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O popular versus o Erudito

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Luisa Oliveira, 9 Jun 2012.

  1. Luisa Oliveira

    Luisa Oliveira Usuário

    As classes pobres sobrevivem à margem da informação, da educação e do erudismo. Em virtude disso as classes pobres buscam em seus passados agregados as migalhas que advêm do alto para criarem uma forma de cultura que atenda as suas necessidades.
    Devido à carência no tocante à educação, por mais que se tente aperfeiçoar ou ultrapassar essa problemática real, a cultura criada pelas massas pobres muitas das vezes rica em sentido, lógica em razão, sofre um decréscimo quanto ao seu conteúdo quanto se predispõe ou é colocada, ou descrita e salvaguardada, no papel.
    É perceptível o choque da criação, nascida nos moldes coloquial, com a forma culta quando se a passa para a escrita. Os lingüistas denominam essa criação coloquial de código restrito.
    Um pesquisador não pode, somente, propor-se a ser um mero espectador de sua pesquisa e relevando os fatos sócio, econômicos e culturais que levam ao criador da cultura popular criá-la. Por isso Jacques Loew propôs a idéia de ser criar uma comunidade de destino, esta, com a finalidade de levar o pesquisador de um mero espectador a um participante de uma cultura de massa.
    Salientar essa cultura é mostrar à sociedade que o que baldeia, o que alimenta influencia essa criação é nada mais, nada menos que a fadiga, como observou Simone Weil. O criador nessa cultura protubera em sua elaboração, um tanto queixativo, a sua indignação, o seu pesar, o seu parecer concernente ao seu cotidiano, eventualmente penoso.
    É perceptível a apoderação da cultura de massa, popular, pelas classes dominantes afim de por meio dessa obter lucros capitalistas, tornando-se divulgadores e padrinhos das manifestações culturais popular promovendo o comércio desta e denegrindo e apartando qualquer outra que, por mais idêntica que possa vir a ser, mas que por apenas não fazer parte ou subjugar-se a que se deixou dominar pelos organizadores e maestros da cultura dominante, é considerada de inferior qualidade.
    Desde longa data é sabido que a história sempre foi escrita pelos vencedores, pelos dominantes por aqueles que possuem controle dos objetos que favorecem o enriquecimento da cultura. Antes dominadores se prendiam à palavra para descreverem a história, usavam seus escribas, historiadores eruditos e alfabetizados para retratarem a história que melhor lhes conviessem. Poucas vezes o soldado no campo de batalha, morto, olvidado era prestigiado com a mera menção o seu nome.
    A cultura popular, o folclore, muitas das vezes submetido à aguerrida intervenção das camadas dominantes, não tem dado o (prestígio e o merecimento que o singelo operário, pescador, trabalhador, artesão popular, justo ele, o trabalhador incógnito que procura extravasar o cansaço de sua vida produtiva laboral dentro das manifestações folclóricas culturais populares. É como relata a poesia de Vinicius “A felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval, a gente trabalha o ano inteiro, por um momento de sonho p’ra vestir a fantasia de pirata ou de jardineira, p’ra tudo se acabar na quarta-feira”.
    O testemunho do observador deve vestir-se de respeito à criação limitada, mas nem por isso não criativa e rica de detalhes singelos extraídos do dia a dia do a cria. O constante respeito aos oprimidos e a camaradagem, condizente com o status de pessoas humildes e mesmo subtraída de certos dispositivos e recursos estendem suas mãos àqueles que se encontram em igual condição social. Isso implica mostrar que a pessoa humilde não é desprovida de consciência, e que por mais que as contradições sejam tantas e irremediáveis em certas ocasiões esses homens simples tecem a história dentro da idéia de consciência coletiva Durkenheiminiana.

    Luis Carlos Wolfgang do site Recanto das Letras
     
  2. Luisa Oliveira

    Luisa Oliveira Usuário

    Exponho a questão, mas não a resposta. E aí, o que vocês acham, de que lado estão?

    Eu volto em uma semana pra conferir as respostas.
     
  3. Anderson N.

    Anderson N. Órfão Meia Palavra In Memoriam

    Como se você ou qualquer pessoa tivesse a resposta. Se é que há resposta.

    Umberto Eco assume uma perspectiva diversa ao afirmar em Apocalípticos e integrados que "[…] o universo das comunicações de massa é – reconheçamo-lo ou não – o nosso universo; e se quisermos falar de valores, as condições objetivas das comunicações são aquelas fornecidas pela existência dos jornais, do rádio, da televisão, da música reproduzida e reproduzível, das novas formas de comunicação visual e auditiva. Ninguém foge a essas condições, nem mesmo o virtuoso […]
     
    • Ótimo Ótimo x 1

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