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Os Elfos sonham com sono ecléctico?

Tópico em 'Comunicados, Tutoriais e Demais Valinorices' iniciado por Artigos Valinor, 25 Jun 2005.

  1. Artigos Valinor

    Artigos Valinor Usuário

    J.R.R. Tolkien dedicou muito tempo e reflexão à clara identificação do que significa ser um Elfo. Ele descreveu os Elfos na sua carta número 144 como representando “Homens com faculdades criativas e estéticas muito aumentadas, maior beleza e vida mais longa, e nobreza – os Filhos mais Velhos, condenados a definhar perante os Filhos mais Novos (Homens) e finalmente a sobreviverem apenas através do pequeno fio do seu sangue que foi misturado com o sangue dos Homens, para quem essa herança era a única genuína reinvidicação a ‘nobreza’”.
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    Mas o que é que tudo isso quer dizer? Na sua carta número 73, Tolkien menciona num àparte que os Elfos “representam a beleza e graciosidade da vida e dos artefactos”. Na sua carta número 153, Tolkien diz que “Elfos e Homens são representados como biologicamente semelhantes nesta ‘história’ porque os Elfos correspondem a certos aspectos dos Homens, dos seus talentos e desejos” e “eles têm certas liberdades e poderes que nós gostaríamos de possuir, e a beleza e o perigo e a mágoa da posse desses sentimentos vêm-se neles...”
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    Dor e tristeza são habitualmente associados à natureza Élvica. Os Elfos expressam esses sentimentos tão facilmente como nós expressamos esperança ou desejo. Quando Frodo se encontra com Gildor Inglorion no Condado, Gildor diz-lhe que “Os Elfos têm os seus próprios trabalhos e as suas próprias mágoas e estão pouco interessados nos costumes dos Hobbits ou de quaisquer outras criaturas terrenas.” Esta é uma afirmação muito curiosa pois difere radicalmente do quadro que outros, como Gandalf ou Treebeard, pintam dos Elfos.
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    Gandalf diz a Frodo que alguns dos maiores inimigos de Sauron continuam a viver em Valfenda, os sábios-Elfos, senhores dos Eldar de além-mar. Enquanto que outros Elfos fugiram da Terra-média e alguns apenas aqui continuam temporariamente tal como a companhia de Gildor, alguns dos Eldar estão aqui de pedra e cal na sua determinação de se oporem a Sauron.
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    E Treebeard diz a Merry e Pippin que foram os Elfos que primeiro despertaram as árvores e lhes ensinaram a falar. Anteriormente, os Elfos eram muito curiosos e queriam saber o mais possível sobre o mundo em que tinham despertado.
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    Numa entrevista feita para ser incluída num documentário dedicado à vida do seu pai, Christopher Tolkien refere que os Elfos quase que se consomem em dor. Na altura da Guerra do Anel, os Elfos já não se voltam para o futuro. Pelo contrário, voltam-se para o passado. E, ao voltarem-se para o passado, eles provocam o seu próprio eclipse ou crepúsculo, ou recebem-no de braços abertos. Pois de facto o seu destino é definharem, desaparecerem do mundo e da luz, deixando tudo o que atingiram nas mãos implacáveis dos Homens.
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    Mas como é que os Elfos se enredaram tão profundamente na dor? Qual é a diferença entre a natureza Élvica e a natureza Humana que leva as raças Élvicas a viver na dor?
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    Em numerosas ocasiões, Tolkien escreveu ou tornou claro que os Elfos eram imortais durante o tempo em que a Arda existisse, mas que não eram eternos. Era uma das suas características existirem como seres vivos enquanto o próprio Tempo durasse, Tempo esse medido pela “vida da Arda”. E, no entanto, a Arda não tinha existido desde o princípio do Tempo e o seu destino não era necessariamente existir até ao fim do Tempo. A Arda pode acabar e Eä, o resto do universo, pode continuar. Mas, por outro lado, Eä é identificado através do Tempo e do Espaço. Então, se os Elfos sobrevivem até a Arda acabar, será que a Arda acaba simultaneamente com o Tempo e, vice-versa, o Tempo com a Arda, ou será que o Tempo continua até ter um outro fim?
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    Os Elfos não sabiam a resposta a esta pergunta. Nem se conseguiam aperceber de, ou prever, qual era o seu destino final para lá da conclusão inevitável da sua existência. Num comentário incluído em "Athrabeth Finrod ah Andreth" (Debate entre Finrod e Andreth), Tolkien especifica que “a ‘imortalidade’ Élvica” está limitada a uma parte do Tempo (a que [Finrod] chamaria a História de Arda), e por isso estritamente deveria ser antes chamada de ‘longevidade em série’, o limite máximo da qual é a duração da existência da Arda... O seu corolário é que o fëa (‘espírito’) Élvico está também limitado ao Tempo da Arda, ou pelo menos está aí preso e não o pode deixar enquanto ele existir.
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    Ao tentar elucidar melhor este aspecto, Tolkien disse que “o pensamento Élvico não podia penetrar para lá do ‘Fim da Arda’, e não havia quaisquer instruções específicas... Parecia-lhes óbvio que os seus [corpos] tinham de acabar, e portanto qualquer tipo de reincarnação seria impossível... Todos os Elfos iriam pois ‘morrer’ no Fim da Arda. Eles não sabiam o que isso significava. Diziam então que os Homens tinham uma sombra atrás deles, mas os Elfos tinham uma sombra à sua frente. Agora, a sombra atrás dos Homens era a sombra da sua Queda, enquanto que a sombra à frente dos Elfos era a sombra do seu Fim. Na percepção dos Elfos, aos Homens tinha sido permitido libertarem-se da vida, da ligação ao mundo que para eles Elfos se tinha tornado um fardo pesado. Era-lhes difícil perceber que os Homens quizessem tanto ficar no mundo, pois o que eles queriam era ter a certeza de que continuavam para lá do mundo. Era como a tripulação dum navio prestes a afundar-se a observar admirada os passageiros a saltarem de volta dos salva-vidas para o barco condenado.
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    O desejo Élvico de libertação não fazia necessariamente parte do seu estado natural. Quando os Valar descobriram que os Elfos viviam em Cuivienen, já eles tinham sido importunados por Melkor e seus lacaios. Alguns dos Elfos tinham desaparecido e como o próprio Mandos aparentemente não sabia nada do seu destino, eles devem ter sido encarcerados por Melkor em Utumno ou noutra temível prisão. Os Elfos perderam assim a sua inocência original ainda antes de se terem encontrado com os Valar.
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    A perda da inocência foi o primeiro passo na longa via dolorosa, uma estrada cheia de sofrimento e perda. Mas dor e sofrimento não eram sinónimos para os Elfos. Aparentemente, o sofrimento passava, enquanto a dor não. O sofrimento podia avolumar-se e tornar-se dor, mas para a maior parte da raça Élvica parece ter-se simplesmente transformado em dor. Ultrapassar o sofrimento era uma coisa que eles faziam muitas e muitas vezes.
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    Por exemplo, Tolkien explica na Carta 212 (de facto um rascunho para a continuação da Carta 211 que nunca foi enviado) que “nas lendas Élvicas há registo dum caso estranho de um Elfo (Míriel, a mãe de Fëanor) que tentou morrer, o que teve consequências desastrosas e levou à ‘Queda’ dos Elfos Superiores (Elfos da Luz)... Míriel queria deixar de existir…”
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    A morte de Míriel era tão pouco habitual que os Eldar tiveram de inventar uma palavra nova para a descrever. Eles já tinham antes sentido morte física, quando membros da sua raça sucumbiram a sofrimento ou violência e os seus corpos morreram. Mas os Eldar aprenderam em Aman que os seus espíritos eram supostos passar para os Salões de Mandos e, depois de um período de reflexão durante o qual seriam curados dos seus sofrimentos, eles podiam e deviam ser readmitidos no número dos vivos.
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    Míriel não queria viver de novo. Ela queria morrer, morrer de verdade, e não ter mais nada a ver com o mundo. A escolha, ou teimosia, de Míriel levou a um debate importante entre os Valar e à aprovação duma lei que alterou a evolução natural do destino dos Elfos. Ilúvatar deu aos Valar o poder de administrar a morte permanente a um Elfo durante a vida da Arda. Isto é, eles podiam recusar-se a deixar um Elfo viver de novo.
    Míriel recusou-se a aceitar a vida apesar de ter sido praticamente obrigada a viver de novo. Então, relutantemente, os Valar confinaram-na aos Salões de Mandos até ao fim do Tempo da Arda. O seu marido Finwe tornou-se assim livre para procurar uma nova esposa. Mas, depois de ter sido assassinado por Melkor, o espírito de Finwe ficou em comunhão com o de Míriel em Mandos, um acontecimento aparentemente raro. Quando Míriel soube de tudo o que tinha acontecido ao seu povo, ela arrependeu-se da sua decisão de ficar morta e apelou aos Valar. Finwe aceitou então ficar morto porque não podia voltar à vida e ter duas esposas, uma situação que os Elfos achavam anormal.
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    A decisão de Míriel foi tomada pelo menos em parte como resultado da dor. E apesar de lhe ser permitido viver de novo, ela escolheu não viver com o seu povo, os Elfos, mas em vez disso foi aceite no serviço dum dos Valar. A partir dessa altura, Míriel documentou os feitos do seu povo. Em vez de fazer novas coisas ou procurar novos conhecimentos, ela concentrou-se a registar os acontecimentos da história do seu povo. Assim, Míriel foi o primeiro Elfo, pelo menos entre os Eldar, a sucumbir à dor , escolhendo viver de novo por causa da dor e talvez devotando a sua vida a lembrar essa dor.
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    Alguns dos revoltosos Noldor deixaram-se derrotar pela dor antes de avançarem demais na estrada do Exílio. Estes Noldor comandados por Finarfin voltaram à sua cidade de Tirion e foram perdoados pelos Valar pela sua parte na revolta. Mas a maioria dos Noldor continuaram resolutamento no seu caminho, talvez principalmente por causa da determinação de Fëanor.
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    Na Terra-média a maior parte dos Noldor tentou voltar-se para o futuro apesar da inutilidade da guerra contra Melkor. Mas Turgon, que foi inspirado a construir a maior cidade de sempre, parece ter-se atolado na dor. Gondolin foi modelada em Tirion e o povo de Turgon raramente partiu para a guerra. Ulmo avisou-o de que a altura chegaria em que Turgon teria que desistir de tudo para salvar o seu povo, mas quando esse momento chegou, Turgon não quiz fazer esse sacrifício. Em vez de guiar o seu povo a abandonar Gondolin em segurança, Turgon confiou nas defesas naturais da cidade. Ele queria preservar o seu modo de vida mesmo arriscando-se a assim perder a vida.
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    Depois da queda de Gondolin, os Noldor desperdiçaram os seus recursos nos conflitos azedos sobre a posse do Silmaril que Beren e Luthien tinham recuperado a Melkor. Os filhos de Fëanor, incapazes de recuperar as outras jóias, destruíram primeiro Doriath e depois Arvernien em tentativas infrutíferas de capturar aquela jóia. Eles já não pensavam em vingar as mortes do seu pai e do seu avô nem em recuperar os Silmarils. Em vez disso, só queriam saber daquilo que achavam que era seu por direito, não percebendo que tinham perdido esse direito devido aos seus delitos. Os seus espíritos estavam presos num passado que não podia ser recuperado.
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    Depois da Primeira idade, os Noldor começaram de raíz. Gil-galad criou um reino no que tinha sido Ossiriand e alguns dos Noldor emigraram para leste e criaram Eregion. Mas com o passar dos séculos os Elfos sucumbiram à preocupação sobre o seu definhar. E quando Sauron disfarçado lhes ofereceu uma oportunidade para parar ou atrasar os efeitos do Tempo, os Noldor de Eregion decidiram actuar contra esse definhar.
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    Tolkien disse sobre esta segunda “Queda” que os “Elfos queriam ao mesmo tempo ter o bolo na mão e comê-lo”. Eles queriam permanecer na Terra-média durante o resto do Tempo em vez de atravessar o mar para evitar um destino pior do que a morte. Em vez de manufacturar nova beleza, os Elfos voltaram a sua atenção para a preservação da antiga beleza da Terra-média e para a cicatrização das suas feridas. Por isso eles criaram os Aneis do Poder. Mas mesmo depois dos Elfos terem descoberto a perfídia de Sauron, eles não tiveram a força para eles próprios destruírem os Aneis, que Sauron claramente queria usar contra eles.
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    A dor a que Gildor aludia começou sem dúvida com o conflicto entre os Elfos e Sauron na Segunda Idade. Pois eles não só perderam muitos Aneis de Poder, como também perderam a maior parte das terras que tentavam conservar. Casas Élvicas com todas as suas recordações e artefactos especiais devem ter-se esvaído em fumo em grandes áreas de centenas de kilómetros (milhas). Os Elfos não teriam preservado nada do seu mundo antigo, no qual, como Tolkien afirma, eram uma casta superior.
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    A tristeza devia ter consumido os Elfos não só pelo que eles perderam, mas também pelo que eles tinham feito. Traição e perda vão de mãos dadas ao longo da história Élvica, e a sua traição da ordem natural na Segunda idade fez com que perdessem quase tudo. Os Elfos que sobreviveram a guerra, especialmente aqueles que nada sabiam sobre os Aneis do Poder, devem ter seguramente questionado o que tinha originado o conflito.
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    Nos finais da Terceira idade Frodo arreliou Gildor repetindo um dizer sobre os Elfos que era popular entre os Hobbits: não peças conselhos aos Elfos, pois eles dirão tanto que sim como que não. E Gildor riu-se, dizendo que “os Elfos raramente dão conselhos irreflectidos pois, mesmo entre os sábios, aconselhar é um presente perigoso e todos os caminhos podem sair mal.” Todas as escolhas históricas feitas pelos Elfos, talvez tomadas depois de longas deliberações entre os seus líderes mais sábios, parecem tê-los levado por caminhos cheios de dor e sofrimento. Assim, pelo menos na Terceira idade, os Elfos parecem ter-se tornado relutantes a aconselhar outros.
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    Na Terceira idade os Eldar concentraram-se a manter os seus domínios, sem pensar em expandir o seu poder e influência. Enquanto que os Homens se tornavam mais numerosos, os Elfos refugiaram-se em enclaves. Na sua seclusão, os Elfos só podiam aperfeiçoar os seus dotes para a poesia e a música, celebrando acontecimentos do passado e as glórias da sua juventude, e antecipando o seu regresso a Valinor. Os Elfos não estavam tanto a olhar para o futuro, mas antes para o passado. O seu futuro tornou-se um movimento reaccionário para o além-mar.
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    Enquanto que na Segunda idade os Eldar tinham esperado exercer a sua arte sobre toda a Terra-média, ou pelo menos grande parte dela, na Terceira idade eles escolheram restringir a sua arte a pequenas áreas protegidas pelos três Aneis do Poder que ainda controlavam. Os Elfos da Terceira idade relembravam todos os grandes contos que os Elfos das Primeira e Segunda idades tinham criado.
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    A transição entre criar o passado e relembrar o passado foi sem dúvida lenta. Os Elfos não decidiram simplesmente dum dia para o outro não procurar realizar mais nada. Pelo contrário, devem-se ter acomodado aos poucos a gozar a vida e a celebrar os seus êxitos. Mas à medida que o mundo se tornava escuro e solitário, os Elfos escolheram não se expandir, não comunicar com os outros. Durante um curto período, os Elfos Cinzentos de Lothlórien tornaram-se os maiores campeões da liberdade no Ocidente, mas com a partida e subsequente morte do Rei Amroth, recolheram-se `a sua floresta e pouco mais se ouviu falar deles.
    Todas as escolhas feitas pelos Elfos estavam cheias de gravíssimos perigos. Tudo o que faziam, tudo em que tocavam, acabava por ser consumido pelas consequências das suas acções. Eles tentaram evitar sofrer o destino que lhes estava marcado. Em vez de destruir os Aneis do Poder, na Terceira idade os Eldar usaram-nos. E quando o O Anel foi finalmente destruído, tudo o que os Eldar tinham conseguido em termos de preservação e cura foi desfeito. Eles não mais conseguiam pensar em termos de contruir um futuro. Só queriam preservar um passado que para eles era ideal.
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    A sombra que os Eldar viam no seu horizonte deve, nos finais da Terceira idade, ter parecido pairar enorme e disforme sobre todos eles. A ascenção e retorno de Sauron a Mordor eram inevitavelmente o resultado do falhanço dos Elfos em resolverem os seus conflictos do passado. A mudança de poder e estrutura da Terra-média era mais uma lança apontada contra eles. ‘A corda estava a chegar ao fim.’ Apesar dos seus melhores esforços para travar a mudança, eles não a tinham podido conter. Ela continuava sem eles. A partir do momento em que os Aneis saíram do caminho, o Tempo puxou simplesmente os Elfos de novo para a via da evolução natural dos acontecimentos.
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    E assim que os Aneis do Poder desapareceram, os Elfos não tinham outra alternativa senão enfrentar o seu futuro, futuro esse que a eles parecia um não futuro. Para um Homem mortal, a incerteza da imortalidade seria uma oportunidade para criar novos contos. Mas para um Elfo imortal, a certeza do fim dessa imortalidade significava que havia cada vez menos tempo para celebrar os grandes contos do passado. Esvaziá-los de conteúdo para criar novos contos só lhes ia retirar a sua audiência de direito. Ou, pior, viver um novo conto poderia trazer mais dor e sofrimento e assim aumentar o fardo da dor que se tornava mais pesado de ano para ano.
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    Tudo estava dependente de escolhas: as escolhas que tinham feito, as escolhas que tinham de fazer. Os Elfos estavam mesmo sobrecarregados pela necessidade de fazer escolhas, pois queriam escolher ambas as opções. Para um Elfo, o Tempo na Terceira idade era só uma maneira de adiar a escolha última. Tolkien sugere que muitos escolheram permanecer na Terra-média e definhar, vivendo perto dos lugares que tinham amado em vida, relembrando os acontecimentos que lhes eram mais queridos.
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    Talvez no fundo, os únicos Elfos que de facto se libertaram do passado foram os que finalmente resolveram deixar a Terra-média para sempre. Era um destino melhor do que a morte e um destino da sua própria escolha. Para serem coerentes com a sua própria natureza, os Elfos perceberam que tinham de escolher entre a certeza do passado com toda a sua grandeza conhecida e a incerteza do futuro com todo o seu grande desconhecido. A viagem além-mar era pois o grande passo para ultrapassar a dor e a tristeza.</P>


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    Tradução de Isabel Castro
     

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