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Ortodoxia e a Divinização do Homem

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Paganus, 5 Jun 2013.

  1. Paganus

    Paganus Visitante

    Esse artigo do arquimandrita George do Athos, traduzido do inglês pelo meu amigo Márcio Albino, apesar de não primar pelo rigor acadêmico (o que não é importante) prima pela fidelidade à tradição espiritual ortodoxa e foi escritoe linguagem didática (o que é essencial) e serve como uma introdução à essência da espiritualidade e do próprio ethos ortodoxos. Crio esse tópico com o propósito de expor para quem se interessar pelo assunto, independente da formação religiosa e filosófica.


    A divinização é uma verdade latente da humanidade, recontada pelos mais diversos mitos, infelizmente é desfigurada pelas mais variadas formas desde a antiguidade até os tempos pós-modernos. Numa busca desesperada e falha, como conta o mito grego de Prometheus, o homem encontra formas de divinizações que o levam a sua própria condenação. Contudo, há um arquétipo e uma possibilidade verdadeira.

    Na Sagrada Tradição da Igreja Ortodoxa de Cristo, o homem pode alcançar a Theosis, ou seja, divinização. Isto porque de acordo com os ensinamentos bíblicos e patrísticos, a graça é incriada. Deus não é apenas essência como dizem os cristãos ocidentais, mas também energia.

    Diferença entre Essência e Energias

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    Se Deus fosse apenas essência, ninguém poderia se unir a Ele, ou viver em comunhão com Ele, porque a essência divina é inacessível ao homem, pois o Senhor declara: "Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá." (Êxodo 33:20).

    Vamos utilizar uma analogia bem prática e humana. Se tocarmos um cabo elétrico, morreremos. Por outro lado, se conectarmos isto a uma lâmpada, utilizaremos a luz e seremos iluminados. A energia da corrente elétrica pode então ser observada, apreciada e ela nos auxilia. A essência não podemos portar. Algo similar acontece com as energias incriadas de Deus.

    Se pudéssemos estar conectados com a essência de Deus, também nos tornaríamos deuses em essência. Nominalmente, tudo se tornaria divindades, haveria uma confusão, e portanto, nada seria divindade. Por nome, isto é o que acreditam algumas religiões orientais, como o Hinduísmo, onde a personalidade divina não existe, mas sim, uma essência vaga, dispersa pelo cosmos, nas criaturas humanas como também nos animais e matéria (Panteísmo).

    Da mesma forma, se Deus tivesse apenas uma essência incomunicável sem Suas energias, Ele seria um Deus autossuficiente, fechado em Si mesmo e sem comunicar-se com Sua criação.

    É com suas energias incriadas que Deus criou o mundo e continua a sustenta-lo. Ele concede essência e existência ao nosso cosmos com suas energias incriadas, porém criadoras. Ele está presente na natureza e sustenta o universo com Suas energias. Ele ilumina o homem com suas luminosas energias. Ele santifica o homem com suas santificantes energias. E finalmente, diviniza o homem com suas divinas energias. É com tais energias, que o Santo Deus permeia a natureza, o mundo, o cosmos, a história e a vida dos humanos.

    As energias de Deus são energias divinas. Elas são também Deus, sem deixar de ser Sua essência. Por serem divinas é que tornar o homem divino. Se as energias não fossem divinas, então elas não seriam Deus, não nos divinizaria nem nos uniria a Ele. Haveria finalmente, uma gigantesca distância entre o Criador e Sua criação.

    Do contrário, como crê a fé ortodoxa: Deus tem suas energias e nos possibilita unirmos a ela, e a isto se refere a Sua Graça. Nos unimos a Ele, nos tornamos um com Ele e não um como Ele, caso nos uníssemos a Sua essência e não as energias.

    Nós, portanto, nos unimos a Deus através de suas energias incriadas, e não através de Sua essência. Este é o mistério que envolve toda a criação, toda a fé cristã ortodoxa e toda a vida humana.

    Isto, a falácia ocidental não pode aceitar. Por quê? Por que são racionalistas e não podem diferenciar entre essência e energia e ao mesmo tempo continuar crendo que Deus é incriado. Por este motivo, não há no discurso cristão ocidental a Theosis (divinização) do homem. A questão deles é de que o homem não pode se tornar Deus porque não podem imaginar energias incriadas, mas somente energias criadas. Isto significa: como pode algo criado, “fora de Deus”, tornar Deus o homem criado?

    São Gregório Palamás e o pensamento ortodoxo


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    Durante o século 14, aconteceu uma grande confusão na Igreja Ortodoxa, que iniciou-se com um monge ocidental, chamado Varlaam. Ele ouviu em algum lugar que os monges atônitas (do Monte Athos) estavam discursando sobre Theosis. Ele foi informado que através da constante oração, se uniam a Deus e podiam até mesmo vê-Lo. Ouviu até mesmo que podiam ver a luz incriada que foi vista pelos Apóstolos na Transfiguração de Jesus Cristo no Monte Tabor.

    Entretanto, Varlaam, tendo seu espírito permeado pelo racionalismo occidental, não percebeu a genuína experiência divina destes humildes monges e começou a acusa-los de loucura, heresia e idolatria. Varlaam chegou a afirmar, por exemplo, que era impossível aproximar-se e ver a Graça Divina, porque ele (Varlaam) não sabia nada entre a diferença da essência e das energias incriadas de Deus.

    Na mesma época, a Graça Divina trouxe um grande e iluminado mestre para a Igreja: São Gregório Palamás, Arcebispo da Tessalônica. Com grande sabedoria e iluminação por Deus, e também por experiência mística pessoal, ele escreveu centenas de textos ensinando, através das Sagradas Escrituras e da Sagrada Tradição da Igreja, que a luz incriada da Graça de Deus, citado por São Paulo em suas cartas, são na verdade as energias divinas.
    São Gregório Palamás defendeu que os monges que haviam visto a luz divina haviam sido divinizados (através da Theosis). Esta é a glória de Deus: a luz da Transfiguração no Monte Tabor, a luz da Ressurreição de Cristo, a graça do Pentecostes e até mesmo a iluminada nuvem citada no Antigo Testamento.

    As energias divinas são, na teologia ortodoxa, reais e místicas e não somente simbólicas como Varlaam falsamente acreditava.

    Em continuação a isto, a Igreja reunida em três grandes Sínodos na cidade de Constantinopla, glorificaram (canonizaram) São Gregório Palamás e declararam o real objetivo da vida em Cristo, que não era a moralização do homem, mas a sua divinização, onde o homem participa da graça de Deus de forma plena.

    Conclusão

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    Na plenitude do Éden, onde todo o cosmos estava em harmonia, não haviam plantas venenosas e os animais eram submissos aos homens, assim ensinam os Pais da Igreja. Com a Theosis, é possível atingir novamente aquilo que a queda nos separou cada vez mais após cada geração: a unidade plena da criatura e da criação com Seu Criador.


    Até hoje, ocidentais consideram as energias divinas como cousas criadas e não incriadas. Isto é infelizmente uma das reais diferenças entre Ortodoxia e Heterodoxos, devendo ser levado a sério no diálogo teológico. Assuntos como a “Filioque”, primazia e “infalibilidade” papal e outros dogmas latinos são apenas a ponta do iceberg.

    Se cristãos ocidentais não aceitam que a Graça de Deus é incriada, jamais poderíamos tomar do mesmo cálice, mesmo que acreditassem em todas as outras coisas. Pois, quem pode divinizar o homem, senão o “Deus que se tornou o que somos para que pudéssemos nos tornar o que Ele é?”.

    - Retirado e traduzido livremente por Márcio Albino do artigo "Theosis, o objetivo da vida humana.", escrito pelo Arquimandrita George, Ábade do Monastério de São Gregório no Monte Athos, Dezembro, 2006.

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    Última edição por um moderador: 5 Jun 2013
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  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    É como se diz que para entender verdadeiramente é preciso se preparar antes:

    -Abrir mão da pressa.
    -Nunca desistir.

    Eu costumo ler as experiências de blogs de pacientes com problemas difíceis, às vezes é câncer, as vezes é uma pessoa que precisa cuidar da mãe idosa e doente... E a abordagem para entender o divino é bem parecida (igual no filme da Madre Teresa).

    Dentro do claustro, às vezes diante de si mesmo, existem relatos de como pessoas que passam pelas angústias da guerra espiritual enfrentam o melhor e o pior de si mesmos ao mesmo tempo.

    Uma passagem que me chamou a atenção num livro do vidente Ingo Swann foi ele dizer que a imagem ilustrativa, ou o símbolo mais comum que usavam para mostrar o contato telepático entre duas pessoas eram duas cabeças com linhas interligando-as entre si, mas que ele havia percebido que essa ilustração era um símbolo insuficiente para descrever a realidade. E uma parte do problema conseguiu entender quando começou a estudar sobre Chi Gong.

    Segundo o autor, ele reclamava que os estudos de psicologia que o governo americano estava empreendendo falhavam em notar que a consciência e a hiper-consciência deviam ser percebidas como atributo estruturante da realidade, usuárias de um sistema de comunicação que assimilava melhor os símbolos, que não atravessasse apenas estruturas físicas como portas e janelas, mas também o próprio tecido do espaço e tempo como outras mentes. Pelo que eu entendo, o contato divino abrange uma quantidade enorme de comunicações, em vários níveis em que o estado final mais sublime seria a divinização.

    Por exemplo, a cura através de uma oração espiritualizada seria uma forma de elevar o estado de uma pessoa. Recentemente saiu uma lista de arquivos muito interessantes sobre as possibilidades de canais que costumam ser usados pelo mundo espiritual:


    Finalmente, chegamos a um dos pontos mais interessantes da vida espiritual, que é o que se conta de como Deus conversa com a alma através até mesmo de ruídos inexprimíveis. Aquilo que é pedido num âmbito eterno recebe resposta eterna e deve ser aceito\entendido dessa forma por quem pede. As vezes a resposta é "sim", as vezes a resposta é "não" e as vezes a resposta é "por enquanto, não".

    Um dos grandes problemas da modernidade tem sido lidar com o significado de cada elemento. Segundo um livro do Osho, mesmo na Índia antiga, as pessoas usavam o significado com toda a sua força e a expressão "dor insuportável" era apenas para casos em que a pessoa perdia a consciência ou morria. Hoje qualquer um diz que fulano é insuportável quando na verdade é uma grande mentira(tá cheio de gente mentirosa). Quanto mais um mundo produz opções mais o cenário se assemelha com as cortes dos nobres de antigamente. E naqueles casos, para se iluminar e reencontrar o caminho era necessário deixar as paredes da seguraça, podendo ser uma viagem ou um exílio, para alguns era a vocação para algum templo.

    Atualmente o cidadão tem sido desafiado a buscar o contato espiritual apenas em momentos de crise como em doenças terminais e isso não é saudável.

    Outro ponto interessante é o da vontade divina para o humano. Aprender a descobrir como fazer isso é uma tarefa que requer dedicação em muitos níveis e que precisa ser realizada de forma honesta e delicada.
     
    Última edição: 6 Jun 2013
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  3. Paganus

    Paganus Visitante

    Muito disso que você fala eu ainda creio ser resultado da antiga confusão entre alma e espíritos e seus resultados e consequências espirituais desastrosas. O homem moderno não apenas se fecha ao mundo espiritual como quando quer se abrir a ele, só discerne frágeis fiapos de espiritualidade inferior, os fragmentos psíquicos da realidade que, com suas taras fenomenistas e cientificistas, ele assume a esquemas e sistemas fabricados com uma pseudo-espiritualidade que nada mais é que uma 'super-materialidade'. Na verdade é mesmo uma sub-materialidade porque não é apenas materialidade vivida e compreendida como aquilo que não é, mas a imersão em um tipo de poder oculto tremendamente caótico, incontrolável que tanto pode auxiliar como destruir a psique humana. Aliás, a frágil psique humana (diferente do espírito imortal e sede do seu Eu) é particularmente suscetível de ser engolida por esse tipo de experimento moderno como hipnose, magnetismo, espiritualismos diversos. Aquilo que é ideologia se revela como tendo causas realmente telúricas como é telúrico o efeito da imersão nessas realidades.

    É como um ovo. As religiões tradicionais, como a Ortodoxia, postulam um ovo que é aberto por cima e ensinam a fechá-lo por baixo, assim as influências psíquicas são controladas em níveis saudáveis e apenas as influências espirituais, celestes, atingem o homem. Já o materialismo simplesmente fecha o ovo. O neo-espiritualismo, por outro lado, mantém o ovo fechado por cima, fechado ao Céu mas abre o chão debaixo de si às piores energias inferiores e pelos motivos mais imbecis, ideológicos, fenomenistas. Acaba, sem o saber, sendo devorado por aquilo que julga poder salvá-lo.
     
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  4. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Igual um colega meu certa vez disse... Tem quem se pronuncie apenas na presença de um especialista. Mas quando a situação requer abordagem generalista ou que seja ao mesmo tempo especialista e generalista a pessoa pode perder o rumo, porque pra ela o único botão que ativa a função do aparelho é o botão vermelho pra sempre e em todas as condições mas lá na frente, dependendo do aparelho, o botão de ativar a função será a cor verde e é preciso o salto de fé.

    Por isso o filme de Madre Teresa, se a fé em um amor é perdida de vez em quando a pessoa ainda é recuperável, se a pessoa começa a perder a fé em vários amores, durante várias vezes ao dia, durante semanas, meses e anos... A pessoa nunca não mais lembrará o momento de quando perdeu a fé em um momento fundamental da experiência humana.

    Esse detalhe tem me fascinado cada vez mais. Adquiro vários blocos de papel e distribuo por onde passo para não perder a chance de cruzar impressões que chegam por várias fontes em vários níveis. É encantador observar que apesar do nível de sofisticação da ilusão aumentar com a tecnologia certas coisas fundamentais nunca mudam. Por sinal...

    Agora, quando se fala em amor as pessoas confundem e querem entender paixão e fogo, quando se fala em alegria as pessoas pensam em destruir o que estiver mais próximo. Por conseqüência, não tem como se tornarem divinizadas porque se proibem constantemente a existência de dimensões em palavras então não podem assimilar dimensões reais. De modo que para aprender sobre um super-espaço, um super-tempo e uma super-vida a pessoa precisa ser preparada para ela. Há quem tema sua própria vida, mas ainda não sabe disso porque aprendeu mais pelo medo (o caminho da dor). O caminho do amor é mais suave e é o caminho bíblico porque Deus também apascenta as suas ovelhas. Quer dizer, não se deveria buscar o divino porque é útil (embora Ele realmente também o seja), nem porque ele provoca temor (possui um poder eterno) mas porque sustenta e pode amar sob as condições mais difíceis.

    Teve uma pesquisa que transformaram as emoções humanas em dados que podiam ser distribuídos em gráficos e a emoção do amor seguia a curva mais próxima da divina proporção (curiosamente essa pesquisa lembra muito aquela outra em que eles fizeram a sobreposição de centenas de rostos e tiraram a média e descobriram que a soma deles, através dos algoritmos, apontava para um um rosto humano muito bonito).
     
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