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Noir

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Giovanni, 12 Mar 2011.

  1. Primeiro texto, espero que gostem! HAHA

    * * * *

    Acordo incomodado com o vento cortante da janela.

    O tempo virou de madrugada e quase posso sentir os pingos de uma garoa iminente. Fecho o vidro, sem necessidade de acender qualquer luz. Meus olhos se acostumaram com o escuro. E com a dor. Desde que saí daquele inferno, os pesadelos acompanham a enxaqueca como um casal macabro, martelando meu cérebro toda noite.

    Deitei na cama, mas não fechei os olhos. Queria personificar aquela dor e enfiar duas balas na cabeça, pra poder dormir em paz. Demorei pra escrever "paz". Como se eu soubesse o sentido real, a assepção da palavra. Deveria saber. Sou um homem da lei.
    Pelo menos, cumpro-a diariamente. Ajudo velhinhas a atravessar a rua. Pago meus impostos. Nunca deixo de ler as bulas. Gosto disso, me sinto bem. Minto. Me sinto aliviado. Mesmo sabendo que minha mera presença causa desconforto pra qualquer um.

    Sentei na cama, passei a mão pelo rosto, já desperto e sabendo que a noite ia ser longa. Coloquei minhas pantufas. Olhei para o relógio de pulso, o pequeno círculo com luz fluorescente indicava as horas. 3h12 da manhã. Hora de trabalhar.
    Vou andando, sem pressa, mesmo com trovoadas e relâmpagos lambendo o asfalto. A chuva atravessa meu corpo. Penso em colocar um sobretudo, um casaco, um suéter, só pela ironia do momento. Mas não consigo ser tão ácido com minha existência.

    Chego no local. Nem sinal da polícia. Coisa chata, chegar antes de todo mundo sempre. A porta estava aberta, luzes piscando, trêmulas como se estivessem com frio. Subo as escadas, já vejo rastros de sangue. Nada mais comum, na minha profissão. Coço a cabeça, sinto vontade de fumar um cigarro. "Esse vai ser difícil, vou gastar bastante tempo", penso eu. O som de meus passos no carpete é quase inaudível. Mas o cara sabia que eu estava próximo. Não faço questão de me esconder, nunca fiz.

    Vejo ele. Estava sentado na cama, com as mãos na cabeça. Ele soluçava, de costas pra mim. O cabelo estava empapado de sangue alheio. A esposa morta no chão, buraco de bala no peito, transbordando a vida que ela tinha. Supus que os filhos também não tiveram sorte. O cara despirocou quando descobriu que a mulher não era tão fiel assim. Da boca do próprio amante, teve que ouvir uma frase clichê:
    - Não culpe os jogadores, culpe o jogo.
    É. Ele não culpou, foi bem justo com todos. Meteu uma marretada na cabeça do cara, enfiou tiro pra todo mundo na família e na sua vez, percebeu que só tinha guardado três balas no tambor. E que não queria ter feito aquela barbaridade toda. E eu estava ali para lembrá-lo. Esse era meu serviço, meu ganha-pão.

    Sentei na cama, ao lado do maníaco. Ele virou a cabeça, tremendo. A camisa regata, suja de gordura e mais sangue. O olhar injetado e vermelho.
    - Me mate! Por favor, não quero viver assim!
    Eu sorri. Sabia que era algo horrível de dizer, mas cabia perfeitamente ao propósito.
    E falei:
    - Meu caro, se eu pudesse, esse mundinho perderia grande parte de sua população. E eu não sou genocida.
    Duvida? Isso aconteceria se eu, Arrependimento, matasse.
     
  2. Vinnie

    Vinnie Usuário

    Gostei, cara... embora tenha achado a perspectiva do personagem-narrador um tanto comum.

    Tem um mistério nisso tudo, né? "Chegar antes de todo mundo sempre" "Arrependimento".

    No segundo parágrafo não fica melhor "acepção"? "Assepção" pode?


    Tem mais histórias com esse personagem? Tudo é só uma metáfora de arrependimento?

    Gostei, cara. Bem-vindo.
     
  3. Então, era pra ser história de policial, estilo Dick Tracy ou até Max Payne, ia ter acidez, sarcasmo, enfim...

    Saiu isso aí, bem batido realmente, mas como foi a coisa mais recente. HAHA

    E asspeção não parece existir, escrevi num átimo e deixei passar isso. Se existirem mais erros de gramática e ortografia, por favor, me avisem! HAHAHAHA ;x

    Lamentável, eeeu sei :P

    Brigadão Vinnie ;)
     
  4. Vinnie

    Vinnie Usuário

    Que nada, Giovanni!!!!

    Português é que nem o pagode:


    " Todo mundo erra sempre, todo mundo vai errar!"

    :rofl:
     
  5. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Arrependimento mata, principalmente quando o cara se arrepende de ter casado.
     
  6. Thriller Dude

    Thriller Dude Usuário

    Esse é bem o meu estilo de conto :sim:
     
  7. carlo jorge

    carlo jorge Usuário

    olá!
    O estilo CSI, é bacana, o lado obscuro da coisa, o mistério do que irá acontecer e porque aconteceu, gosto desse estilo.
     
  8. carlo jorge

    carlo jorge Usuário

    olá!
    O estilo CSI, é bacana, o lado obscuro da coisa, o mistério do que irá acontecer e porque aconteceu, gosto desse estilo.
     

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