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obras esgotadas e plágios

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por dbottmann, 16 Mar 2010.

  1. dbottmann

    dbottmann Usuário

    hoje saiu uma entrevista a bruno dorigatti no portal literal:
    http://portalliteral.terra.com.br/blogs/de-plagios-e-processos

    tenho para mim que um dos principais responsáveis pela tremenda onda de plágios de obras traduzidas esgotadas é a atual lei do direito autoral (lda). como está se aproximando a consulta pública do minc sobre suas propostas de revisão da atual lei, acho que vale a pena parar e pensar sobre a questão, e depois dar sua contribuição durante a fase da consulta à sociedade.
     
  2. Mi Müller

    Mi Müller Usuário

    [align=justify]Denise com certeza nós leitores temos que estar atentos a esta consulta, vai nos influenciar diretamente!

    estrelinhas coloridas...[/align]
     
  3. Gigio

    Gigio Usuário

    Denise, muito interessante a entrevista. Parabéns pelo seu trabalho e sua luta contra esse absurdo dos plágios.

    Não discordo de que sejam necessárias alterações na LDA, não tenho, na verdade, conhecimento suficiente a respeito para ter uma opinião formada. No entanto, não estou certo de que exista uma ligação entre os casos de plágio e a LDA. Pelo que entendi, você está afastada do ambiente acadêmico desde 1999. Ingressei pela primeira vez em 2001 e o que observei é que houve uma certa acomodação quanto às proibições de xerox. A lógica adotada parece ser a seguinte: a cópia, por iniciativa do aluno, continua proibida, mas não aquela que parte do professor. Se quisesse uma cópia de um livro esgotado e raro da biblioteca, nenhum dos xerox estaria disposto a fazê-la para mim. Já os materiais dos cursos, muitas vezes ainda protegidos pela lei, são livremente disponibilizados nas "pastas" dos professores.

    Não sei ao certo o quanto a pressão por novas edições de textos acadêmicos aumentou nos últimos tempos e o quanto disso se deve à LDA, mas imagino que a porção equivalente à demanda dos alunos universitários não foi assim tão importante.
     
  4. dbottmann

    dbottmann Usuário

    prezado gigio, falei em "1999" porque é quando começam coleções inteiras plagiadas, na esteira da lda de 1998.
    a "pasta" do professor foi um mecanismo sugerido e criado pela abdr para reprografia autorizada, em que as universidades e/ou oficinas de xerox pagam um certo percentual à abdr para ter a autorização de copiar. você não faz ideia do absurdo que isso significa para um professor. por outro lado, se a martin claret, por exemplo, chegou a lançar seis ou oito reedições da fundamentação da metafísica dos costumes de kant ou a ética protestante e o espírito do capitalismo de max weber, tenho a impressão de que não foi visando ao leitor em geral.
    mas concordo com vc que há outros fatores envolvidos aí: na área de literatura e alguns pensadores mais "conhecidos" (nietzsche, p.ex.), as infindáveis reedições espúrias de traduções antigas esgotadas atendem mais ao público leitor geral. basta ver a iniciativa da abril cultural lançando uma nova coleção de clássicos literários, que está tendo enorme sucesso.
    e concordo também que há uma tendência acomodatícia do ensino em se curvar a uma situação tão insana: ocorreram muitas invasões nas universidades, muitos processos judiciais contra professores e reitores, uma marcação muito cerrada contra o uso amplo de bibliografias devido à proibição reprográfica - naturalmente também houve muitas defesas corajosas de algumas universidades e entidades com ações civis contra a abdr, vários documentos e manifestos estudantis e de docentes contra a legislação restritiva, e assim por diante - muita pressão da sociedade civil junto ao estado para equacionar essa situação, tanto é que um dos principais pontos da revisão em curso é a liberação da cópia xerográfica e da reprodução digital para finalidades de ensino. mas dentro da sala de aula, de fato, houve um empobrecimento medonho, que os estudantes dos anos 2000 nem conseguem avaliar, pois não conheceram o contraponto da realidade anterior.
     
  5. Gigio

    Gigio Usuário

    Perfeito, Denise, não tinha mesmo ideia de tudo isso. Sequer sabia que há um repasse à ABDR pelas pastas. Obrigado pela explicação.

    Acho que é bem como você apresentou, a distribuição dos diferentes fatores deve variar conforme o tipo de público da obra. Mas veja, mesmo no caso da "Fundamentação da Metafísica dos Costumes", por exemplo, as edições da Martin Claret sempre foram desaconselhadas na universidade (ao menos entre os professores que conheci). Sempre aparecia, claro, algum aluno desavisado com alguma delas.

    Curioso que lembro de ter procurado no Google um dia por "Rodolfo Schaefer" e ter achado estranho que quase praticamente não havia nenhuma informação na rede a seu respeito. Na época minha conclusão foi que a Martin Claret contratava jovens desconhecidos e despreparados a fim de baratear as traduções.

    Só fiquei triste em pensar nesse empobrecimento medonho de que você fala...
     

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