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O Regresso

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Amélie, 7 Mar 2008.

  1. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    Leiam a explicação no tópico de O Circo...

    Esse foi um conto-roteiro escrito por mim, numa aula de pós e que filmamos numa equipe grande mas não foi editado...

    Espero que gostem... (tem algumas explicações que posso fazer sobre inspirações para o conto, mas vou deixar vcs imaginarem... quem quiser saber, depois pergunta)

    O Regresso

    Em uma cidade grande, crianças brincam num parquinho de um condomínio residencial. De longe, observa da janela Mariana, com um ar de melancolia, vontade de interagir, de brincar, mas está em seu apartamento. Ela tenta disfarçar a solidão brincando com as suas bonecas, liga a televisão, muda de posição várias vezes no sofá como se a programação não lhe interessasse. Volta a observar a janela. Ouve o som ao longe das crianças que brincam felizes, livres. A tarde passa, e Mariana está mais um dia entediada.

    Ao ouvir a fechadura se abrir, a menina se agita. Corre para a porta e já sabe que alguém está para vir, para lhe tirar da rotina. São os pais de Mariana que voltam de mais um dia de trabalho, e alvoroçada, espera que a levem para o parquinho. A mãe argumenta que já está muito tarde, e o pai diz que está cansado do trabalho. Mariana reclama e diz que se ao menos tivesse um irmãozinho, teria alguém para brincar. Aparentemente consternada com a afirmação, a mãe da menina a manda para o quarto para que faça a lição de casa.

    Em seu quarto, a menina triste folheia um livro sem o mínimo interesse. Rola na cama, olha as figuras, mas nada lhe toma a atenção. De relance, ela observa a janela, e quase sem querer, avista um vulto no apartamento que fica no prédio de frente ao seu. Como querendo confirmar sua visão, é um menino na outra janela.

    Meio assustada, ela fica entre as cortinas, mas o menino lhe passa confiança e pede para que ela olhe. O estranho dá um tchauzinho, e ela responde. Logo, começam a fazer gestos imitando um ao outro. Sinais com as mãos, caretas... Pressionam o rosto no vidro, pra competir quem faz a cara mais engraçada. Riem juntos. Então o menino embaça seu vidro com uma larga baforada e com o dedo escreve "Thales". Ela compreende e escreve "Mariana", e estão devidamente apresentados. Nesse tempo, a menina ouve a mãe que a chama para o jantar. Dá um aceno para o novo amigo, ele responde com um tímido mexer das mãos e ela vai.

    No dia seguinte, Mariana chega da escola já ansiosa para interagir da janela com o novo amigo. Olha para o vidro, ninguém do outro lado. Impacientemente, tenta arranjar o que fazer. Procura por brinquedos, acha um disco que gosta, coloca para tocar. Dança sozinha por minutos, mas aquilo não a deixa feliz. Ao desligar a música, percebe o som abafado da mesma música. Olha pela janela, é Thales, também dançando sozinho. O vê, e ele logo olha para ela também. Tentam se conversar, mas não ouvem direito porque as janela estão fechadas. Ela se estica no parapeito e insiste para que ele abra também, mas o garoto sinaliza que a janela está fechada. É hora do almoço e Mariana tem que ir novamente. Os amigos se despedem.

    No almoço, fala que queria muito ir ao parquinho, mas a mãe reforça a idéia que ela tem que ficar em casa. Ela comenta que conheceu um amiguinho, mas antes que fale qualquer coisa sobre isso, a mãe começa a reclamar que precisa trabalhar e que a menina tem que prometer que ficará em casa "segura". Mariana concorda com a mãe, mas fica com um ar de desapontamento.

    Almoço. Mariana vai para o quarto triste, olha pela janela e Thales está lá sorrindo. Ao vê-la tão triste, ele começa a fazer um teatrinho de marionetes - desenhos infantis de papel presos a um palito de sorvete - sobre uma princesa que era perseguida por um fantasma, até que um principe a salva. Ela ri da brincadeira e os amigos interagem da forma que podem. Ele escreve frases na janela com canetinhas, ela mostra brinquedos, enfim, passam a tarde juntos em vários flashes de diversão, e assim o dia passou. Ela não quer se despedir do amigo, mas Thales sinaliza que amanha eles podem se ver. Argumento aceito mesmo com tristeza. Ele mostra no céu um balão, ela o vê e fica encantada, ao voltar o olhar para a janela Thales não está mais lá.

    Mais um dia de aula, e conforme prometido, Mariana está a espera do amigo. O parquinho está vazio, os brinquedos como a balança e o gira-gira se mexem melancolicamente mesmo sem crianças. Mariana observa pela janela. Parece uma ventania. Ao olhar para o outro apartamento, o garoto está lá. Eles se cumprimentam e Thales pede para Mariana para que possam descer juntos ao parquinho. Ela diz que não pode. Eles fazem uma expressão triste. Thales se posta em frente a janela brincando com um cubo mágico. Marina lembra que ela também tem um.

    Vai procurar e avista em cima de uma prateleira. A menina vê uma cadeira, mas como quer pegá-lo rápido, sobre na estante mesmo. Cai no chão uma caixa, que se abre e espalha muitas fotos no chão. Ela começa a guardar rápido, mas uma chama a sua atenção: os pais mais novos com um menino da sua idade que ela reconhece muito bem, é Thales. Como uma forma de revolta ela vai furiosa para o quarto e fecha as cortinas. Num canto, se isola e o quarto parece ainda maior e mais solitário que antes.

    Ao encontrar a filha assim, a mãe vê que ela está encolhida, com a foto na mão e conta que antes dela nascer, eles tiveram um filho de nome Thales. Mariana não conta para a mãe que o conheceu - embora tivesse tentando fazer isso antes-, mas questiona o porque isso nunca tinha sido revelado. A mãe fala que tudo isso é muito difícil ainda para eles, ainda mais porque o menino teve uma morte assim, no parquinho de um antigo prédio onde eles moravam, e que por isso só quer protege-la. Mariana abraça a mãe e guarda a foto consigo.

    No dia seguinte, ao ir para a escola, Mariana está de mão dada com a mãe. Caminhando em direção ao portão da escola, ela avista Thales. Aproveitando a chance que a mãe parou para conversar com a outra mãe, ela começa a procurá-lo por entre as pessoas... O vê de longe e corre ao seu encontro... Ao se aproximar do amigo, os passos ficam cada vez mais lento, até que eles estão a distância de um braço e Thales lhe estende a mão. Mariana aceita e enquanto segura a mão do amigo, Thales olha tranquilamente para o lado como sinalizasse que algo estava para acontecer. Nesse momento percebe-se que ela está no meio da rua e seu olhar volta-se para o mesmo lado em que um ônibus está tão perto que ela não tem qualquer reação. Escuro. Ouve-se o barulho de freada de ônibus. Falas e gritos desconexos ao vento. Mariana e Thales caminham tranquilamente pela rua deserta de mãos dadas, como se pulassem amarelinha.
     
  2. Jesus.
    Que coisa triste.
    É bem bonito, mas triste na mesma proporção. Eu, no meio da história, pensei que o desfecho seria que Thales nada mais era do que um garoto surdo.
     
  3. Marco

    Marco may the force be with... wait

    Eu ainda estou em dúvida se o final é feliz ou triste.
    E, tenho que dizer que vc é uma chata. Me contou o final da história aquele dia que comentou sobre o curta. Humpf!
     
  4. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    hahaha a idéia é a dúvida... finais não são felizes ou tristes para sempre...

    Sorry! :P Alias, quando o curta for editado, eu te mostro huhuh
     
  5. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Mariana e Thales..concerteza uma belo conto!
    tipo no meio do conto, eu estava me perguntando:
    "O q teria o tal Tales?"...rsr, sem falar q essa cena se repete
    tdos os dias nas grandes cidades...o estar "engaiolado"...graças
    a pequena Mariana, ela consegue tirar proveito disso numa boa, com
    sua bela imaginação, e criatividade!=DD mto bom
     
  6. Angélica

    Angélica Visitante

    Uau!!!! Amélie querida, parabéns!!! Veja aqui até onde seu conto me levou...

    Pensei que Thales nada mais fosse do que um menino que tal qual Mariana se visse obrigado a ficar trancafiado no ap...

    O tempo todo em que li tive a sensação de que algo ruim iria acontecer mas já pensei em um acidente (quando ela debruçou no parapeito, gelei!)com Mariana sem que ela morresse mas suficientemente grave para fazer com que seus pais dessem mais atenção pra filha única.

    Você me fez sentir uma certa raiva deles, pelo descaso com a filha - sei o que é chegar do trabalho cansada e tudo o mais, mas filho não tem culpa disso e pai e mãe poderiam se revezar, se o problema era a morte de Thales no parquinho que levassem a menina pra fazer outro programa, tomar um sorvete, passear na praça, sei lá - entendo as razões deles, mas tadinha da Mariana que nem sabia de nada!

    Quando Mariana, saindo com a mãe vai encontrar Thales meu pensamento voou para o sobrenatural, tipo, ela tinha poderes de se comunicar com os mortos e já a vi sendo encaminhada para terapias por não superar a fase dos amigos invisíveis, ou parapsicólogos caso ela desenvolvesse o dom e tal, e etc... Por isso o final foi surpreendente...

    Seu conto me fez lembrar de uma passagem do livro Os Relógios de Agatha Christie onde aparece uma personagem que fica como Mariana observando tudo da janela de seu ap e também lembrou-me do filme O Orfanato (ai que medão, quase morri de medo quando assisti) foi quando pensei que ela se comunicava com os mortos...

    Eu adorei o conto, simples, objetivo e carregado de surpresas que é o que mais adoro encontrar quando leio um livro...

    bj da
    :lily:
     

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