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Os bárbaros de Chávez

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Müller, 19 Fev 2009.

  1. Müller

    Müller Eorlingas

    Osias Wurman

    “E finalmente chegaram. Os bárbaros chegaram.
    Subjugaram seguranças para poder adentrar sem obstáculos na sinagoga quando todo mundo dormia, menos eu (agora que a insônia e eu tornamo-nos tão amigas).

    Fizeram o que todos nós esperávamos. O de sempre. Pintaram slogans, destruíram objetos, pisotearam livros sagrados. E levaram papéis e documentos originais com os nomes dos judeus sefaraditas. Medo, não. Nostalgia, sim. Pelo sonho que termina. O sonho de meus antepassados, do meu bisavô quando a Venezuela era um país recém-nascido e casou com sua criolla para ficar e procriar nesta terra da benevolência no século XIX. Saudades de minha mãe caraquense, meus avós, meus antepassados. De todos meus mortos enterrados aqui.
    Me despeço do país que nós conhecemos. Este que meu pai amou sem arrependimento.

    Arrumo meus livros humildes, apenas no caso de servirem para qualquer fogueira de letras profanas. Logo eu enumerarei a lista adicional do que eu ofereço para ser imolado. Podem servir para uma noite de cristais quebrados.
    (Eu incluirei começando, por exemplo, os vidros das janelas de minha casa).”
    Escreveu Sonia Chocrón, poetisa venezuelana, despedindo-se de sua pátria.
    Esse poema é uma radiografia do que sentem judeus venezuelanos após a invasão e profanação da principal sinagoga de Caracas, em 31 de janeiro.
    Quinze pessoas armadas golpearam os dois seguranças do local e ficaram em seu interior das 22 horas de sexta-feira às 3 horas do sábado. Durante cinco horas, ninguém viu, ninguém acionou a polícia, nenhuma reação. Na rua, uma patrulha da polícia que, segundo se informa, era composta por membros coniventes com o atentado.

    Os vândalos grafitaram as paredes com frases injuriosas aos judeus e profanaram os objetos sacros. Atiraram ao chão e rasgaram rolos da Torah, o Pentateuco de Moisés, símbolo mais sagrado do judaísmo.

    Misteriosamente, não levaram os valiosos adornos em prata, nem tiveram objetivos materiais imediatos. O empenho principal foi levar o computador onde estava o cadastro da comunidade judaica de Caracas. Para disfarçar as intenções, deixaram mensagens racistas no local. A intenção do ataque é óbvia: intimidar.
    Esta invasão é um divisor de águas nas provocações que o governo de Chávez vinha alimentando contra os judeus venezuelanos. Anteriormente, a intimidação incluiu uma busca militar na sede do Centro Comunitário de Caracas Hebraica, que inclui um clube e escola judaica. Os militares, na época, alegaram haver denuncia de acumulo de armamento no local. Após horas de humilhação, os capangas de Chávez saíram sem levar, sequer, um único canivete.

    Mas não só os judeus são alvo das provocações. No dia 19 de janeiro foram lançados panfletos do grupo radical chavista “La Piedrita”, defronte a Nunciatura Católica, que diziam: “Informamos ao povo rebelde de Simon Bolívar que nossa organização revolucionária desconhece a cúpula eclesiástica da igreja católica e a considera como traidora e covarde perante as lutas do povo venezuelano.”
    Numa investida contra os estudantes democráticos, foram lançadas bombas de gás lacrimogêneo durante uma reunião do grupo na Praça da Reitoria da Universidade Central da Venezuela.

    No ano passado, Chávez demagogicamente recebeu uma comitiva de dirigentes do Congresso Judaico Mundial e prometeu combater o anti-semitismo. A imprensa israelense, na época, ironizou a atitude pueril da liderança judaica, lembrando que Chávez é parceiro do maior anti-sionista e anti-semita do momento, Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. Na prática, a verborréia de Chávez durante a guerra em Gaza, foi a mais virulenta e racista contra o Estado de Israel e o judaísmo.

    Tanto na imprensa oficial, como na TV estatal e nos sites da Internet, Chávez prepara o lançamento do bode expiatório para uma possível derrota eleitoral em 15 de fevereiro, quando um referendo popular irá julgar sua vontade de se eternizar no poder da Venezuela. Se perder, Chávez culpará os “reacionários” do empresariado judaico, os estudantes e os clérigos católicos.


    Osias Wurman é jornalista.
     
  2. Paulo

    Paulo Cabeça de Teia

    :blabla:

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    Grifos meus.

    Quanto ao rompimento diplomático entre a Venezuela e Israel, é bastante óbvio que anti-sionismo não é igual à anti-semitismo. Não são poucos os judeus anti-sionistas.
     
  3. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Contundente o artigo do Wurman, Müller. Demonstra claramente o viés fascista da versão genérica venezuelana do Mussolini. Nenhum regime dessa espécie consegue se manter sem a constante criação de bodes expiatórios, leia-se Grandes Satãs e seus supostos lacaios. Manter-se no poder “alienando” o povo, para usar um termo que eles gostam.

    Anti-sionismo, ainda que válido, é bastante popular entre as correntes imbecis de revisionistas e anti-semitas. É claro que uma coisa não implica na outra, mas esse não é o caso da Venezuela e seu big clown bolivariano. Os recentes flertes com Ahmadinejad –aquele sujeito bacana que nega o holocausto e declara abertamente sua singela intenção de limpar Israel do mapa – deixam claro o verdadeiro estado das coisas.
     

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