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O Mundo se Despedaça, Chinua Achebe

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Gigio, 1 Mai 2010.

  1. Gigio

    Gigio Usuário

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    "O Mundo se Despedaça" conta a vida de Okonkwo, um homem fiel aos costumes de seu clã, em um período marcado pelo crescimento da influência dos colonizadores britânicos. Na primeira parte do livro, pouco se fala dos estrangeiros, e a vida de Okonkwo segue conforme as mesmas tradições de seus ancestrais. A princípio nem mesmo se pode dizer a que época se refere história, se a 100 ou 500 anos atrás. É apenas com uma maior interferência dos colonizadores, e as referências a automóveis, etc, que é possível perceber que se passa em algo próximo ao final do século XIX. E não me lembro também se em algum momento fica explícito que se trata de uma região da Nigéria. A perspectiva de Okonkwo e sua tribo têm dimensões diferentes; para eles dois dias de viagem é uma longa distância.

    Um dos principais méritos do livro é essa capacidade de mostrar o percurso de Okonkwo, e dos demais personagens a sua volta, dentro dos valores da sua própria cultura, o que o torna muito admirado também entre antropólogos. Experimentamos todo o tempo o quão estranhos são os costumes dos Igbo, mas ainda assim eles mantêm sua racionalidade. A impressão que temos não é nem a de um observador arrogante, que desprezasse tudo como atraso e ignorância, nem a de um ufanista que lamentasse a corrupção do homem branco. Observamos uma cultura diferente, inferior em capacidade tecnológica, é claro, mas com todo um conjunto completo de estruturas sociais, consistente em uma perspectiva interna. Entramos como se visitássemos um país distante, com hábitos peculiares próprios.

    E especialmente interessante, na minha opinião, é a segunda parte, o momento em que os missionários católicos se aproximam para estabelecer bases próximas às tribos. Em algumas poucas páginas, Achebe transmite claramente como a nova religião consegue se infiltrar entre as fraturas e as superstições da cultura dos Igbo.

    O livro foi publicado pela primeira vez em 1958 e é considerado um clássico moderno. É adotado como leitura obrigatória em várias escolas da África, segundo o
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    , e é o mais vendido livro africano pela classificação da Amazon. No Brasil, sua última edição foi publicada pela Companhia das Letras em 2009, com a capa acima.

    Um livro realmente muito bom, e espero ler mais obras do Chinua Achebe. Alguém conhece este ou outro livro dele?
     
  2. Clara

    Clara Antifa Usuário Premium

    Não, nunca ouvi falar mas me pareceu muito bom.

    Isso parece bem interessante.
    Gosto muito de visões diferentes e de diferentes culturas.
    Não se trata de concordar ou discordar, achar bonito ou feio mas de lembrar que o mundo e a sociedade humana não é só o que estudamos: gregos, romanos, Europa, América do Norte e acabou.
    A humanidade e seu desenvolvimento tem muitas faces, muitos lados que precisam ser conhecidos.
     
  3. A citação que você fez me deixou instigado Gilgio... trata sintuosamente de religião e sociedade. Fiquei interessado vou procurar e recomendar a bibliotecária da minha facul de teologia.
     
  4. Gigio

    Gigio Usuário

    Com certeza, Clara! :sim: Além do valor da literatura, esses livros de ambientes fora do foco ocidental expandem bastante nossa perspectiva das coisas, nos mais variados aspectos. Só em "O Mundo se Despedaça", por exemplo, descobri que a economia primitiva da Nigéria era baseada no inhame e que até hoje eles são os maiores produtores mundiais! E eu que achava que o Brasil era o umbigo do mundo em termos de inhame... :lol:
     
  5. .Penny Lane.

    .Penny Lane. Usuário

    Nunca tinha ouvido falar, mas seu post me deixou curiosa!

    Sou totalmente ignorante quando se trata de literatura africana, acho que esse livro pode ser um bom começo.
     
  6. .Penny Lane.

    .Penny Lane. Usuário

    Achei um trecho com o inicio do livro -> http://epoca.globo.com/edic/597/597_Epoca_trecho_O_mundo_se_despedaca.pdf

    Terminei de ler esse livro hoje, curto e fácil de ler.
    Claro que não sei se você irá gostar do livro só por isso Clara, mas uma grande parte do livro mostra apenas a vida do personagem principal e os costumes da aldeia, e não a chegada dos missionários católicos, focando principalmente nas tradições religiosas, no culto aos deuses e aos ancestrais. O que achei interessante foram justamente as coisas mencionadas pelo Gigio: nós não vemos o ato de abandonar filhos gêmeos para morrer - as pessoas da aldeia acreditam que sejam abominações - apresentado como uma coisa horrível: isso é simplesmente mostrado como parte da cultura deles.
    Uma coisa que notei foi que alguns capítulos não parecem ligados - Achebe simplesmente vai contando algumas histórias que aconteceram na familia de Okonkwo e na aldeia e nos mostrando os costumes do povo ibo.
    A outra parte que o Gigio mencionou também é interessante - em pouquíssimo tempo a religião e a política dos brancos se infiltra no clã de Okonkwo. E não só entre os desfavorecidos pelo esquema social dos ibos, ou os que não concordavam com um ou outro aspecto da cultura... o catolicismo se espalha bem rápido.

    Achei interessante também um detalhe no final do livro:

    A pacificação das tribos primitivas do baixo Níger - título nada apropriado...
     
  7. Gigio

    Gigio Usuário

    Com certeza, Trillian, com isso ele já sintetiza todo a incompreensão e o desprezo dos europeus. :sim:

    Uma curiosidade: mesmo conservando uma visão mais neutra em relação aos fatos narrados nessa história, o Achebe se envolveu profundamente na causa dos igbos alguns anos mais tarde, como descobri em um livro que estava lendo agora, "Uma Gota de Sangue":

     
  8. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Eu lembro desse livro da lista norueguesa dos 100 melhores livros de todos os tempos, que saiu alguns anos atrás. Lembro de ter procurado pelo nome do autor, só por curiosidade (a lista tava em ordem alfabética e o Achebe era o primeiro), e não tinha encontrado pra vender. Parece realmente interessante, no mínimo pelo contato com a cultura (já que não sei se o livro é linguisticamente valioso - é?). Vou procurar e tentar colocar na lista de leitura desse ano, que já tá absurdamente atrasada.
     

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