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O verão do Alarga

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Fernie, 12 Jun 2009.

  1. Fernie

    Fernie Usuário

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    [align=justify]Morávamos numa Copacabana quase bucólica. Os anos da década de 1960 corriam, ridentes, felizes.
    A família era grande, muitos primos e primas; avós morando bem próximos da gente, nos enchendo de coisas gostosas e de amor.
    Todos se visitavam mutuamente. Minha mãe, avó e tias iam à missa na capela do Sacre Coeur, na Rua Tonelero, onde estudavam nossas irmãs e primas, bem em frente à nossa casa.
    Mamãe, muito religiosa, sempre assumiu o controle da curva hormonal de nossas empregadas domésticas. E isto bem no alvorecer da liberação sexual…
    Em nossa casa tínhamos uma moça, bem bonitinha. Começou a se interessar por um rapaz que trabalhava na vizinhança. Mamãe logo tratou de puxar-lhe a folha corrida. E o que veio não foi bom.
    Que era um pândego, que já havia desencaminhado moças, que frequentava os botecos da Miguel Lemos… Tratou de mover uma guerra de vida ou morte contra o rapaz. Este donzel, tão apaixonado, pelo que constou na avaliação de Mamãe, já estava quase conseguindo tudo o que queria…
    Minha mãe não era de perder guerras. E assim foi. Tanto fez que conseguiu voltar com o juízo à cabeça da mocinha. E o casal separou-se a tempo de manter puríssimo o bom nome da família nacional.

    Três horas da madrugada na Rua Tonelero. O telefone toca e a sua campainha mecânica é tão forte que chega a estremecer os vidros da cristaleira da sala.
    Era o único modelo de aparelho telefônico existente na época, distribuído pela CTB (Companhia Telefônica Brasileira) aos seus assinantes. Este bisavô de todos os aparelhos telefônicos, não possuía nenhum mecanismo que lhe desligasse ou diminuísse o volume da campainha.
    Preto e pesadíssimo, numa necessidade, a retirada do fone do gancho para evitar-se incômodos era o mesmo que uma sentença de morte assinada contra a linha: ficava sem sinal de discagem e isto podia durar dias – ou até semanas, quando não, meses… Melhor não.

    - “Quem fala?! (Papai ou Mamãe, em transe de sono)

    - “Aqui é o Alarga!”

    - “Alarga? Mas que Alarga?!!”

    - “O Alarga Cu, é claro! Não lembra de mim?!”

    Isto durou todo um verão. Foi o Verão do Alarga. O nosso aparelho telefônico ia dormir embrulhado em vários cobertores grossos, o que não adiantava nada.
    O Alarga trabalhava numa padaria do bairro e levantava-se bem cedo, para fazer o pão.

    - “Mamãe, será que o Alarga Cu vai ligar esta noite?”

    - “Psiuuuu! Não fale isto, meu anjo, é muito feio!”

    Isto era o meu irmão menorzinho, de uns quatro anos de idade. Ou uma priminha, que estivesse dormindo lá em casa…
    Adorávamos o Alarga, porque não gostávamos de dormir. Sempre arranjávamos um jeito de começar uma brincadeira. E acordar de madrugada era uma coisa inusitada, fantástica…

    - “Dorme, meu amor…”

    - “Mamãe, eu gosto do Alarga. Isto é pecado?”

    - “Dorme, filhinho, psiuuu!”

    E assim, o Alarga passou a fazer parte da vida de todos nós e das nossas lembranças… Acho que, no fundo, era um grande sujeito. E que aquilo era mesmo o tal do amor…[/align]
     

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