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O Estranho Mundo de Zofia..., de Kelly Link

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Zzeugma, 12 Ago 2010.

  1. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Saiu pela editora Leya. Lá fora foi publicado com o nome "Magic for begginers"

    Este é um raro caso de livro que comprei pela "nome", eu acho. Ou talvez um pouco pela capa, tenho um fraco por meias com listras horizontais.

    Nunca ouvira falar nesta moça antes. Folheei o livro e na contracapa e orelhas mencionavam os prêmios que o título ganhou e lá no meio um elogio de Neil Gaiman. Um crítico gringo dizia que as histórias eram surrealistas. "Uma escritora criativa e esquisita". Bom, comecei a prestar a atenção. Bom trabalho, marketeiros...

    É um livro de contos. As sinopses na orelha não me empolgaram muito com exceção de uma que falava de uma vila escondida numa bolsa. E esta história começa muito bem, com umas meninas visitando brechós.

    É um livro bem legal. Ainda falta o último conto pra ler, mas os restantes já valeram muito a pena (Tem um só, de ritmo mais lento, que achei médio). Tem um tom de humor e uma levada despretenciosa que conquista. Acho que por isto arrisquei postá-lo aqui. Não é um livro pra quem procura uma linguagem esmerada, viagens profundas,... Mas são boas histórias.

    É difícil classificá-la mesmo. Dei uma olhada no wikipedia e alguém classificou sua literatura como "slipstream" (?). Outro subsubgênero de fantasia e FC... Se vc procurar o tópico Ficção Científica encontrará mais de trinta subgêneros...!!! Algo - a meu ver - completamente desnecessário porque parece enfiar o estilo dela num "subsubsubgênero". Parece que as pessoas não podem mais escrever em um jeito próprio: tudo tem que estar catalogado e "taxonomizado". É uma forma de facilitar sua venda, eu desconfio. Ou de dar trabalho a estudantes de letras.

    Bom, voltando à Kelly Link. ela mistura um monte de referências pop, de cinema a outros livros... Mas não é como se ela prestasse homenagem a eles, é como se ela soubesse que o leitor já conhece todas estas referências, então acabam funcionando meio como um cenário onde os personagens perambulam... Vc tem a sensação que tudo pode acontecer e mesmo quando - a rigor - não acontece "nada" de fantástico, vc se sente recompensado.

    Vou colocar um trechinho aqui de "Magia para iniciantes", onde existe uma série de TV muito estranha acompanhada pelos personagens:

    "No episódio anterior de "A Biblioteca" , piratas mágicos mascarados disseram que venderiam ao Príncipe Asa uma cura para o feitiço que infestou o cabelo de Fiel Margaret com pequenos golens perversos que cuspiam fogo (O cabelo de Fiel Margaret pegava fogo o tempo todo, mas se recusava a cortá-lo, pois seu cabelo era a fonte de toda a sua magia)."

    "A Raposa e o impetuoso-mas-traiçoeiro pirata mágico Dois Diabos nunca são interpretados pelo mesmo ator, apesar de que, no 23º episódio da temporada, a mesma mulher interpretou os dois papeis."

    "
    Este último trechinho deve ser uma referência a Buñuel...

    * * *
    Este trecho também vale a pena:

    "Tallis abre a porta. Ela sorri para ele, embora ele perceba que ela também estava chorando. E está usando uma camiseta: SOU TÃO GÓTICA QUE CAGO PEQUENOS VAMPIROS."

    A autora deve ser gente boa também: em seu site encontramos disponíveis (em inglês) alguns dos contos deste livro pra ler.
     
  2. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Parece bacana. Eu ainda gosto bastante desse tipo de literatura mais infanto-juvenil, desde que bem escrita. Mas não sou lá grande admirador do Gaiman (aliás, longe disso).

    "SOU TÃO GÓTICA QUE CAGO PEQUENOS VAMPIROS", haha.
     
  3. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Só para esclarecer: Eu não achei a escrita dela parecida com a do o Gaiman.

    Na verdade, a leitura de Kelly Link me evocou alguns dos contos da brasileira Indigo. Tem um conto dela no "25 mulheres que estão fazendo a nova literatura" (uma resenha da antologia como um todo
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    ): envolve um pacto com o diabo e uma prova de matemática.

    Os livros infanto-juvenis de Indigo (*) tem uma pegada menos "fantástica", talvez: mas são bem legais também. Um que recomendo é "O Colapso dos Bibelôs". Qualquer dia destes falo deste por aqui.

    (*)Aqueles que li obviamente.

    **************************************************
    Um último detalhe:

    Eu não sei se a Classificação "Infanto-Juvenil" pode ser a mais adequada. Talvez eu, como leitor, tenha achado a coisa muito "leve". Além disso, há a presença constante de personagens jovens...

    Mas, se for o caso, fiquem à vontade pra alterá-la.
     
  4. Herenvarnon

    Herenvarnon Usuário

    O título me lembra uma fusão de O Mundo de Sofia com O Estranho Mundo de Jack. XD

    Mas parece bacana mesmo. Eu gosto bem desse tipo de livro, embora de um tempo pra cá tenho ficado um pouco menos tolerante com literatura infanto-juvenil...

    Hahahaha!:rofl:
     
  5. Gigio

    Gigio Usuário

    O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias (Kelly Link)

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    Kelly Link é uma escritora de contos americana que tem sido muito elogiada por suas coletâneas. Segundo o crítico Lev Grossman, "O Estranho Mundo de Zofia" seria até mesmo um dos
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    do gênero fantástico em todos os tempos. Mas fantasia é apenas um dos aspectos da suas histórias. Nos EUA eles usariam o termo "slipstream" para englobar essa fusão de fantasia, horror, realismo, FC e o que mais estiver ao alcance... mas só porque os americanos gostam de reinventar tudo - a gente pode continuar chamando de realismo mágico mesmo. As histórias partem sempre de uma base comum, do nosso cotidiano, mas são transformadas de formas inusitadas por elementos exóticos, de uma forma que lembra muito o nosso Murilo Rubião.

    Os contos realmente fazem jus à tradição de gênero, mas me parece que o que realmente cativou a admiração das pessoas, fazendo com que o livro entrasse para várias listas de "melhores de 2005" (ou da década ou de todos os tempos...) é a relação com a cultura contemporânea. Os personagens de Link jogam Scrabble, observam os tipos estranhos da loja de conveniência, são fissurados em seriados de TV... Ela coloca o fantástico a um passo de distância.

    Não sei se existe alguma outra linha em comum entre os contos de "O Estranho Mundo de Zofia", mas alguns dos que mais gostei usam bastante de diferentes níveis de narrativas, criando histórias dentro de histórias... Não vou comentar sobre todos, mas estes foram os meus favoritos:
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    A Bolsa Mágica
    Antes que os saqueadores chegassem, a vila empacotou todos os seus pertences e se mudou para dentro da bolsa.

    Avó Zofia é uma senhora cheia de histórias sobre Baldeziwurlekistão, que trapaceia no Scrabble e já foi banida de todas as bibliotecas públicas. É também a guardiã de uma bolsa mágica onde toda uma vila se esconde.

    O Grande Divórcio
    ... porque o divórcio é sempre mais difícil para as crianças, e porque a Disneylândia oferecia, naquea época, um excelente desconto para os mortos, a médium havia aceitado encontrar lá Alan Robley e sua esposa...

    Mágica para Iniciantes
    Jeremy sempre se perguntou que tipo de seriado os personagens dos seriados assistiriam. Personagens de televisão quase sempre têm cortes de cabelo melhores, amigos mais engraçados, atitudes mais simples em relação ao sexo. Eles se casam com mágicos, ganham na loteria, têm casos com mulheres que carregam pistolas em suas bolsas. Coisas curiosas acontecem com eles de hora em hora. Jeremy e eu podemos nos conformar com seus cortes. Nós só queremos saber sobre os seriados.

    Jeremy e seus amigos são viciados no seriado "A Biblioteca". E o conto é sobre o episódio de "A Biblioteca" que conta a história de Jeremy e seus amigos.

    Calmaria
    A casa está mais e mais cheia de tímidas, barulhentas, quietas, faladeiras, bravas, felizes, esverdeadas Susans de todos os tamanhos, todas as idades, que trabalham desmontando a casa, peça por peça, e, peça por peça, montando a máquina.

    No início há apenas uma divertida roda de amigos jogando poker, e de história em história as coisas vão ficando cada vez mais bizarras...

    ***

    Então, alguém já leu? Já ouviram falar?
     
  6. Gigio

    Gigio Usuário

    Maldição, não vi que já exisitia um tópico sobre o mesmo livro... :taco:

    Pelo jeito o favorito do Zzeugma foi o mesmo que o meu, "Magia para Iniciantes", que aliás foi vencedor do prêmio Nebula na categoria novela.
     
  7. Anica

    Anica Usuário

    Desde a primeira vez que bati os olhos na capa do livro O estranho mundo de Zofia e outras histórias de Kelly Link (que ilustra esse post), pensava sempre a mesma coisa: Tim Burton. Tinha algo naquelas pernas com meia calça listrada de preto e vermelho, a rosas em tom meio vitoriano que evocavam a lembraça dos filmes meio estranhos e darks do diretor, como Eduardo Mãos de Tesoura e A Noiva Cadáver. Agora ao terminar a leitura desta coletânea de contos, chego à conclusão de que a referência não está assim tão errada.

    Para quem acha que elementos fantásticos como bruxas, fantasmas e zumbis são coisa para livros de crianças, talvez devesse dar uma conferida nos contos de Kelly Link. Morte, solidão, aquela sensação de não se encaixar – está tudo ali, mesmo com a presença do sobrenatural, que aparece para dar contornos de fábulas ou contos de fadas à histórias na realidade bastante urbanas.

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  8. imported_Rafaela

    imported_Rafaela Usuário

    adorei a capa! E a citação a Tim Burton já o colocou na minha lista pra ler!
     
  9. Calib

    Calib Visitante

    Li os dois primeiros contos até agora.
    Mas a tradução está me dando nos nervos. São muitos "you" traduzidos por "você" onde se esperariam, em bom português, a partícula apassivadora e o índice de indeterminação do sujeito.

    Mas 'bora continuar; a pobrezinha da autora não tem culpa.
     
  10. Calib

    Calib Visitante


    Gente, cheguei a esse conto depois de muito remar.
    Para minha nova decepção, outro erro de tradução (não tenho o original para o provar, mas creio que seja):
    No meu livro, a frase acima não está bem como foi transcrita pelo Zzeugma, não. Está assim:



    Mas neam... Vou parando por aqui, que chutar cachorro morto é até maldade.
    Faltam 30 páginas; e assim que acabar...





    ri



    rua!
     

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