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"O Almirante Negro" (João Cândido)

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por Zuleica, 19 Mar 2008.

  1. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Livro:
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    Autor: MOREL, EDMAR
    Editora: GRAAL EDITORA
    Assunto: HISTORIA DO BRASIL
    ___________________________
    HQ pela Conrad sobre a Revolta da Chibata
    Matéria com entrevista:
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    ___________________________
    O resgate da Revolta da Chibata
    Por Lilia Diniz em 19/3/2008 em Observatório da Imprensa

    Quase um século após a Revolta da Chibata, ocorrida em 1910, a Marinha liberou os arquivos do principal articulador do movimento, o "Almirante Negro" João Cândido. A luta pelo fim dos castigos físicos e pela melhoria das condições de trabalho dos marujos teve como palco o encouraçado Minas Gerais, entre outros navios de guerra, ancorados na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, para os festejos da posse de Marechal Hermes na presidência da República. O Observatório da Imprensa na TV de terça-feira (18/03) discutiu a importância do resgate de fatos importantes da história do Brasil.

    O historiador e jornalista Marco Morel, neto do repórter Edmar Morel, autor do livro A Revolta da Chibata, a primeira obra publicada sobre o tema, em 1963, participou do programa pelo estúdio do Rio de Janeiro. Morel foi contratado pelo Projeto Memória, da Fundação Banco do Brasil, para pesquisar sobre o movimento e publicará um livro de fotografias sobre a revolta. Também no estúdio do Rio de Janeiro, participou a coordenadora de Pesquisa e Difusão de Acervo do Arquivo Nacional, Maria Elizabeth Brêa. No estúdio de Brasília, esteve o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques de Oliveira Pena. Fernando Granato, jornalista e escritor, autor de O Negro da Chibata, foi o convidado do estúdio da TV Cultura.

    [...]
    A revolta dos marinheiros

    "Nesta edição, o Observatório vai retomar o assunto que já mereceu diversos livros, filmes e até canções, mas continua praticamente desconhecido do grande público. Não pretendemos reabrir feridas ou reacender ressentimentos quase um século depois. A função da imprensa é relatar fatos e a função do Observatório da Imprensa é provocar reflexões sobre estes fatos", analisou o jornalista.

    Na reportagem que precede o debate, o almirante Leôncio Martins, que é historiador e escreveu o livro A Revolta dos Marinheiros de 1910, avaliou que depois que o Congresso concedeu a anistia aos revoltosos, a imprensa teve um comportamento "quase ridículo", enaltecendo a revolta de João Cândido. O diretor do Patrimônio Histórico e Cultural da Marinha, almirante Amando de Senna Bittencourt, acredita que tanto a marinha quanto os revoltosos cometeram erros: "Há erros de parte a parte. Sem dúvida é um episódio lamentável. Absolutamente não se pode exaltar alguém que pretendeu fazer justiça com as próprias mãos havendo um país com as instituições constituídas". O cineasta Marcos Marins, que dirigiu o curta A Revolta da Chibata acredita que o resgate do levante ajudará a promover o orgulho da raça negra através d
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    como líder.

    As polêmicas memórias do Almirante Negro

    Um episódio curioso sobre a imprensa na época da revolta foi a publicação das memórias do Almirante Negro na Gazeta de Notícias, em 1912, logo após o marinheiro ter sido libertado. O jornalista João do Rio, que trabalhava na Gazeta, assim que soube que o líder da revolta estava em liberdade foi procurá-lo e pouco tempo depois as memórias começaram a ser publicadas. Acusado de ter sido o primeiro ghost writer brasileiro (escritor fantasma, em português), ao supostamente formatar o conteúdo como se fosse o marinheiro, o jornalista recebeu fortes críticas de outros órgãos de imprensa do período. O pesquisador João Carlos Rodrigues, autor de uma biografia sobre João do Rio, acredita que João Cândido tenha sido remunerado para permitir a publicação do material.

    No debate, Marco Morel comentou que o avô era uma figura muito marcante e carismática, parte de uma geração de grandes jornalistas, a exemplo de Joel Silveira. Um traço de Edmar Morel destacado por ele foi produção de reportagens baseadas em pesquisas históricas, como a do livro Revolta da Chibata. Apaixonado pela profissão, Edmar teria pago um alto preço pela publicação do livro, que teria contribuído para a cassação dos seus direitos políticos durante a ditadura militar. Além da formação afetiva, o avô contribuiu para a formação intelectual do historiador. Sobre a polêmica em torno da memórias publicadas na Gazeta de Notícias, o historiador acredita que foram escritas pelo próprio João Cândido, mas que João do Rio colocou o "molho".

    Fernando Granato contou que o levante dos marinheiros sempre o intrigou e que escreveu
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    para despertar o interesse das novas gerações. Granato classificou a obra de Edmar Morel como "definitiva" e disse que usou uma linguagem mais simples e acessível para os dias de hoje. A obra está disponível em cerca de 40 mil bibliotecas de escolas públicas no Brasil, o que para o jornalista é uma honra e representa o ápice da sua carreira. A pesquisa teve como ponto de partida o livro de Edmar Morel, mas Granato entrevistou familiares, consultou diversos documentos, fichas médicas. "Senti a poeira dos arquivos", disse.

    Problemas de ontem e hoje

    O presidente da Fundação Banco do Brasil explicou que o Projeto Memória, que é editado anualmente há cerca de uma década, escolhe uma personalidade para homenagear e, além do estudo da biografia, analisa a obra e o contexto histórico no qual esteve inserido. Um livro, um almanaque e exposições itinerantes estão planejados, entre outros produtos, para relembrar a Revolta da Chibata. Jacques Pena acredita que a escolha de João Cândido como homenageado é um marco no projeto, porque será a primeira vez que um negro ocupará a posição. Temas como escravidão, monocultura e latifúndio, ligados à sociedade da época e com profundos reflexos no Brasil de hoje, voltariam a ser discutidos por intermédio deste personagem.

    Para Maria Elizabeth Brêa, o movimento, embora pertença ao início do século XX, é fruto de um processo anterior de insatisfação e que reflete racismo, falta de participação social das camadas inferiores e passividade. Com a República ainda recente e o processo de consolidação das instituições em curso, valores período imperial como desigualdade social estavam presentes na sociedade. A Revolta da Chibata teria sido uma oportunidade de atores que não tinham espaço na história serem discutidos.

    Marco Morel acredita que a posição da Marinha em relação à revolta é retrógrada e precisa ser superada. A instituição deveria pedir perdão para se reconciliar com o passado e "virar a pagina". Morel contou que têm sido tomadas algumas iniciativas para reparar a família de João Cândido, como projetos de anistia póstuma. O historiador afirmou que em outros momentos a Marinha enfrentou movimentos de quebra de disciplina e hierarquia – como a Proclamação da República e o Tenentismo – e que a postura da instituição foi diferente, talvez pelo movimento dos marujos ser uma revolta da plebe.

    [...]
    Fonte:
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