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Nostalgia

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Wilde, 10 Out 2012.

  1. imported_Wilde

    imported_Wilde Usuário

    Enfim, foi com algum receio que decidi mostrar-vos este pequeno poema, visto que não é nada de especial. É um poema solto, livre e improvisado, muito ao estilo de Walt Whiteman. Podem disparar qualquer tipo de criticas, sejam elas positivas ou negativas, que não me importo. Nota: este poema é inspirado no romance ALEGRIA BREVE, de Vergílio Ferreira.

    Pai, mãe, avô e avó,
    Eu acreditei em vocês.
    Acreditei na vossa tempestade
    Nos vossos sonhos.
    Mas a vossa idade esmoreceu-me
    Destruiu os meus próprios sonhos
    O que era brilhante tornou-se singular
    Queria o vosso passado
    Almejava as vossas fotografias a preto e branco
    Mas, gentil destino, apodreceu-me.

    A lua pálida uiva
    É o desespero, diz o homem sábio
    De cajado na mão, voz arrastada
    Os seus olhos cálidos e brancos
    Gritam um passado de inocência
    E lendas agora esquecidas
    Estamos sentados à volta da lareira
    Mas não sorrimos, apenas bebemos
    Um trago, outro trago
    O cemitério nos espera
    E seremos apenas pó e lembrança.

    Os anjos de barro já não impressionam
    A triste cortina que nos separa
    Deste futuro burocrático, tecnocrático e tecnológico
    Já não nos faz a mínima diferença
    Sinto-me velho e esquecido
    Nesta pequena aldeia
    O húmus frio e tenebroso conforta-me
    Assim como os olhos caídos de misericórdia dos anjos
    Voar, ho, voar…quem me dera um anjo oferecer-me as suas asas plumosas
    Eu queria ser fantasma e voar para o vosso passado
    Descobrir o vosso poder de convivência
    Beber um trago, sorrir aos vossos olhos
    Nesta casa agora triste e velha.

    O soalho deixou de ranger graças à solidão
    As janelas, onde trazia calor e alegria, passaram a estar fechadas
    A quem acenar quando me encosto à falda da janela? Não tenho ninguém
    Os caminhos de lama e terra são passagens para fantasmas invisíveis.
    Olho o cemitério lá no alto do monte
    Debaixo daquele monte abarrota meus familiares e amigos
    As suas vozes foram silenciadas pelo último sopro da vida
    Já no limiar da loucura
    Perscruto uma pomba branca voando.
    Apetece-me matá-la de tanta inveja.

    Triste de mim que tenho esta alma
    Abro o livro de memórias
    “Olha”, meu avô está ali
    Sentado num canto, sorrindo e acenando
    Bebericando um copo de vinho tinto
    Vozes e murmúrios perdidos na vaga esperança
    Esta gente retratada já não existe mais.
    Quem me dera trazê-los de volta para um último banquete.
    Os naperons esburacados projectam a imagem de minha avó
    Em noites tristes sob a chama da lamparina
    Trilhava linha por linha o seu trabalho
    Que não será mais que trapo no futuro
    A tempestade aproxima-se.
    E com ela uma nostalgia terrível, sangrenta
    Apetece-me gritar o vosso nome
    Trazer-vos à memória.

    Trabalharam tanto para sustentar os vossos filhos.
    Para quê? Para herdarem a vossa miséria e morte?
    Para suplicarem pelo vosso nome antes de chegara hora?
    Daqui a cem anos ninguém se lembrará de vocês. Daqui a cem anos…
    Meu Deus, como eu enlouqueci.
    Que destino este, fatal, imerso na bruma cinzenta e cálida.
    Vós, que estão debaixo da terra, suaram para quê?
    Pegaram na enxada, cavaram sulcos infinitos
    Na vã tentativa de conservarem o vosso orgulho, tudo isto para quê?
    Para venderem o vosso suor, pouparem cêntimo por cêntimo
    E, sem darem por isso, raspar as crostas impregnadas nas vossas mãos?
    E, depois, serem apenas ossos e trapos no fundo da terra?
    Que absurdo esta vida!

    Pai, mãe, avô e avó
    Eu acreditei em vocês
    Acreditei na vossa tempestade e nos vossos sonhos.
    Agora despeço-me de vocês.
    Neste quarto escuro e velho, observo os vossos retratos
    E tento adormecer. Não será difícil, pois estou velho e cansado, tive uma boa vida
    Adeus, mãe, pai, avó e avô.
    Adeus para sempre.

    …no entanto, acordo e lembro-me assim de repente: quem virá buscar este lastimoso cadáver?
    Ninguém, para além de mim, vive nesta solitária aldeia…
    …Enfim…
     
  2. Lynoka

    Lynoka Like a lady, ya!

    Escrever poemas é muito dificil. Achei o seu poema triste e lindo! Parabéns!
     

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