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O quê importa para vocês numa obra?

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Rahmati, 30 Ago 2011.

  1. Rahmati

    Rahmati Grub grub grub uáááááá

    O negócio é o seguinte: O quê exatamente faz vocês gostarem de determinada obra em detrimento de outras?

    Vejo muita gente metendo o pau em certos autores e glorificando outros, por causa do estilo, do vocabulário, da inventividade gramatical e o etc a quatro, mas e a estória? Não é determinante?

    Perguntou porque a maioria dos livros no meu Top 20 pessoal está lá, quase sempre, por causa da história que me fisgou, e não pelas (desculpem o termo) frescuras do autor.

    Poucos me agradam a despeito da história, e dois deles posso citar: Roberto Bolaño, pelo estilo, e Antonis Samarakis, pela simplicidade às vezes tocante, embora ambos sejam também bons contadores de estórias.

    Enfim, estou perguntando por que vejo muito mais falarem dos autores que das estórias de fato.

    Em tempo: A última posição do meu Top 20 é Anjos e Demônios, justamente por isso. Achei a estória (sem vergonha nenhuma de dizer) fantástica.
     
  2. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Eu não acho o estilo desprezível nem a história tão importante assim, mesmo porque cada um pode ver isso de determinada forma. Uma história simples e sem graça pode ser muito interessante dependendo do ângulo, da perspectiva. Conta muito o estilo do autor, se é uma prosa mais poética ou não.

    Por exemplo, o que eu adoro em Dostoievski não são as histórias mas a descrição precisa e quase doentia de vários e sucessivos estados patológicos da alma, como nervos destruídos, esquizofrenia e afins. Tem toda a questão filosófica que molda, que é o cerne dos Irmãos Karamázov, por exemplo. Toda aquela angústia que Notas do subsolo te causa valem mais que a história épica mas surpreendente.
     
  3. Rahmati

    Rahmati Grub grub grub uáááááá

    É bem o tipo de resposta que esperava (e ainda espero dos outros) - o *por quê* de gostarem de um acima do outro (considerando estilo e estória).

    Para mim enquanto escritor é importantíssimo analisar isso. :sim:
     
  4. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Goethe, para citar outro autor, é como ler Homero: é uma poesia carregada de referências e que quebra muitos paradigmas estilísticos. Isso me é interessante mas tenho que confessar que mais que a forma me interesso muito mais pela ideia, ou referências e motivos filosóficos. Não precisa ser alegórico, mas que contenha pelo menos uma ideia que mova a narrativa, um sentido.
     
  5. Felipe Sanches

    Felipe Sanches Usuário

    Eu gosto de coerência.Gosto de estilo de descrição, e de construção de tensão e da história em geral.Acho que é isso.Tem gente que gosta de se identificar com os personagens, eu não ligo muito pra isso A MENOS que seja uma identificação intensa que não precisa necessariamente ser boa.
     
  6. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Putz, há vários fatores e não sei dizer qual deles pesa mais pra mim, depende muito do livro. Deixa eu pensar nuns exemplos...

    Ok, no Quantas Madrugadas tem a noite, por exemplo, o estilo do autor foi fundamental. Se dependesse de sinopse, eu jamais o teria lido, porque é meio sem noção e bem humorado - e não tenho o costume de ler coisas com uma carga dramática/trágica/reflexiva mais leve. Mas a maneira de contar a história, o estilo poético com que a prosa foi tratada e a construção das frases foram responsáveis por 80% da minha satisfação.

    O extremo oposto foi O Caçador de Pipas. Achei que a história em si era ótima, um cara atormentado pela grave omissão do passado e esmagado diante da fidelidade constante do amigo diante de quem se omitiu. Adoro coisa triste, quanto mais triste, mais gosto. Só que o autor deixou muuuuuito a desejar, simplesmente porque ele não mostrou a que veio. Qualquer pessoa poderia ter contado aquela história que livro ia sair do mesmo jeito e, se bobear, com as mesmas palavras e termos (Ok, não li na língua original, mas tb não li Steinbeck no original e não tive essa decepção). O Hossini só fez um mero encadeamento de acontecimentos com clímaxes (é assim?) periódicos e pluft, acabou-se. Não criou reflexão, não me pôs contra a parede, não me humilhou, não me confundiu, não me nada. Quando se trata de livro,sou mulher de malandro, quanto mais me bate e maltrata, mais eu amo. Mas é só com livro, que fique claro! XD Foi com O Caçador de Pipas que descobri que, pra mim, o enredo é secundário. Preciso ser seduzida pelas palavras, pelas construções, pela forma. Forma, é isso. Fundamental. E é tudo o que falta nesse livro. ¬¬

    Em O Estrangeiro, o enredo é muito simples e nada trágico/dramático como costumo gostar, mas até hoje não o digeri bem nem encontrei solução pro desnorteamento que ele me causa. A construção do personagem é de uma maestria admirável. Nesse, o trato que o autor dá às palavras não é lá tão chamativo (diga-se novamente, não li no original), mas a abordagem que ele dá ao tema e a profundidade do personagem valem tudo e mais um pouco. É excelente.

    No Ensaio sobre a cegueira, me fascinaram trocentas mil coisas. O estilo do Saramago não é dos mais fáceis pra quem pega pela primeira vez, mas a avidez que ele me causou é sem precedentes na história da minha vida. Eu tinha me jurado nunca ler ebook porque não suporto ler literatura em tela, mas quem disse que eu desgrudava os olhinhos? Até ardia, mas eu não parava nem pra beber água, só quando minha mãe roubava a fonte do notebook e a bateria acabava. Em dois dias devorei tudo. O estilo do Saramago é muito marcante, mas os simbolismos e imagens que ele cria, putz. O cão lambendo as lágrimas da mulher é de arrepiar, as imagens dentro da igreja com os olhos vendados me boquiabriram. Também a amplitude que ele dá às coisas, tanto no Cegueira quanto no Memorial do Convento (o que mais gosto dele) é excelente, porque ele situa os personagens temporal, ambiental e sócio-politicamente, coisa que não é todo mundo que tem interesse e culhão de fazer. Sem falar que ele é mestre em verossimilhança. Eu nem lembrava que aquilo tudo era por causa de uma irreal cegueira branca (!) mundial que vem e vai sem explicação nenhuma. Nem que A Jangada de Pedra (como se pedra flutuasse!) fosse na verdade, uma península (!). Aliás, ponto pro Saramago q não dá satisfação nenhuma pro leitor. É o que é e pronto, vc que lide com isso. Há mais coisas sobre o Ensaio mas depois falo mais.

    Aliás, depois falo mais porque tá na hora de nanar. ;)
     
  7. Gigio

    Gigio Usuário

    Pensando aqui nos meus livros favoritos, não consegui separar muito bem as duas coisas, Rahmati, estilo e estória. Minha impressão é que esses livros, que nos fazem realmente felizes por encontrá-los, dependem das duas coisas: de que contem uma história que nos seja relevante e de que saibam modelar a própria linguagem para isso. Não é só contar a estória, é dobrar a linguagem, é extrair dela uma energia que não se encontra na língua usada no cotidiano. O que, é claro, acaba sendo diferente para cada escritor e cada obra... Não consigo imaginar o Proust, por exemplo, escrevendo sem aqueles longos parágrafos, porque, não sei, acho que a nossa maneira de rememorar as coisas envolve essas longas cadeias de associações.

    Até entendo essa polaridade. Também sou fã de FC, às vezes tenho uma vontade enorme de ler algo só pela estória, só pela sensação de fantasia, mas o que vejo é que quase sempre esses livros perdem rapidamente o brilho... Bate aquela sensação de "ah, tá bom, e aí, o que acontece no final?". O poder do estilo é muito maior: como disse o Paulo Leminski, é o barato da linguagem.
     
  8. Anica

    Anica Usuário

    depende do que busco quando vou ler um livro. normalmente minha relação se dá por entretenimento ou da literatura como arte. no primeiro caso, só uma boa história basta, mais do que isso, é exatamente o que estou procurando. no segundo caso eu espero uma combinação de fatores, como personagens marcantes e bem desenvolvidos, técnicas de narrativas diferentes que acabam complementando o que está escrito, ou ainda, simplesmente usar a narrativa a favor da história. são os que eu chamo de artesãos, porque eles não contam só uma história, eles a moldam com cuidado, cada detalhe conta. como em grande sertão do rosa, que mesmo os neologismos tem uma explicação, não estão lá só para pagar de livro hermético. ou budapeste do chico, que até a capa acaba trabalhando para o sentido do enredo. enfim, no final das contas é o que eu disse inicialmente: depende do que eu busco no livro.
     
  9. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Anica e Gigio, quando crescer quero ser objetiva e pontual que nem vcs. XD

    Aliás, a Anica tocou num ponto estratégico: depende do que se busca. Realmente isso condiciona todo o resto. Olhando por esse prisma, não preciso nem dizer que a última coisa que eu quero e procuro num livro é entretenimento, né? XD Pra isso eu vejo futebol, tomo um sorvete, jogo War...
     
  10. Anica

    Anica Usuário

    sério que você não lê pelo puro prazer de se divertir com uma história? o_O
     
  11. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Só pelo enredo? Nâo, não consigo mesmo... Só se for livro de crônicas.
    É que uma história que depende maciçamente do enredo não fica bem na forma escrita, o mais adequado é a forma oral, com os contadores de causos e mistérios... XD Mas to tentando trabalhar nisso pra não deixar meu mundinho tão pequeno. :rofl:
     
  12. Rahmati

    Rahmati Grub grub grub uáááááá

    Vivendo e aprendendo O.O

    Até então eu tava com o Sr. Wilde, na tal da "toda arte é inútil"... :rofl:
     
  13. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    eu me deleito com as palavras + dq com a história. situações banais qdo bem escritas viram clássicos. aforismas, experiências d construções gramaticais, usos ou inovações estilísticas inteligentes, entre outros, fazem com q aquela historieta passe a fazer parte do seu ser. já abandonei vários livros com histórias interessantes mas autores terríveis q conseguiram estragá-las. na minha lista dos 10+ 8 estão vinculados ao q o escritor conseguiu fazer e nos 10- aos q os escritores conseguiram destruir. tá, sou 1 viciado na boa escrita, talvez por praticar regularmente o dom da escrita, qdo vejo as maravilhas q outros conseguiram fazer em tão pouco espaço, as soluções utilizadas, como por causa deles 1 textículo foi transformado para melhor, sou incapaz d ñ sorrir e repetir a leitura.
     
  14. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Ah, ou eu me lembro muito mal do contexto dessa citação ou vc criou um pretexto bem sutil, hein? :rofl: Utilidade da arte é um tema que rende mais do que esse tópico se propõe a abordar, meu caro Rahmati... XD

    Mas falando de citação, sou muito mais fã daquela do Kafka que eu usava como assinatura antes: "Se um livro que estamos lendo não nos desperta como um golpe na cabeça, por que o lemos? Meu Deus, seríamos felizes também se não tivéssemos livros, e se os livros que nos tornam felizes, pudéssemos nós mesmos escrevê-los. Mas os livros dos quais temos necessidade são os que caem sobre nós como a desgraça, que nos perturbam profundamente como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como um suicídio. Um livro deve ser como uma picareta que rompa o mar de gelo que está dentro de nós.". Pra mim, isso é o que é. =)

    Até pensei por outro lado agora, por causa da citação do Wilde. A despeito do nosso objetivo em ler um livro (entretenimento, arte ou falta do que fazer), qual o objetivo do autor em escrevê-lo? Entendam que não quero dizer que toda boa literatura tem que ter uma "moral da história", atenção. Mas penso que tem que ter um objetivo qualquer, não? E de certa forma, todo o resto (estilo, narrativa, ponto de vista, abordagem, enredo, blabla) está subordinado a isso, não?
     
  15. Rahmati

    Rahmati Grub grub grub uáááááá

    Não sei se é querer demais... Talvez seja... Oh céus... Mas será que dá para exemplificar? Tipo, colocar um trechinho de algo que vc considere merecedor de um "+"?

    :pipoca:
     
  16. Anica

    Anica Usuário

    o que eu lembro é que wilde defendia a ideia da arte pela arte, negando em suas obras qualquer significado moralizante, edificante, ou whateverante. fazia pelo aspecto estético da coisa, que é mais ou menos o outro lado da moeda: as técnicas de narrativa, desenvolvimento de espaço, ação, personagem, etc.
     
  17. Rahmati

    Rahmati Grub grub grub uáááááá

    Então; eu abstraí mesmo do contexto original... Mas...

    ...eu quase me arrependi quando postei isso, exatamente pelo que vc acabou de falar. Esse assunto rende muuuuito.

    Agora compreendi o seu ponto: vc foge daqueles livros em que o autor tem o objetivo exclusivo de entreter e nada mais, certo?
     
  18. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    o trecho abaixo é sobre 1 sorriso. pense q outros escritores simplesmente escreveriam no lugar "o seu sorriso era compreensivo, amável, crédulo".

    "Sorriu compreensivamente - muito mais do que compreensivamente. Era um desses sorrisos raros que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a gente talvez depare quatro ou cinco vezes na vida. Um sorriso que, por um momento, encarava - ou parecia encarar - todo o mundo eterno, e que depois se concentrava na gente com irresistível expressão de parcialidade a nosso favor. Um sorriso que compreendia a gente até o ponto em que a gente queria ser compreendido, que acreditava na gente como a gente gostaria de acreditar, assegurando-nos que tinha da gente exatamente a impressão que a gente, na melhor das hipóteses, esperava causar." - O Grande Gatsby.

    lembrando q qdo 1 autor consegue mesclar a técnica/estilo à uma boa história (cito saramago) aí sim pode-se chamá-lo d gênio.
     
  19. Rahmati

    Rahmati Grub grub grub uáááááá

    Hum... Nada mais a perguntar :rofl:

    Obrigado :sim:
     
  20. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Rahmati, tava lendo
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    e apareceu um trecho que me fez lembrar do tópico: “A função da literatura não é a de refletir a realidade, e sim a de criar uma realidade que só a linguagem tem condições de reproduzir. A literatura é a realidade da linguagem e não a realidade da vida, que se exprime através de uma des-linguagem."

    Acho que é por aí...
     

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