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O estruturalismo dos pobres

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Calib, 23 Set 2014.

  1. Calib

    Calib Visitante

    Aviso: o texto é longo e mete o pau em muita gente. Algumas pessoas podem ofender-se com ele.

    O estruturalismo dos pobres*

    *Originalmente publicado no Jornal do Brasil, em 27 de janeiro de 1974.

    José Guilherme Merquior


    O estruturalismo dos pobres e outras questões
    Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1975


    Se você quer estudar letras, prepare-se: que idéia faz você, já não digo da metalinguagem, mas, pelo menos, da gramática generativa do código poético? Qual a sua opinião sobre o rendimento, na tarefa de equacionar a literariedade do poemático, de microscopias montadas na fórmula poesia da gramática/gramática da poesia? Quantos actantes você é capaz de discernir na textualidade dos romances que provavelmente (tres-)leu? E que me diz do “plural do texto” de Barthes – é possível assimilá-lo ao genotexto da famigerada Kristeva? Sente-se você em condições de detectar o trabalho do significante no nouveau roman, por exemplo, por meio de uma “decodificação” “semannalítica” de bases glossemáticas? Ou prefere perseguir a “significância”, mercê de alguns cortes epistemológicos, no terreno da forclusão, tão limpidamente exposta no arquipedante seminário de Lacan?

    Mas não, nem tudo é assim tão difícil: não me diga que acha duro compreender Abraham... Moles! Aliás, esse esoterismo não se restringe ao campo literário; estende-se à filosofia, ameaça a área inteira das ciências humanas. Hoje em dia, até os primeiranistas de jornalismo aprendem a questionar o Ser através de “colocações” heideggerianas, com grande luxo de trocadilhos etimológicos tão solenes quanto ridículos (os heideggerianos não tomaram conhecimento da arrasadora crítica de Nietzsche à falsa “profundidade” em filosofia).

    E se você acha o estruturalismo uma parada, é pura ingenuidade sua: talvez você não saiba que o velho estruturalismo está superado, tão superado quanto a estilística; o estruturalismo vieille école faleceu em 1968, assassinado por Chomsky e pelo movimento de maio. Você não viu A Estrutura Ausente, do Umberto Eco? ... Já está circulando, traduzida para uma língua vagamente aparentada com o português. Compre logo, e leia se puder: porque quem não se informa não comunica, e quem não comunica se estrumbica, conforme adverte o sábio Chacrinha (cada povo tendo o Mc Luhan que merece).

    Graças ao “estruturalismo” no seio das humanidades estrepitosamente tornadas “científicas”, vinga e prospera o mais franco terrorismo terminológico. A seu lado, todavia, pontifica um não menor “terrorismo metodológico” (Starobinski). Pois o estruturalismo é o paraíso do Método; a nova crítica, por exemplo, se alimenta do mito do Modelo mecanicamente aplicável. Pós-graduandos incrivelmente ignaros, outrora incapazes, por simples analfabetismo, de empreender a interpretação de obras pejadas de referências culturais, agora se entregam sem nenhuma inibição à volúpia de aplicar a torto e a direito modelos “científicos” de análise. O Método está ao alcance de todos (em módicas prestações); e “o crítico é o seu método”, sentencia com fervor um dos mais recentes oficiantes do culto estruturalista. A interpretação literária se converte numa espécie de gincana: o negócio é acumular as “leituras” segundo São Propp, São Greimas, São Todorov, São Genette et caterva, a menos que se venere o guru supremo da sofisticação lingüística, o staretz do M. I. T., Roman Jakobson, para quem poesia é pura combinatória verbal, e o único aspecto referencial extralingüístico digno de atenção na literatura se limita a sua relação com as demais artes (cf. JAKOBSON, Roman. “Questions de Poétique”. Paris, Seuil, 1973, p. 145-151).

    Não existe um estruturalismo: existem no mínimo vários, tão diferentes na inspiração quanto no grau de consistência dos seus resultados. A ninguém ocorreria comparar a sério pesquisas do porte da história das religiões comparativas de Dumézil, em quem a revolução antropológica levi-straussiana reconhece um estruturalista avant la lettre, com as gratuitas elucubraçõezinhas de Genette ou Todorov; e seria altamente injusto equiparar a problemática de um Foucault aos graciosos arabescos especulativos, totalmente despojados de gume sociológico, de Althusser e sua súcia. Mas é em vão. O estruturalismo mítico subjuga todas as denúncias, repele todas as discriminações e usurpa o magistério humanístico. Como esperar da Ciência redentora que atenda às recriminações dos “passadistas”? ... No máximo, o Saber estrutural se limita a devorar seus ídolos. Lévi-Strauss já era; viva Lacan!... Quanto a Jacques Derrida, derrubou com galhardia o próprio totem do novo credo: Saussure em pessoa.

    O mito da Ciência se expande, mas o senso de objetividade declina. Voltemos ao caso da crítica literária. Naturalmente, a crítica estruturalista sempre exorta gravemente a “ir ao texto”. Na realidade, porém, a penúria de exames objetivos, a indigência de análises genuinamente imanentes, tem sido a regra. Segundo a censura insuspeita de Lévi-Strauss, a crítica dita estrutural sofre de crônico ventriloqüismo: em vez de avançar, laboriosamente, na inteligência do texto, projeta quase sempre nele as fantasias teórico-metodológicas do crítico parisiense (ou de seus entediantes discípulos). Como o fetichismo do método “científico”, a mística da “textualidade” mal encobre a grossa arbitrariedade das interpretações. Apesar de sacralizado, o texto vira mero pretexto... “Tia” Estilística, essa excelente senhora tão caluniada, era bem mais sensível, bem mais escrupulosa, em face do discurso poético.

    É certo que a estilística era praticada por gente da sensibilidade e da cultura de um Spitzer, um Auerbach ou um Augusto Meyer, e não por universitariozinhos tecnocráticos de consternadora estreiteza mental, como T. Todorov ou esses sinistros jakobsonianos tupiniquins. De acordo com a doutrina estruturalista, a superioridade de um Jakobson, em relação a Spitzer e Auerbach, reside no método. Essa supervalorização do método espelha uma crendice típica – a de achar que Jakobson, por ser um dos pilotos da revolução científica na lingüística, é também automaticamente “científico” quando pia no terreno da crítica, onde, aliás, não é raro vê-lo “sacar” tranqüilamente a propósito de assuntos em que não goza de nenhuma autoridade especial, como, por exemplo, história da arte. Mas essa repugnância em reconhecer a diversidade de jurisdição dos setores – lingüístico e literário (diversidade que não exclui, bem entendido, a existência de importantes relações entre ambos) – não tem absolutamente nada de científica. A história se repete: no estruturalismo, como ontem no positivismo, o mito da Ciência violenta os próprios hábitos, e o próprio rigor, da verdade ciência.

    O pedantismo e a esterilidade estruturalistas assolam Paris. Tanto assim, que já se observa o esboço de uma sadia reação. Serge Moscovici, por exemplo – autor do notável “La societé contre Nature” –, acaba de passar uma espinafração em regra nos “epistemocratas”, esses viciados num coquetel bem parisiense: a “batida” de gauchisme irresponsável com bizantinismo intelectual. E até o Anti-Édipo de Deleuze e Guattari, flor da sacação pós-estruturalista, já vem sendo considerado uma regressão, descabeladamente metafísica, a posições pré-(e não pós-, como pretendem seus autores) freudianas.

    Entre nós, porém, a praga atua de modo mais daninho. O pedantismo da “matriz” (cinqüenta anos depois da explosão ao mesmo tempo nacionalizante e universalista do modernismo, voltamos a macaquear abjetamente os piores aspectos da cultura francesa), o abuso agressivo de terminologia superfluamente hermética em lugar do real trabalho de análise, quase nunca depara, neste Brasil de jovens e precaríssimas universidades, com a resistência da pesquisa séria e do ensino crítico. Ao contrário: como as universidades “brotam” agora (numa expressão demasiado rápida para ser levada a sério), e os ignorantes se diplomam e se doutoram às centenas, a arrogância intelectual mais oca e mais inepta se dá facilmente ares dogmáticos de ciência exclusiva. No entanto, os sacerdotes do Método não sabem sequer português. Nossa ensaística atual é o paraíso do solecismo, o éden do barbarismo. Se você encontrar um título sobre “escritura”, não creia que se trata de uma obra para tabeliães: trata-se mesmo é de “écriture”, que os nossos preclaros estruturalistas não sabem traduzir por “escrita”... ¹

    A estruturalice nacional se proclama revolucionária. Como certos vanguardismos paranóicos, que, por mais que se digam ferozmente antiacadêmicos, jamais conseguiram disfarçar sua natureza de subversõezinhas tão vazias quanto ritualísticas, sempre consentidas, quando não programadas, pelo establishment cultural, o estruturalismo corteja a fraseologia da ruptura. Contudo, por trás dessa belicosidade ideológica, podemos vislumbrar uma conivência bem conformista com a situação crítica da intelligentsia latino-americana e, em particular, com a crise da educação superior. Não é por acaso que o ator ou espectador por excelência do festival estruturalista é o aluno ou ex-aluno da universidade massificada; da universidade que, desejando-se socialmente antielitista, por fidelidade ao imperativo da democratização do ensino, vem destruindo, consciente ou inconscientemente, ooutro elitismo da universidade tradicional – o seu legítimo aristocratismo intelectual.

    O fetichismo dos métodos simplistas, a superstição mais do que ingênua da “cientificidade” incomprovada (patente no fascínio pelos modelos lingüísticos como panacéia hermenêutica), o prestígio do palavreado abstruso, o servilismo bobo diante das fontes estrangeiras erigidas em oráculo mítico, numa palavra, todos os semblantes do “terror” estruturalista possuem o mesmo pressuposto – a rarefação do espírito crítico cansada e estimulada pelo abaixamento intelectual da universidade, no preciso instante em que esta se lança a abranger ou incorporar a quase totalidade do trabalho literário e erudito. Não é à toa que a universidade brasileira menos atraída pelo delírio estruturalóide – a USP – é a mais sedimentada, a mais amadurecida das nossas instituições do gênero.

    Para o lukacsiano Carlos Nelson Coutinho, a voga estruturalista (em que ele não distingue o joio do trigo) é pura ideologia burguesa – a ideologia dos anos prósperos e doces da sociedade de consumo, “filosofia” sucessora da onda existencialista, que teria sido um reflexo das angústias do pós-guerra. Será?... Essa interpretação que ignora candidamente os avatares da alienação ideológica nas sociedades não-capitalistas, joga com correlações macro-sociológicas muito pouco mediatizadas. Qualquer que seja a dialética entre a estruturalice e a evolução social global, tudo indica que ela passa pela dinâmica interna da intelligentsia e de seus âmbitos institucionais, o primeiro dentre estes sendo, nestes tempos de “revolução educacional” (T. Parsons) a universidade. E é essa dinâmica interna – posta em conexão com os notórios defeitos e deficiências dos processos de vida intelectual no Brasil – que parece explicar os aspectos teratológicos do clima estruturalista no arraial literário, filosófico e (lato sensu) sociológico. Uma coisa é certa: dos estruturalismos europeus, a variante verde e amarela tende decididamente a desconhecer o que têm de positivo, e a agravar o que trazem de mau. Entretanto, se, ao exacerbar as taras do seu paradigma parisiense, o estruturalismo dos pobres é caricatura, ao denunciar fidedignamente as distorções do nosso ambiente universitário, ele se faz retrato. Por isso, se o “estruturalismo” é, em si, uma inutilidade, muito útil se torna estudar as condições de florescimento do estruturalismo dos pobres – o que é a melhor maneira de desmistificá-lo.

    Nota:
    1 – Bem sei que escritura, em português, é também sinônimo de escrita; aparece precisamente nesse sentido até num antigalicista feroz como Filinto Elísio (Carta ao amigo Brito, versos 9 e 34). Tratando-se, porém, de uma acepção em desuso, não seria ingênuo supor – quando ela ocorre em textos inçados de “decodificações”, “literariedades” e outros francesismos gratuitos – que a palavra resulta de uma escolha estilística, e não da ignorância do vernáculo por tradutores de meia tigela?

    Fonte:
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    Pode interessar, ou não, a @Bruce Torres e @Grimnir (não é sobre política, mas dá uma ideia do Merquior sendo Merquior. HUE BR BR)
     
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  2. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Não é por nada não, mas sinto que na década de 1980 muita gente já começara a questionar os rumos do pós-estruturalismo, principalmente quando Sokal e Bricmont deram o golpe de misericórdia com seu "Imposturas Intelectuais".

    Aliás, isso me lembra de um texto meu, rs:
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  3. Calib

    Calib Visitante

    Pus o texto nesta seção porque trata mais ou menos de crítica literária. Eu o havia lido uns anos atrás e agora me ocorreu de procurá-lo de novo e felizmente o encontrei. Sempre dou risadas com ele. :rofl:
     
  4. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Só que isso é engraçado, @Calib : o cara critica a prosódia onomatopeica prolixa de seu tempo mas se esquece que esse processo é de longa data. Pegue O Banquete, do Platão, por exemplo: uma simples expressão, Eros, vai agregar adjuntos adnominais que deixam qualquer um de cabelo em pé! E que dizer das expressões nietzchianas? Agamben e Onfray já mostraram que o próprio Fred, fazendo (belo) uso do alemão, inseriu uma polissemia polifônica que precisa ser desmontada o tempo todo. E ainda precisamos pensar nos estudos de Newton e Einstein que, enquanto simplificaram a leitura dos dados naturais, inseriram mais métodos analíticos. Você e eu passamos um perrengue caçando traduções de tragédias gregas! O texto é deveras divertido, concordo com boa parte da crítica dele, mas não sei, parece um ladrar gratuito quando chego ao fim. :P
     
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  5. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Nossa, não entendi quase nada do último post do @Bruce Torres. Enfim, depois eu leio, @Calib.
     
  6. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Não era pra você mesmo. Hunf! :lol:
     
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  7. Calib

    Calib Visitante

    O cara devia estar P da vida de tanto ler essas bosticas e de aguentar o ambiente pseudoerudito da academia e despirocou como o Paganus, só que com mais classe. XD
     
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  8. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Se bem que o Paganus (mals aí, cara) também usa uma nomenclatura que não ajuda muito a princípio. Bom, novos paradigmas e novas epistemologias demandam uma nova nomenclatura. O problema é você perder de vista o objeto de análise, como ocorreu de facto com Deleuze e seus amigos. :lol:
     
  9. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Admito que também tenho vergonha da minha geração. E o tempo de faculdade é curto e mal-aproveitado e não fala o bastante sobre avaliar os autores que escreveram o material didático mas apenas a copiar estilos (copiar e colar). Rápido e a lugar nenhum, tem até uma música que fala do prazer em ir ao beco sem-saída que toca no filme Ruas de Fogo, chamada Nowhere Fast.

    Depois de ler o trabalho de mestrado de uma amiga na área de humanas eu concluí que não adiantava ela mostrar a um secretário estadual (na capital nunca tinham ouvido falar naquele nível de discussão) e que talvez um ministro a entendesse, mas seria melhor ela procurar sair do país. Aqueles que poderiam contribuir com o que ela está procurando estão lá fora, sob a forma dos autores da bibliografia do curso dela ou de colegas com a visão dela.

    É uma pena, porque a pessoa está com vontade de ir embora e isso é fuga de cérebros.
     
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  10. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Afora a diatribe, o fato é que o Merquior possui textos muito mais interessantes que esse amontoado de estereótipos e ridicularizações. Não é de se espantar. Certo modo, isso começou na década de 50, com a aparelhagem crítica que a vanguarda concretista, por exemplo, trouxe para o território nacional: não foi fácil enfrentar um poema concreto que se baseava em leituras atentas de Mallarmé ou em conceitos de poeticidade muito distantes do que se estava debatendo em plano nacional. Seguiu-se que, alguns anos depois, o estruturalismo estaria entre nós e geraria artigos como esse do Merquior, ou textos do Lêdo Ivo e até um poema do Drummond criticando o "academicismo barato" dos estudos.

    Pra quem quiser ler mais a respeito,
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    Continuo achando as perguntas do Luiz Costa Lima exemplares. Dizer que o problema está no estruturalismo, especialmente da forma como o problema foi apontado, é algo muito insuficiente... O Merquior parece estar numa querela contra estruturalistas ruins, mas ele se embanana demais e cita estruturalistas de peso de forma muito descontextualizada. O resultado é que, como o Bruce disse, alguns nem são tão estruturalistas assim: Foucault, por exemplo, ou Barthes, Derrida, Kristeva. Pra não dizer que Propp e Jakobson, noutro exemplo, não são estruturalistas, mas formalistas. E também pra não dizer nas simplificações grosseiras: veja-se a redução da função poética da linguagem, de Jakobson, a esse "pura combinatória verbal"...

    Enfim.
     
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  11. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Uma contribuição a mais sobre o assunto:

     
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  12. Calib

    Calib Visitante

    FALA MAL DELE AGORA, MAVERICCO!!
    :rofl:
     
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