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Noé (Noah - 2014)

Tópico em 'Cinema' iniciado por Gerbur Forja-Quente, 23 Abr 2014.

  1. Gerbur Forja-Quente

    Gerbur Forja-Quente Defensor do Povo de Durin

    Dei uma procurada e não encontrei o tópico desse filme, decidindo então criá-lo.

    Segue o link de uma crítica do filme:

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    Esse é o filme mais novo de Russel Crowe (Gladiador) e também Emma Watson ( a Hermione de Harry Potter), do director
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    (Réquiem para um Sonho e Cisne Negro).

    É sempre difícil falar sobre um filme de origens bíblicas porque as pessoas parecem se dividir entre religiosos fanáticos e ateus fanáticos e assim, ironicamente, nunca conseguimos atingir toda a reflexão que poderíamos de um filme como esse. Mesmo assim, sem medo de ser feliz, lá vai eu lançando minha opinião:

    Eu gostei muito do filme. Ele mexeu comigo, falou comigo. Gostei muito da discussão sobre a condição humana que o filme coloca. Pelo que me lembro, Noé é uma das poucas pessoas que conversam diretamente com Deus, e nesse filme não é assim. Esse filme apresenta uma nova visão de Noé, uma nova leitura. E se Deus não falase diretamente com Noé? E se Deus não falasse claramente com Noé sobre o que Ele espera de Noé? Porque é assim na vida das pessoas. Nós podemos rezar e falar com Deus, pedir alguma orientaçção e resposta, mas se essa orientação ou resposta é concedida, é feita não claramente, não diretamente, mas de uma forma muito subjetiva para cada um, como sonhos, ou percepções, e reflexões, por exemplo.

    Quando Deus não fala claramente conosco, nós fazemos o que nós pensamos estar certo, ou o que nós temos "certeza" que está certo. Mas e se não estiver? E se nós tivermos interpretado a coisa toda de uma maneira que não é exatamente A verdade?

    E se Deus não nos der a orientação que buscamos? E se Deus deixar que nós escolhermos de fato as coisas importantes de nossas vidas (e talvez as das de outras pessoas)? Eu nunca tinha parado para pensar como o livre-arbítrio pode ser tão aterrorizante como esse filme mostrou. Mas se pensarmos bem, de fato é.

    Temos que tomar decisões sem garantias. E tomamos essas decisões baseadas nas concepções de "certo e errado" que temos dentro de nós mesmos, as concepções que aprendemos (ou não) com os nossos pais.

    E a interpretação é uma coisa fundamental: o herói de uns pode ser o genocida de muitos outros. A interpretação pode diferenciar um fracassado de um herói. Pode distinguir um homem que deve ser punido de um homem que deve poder se perdoar. E nós podemos estar falando da mesma pessoa.

    E se essa pessoa é você? O que é que você faria em seu lugar? E como é que você lida com as consequências do que fez? Porque esta é a condição humana. Nós estamos aqui por um tempo, tentando fazer o que é certo, sem maiores orientações que poderia nos isentar de qualquer culpa. Tudo o que você faz, para o bem ou para o mal é merito ou culpa somente de ti mesmo. Não tem como jogar a culpa para outra pessoa (ou em Deus), é contigo, é a sua vida, é a sua decisão e sua ação. Você é o protagonista da sua história. Por mais aterrador que isso pareça, essa é a sua condição. Não é como dizer que algo exista ou que algo não exista. É dizer que não há garantias de nenhum dos lados. No final, no silêncio das nuvens nubladas, é chegado o momento em que você tem que tomar uma decisão sem olhar para trás e conviver com as consequências.

    Achei o filme fantástico. Altamente reflexivo. Não se prenda a visões religiosas ou atéicas para ver o filme. Vá de mente aberta e reflita sobre o filme que você assistiu e não sobre a história que você conhece e acredita ou sobre a história que você conhece e não acredita. Essa foi minha reflexão.

    Nota 9.

    Bom filme para vocês!
     
    Última edição: 24 Abr 2014
    • Ótimo Ótimo x 3
  2. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Achei um ótimo filme também. Ele é cheio de elementos não-bíblicos: (i) Adão e Eva como seres de luz, (ii) anjos caídos aprisionados na matéria, na forma de Golens, (iii) a pele da serpente sagrada, (iv) o tzhoar e etc.

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    • Ótimo Ótimo x 2
  3. Atyarwen

    Atyarwen A Hobbit-size Elf Usuário Premium

    Bom, fui assistir já sabendo como era, então não fiquei de toda decepcionada. Mas me senti assim como quem leu o Hobbit e foi assistir A Desolação de Smaug, com todas aquelas mudanças. Uma adaptação, como dizemos do Hobbit.
    Uma coisa que achei meio mal feito foi as bebês, que dava pra ver claramente que são bonecas.


    amei, obrigado por compartilhar esta informação!
     
  4. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Bem, esse eu não curti. :lol:

    Minha opinião pessoal é que tentou ser um monte de coisas ao mesmo tempo e falhou nelas. As referências são variadas e estão mesmo lá, mas achei mal executadas com quebras de ritmo, pontas soltas (a dublagem deu uma piorada naquilo que me perturbou). E eu entendo que é uma versão, mas como entretenimento não me encantou:

     
  5. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Num primeiro momento, um dos elementos que mais me causou estranheza foram os Golems (anjos caídos). Eu achei muito caricatos e até pensei que parecia uma fusão de Bíblia com a Terra Média. @Bruce Torres, você leu alguma coisa sobre os gigantes?
     
  6. Atyarwen

    Atyarwen A Hobbit-size Elf Usuário Premium

    • Gostei! Gostei! x 1
  7. Lucas Ferraz

    Lucas Ferraz Usuário

    Não vi esse filme mas quero muito ver. Esse papo de Golems me lembra muito algo que estava lendo uns dias atrás, eu gosto de ler textos antigos de diversas religiões e mitologias, e há uns tempos lia o
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    , que é um evangelho apócrifo bem controverso. Basicamente conta sobre anjos que se rebelam, descem a Terra e tomam mulheres como esposas, e tem filhos com elas, mas esses filhos se tornam gigantes sangrentos e tudo. Enfim, tem semelhança com isso que vocês falaram do filme.
     
  8. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Lembrei de outros dois elementos não-bíblicos interessantes:

    1) Noé contando a história dos 7 dias da criação e as imagens mostrando o desenvolvimento do universo de forma científica.

    2) Noé falando...

    ... "crescei e multiplicai-vos", que é uma fala atribuída a Deus na Bíblia.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  9. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    "E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.
    Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.
    Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.
    "
    Gênesis 6:1-4 (Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

    Nesse caso os nefilins (gigantes) são filhos de anjos com seres humanos.

    A mesma história é contada no Livro de Enoque, só que aqui os Vigilantes - nome dado a esses anjos que caíram mas que tinham como missão observar a Humanidade -, durante o Dilúvio, são aprisionados à Terra, aguardando pelo Juízo.

    "E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia."
    Judas 6 (Almeida Corrigida e Revisada Fiel)
     
    • Gostei! Gostei! x 3
  10. Atyarwen

    Atyarwen A Hobbit-size Elf Usuário Premium

    Na Bíblia conta assim também, os anjos vêm à Terra por causa das mulheres, seus filhos híbridos são chamados Nefilins, gigantes violentos.
    (Gênesis 6)
     
  11. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Às vezes eu não entendo essa controvérsia dos apócrifos. Se você for conferir o Cânon, vai ver textos que se assemelham e remetem diretamente a esses textos gnósticos - tipo o livro de Judas, como mencionei acima, e a natureza cósmica de Cristo no Evangelho de João.

    @Grimnir , sobre o 1) chamam isso de evolução teísta; e 2) a Tradição diz que Moisés teria escrito o Pentateuco, mas, como você disse, é interessante ver Noé dizendo aquilo que deveria ser dito pelo próprio Deus. Só que Deus não fala nesse filme, Ele manda sinais - ótima sacada, BTW. Temos apenas Noé como a autoridade interpretativa de tais sinais, o que sempre acaba gerando conflitos graves na dinâmica familiar e um certo incômodo no espectador.

    P.S.: Sobre o gnosticismo, sim, é controverso. Eu falei besteira, me desculpem. Os gnósticos cristãos viam Javé (AT) e Deus (NT) como entidades separadas, e achavam Cristo não tinha corpo físico, pois a matéria é má. Se fosse assim, então, não haveria Sacrifício, o que ia contra os ensinamentos da Igreja Primitiva. Contudo, é fato que os Evangelhos, os Nevi'im (livros dos Profetas), Judas e Revelação apresentam características gnósticas.
     
    Última edição: 23 Abr 2014
    • Ótimo Ótimo x 1
  12. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Lembrei de mais uma: Acho que no filme não falam "Deus" uma única vez, só fala "O Criador".
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  13. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Outra noção gnóstica, pois o Deus Criador não é o mesmo Deus Supremo, apenas uma divindade menor, um demiurgo.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  14. Gerbur Forja-Quente

    Gerbur Forja-Quente Defensor do Povo de Durin

    Deus é chamado de "Deus" uma única vez, pelo que me lembro, por Matusalém. Acho que o velhinho o chama assim por ter uma intimidade maior com o Criador, uma vez que ele demonstrou ter também alguns poderes certamente concedidos por esse Criador.

    Engraçado pensar que depois de alguns milhares de anos, não só chamamos Deus de "Deus", como o chamamos de "Pai", rs. Ficamos íntimos demais.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  15. Spartaco

    Spartaco James West

    Eu não gostei do filme, não só do aspecto puramente cinematográfico, mas principalmente das adaptações que fizeram.

    Entre várias coisas estranhas posso citar aqueles guardiães, que mais pareciam os ents do Senhor dos Anéis ajudando Noé a fazer, construir a arca.

    Também não entendi o porquê de mudarem a história no tocante à família de Noé, uma vez que, segundo a Bíblia, além dele, sua esposa e seus filhos, foram salvas do dilúvio as esposas de seus três filhos, que, com exceção do mulher de Sem, foram descartadas do filme.

    Do mesmo modo achei que não precisavam inventar aquela história da gravidez da única nora de Noé e o seu desejo de matar a criança se não fosse do sexo masculino. Para mim isso foi deveras bizarro.

    Não é simplesmente questão de religiosidade, mas entendo que, se alguem tem a intenção de fazer um filme inspirado na Bíblia não deveria ter mudado tantas coisas assim.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  16. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Disseste bem, "inspirado". O problema é: o cânon é mais vasto que isso. E, infelizmente, convenhamos que aqueles três capítulos de Gênesis narrando o Dilúvio não são um texto com apelo dramático tão bom assim.
     
    • Gostei! Gostei! x 4
  17. Spartaco

    Spartaco James West

    Concordo, mas pelo menos, o pouco que é narrado no Gênesis, deveria constar do filme, como, por exemplo, as três esposas dos filhos de Noé, que foram simplesmente ignoradas. Seria o mesmo que filmar a vida de Jesus Cristo e fazer ele não ter 12 apóstolos ou fazer Pedro ou João traí-lo e não Judas Iscariotis.

    Bem, essa é a minha opinião.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  18. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Se bem que aí você não teria pathos - convenhamos, a história original é muito fraquinha. Além disso, pela história original, não fazia o menor sentido a cena em que Noé amaldiçoa Canaã, o que me soa mais como uma tentativa retroativa dos judeus de justificarem seu controle sobre a Palestina e o porquê de guerrearem contra os cananeus adoradores de Baal. Como na Midrash, Aronofsky procurou preencher os buracos e consertar o que havia de fraco e que não suportaria uma reflexão lógica com base nos elementos artísticos dispostos. (Aliás, como alguém consegue levar Noé a sério de forma religiosa me deixa surpreso.) Coloque as três esposas: acabou o drama. Coloque Deus em papel ativo: deus ex machina. Dê 100 anos pra Noé construir a Arca: Tubal-Caim já teria matado todo mundo. Agora, eu não vejo como tais mudanças prejudicam a metáfora principal tanto do filme como da história original, reflexões sobre a natureza e as consequências da Fé. É como quando você assiste "A Última Tentação de Cristo" e vê Jesus pedindo a Judas que este o traia - é preciso que isso aconteça. Ou quando ele vislumbra o que teria acontecido se não tivesse aceitado a missão - afinal, ele não era homem também, suscetível às tentações? Da minha parte, tais interpretações são benvindas, reforçando as "mensagens" e demonstrando que há muito mais do que os dogmas permitem ver.

    EDIT: Aliás, gostei da sacada sobre o porquê da Marca de Caim ainda estar presente na Humanidade.
     
    Última edição: 24 Abr 2014
  19. Spartaco

    Spartaco James West

    Bruce, respeito muito a sua opinião e a dos demais que gostaram do filme, mas pra mim, mesmo como entretenimento foi fraco; além do mais, volto a insistir, se alguém faz um filme baseando-se em uma história, seja esta verdadeira ou não, fico indignado quando se altera a mesma, mudando inclusive a personalidade de todos os personagens, o que foi o que aconteceu, pois o personagem Noé do filme não tem nada a ver com o personagem original, como o Deus do filme não tem nada a ver com o Deus da Bíblia, entre tantas coisas absurdas.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  20. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Relaxa, cara, não quero mudar sua cabeça, mas você expôs pontos interessantes que eu resolvi explorar e ampliar. Contudo,

    1) infelizmente adaptação é isso, sempre há riscos. Eu gostei, você não. Paciência;
    2) eu não sei se dá pra dizer que mudou a "personalidade" visto que é a visão do Javista/Eloísta/Sacerdote sobre Noé, a qual é até controversa quando lembramos da cena da bebedeira e da maldição de Canaã;
    3) você diz que "o Deus do filme não tem nada a ver com o Deus da Bíblia". Sinceramente, eu discordo. O que vi ali foi puro Javé.
     

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