobre tal outro etc, por meio de referências zodiacais, ex.: Marte em Sagitário - pois cada personagem tem um "equivalente" a um dos signos ou um dos planetas regentes - o que me fez procurar por imagens dos símbolos de cada um e seus nomes, porque, embora haja uma lista de personagens, lá não diz que signo/planeta representa quem, e no início de cada parte do livro há um mapa astrológico mostrando como cada um se relacionará com o outro - mas isso é feito pelos símbolos de modo que eu procurei os símbolos todos e montei minha própria lista de personagens, num papel avulso, pra ficar mais fácil =P

Mas enfim... acaba que, como falei por aí, tô com quase todas minhas horas esgotadas, o que faz com que só um dia ou outro tenha tempo pra ler o livro, e, como quero muito ler esse romance com boa regularidade (dispensando todo o dia para a leitura), acho que vou acabar deixando pra ler o inicio de novo e continuar com o resto lá pelo final do ano, quando estarei com mais tempo livre - a inconstância é algo que me desmotiva muito =/ Vou ficar devendo uma contribuição mais legal para incentivar vocês a ler, I'm sorry =/
 
Última edição:

Ana Lovejoy

Administrador
Fizeram uma animação com essas imagens que abrem os capítulos:

the-luminaries-gif.gif

eu acho que não cheguei nem em 5% do livro (se bem que isso deve ser umas 40 páginas :lol: ) mas gostei. não gostei esquema o pintassilgo, para me empolgar e continuar lendo (tanto é que acabei deixando de lado para ler outras coisas naquela promessa de "já volto, tá?").

mas confesso que fiquei curiosa sobre essa questão da astrologia. meu irmão estudou um pouco disso quando era mais novo então por tabela eu tive alguma noção, mas acho que não o suficiente para pegar, por exemplo, no que implica marte em sagitário, ou 'x' na casa 8, ou sei lá o que. e aí você pensa: ok, legal a estrutura e legal que ela tenha conseguido se pautar nisso, mas se quem não manja nada dos paranauê lê o livro e ainda assim acha foda, será que isso era mesmo necessário? ou, ainda: o quanto nós que não manjamos dos paranauê estamos perdendo ao ler esse livro? porque para mim me parece óbvio que minha leitura será bem diferente da leitura que alguém como o @Vela- o Rousoku faria, por exemplo (Vela, te marquei para sugerir o livro pra você). sabe, aquela coisa de "putz, dane-se a intenção do autor", mas se a moça botou todo o esforço pra seguir uma "regra", será que é apenas um truque para desviar a atenção do que importa, como a camila sugere na resenha dela? enfim. uma hora eu volto, mas deixo as perguntas aí para quem já leu.
 

Bruce Torres

Let's be alone together.
Creio que é como quando você lê Ulisses, @Ana Lovejoy : tem aquela tabela onde cada capítulo equivale a uma personagem da Odisseia, a uma parte do corpo, a uma área de conhecimento, etc. Você pode usá-la pra entender a proposta ou... simplesmente ignorar. É um tchã a mais, creio eu, verificar a correlação entre o texto e os signos - em ambos os livros, digo -, mas o texto é autônomo.
 

Spartaco

250 anos do nascimento
Eu já adquiri o meu exemplar; agora é ter tempo para começar a ler, haja vista que já estou lendo alguns outros livros ao mesmo tempo.

Além disso, ainda estou devendo um tópico relativo à autora (no Autor da Semana); vamos ver se consigo criá-lo até o fim desta semana.
 

Ana Lovejoy

Administrador
Creio que é como quando você lê Ulisses, @Ana Lovejoy : tem aquela tabela onde cada capítulo equivale a uma personagem da Odisseia, a uma parte do corpo, a uma área de conhecimento, etc. Você pode usá-la pra entender a proposta ou... simplesmente ignorar. É um tchã a mais, creio eu, verificar a correlação entre o texto e os signos - em ambos os livros, digo -, mas o texto é autônomo.

meu questionamento é mais sobre essa leitura que simplesmente dispensa todo o trabalho da autora como uma uma mera "distração". veja bem: mesmo no caso de ulysses quanto n'os luminares você pode até não ter o conhecimento para decodificar o que joyce/catton fizeram e mesmo assim curtir a leitura e tudo o mais. mas nos dois casos há um propósito para isso, e sei lá, dizer que a mulher teve todo o trampo de relacionar encontro das personagens, características das personagens e mesmo os eventos à astrologia só para desviar nossa atenção me parece meio puxado.
 
C

Calib

Visitante
Alguém há de, com o tempo, esmiuçar o livro como fizeram com o "Ulisses" e publicar estudos e/ou edições comentadas etc. Por ora, o leitor comum vai ter de se contentar só com que puder extrair do texto mesmo. XD
 

Bruce Torres

Let's be alone together.
meu questionamento é mais sobre essa leitura que simplesmente dispensa todo o trabalho da autora como uma uma mera "distração". veja bem: mesmo no caso de ulysses quanto n'os luminares você pode até não ter o conhecimento para decodificar o que joyce/catton fizeram e mesmo assim curtir a leitura e tudo o mais. mas nos dois casos há um propósito para isso, e sei lá, dizer que a mulher teve todo o trampo de relacionar encontro das personagens, características das personagens e mesmo os eventos à astrologia só para desviar nossa atenção me parece meio puxado.

Epa! Eu disse isso? :osigh:

Alguém há de, com o tempo, esmiuçar o livro como fizeram com o "Ulisses" e publicar estudos e/ou edições comentadas etc. Por ora, o leitor comum vai ter de se contentar só com que puder extrair do texto mesmo. XD

É como ler O Homem do Castelo Alto e tentar descobrir os pontos em que a trama se desenvolve de acordo com os símbolos do I Ching, já que o autor declarou ter usado-o para escrever o romance. Mas você pode ler como um romance de ficção científica de boas. Se você souber do que se trata - como Joseph Campbell lendo Finícius Revém -, será um plus.
 

Bartleby

happiness as such doesn’t exist
ah, sim... Também fiquei meio insatisfeito com a resolução da Camila para o uso do zodíaco... Sei lá, como vc disse, Ana, tem que ser mais que mera distração... E parece que o povo em geral não tem conseguido achar um sentido mais amplo pra isso... Essa moça aqui, por exemplo, acaba concluindo que a estrutura astrológica acaba sendo mais um acréscimo... Ainda não acredito nisso =p acho que o uso da astrologia deve ter em geral uma relação mais direta com tema da história, talvez sobre o que Catton diz no vídeo sobre fortuna/fortuna, sobre o destino, e também, talvez, como mesmo apontou a Camila, sobre os questionamentos da narrativa - que vai minguando como as fases da lua etc... Sei la, qualquer coisa assim, mas não algo gratuito... De todo modo, quem apenas quiser ler pelo conteúdo não precisa se preocupar, ja que é possível ler apenas pela história...
 

Ana Lovejoy

Administrador
Epa! Eu disse isso? :osigh:

não, não disse. mas no meu post que você respondeu eu comentava que não tinha gostado muito da sugestão da camila (na resenha linkada pelo gabriel) de que era só para distração, então eu estava só complementando meu raciocínio sobre a razão pela qual não concordo com esse trecho da resenha dela. como disse: entendo que dê para ler sem saber nada - o livro não teria aí já um monte de fã se dependesse de manjação de astrologia - mas também não acho que foi um "ó, to tendo todo esse trabalho da porra aqui só para que vocês fiquem se concentrando nisso e esqueçam do que é o principal". até porque, pelo menos do que li em resenhas até o momento, o "principal" é um romance que segue um pouco o estilão dos vitorianos, aquela coisa de aventura/diversão/etc. se existisse algo que justificasse o "desvio" de atenção (alguma mensagem a ser passada, não sei), eu até entenderia. mas não acho que a autora se deu a todo esse trabalho só para isso. até porque, vale lembrar, muita gente não entende lhufas de astrologia e vai ler sem dar a mínima atenção para isso (meio que anula a teoria, entende?).

enfim, só deixando claro. =]
 
C

Calib

Visitante
Aff foda-se. Vou mandar minha mãe ler esse livro e me dizer o que tem o cós a ver com as calças.
** Posts duplicados combinados **
É como ler O Homem do Castelo Alto e tentar descobrir os pontos em que a trama se desenvolve de acordo com os símbolos do I Ching, já que o autor declarou ter usado-o para escrever o romance. Mas você pode ler como um romance de ficção científica de boas. Se você souber do que se trata - como Joseph Campbell lendo Finícius Revém -, será um plus.

Agora eu sei porque você não dá pra revisor. Haha. :rofl:

A sério agora: tem esse lance aí de I-Ching no livro do Dick? :o
 

Jacques Austerlitz

(Rodrigo)
Usuário Premium
Espero ler o livro antes que essas teorias de que o Calib falou apareçam, porque pouca coisa me entedia mais do que alguém pra explicar o que [tal pessoa acha que] o autor quis dizer em cada parte. Li a resenha que o Gabriel linkou meio rapidão, porque hoje é um dos raros dias em que coisas pra fazer se acumulam no trabalho, mas pelo que eu entendi, a astrologia foi usada principalmente na montagem do livro, e não como um acréscimo posterior. Se foi uma forma que apareceu de criar os personagens, colocar as ideias em ordem e estruturar a história ou se há alguma relação mais pessoal da autora com a astrologia, ou, de outra forma, se o interesse da autora pelo assunto é incidental ou se é sério, não sei, mas a astrologia parece muito mais ser o core do esqueleto do livro do que um floreio. Vendo, assim, daqui, de longe, ao menos, e sem óculos.
 

Bruce Torres

Let's be alone together.
Agora eu sei porque você não dá pra revisor. Haha. :rofl:

Mas, mas esse é o meu trabalho. :osigh:

(Escrevi de uma vez e errei. Como diria o coletivo filosófico Revelação: todo mundo erra / todo mundo erra sempre / todo mundo vai errar. Assim sendo, foda-se.) :P

A sério agora: tem esse lance aí de I-Ching no livro do Dick? :o

Tem uma entrevista aqui onde ele explica isso: http://www.philipkdickfans.com/lite...-archive/vertex-interview-with-philip-k-dick/
 
C

Calib

Visitante
Espero ler o livro antes que essas teorias de que o Calib falou apareçam, porque pouca coisa me entedia mais do que alguém pra explicar o que [tal pessoa acha que] o autor quis dizer em cada parte. Li a resenha que o Gabriel linkou meio rapidão, porque hoje é um dos raros dias em que coisas pra fazer se acumulam no trabalho, mas pelo que eu entendi, a astrologia foi usada principalmente na montagem do livro, e não como um acréscimo posterior. Se foi uma forma que apareceu de criar os personagens, colocar as ideias em ordem e estruturar a história ou se há alguma relação mais pessoal da autora com a astrologia, ou, de outra forma, se o interesse da autora pelo assunto é incidental ou se é sério, não sei, mas a astrologia parece muito mais ser o core do esqueleto do livro do que um floreio. Vendo, assim, daqui, de longe, ao menos, e sem óculos.

Mas então, Jacques, neste caso não seria alguém dizendo o que a autora quis dizer, mas de repente explicando quais características do horóscopo de cada um devem ser percebidas, e onde, etc. É diferente.
 

Pips

Old School.
Estou digerindo aos poucos. Na primeira sentada foram quase 300 páginas, agora dei uma desacelerada.

E adorei essa animação <3
 

Béla van Tesma

I’m hoping to do some good in the world!
Afinal, alguém leu o livro até o fim?
Lembro que na época do hype eu cheguei mesmo a comprar e o dei de presente à minha mãe. Ela se enrolou, se enrolou e recentemente manifestou interesse em ler. Vou esperar o feedback dela, Mas vocês podem dar os seus, agora que já devem ter concluído a leitura. :hihihi:
 

Bartleby

happiness as such doesn’t exist
Afinal, alguém leu o livro até o fim?
Lembro que na época do hype eu cheguei mesmo a comprar e o dei de presente à minha mãe. Ela se enrolou, se enrolou e recentemente manifestou interesse em ler. Vou esperar o feedback dela, Mas vocês podem dar os seus, agora que já devem ter concluído a leitura. :hihihi:
ahh, como disse no início (há 84 anos) eu tinha lido um bocado e estava adorando, é uma delícia a prosa dela e os personagens, pelo que me lembro... mas na época, além dos estudos, entrei num curso, aí fiquei com o dia todo tomado e a leitura desandou :(

mas ainda penso ler, quando estiver com disposição pra livro grande.
 

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