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O que é uma Teoria?

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Deriel, 22 Dez 2002.

  1. Deriel

    Deriel Administrador

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    O termo 'teoria' pode ser compreendido tanto numa acepção 'forte' como numa acepção 'fraca'. Na acepção 'forte', uma teoria é um princípio ou conjunto de princípios para explicar, organizar, unificar, e/ou compreender o sentido de um conjunto de fenômenos. Na acepção 'fraca', uma teoria é uma crença ou especulação. Não-cientistas comumente usam o termo 'teoria' na acepção fraca para se referir a uma crença ou a uma especulação ou palpite baseados em informações ou conhecimento limitado, por exemplo, minha teoria sobre o sexo antes do casamento é... ou, minha teoria sobre por que os Yankees vencem tantos campeonatos é... Nós nos preocuparemos aqui apenas com teorias na acepção forte.

    Poderíamos dividir as teorias em científicas e não-científicas. As últimas poderiam ser ainda divididas em empíricas e conceituais.

    teorias científicas

    Uma teoria científica é empírica, falseável e possui poder preditivo, por exemplo, a teoria ondulatória da luz, a teoria da evolução e a teoria do Big Bang. Teorias científicas são voltadas essencialmente para a descoberta dos mecanismos pelos quais a Natureza funciona.

    As teorias científicas tentam entender o mundo da observação e da experiência. Elas tentam explicar como o mundo natural funciona. Uma teoria científica deve possuir algumas conseqüências lógicas que nós possamos testar na Natureza, fazendo predições ou retrodições baseadas na teoria. A exata natureza do relacionamento entre fazer predições ou retrodições, e como elas servem como testes para uma teoria científica, é um assunto sobre o qual os filósofos da ciência amplamente divergem (Kourany, 1997).

    teorias empíricas não-científicas

    Uma teoria empírica não-científica tenta explicar um certo conjunto de fenômenos empíricos, mas não é falseável e não tem nenhum poder preditivo, por exemplo, as teorias da repressão e do complexo de Édipo de Freud.

    teorias conceituais

    Uma teoria conceitual é não-científica e não-empírica. Algumas teorias conceituais são explanatórias, por exemplo, teorias metafísicas como criacionismo, materialismo ou dualismo. Como todas as teorias conceituais, criacionismo, materialismo e dualismo não podem ser testadas empiricamente. Elas não são falseáveis nem tem nenhum valor preditivo. Cada teoria é logicamente coerente, isto é, não há nenhuma contradição lógica em acreditar que tudo o que é real é físico, nem há nada de contraditório em acreditar que existem duas realidades, uma física e outra espiritual. Não há nada de contraditório em acreditar que o universo teve um Criador, nem o ateísmo é inerentemente auto-contraditório. Cada teoria é consistente com o que nós sabemos sobre o mundo. Tudo o que pode ser explicado por espíritos ou realidades não-físicas, pode ser explicado pelo materialismo. Apesar de tudo, nem o materialismo nem o dualismo podem ser testados empiricamente; logo, nenhum pode ser confirmado empiricamente de nenhuma maneira significativa. Não há nada no universo que possa ser explicado por um Criador que não possa também ser explicado sem referência a um Criador. Por outro lado, teorias conceituais também não podem ser refutadas. Não há nenhuma forma de alguém provar que o teísmo ou o ateísmo, ou o materialismo ou o dualismo são falsos apelando para evidências empíricas. Além disso, tudo o que puder ser dito a respeito do valor e da validade do materialismo ou do ateísmo se aplicam igualmente às teorias do dualismo e do teísmo.

    Algumas teorias conceituais são prescritivas, por exemplo, teorias éticas como o utilitarianismo. Elas declaram o que deve ser, ao invés de tentar explicar o que é.

    testando as teorias

    Genericamente falando, uma teoria não-científica é testada por sua utilidade, sua coerência lógica (ou seja, a compatibilidade dos conceitos que compõem a teoria), e sua consistência com o que nós sabemos sobre o mundo e com outras crenças.

    Teorias não-científicas, quando são coerentes, são consistentes com qualquer coisa imaginável no universo. Não é surpresa, portanto, que muitas teorias não-científicas sejam divulgadas dogmaticamente. Elas não são oferecidas para serem testadas, mas para serem aceitas como infalivelmente verdadeiras.

    Observações empíricas podem ser usadas para testar teorias científicas, mas não para teorias não-científicas. Fatos empíricos podem ser consistentes com ambos os tipos de teorias, mas como não podem refutar uma teoria não-científica coerente, estes fatos não podem ser usados para testá-las.

    fatos e teorias científicas

    Para o público desinformado, os fatos contrastam com as teorias. Entretanto, teorias científicas variam em seu grau de certeza desde o altamente improvável até o altamente provável, isto é, existem graus variáveis de evidência e apoio para diferentes teorias, ou sejam algumas são mais razoavelmente aceitáveis que outras. Mas mesmo a teoria científica mais razoável não é absolutamente certa. Por outro lado, os assim chamados 'fatos' também não são absolutamente certos. Os fatos não envolvem apenas elementos perceptuais facilmente testáveis; eles também envolvem interpretação. Um sinal de que uma idéia não é empírica ou científica é a afirmação de que a idéia é infalivelmente certa e irrefutável. Alegações de infalibilidade e a exigência da certeza absoluta, não caracterizam a ciência, e sim a metafísica e a pseudociência.

    A história da ciência, entretanto, claramente mostra que teorias científicas não permanecem eternamente inalteradas. A história da ciência não é a história de uma verdade absoluta sendo construída sobre outras verdades absolutas. Em lugar disso ela é, entre outras coisas, a história da teorização, teste, discussão, refinamento, rejeição, substituição, mais teorização, mais teste, etc. Ela é a história de teorias funcionando bem por algum tempo, a ocorrência de anomalias (ou seja, descoberta de novos fatos que não se encaixam nas teorias estabelecidas), e novas teorias sendo propostas e acabando por substituir as antigas, parcialmente ou completamente.

    Uma teoria assuma que ela mesma não possui erros não é uma teoria científica. Deveríamos nos lembrar que a ciência, como definiu Jacob Bronowski, "é uma forma bem humana de conhecimento.... Cada julgamento na ciência se apoia na fronteira do erro... A ciência é um tributo ao que nós podemos saber embora sejamos falíveis"(Bronowski, 374). "Um dos objetivos das ciências físicas," ele diz. "tem sido fazer um retrato exato do mundo material. Uma das conquistas da física no século vinte foi provar que este objetivo é inatingível" (353). Bronowski expressou seu ponto de vista sobre a qualidade humana do conhecimento científico de uma maneira quase pungente. Para a versão televisiva do seu livro Ascent of Man, ele foi para o campo de concentração e crematório de Auschwitz. Milhões de Judeus, homossexuais e outros 'indesejáveis' foram assassinados e cremados ali pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Alguns desses executados eram parentes de Bronowski. De pé em um lago onde as cinzas eram despejadas, e segurando um punhado de sujeira, ele disse

    Dizem que a ciência vai desumanizar as pessoas e transformá-las em números. Isso é falso, tragicamente falso. Este é o campo de concentração e crematório de Auschwitz. É aqui que pessoas eram transformadas em números. Neste lago foram descarregadas as cinzas de uns 4 milhões de pessoas. E isso não foi feito pelo gás. Isso foi feito pela ignorância. Quando as pessoas acreditam ter o conhecimento absoluto é assim que elas se comportam. É isto que os homens fazem quando eles aspiram ao conhecimento de deuses (374).

    O conhecimento científico é um conhecimento humano e os cientistas são seres humanos. Eles não são deuses e a ciência não é infalível. Ainda assim, o público em geral muitas vezes pensa em afirmações científicas como verdades absolutas. Acham que se algo não é uma certeza, não é científico e se não é científico então qualquer outra visão não-científica é de igual valor. Esta conceito errado parece estar, pelo menos em parte, por trás da falta de entendimento generalizada sobre a natureza das teorias científicas.

    teorias científicas e pós-modernismo

    Outra concepção errônea comum é a de que, como as teorias científicas são baseadas na percepção humana, elas são necessariamente relativas, e logo não nos dizem realmente nada sobre o mundo real. A ciência, de acordo com certos "pós-modernistas", não pode afirmar que nos dá uma imagem real de como é realmente o mundo empírico; ela pode apenas nos dizer como ele se apresenta para os cientistas. Não existe esta coisa chamada verdade científica. Todas as teorias científicas são meras ficções. Entretanto, só porque não há uma única, final, divina maneira de se ver a realidade, não significa que todo ponto de vista seja tão bom quanto qualquer outro. Só porque a ciência pode nos dar apenas uma perspectiva humana, não significa que não exista uma coisa chamada verdade científica. Quando a primeira bomba atômica explodiu exatamente como alguns cientistas previram que explodiria, mais um pouco de verdade sobre o mundo empírico foi revelada. Pouco a pouco, nós estamos descobrindo o que é verdadeiro e o que é falso testando empiricamente teorias científicas. Afirmar que as teorias que tornam possível explorar o espaço são "apenas relativas" e "representam apenas uma perspectiva" da realidade, é compreender profundamente mal a natureza da ciência, do conhecimento científico e das teorias científicas.

    teorias do comportamento humano

    Há ampla divergência sobre o que pode ser assunto de teorização científica. O comportamento de gases ou partículas pode ser assunto para a ciência, mas poderia o comportamento humano também ser? Há muita divergência entre filósofos e praticantes das ciências sociais, como a psicologia, sociologia, história, e campos relacionados. Seria o comportamento humano redutível a um conjunto de princípios ou leis, exatamente como é o comportamento de partículas ou ondas? Seria o comportamento humano redutível a fenômenos observáveis, ou aos efeitos observáveis de fenômenos regidos por leis e regulares? Se for, o comportamento humano pode ser assunto de teorização científica. Se não for, então não importa quão empírico o estudo do comportamento humano seja, ele não pode ser científico. Se a vontade, o desejo e a motivação humana não puderem ser reduzidas a princípios de regularidade, então o comportamento humano é essencialmente diferente do comportamento de tudo o mais na natureza, e não pode ser assunto de teorização científica. Mas mesmo se não puder haver nenhuma ciência do comportamento humano, ainda podem haver explicações e teorias do comportamento humano, sejam elas psicológicas, sociológicas ou históricas. Essas explicações podem ser bem pesadamente empíricas, mas como tais teorias não são falseáveis, elas são não-científicas.

    teorias pseudocientíficas

    As teorias pseudocientíficas não são mais um tipo de teoria, a ser avaliada juntamente com as científicas e as conceituais. Teorias pseudocientíficas, como o assim chamado criacionismo científico, são as que não são científicas mas alegam ser. Elas alegam ser baseadas em evidências empíricas, e podem até mesmo utilizar métodos científicos, mas ou elas são essencialmente não falseáveis, ou seus adeptos se recusam a aceitar evidências que refutem a teoria. Os pseudocientistas se gabam de ser capazes de mostrar a consistência das suas teorias com os fatos conhecidos ou com conseqüências previstas, mas não reconhecem que tal consistência não prova nada. Por exemplo, "a veracidade da hipótese de que a peste é causada pelos maus espíritos não é baseada na exatidão da dedução de que se pode evitar a doença se mantendo fora do alcance dos maus espíritos" (Beveridge, 118). Da mesma forma, o fato se que um rabdomante às vezes encontre água não prova que ele esteja usando poderes paranormais quando o faz.

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    leitura adicional

    W. I. B. Beveridge, The Art of Scientific Investigation (New York: Vintage Books, 1957).

    Jacob Bronowski, The Ascent of Man (Boston: Little, Brown and Company, 1973). $23.96

    Michael W. Friedlander, The Conduct of Science (New Jersey: Prentice?Hall, 1972).

    Michael W. Friedlander, At the Fringes of Science (Boulder, Colorado: Westview Press, 1995). $28.00

    Martin Gardner, Science: Good, Bad and Bogus (Buffalo, N.Y.: Prometheus Books, 1981). $15.16

    Giere, Ronald, Understanding Scientific Reasoning, 4th ed. (New York, Holt Rinehart, Winston: 1998). $36.50

    Stephen Jay Gould, "Evolution as Fact and Theory," in Hen's Teeth and Horse's Toes (New York: W.W. Norton & Company, 1983). $10.36

    Stephen Jay Gould, Ever Since Darwin (New York: W.W. Norton & Company, 1979). $9.56

    Janet A. Kourany, Scientific Knowledge: Basic Issues in the Philosophy of Science,2nd ed. (Belmont: Wadsworth Publishing Co., 1997). $50.95

    Karl R. Popper, The Logic of Scientific Discovery (New York: Harper Torchbooks, 1959). $24.95

    Daisie and Michael Radner, Science and Unreason (Belmont, California: Wadsworth Publishing Co., 1982). $18.95

    Carl Sagan, Broca's Brain (New York: Random House, 1979). $4.79

    Carl Sagan, The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark (New York: Random House, 1995). $11.20
     
  2. Digo_s

    Digo_s Olifantástico

    Adorei esse texto!
    Ele diz o q tentei dizer em alguns topicos já por aqui!

    Se o clube conseguir caminhar nos moldes desse texto, teremos um pseudoclube perfeito! :mrgreen:
     
  3. Deriel

    Deriel Administrador

    Não espero tanto assim :mrgreen:

    Se as pessoas que frequentam o clube passarem a usar um "por que?" por dia e realmente tentarem responder essa dúvida já acho que vai ser algo muito engrandecedor. Ser cético não é uma religião, é quase uma necessidade do ser humano. E é quase sinônimo e curiosidade.
     
  4. The Dark Elf

    The Dark Elf Usuário

    Concordo... e com esse clube espero ganhar mais conhecimento...
     
  5. yávië

    yávië Usuário

    Bem....eu tb acho vital a necessidade de se questionar todos os dias sobre o que nos é proposto antes de dizermos sim ou não para tale tal coisa.Mas sinceramente não acho que o único modo de fazer isso é sendo cético.Para questionar é preciso sim ser curioso,mas uma curiosidade para desvendar a vida e o seu sentido....ser um apaixonado e não falo de sentimentalismos baratos...querer descobrir os verdadeiros pqs hj em dia é um dom....pois eh mto raro, o que é uma lástima...
    viver na superficilidade aparentemente é mto mais fácil e ninguém se interessa em ter trabalho de buscar a verdade, mas para tal não eh necessário ser cético,mas razoável..usar a nossa razão como instrumento de compreenssão,mas perceber que até ela tem limitações pois chega num limite em que ela só detecta, o mistério.Temos que continuar buscando respostas, mas negar esse mistério é negar a própria razão..e isso tb é um gde erro..é indispénsável a humildade..
    Ser cético pode ser um meio de buscar a verdade,mas não é algo livre de preconceitos que podem levar a resposta mais simples a total incompreensão....
    Bem..não sei se deu para entender,mas esse é o meu ponto de vista.
     

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