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"Noite na Taverna"(Álvares de Azevedo)

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por Artanis Léralondë, 19 Dez 2008.

  1. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Noite na Taverna é uma narrativa (novela ou conto) construída em sete partes, contendo epígrafes e os nomes de cada personagem, como subtítulos, antecedendo as narrativas, contadas em uma taverna.

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    UMA NOITE DO SÉCULO


    Uma espécie de introdução apresentando o ambiente da taverna, a roda de bebedeira e de devassidão em que se encontram os personagens e o tom notívago e vampiresco em que se desenrolarão os fatos narrados.

    Bertram, Archibald, Solfieri, Johann, Arnold e os outros companheiros estão na taverna, dialogando sobre loucuras noturnas, enquanto as mulheres dormem ébria sobre as mesas. Falam das noites passadas em embriaguez e pura orgia. Solfieri os questiona a respeito da imortalidade da alma, e parece não crer nela. Por isso, Archibald o censura pelo materialismo. Solfieri acredita na libertinagem, na bebida e na mulher sobre o colo do amado. Os homens só se voltam para Deus quando estão próximos da morte. Deus é, pois, a “utopia do bem absoluto”.


    - Silêncio, moço! Acabai com essas cantilenas horríveis! Não vedes que as mulheres dormem ébrias, macilentas como defuntos? Não sentis que o sono da embriaguez pesa negro naquelas pálpebras onde a beleza sigilou os olhares da volúpia?
    - Cala-te, Johann! Enquanto as mulheres dormem e Arnold - o loiro - cambaleia e adormece murmurando as canções de orgia de Tieck, que música mais bela que o alarido da saturnal? Quando as nuvens correm negras no céu como um bando de corvos errantes, e a lua desmaia sobre a alvura de uma beleza que dorme, que melhor noite que a passada ao reflexo das taças?
    - És um louco, Bertram? Não é a lua que lá vai macilenta: é o relâmpago que passa e ri de escárnio às agonias do povo que morrem aos soluços que seguem as mortualhas do cólera!

    As primeiras páginas deixam antever o clima da geração do mal do século, a irreverência incontida, a tendência às divagações literário-filosóficas, a vivência sôfrega e, principalmente,a morbidez e a lascívia.

    -Estás ébrio, Johann! O ateísmo é a insânia como o idealismo místico de Schelling, o panteísmo de Spinoza - o judeu, e o histerismo crente de Malebranche nos seus sonhos da visão de Deus. A verdadeira filosofia é o epicurismo. Hume bem o disse: o fim do homem é o prazer. Daí vede que é o elemento sensível uem domina.E pois, ergamo-nos, nós que amarelecemos nas noites desbotadas de estudo insano, e vimos que a ciência é falsa e esquiva, que ela mente e embriaga como um beijo de mulher.
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    A morte como tema, é muito presente na literatura do Azevedo, um assunto peculiar e interessante que sempre assombrou a vida dele.
    Cada um tem uma maneira para encará-la, alguns nem pensam sobre =]

    E ele sempre exaltando situações aos extremos, por exemplo, as história de amor escrita no livro..bah paixões avassaladoras beirando a obsessão.

    Sendo influenciado pelo
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    Coloca todas as suas extravagâncias no livro :sim:

    LEMBRANÇAS DE MORRER

    “...Eu deixo a vida como deixa o tédio

    Do deserto, o poento caminheiro,

    - Como as horas de um longo pesadelo

    Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

    Como o desterro de minh’alma errante,

    Onde fogo insensato a consumia:

    Só levo uma saudade - é desses tempos

    Que amorosa ilusão embelecia.

    Só levo uma saudade - é dessas sombras

    Que eu sentia velar nas noites minhas.

    De ti, ó minha mãe, pobre coitada,

    Que por minha tristeza te definhas!

    Se uma lágrima as pálpebras me inunda,

    Se um suspiro nos seios treme ainda,

    É pela virgem que sonhei. que nunca

    Aos lábios me encostou a face linda!

    Só tu à mocidade sonhadora

    Do pálido poeta deste flores.

    Se viveu, foi por ti! e de esperança

    De na vida gozar de teus amores.

    Beijarei a verdade santa e nua,

    Verei cristalizar-se o sonho amigo.

    Ó minha virgem dos errantes sonhos,

    Filha do céu, eu vou amar contigo!

    Descansem o meu leito solitário

    Na floresta dos homens esquecida,

    À sombra de uma cruz, e escrevam nela:

    Foi poeta - sonhou - e amou na vida..."

    Álvares de Azevedo


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    Azevedo

    Muito bom o livro :lendo:
     
  2. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    [align=justify]A maior promessa das letras brasileiras tolhida ainda em sua aurora, esse foi Álvares de Azevedo. Sucumbiu à tuberculose aos vinte anos. Mancebo, já era prodígio nas línguas, na poesia e nos meandros das leis, ainda que, através de Macário, um de seus personagens, tenha confessado a Satã: “Duas palavras só: amo o fumo e odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo”

    Noite na Taverna engloba tudo que há de insólito e chocante, desde a idealização da musa virgem até o incesto. Da pureza romântica do jovem até a descrença devassa do boêmio:

    “— Oh! vazio! meu copo está vazio! Olá taverneira, não vês que as garrafas estão esgotadas? Não sabes, desgraçada, que os lábios da garrafa são como os da mulher: só valem beijos enquanto o fogo do vinho ou o fogo do amor os borrifa de lava?”[/align]
     
  3. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Resumiu bem :lily:

    Apesar de discordar de algumas visão de mundo dele, admiro muito a sua forma de escrever ^^
     
  4. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    No Capítulo VI

    "JOHANN"

    Fiquei em dúvida, ele que fez amor com a própria irmã, e matou sem querer o seu irmão.No duelo no começo do capítulo, na verdade, ele estava enfrentando o seu pai, então? O qual ele matou. É isso?
    Eu fiquei horrorizada com isso, e com aquela história que ficaram à mercê num barquinho e como não tinha nada p/ comer acabaram matando um marinheiro lah :susto:
     
  5. Pips

    Pips Old School.

    Meus amigos e eu sempre líamos trechos quando estavamos no bar, ou melhor, na taverna.
     
  6. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Um irmão do Johann esperava pelo amante da irmã com intenção de matá-lo (aquele era um encontro às escondidas e ele provavelmente descobriu e decidiu vingar a honra da irmã). Se o duelo não tivesse acontecido no começo, seria Artur quem teria ido ao encontro e Artur quem seria atacado pelo irmão do Johann.

    “No duelo no começo do capítulo, na verdade, ele estava enfrentando o seu pai, então?” Se entendi a pergunta, não, ele enfrenta Artur (que acaba sobrevivendo e adota o nome de Arnold)


    Nunca pude fazer isso. Acho que a maioria dos meus amigos achariam os contos macabros de mais. Os que gostavam eu via raramente.
     
  7. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Raphael, agora eu entendi
    pensava que era o pai dele xD
    esse conto é uns dos que mais gostei :lily:
    agora aquele, é o primeiro se não me engano, no qual o cara beija a mulher morta, me dá calafrios :calado:

    legal :)
     
  8. Lethaargic

    Lethaargic Usuário

    Quando comecei a ler fiquei meio assustada, mas terminei rindo bastante (?)! O livro é bom, acho que todo fã de literatura deveria conferir esta obra.
     
  9. Bagrong

    Bagrong RaG

    Bah, vocês vaõ me bater, mas eu não achei esse livro assim tão bom...

    O Álvares de Azevedo conta a história num tom mamãe-vou-me-matar que cansa ao longo do livro. Isso sem considerar as histórias depressivas em si, que têm um quê de forçadas meio além da conta.

    Com certeza uma fase do romantismo que não me agrada...
     
  10. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Penso que é questão de uma leitura mais atenta, Bagrong. Acho que a palavra depressivo não se encaixa tão bem para definir o Álvares como se encaixaria ímpio, cínico ou desiludido.
     
  11. Bagrong

    Bagrong RaG

    Uhm, sou obrigado a discordar. Um cínico que se desiludiu pode acabar como várias coisas bem diferentes e o estilo depressivo é só uma delas.

    De qualquer forma, é uma questão de gosto, I guess...
     
  12. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Exatamente. O caso é que não vejo Álvares como um autor restrito ao "estilo depressivo"

    Mas, como você disse, é uma questão de gosto.
     
  13. Eu concordo que limitar a poesia e narrativa do autor como depressiva, corremos o risco de não enchergar outras características. Tem textos que ele é mais sarcástico tbm, em outros ele já é erótico..depende do nosso olhar sensivel sobre a obra, e analise das muitas palavras empregadas.
     
  14. Izze.

    Izze. What? o.O

    Eu comprei esse livro pro meu namorado, que adora (já tinha lido bastante quando era criança, então fiz esse agrado). Já garanti ele emprestado pra ler nessas férias. ^^
     
  15. Anica

    Anica Usuário

    Ca-ra-ca. Descobri que nunca tinha lido o_O

    Ontem tinha acabado A Letra Escarlate e fui procurar alguma coisa entre os livros que tenho e puxei o Noites na Taverna da estante, comecei a dar uma olhada e... yep, não lembrava de nada. Então comecei a ler, né.

    Ainda estou na metade, mas é de fato muito legal. Acho que o maior problema é a linguagem, um pouco rebuscada demais. De certa forma pela primeira vez eu entendi o que o Huxley quis dizer com a metáfora do "homem fino com as mãos cheias de anés de diamantes" que ele aplicou para o Poe uma vez. Não concordo que seja o caso do Poe, nem do Azevedo em toda sua obra, mas ali no Noites o texto poderia ser um tanto mais enxuto, acho.

    E que fique registrada minha inveja do Pips, por ter amigos bacanas que liam esse livro no bar :lendo:
     
  16. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Comenta de novo quando terminar de ler, Ana.
     
  17. Anica

    Anica Usuário

    Ah, sim, certeza que comentarei. Mas sobre a linguagem eu não acho que minha opinião mudará agora na metade final, certo? =]
     
  18. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Perguntei por querer saber o que você vai achar do livro todo mesmo. Sobre a linguagem dele ser um pouco rebuscada, eu concordo, mas gosto disso nesse caso.
     
  19. Anica

    Anica Usuário

    Terminei ^^

    achei a idéia da moldura legal (várias histórias dentro de uma história), embora a conclusão tenha ficado um pouco confusa (a maníaca tb se perdeu um pouco no rolo do johann e do arnold, pelo que eu vi). de qualquer modo é realmente muito bom e não acho que seja depressivo, é algo mais mórbido, digamos assim. tem um quê de allan poe, especialmente quando as personagens chegam ao limite, embora aqui invariavelmente esse limite tenha relação com o amor. algumas imagens são bem fortes, embora a descrição em si seja bastante sutil - como o momento de necrofilia no primeiro conto.
     
  20. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    É interessante lembrar que Álvares e Poe foram contemporâneos, ainda que Álvares fosse mais jovem e uma boa distância geográfica separasse os dois. Geralmente quem gosta dele também gosta de Poe e vice-versa.

    Algumas conclusões do Álvares, se você reparar, deixam sempre uma coisa ou outra no ar. Talvez isso seja justificado pela própria idade do autor. Ele provavelmente esperava voltar a trabalhar nessas obras.

    Agora você precisa ler Macário, Anica.
     

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