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O Carro da Miséria- Mário de Andrade

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por Adelinda, 17 Set 2014.

  1. Adelinda

    Adelinda The possession of mankind

    De 1930- 1945, ocorreram diversas modificações no plano internacional. Com a quebra da Bolsa de Nova York em 29, houve uma profunda depressão econômica, a ditadura foi instalada em vários países, permanecendo até 1945, com a utilização da bomba atômica sobre o Japão.

    No Brasil, na década de 30, Getúlio Vargas chega ao poder com o apoio da burguesia industrial, que incentivou a substituição do capital inglês pelo norte-americano, o que levou os produtores de café de São Paulo se rebelarem em uma revolução fracassada. Com a promulgação da nova Constituição Brasileira, vários membros do Partido comunista são presos. Um fator que levou os autores a se virarem à cultura nordestina foi a violência do cangaço, que acontecia por causa da pobreza extrema e consequentes injustiças sociais. Além desses fatos, em 1941, o Brasil entra na guerra, em apoio aos Estados Unidos e no fim de 45, Getúlio Vargas é deposto, pondo fim ao Estado Novo.

    O modernismo, que tem como característica o desejo de liberdade de criação e expressão, visão nacionalista e emancipação da estética Europeia alterou padrões léxicos, sintáticos e a escolha de temas e ironias, de forma que se aproximaram da linguagem popular, em que o eu lírico expressasse sua maneira de ver o mundo, centrados na vida cotidiana e afastados da literatura tradicional, contudo sem imposições às normas, mas valorizando a autenticidade dos escritores, o que pode ser considerado como a “desalienação política da arte, como resultado da diluição do radicalismo estético”.

    No poema XIV, do “Carro da Miséria”, percebe-se a relação com o deslocamento e a velocidade, que ocorrem na saída e volta ligeira, de um lugar sem paz, para outro lugar vulnerável. Mário expressa a regressão a uma cultura autêntica e pacífica, que não existirá se os conflitos destruírem a terra antes que o povo se torne autônomo.

    O tema do nacionalismo surge na etnografia e folclore, enquanto a sociedade industrial aborda temas maquinais e velozes, caracterizados pela dualidade causada por elas, sendo pois forma de avanço e de destruição e o estilo cotidiano valoriza a linguagem coloquial, associação livre de ideias, mescla sentimentos de contraste, que através de uma aparente falta de lógica, denomina um instante emocional.

    A poesia torna-se mais rítmica e próxima da prosa, constituindo-se no principal veículo de divulgação do movimento modernista. Abandona os modelos tradicionais e os recursos formais, adotando o verso livre em respeito à inspiração poética.

    O humor manifesta-se sob ironias e paradoxos, e tendem a provocar polêmica e visão crítica, cabendo ao leitor a tarefa de dar sentido ao que está lendo.

    Um elemento novo aparece no emprego da lenda e a linguagem torna-se documental, ao expor a realidade do país e seus aspectos sociais, tomando postura delatadora das condições adversas impostas pela geografia, submissão e falta de instrução no país.

    Em 1945, abre-se espaço para a reflexão sobre a linguagem e o fim da II Guerra empurra o país para uma vivência mais politizada.

    O “Prefácio Interessantíssimo” corresponde a um manifesto estético, em que o Verde- Amarelo agregam valores de um nacionalismo primitivista, criticado pelo autor. O regionalismo do Nordeste contrasta com os problemas econômicos passados por São Paulo e Minas na década de 30 e critica a desvalorização de regiões menos abastadas, criando uma literatura rica em padrões criativos.

    Mário buscou na formalidade, um compromisso de denúncia, logo, as poesias dessa fase conseguem unir lirismo e técnica, mostrando uma preocupação social mais intensa, e uma consciência plena do papel da literatura em um cenário de desigualdades.

    No poema XVI, da mesma obra, percebe-se a espera de um redentor, capaz de ser mais herói do que os revolucionários fracassados na disputa política, que falam outras línguas melhor do que a própria e que não conseguem se pluralizar. O que Mário busca é a força da união para fortificar a cultura e os viveres do povo brasileiro, de forma que ele possa ter pensamento crítico para questionar e mudar a realidade, tornando-a mais digna.

    É importante ressaltar que o carro da miséria fechava os desfiles carnavalescos da década de 20, trazia chavões críticos da época, o título utilizado por Andrade é bem condizente, portanto, ao teor racionalista e crítico desta sua fase de escrita.
     
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  2. marianah

    marianah Usuário

    Alguém já leu o novo livro do Lobão? Ele elenca um capítulo todo só para debochar do modernismo.
     

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