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Neurociência

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Elanor Ladeira, 11 Fev 2003.

  1. Elanor Ladeira

    Elanor Ladeira Apaixonada

    O objetivo do tópico é expor conceitos de neurociência de maneira a levantar questões q possam ser discutidas saudavelmente.

    Vou colocar aqui algo q eu ache interessante e vemos até onde vai a discussão, se não der ibope eu posto coisas novas e vamos indo assim, as vezes as discussões por si só já direcionam novos temas, então não pretendo planejar nada. Todos q quiserem falar sobre coisas novas dentro da neurociência mandem ver...

    Minhas intenções são claras, gerar discussões sobre assuntos q são do meu total interesse é mais do q suficiente para abrir esse tópico, porém há algo mais, estou fazendo meu doutorado, é de extrema importância q eu domine os mais variados assuntos dessa área além de conseguir expressar esses conhecimentos de forma clara e objetiva, portanto, é isso mesmo q vc esta pensando, vou usar vcs pra treinar! :mrgreen:

    Vamos lá:


    Entender a base biológica da consciência e os processos mentais pelos quais agimos, percebemos, aprendemos, lembramos, sentimos, é sem dúvida o maior desafio da ciência biomédica hoje.
    Entender como o comportamento – a ciência da mente – e a neurociência – a ciência do sistema nervoso – podem estar relacionados é uma preocupação que surgiu com o advento do que conhecemos como teorias monistas.

    Existem duas linhas de pensamento sobre a questão Mente x Cérebro:

    -O Dualismo segundo o qual a mente é algo totalmente separado e independente do cérebro, como se fosse uma alma, algo imaterial que comanda o cérebro.
    -O Monismo, no qual mente e sistema nervoso são uma coisa só. Há duas maneiras de ver o pensamento monista, a primeira é simplesmente negar a existência da mente, aceitar que todos os nossos comportamentos são resposta à estímulos e nada mais, esse é o behaviorismo; a outra maneira é aceitar que existe uma mente, e que ela é formada por um conjunto de neurônios, ou seja, que um conjunto específico de neurônios define um estado mental, este é o pensamento funcionalista ou funcionalismo.

    Já que a existência da alma ainda está longe de ser confirmada cientificamente, é no monismo que se baseia a maioria das teorias modernas do estudo dos comportamentos.

    A idéia de que somos meramente conseqüência de uma série de estímulos é um tanto quanto perturbadora, afinal, pensar assim admite que não há inteligência, mas sim um conjunto de estímulos corretos que geraram a solução de um problema ou uma idéia original, porém, negar o behaviorismo é extremamente difícil, poucos cientistas hoje são o que conhecemos como behavioristas radicais; com a evolução do conhecimento surgiu o behaviorismo lógico que admite que os comportamentos são gerados pelos estímulos recebidos e também por quatro estados motivacionais: Sede, Fome, Auto-preservação e Preservação da espécie, com o passar dos anos, um novo estado motivacional foi adicionado (sob muito protesto e contestação): o Hedonismo (busca do prazer).

    O funcionalismo segue, como foi dito, a idéia de que nossos diversos comportamentos são gerados por grupos de neurônios, conexões, redes específicas que são a base celular da mente.



    Mais para a frente eu posso falar de bases celulares do comportamento, mas é muito assunto pra falar de uma só vez...
     
  2. Vilya

    Vilya Pai curuja, marido apaixonado

    O que mais precisamente são os estados motivacionais? Não sei a pergunta está muito vaga, mas é que de certa forma, sede e fome não estariam englobados na auto-preservação?

    E a necessidade de respirar? Entraria na auto-preservação ou na verdade nem seria um estado motivacional propriamente dito?

    Minha questão é que a respiração é o único processo vital que podemos interromper voluntariamente, apesar dessa interrupção não poder ser muito longa, pois gera acidificação do sangue e em conseqüência um estímulo diretamente no bulbo cerebral, que se sobrepõe ao comando voluntario.

    E por último, não entendi o paralelo entre os outros estados motivacionais e a preservação da espécie.
     
  3. Elanor Ladeira

    Elanor Ladeira Apaixonada

    Vamos ver,

    Estados motivacionais é o nome dado àquilo que nos leva a um comportamento específico comum à todo individuo.

    A fome e a sede estão relacionadas com a manutenção do equilibrio energético e hidrico do nosso corpo, são vitais, mas não necessariamente estão dentro do conceito de auto-preservação; a auto-preservação envolve comportamentos como o medo que nos leva a fugir de uma presa, medo do desconhecido, a reagirmos contra um estimulo aversivo, etc...

    A respiração como vc disse é vital tb, mas não é um estado motivacional, exatamente pelo fato de nós respirarmos involuntariamente (apesar de podermos controlar a respiração até um certo ponto), ou seja, não precisamos desenvolver nenhum comportamento para manter a respiração. Qdo sentimos fome ou sede temos q fazer algo para resolver isso, se não formos comer ou beber algo nosso corpo não consegue "se virar" sozinho.

    Preservar a especie é algo importante para o individuo, acho q não há duvidas suas quanto à esse ponto, mas qto ao paralelo, a questão é: não há paralelo, o q os estados motivacionais tem em comum (para serem denominados como um grupo) é o fato de, mais uma vez, gerar comportamentos específicos, eles não precisam ser da mesma natureza, ou ter qq outra relação.

    Espero q tenha respondido :wink:
     
  4. E as emoções seriam então apenas estímulos cerebrais? Como se enquadrariam a alegria, a felicidade, a tristeza nesse esquema?
     
  5. Elanor Ladeira

    Elanor Ladeira Apaixonada

    As emoções "entrariam" no Hedonismo que é a busca do prazer, de todos os estados motivacionais, o hedonismo é o menos conhecido (celular e molecularmente) e por isso ele é bastante contestado. O q sabemos em relação a isso é que a amigdala por exemplo (uma estrutura do seu lobo temporal) tem inumeras funções relacionadas com prazer, vicios, etc, assim como o sistema limbico como um todo (um sistema de estruturas cerebrais envolvidas com emoção).
     
  6. Digo_s

    Digo_s Olifantástico

    Pera, deixa eu ver se entendi!
    A teoria em q mais acreditam é nosso cerebro funciona tipo o jogo "The Sims"?

    Pra quem não conhece o jogo, vc controla uma pessoa, e ela tem varias barrinha q vao caindo com o tempo como "Fome","Banheiro","Conforto","Diverção"...

    Bom, entao seria mais ou menos isso, conforme eu vou precisando de alimentos meu cerebro me faz sentir fome para q eu va procurar o q comer?
    Entao existem 5 estados motivacionais! Resumiram tudo q agente faz como tendo base em um, ou em um conjunto, desses 5 estados motivacionais?

    Acho q entendi isso!
    Mas onde entra a personalidade?
     
  7. Elanor Ladeira

    Elanor Ladeira Apaixonada

    É isso ai, esta é a teoria Behaviorista, naum a funcionalista, q admite a existencia da mente, os behavioristas veem o cerebro como um computador mesmo.

    Personalidade, emoçoes, etc saum coisas bem dificeis da gente "encontrar" no estudo do cererbo.... infelizmente...
     
  8. Digo_s

    Digo_s Olifantástico

    Um, Elanor, e vc poderia explicar pra gente oq já descobriram sobre o campo da personalidade e emoçoes na neurociencia?

    Outra pergunta, essa teoria Behaviorista q vc falow é a mais aceita?
     
  9. Elanor Ladeira

    Elanor Ladeira Apaixonada

    Não esqueci de vc Digo_s

    To só juntando umas coisas legais e jah jah te respondo sobre a personalidade e as emoções tah? ;)

    Tem q caprichar neh?
     
  10. Elanor Ladeira

    Elanor Ladeira Apaixonada

    Aqui vai o q temos de “cientifico” na pesquisa e conhecimento da personalidade humana.

    Um aspecto importante da pesquisa biológica é q muito do q sabemos veio de experimentos com lesão, ou seja, sabemos para q uma estrutura serve retirando ela do sistema, assim, se matamos uma população de neurônios e a pessoa para de andar, descobrimos q esses neurônios são importantes para o andar, a partir daí iniciamos outros experimentos q podem nos dizer em q etapa do “andar” eles estão envolvidos, etc...
    Foi assim q se deu a descoberta de regiões no cérebro humano q estão de alguma forma ligadas à nossa personalidade.

    Existe uma região do cérebro humano, constituídas pelos córtices pré-frontais ventromedianos, cuja danificação compromete de maneira consistente, de uma forma tão depurada quanto é provável poder encontrar-se, tanto o racicínio e tomada de decisão como as emoções e sentimentos, em especial no domínio pessoal e social. Poder-se-ia dizer, metaforicamente, que a razão e a emoção se cruzam nos córtices pré-frontais ventromedianos e também na amígdala.
    Antonio Damásio escreveu um livro chamado “O erro de Descartes” onde encontra-se a seguinte estória:

    “Corre o Verão de 1848. Estamos na Nova Inglaterra. Phineas Gage, vinte e cinco anos de idade, capataz da construção civil, aproxima-se de um precipício. Um século e meio depois, a sua derrocada ainda será significativa.
    Gage trabalha para a Ruthland & Burlington Railroad e tem a seu cargo um grande número de homens, uma "brigada" como se lhe costuma chamar, cujo trabalho é assentar os novos carris para a extensão da via férrea através de Vermont.
    Um homem eficiente e capaz...
    (...) Aos olhos dos patrões, Gage é, porém, mais do que apenas outro par de braços. Dizem que ele é "o homem mais eficiente e capaz" que têm a trabalhar para si. O que é bom, pois o trabalho exige tanto de destreza física como de firme concentração, principalmente quando chega a altura de se prepararem as detonações. Há várias etapas a seguir de uma forma exacta. Primeiro tem de se abrir um buraco na rocha. Depois de o encher até quase metade com pólvora, há que introduzir um rastilho e cobrir a pólvora com areia. Em seguida esta tem de ser "embuchada", ou calcada, com uma cuidadosa série de batimentos dados com uma vara de ferro. Por fim acende-se o rastilho. Se tudo corre bem, a pólvora explode dentro da rocha. A areia é fundamental pois, sem a sua protecção, a explosão dar-se-á para fora da rocha. O formato da vara e o seu manuseamento são também importantes. Gage, que mandou fazer a sua própria vara, é um virtuoso deste ofício.
    Vejamos o que vai acontecer. São quatro e meia de uma tarde escaldante. Gage acabou agora de inserir a pólvora e o rastilho no buraco e diz ao homem que o está a ajudar que os cubra com areia. Alguém o chama lá de trás e Gage vira-se e olha por cima do ombro direito, por um segundo apenas. Distraído, e antes de o subordinado ter lá metido a areia, Gage começa a calcar directamente a pó com a vara de ferro. Não tarda que se produza uma faísca dentro da rocha e a carga explode atingindo-o no rosto.
    ...tem um acidente que lhe afecta o cérebro
    A explosão é tão brutal que o grupo inteiro fica pregado. Precisam de alguns segundos para perceber o que aconteceu. O estrondo foi invulgar e a rocha permanece intacta. Invulgar também foi o ruído sibilante, como o de um foguete lançado para o ar. Mas não se trata apenas de fogo-de-artifício. É uma agressão e forte. A vara de ferro entra pela face esquerda de Gage, perfura-lhe a base do crânio, atravessa a região frontal do cérebro e sai, a alta velocidade, da cabeça. Cai a mais de trinta metros de distância, coberta de sangue e massa encefálica. Phineas Gage é projectado para o chão. Está atordoado, no calor da tarde, emudecido mas consciente.
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    (...) O que se passou exactamente podemos hoje saber lendo o relatório preparado pelo Dr. Harlow vinte anos depois do acidente (...) A narrativa de Harlow descreve a forma como Gage recuperou as forças e como o seu restabelecimento físico foi completo. Tinha o sentido do tacto, ouvia e via, e não tinha paralisia dos membros ou da língua. Perdera a visão do olho esquerdo mas a do direito era perfeita. Caminhava com passos firmes, utilizava as mãos com destreza e não tinha qualquer dificuldade notória no tocante à fala ou à linguagem. E, no entanto, como recorda Harlow, o "equilíbrio ou harmonia, por assim dizer, entre a sua capacidade intelectual e as tendências animais" fora destruído. As mudanças tornaram-se aparentes assim que passou a fase aguda da lesão cerebral. Mostrava-se agora "caprichoso, irreverente, utilizando por vezes a mais obscena das linguagens, o que não era, anteriormente, hábito seu, manifestando a maior falta de respeito pelos companheiros, impaciente face a restrições ou conselhos contrários aos seus desejos, por vezes pertinazmente obstinado, revelando-se no entanto volúvel e vacilante, elaborando muitos planos a pôr em prática no futuro, os quais, uma vez concluídos, são logo abandonados... Infantil na sua capacidade intelectual e atitudes, revela as paixões animais de um homem forte". A linguagem obscena era de tal forma desbocada que se aconselhava as mulheres a não estarem muito tempo na sua presença, não fossem sentir-se ofendidas. Nem mesmo as mais fortes admoestações do próprio Harlow conseguiram fazer com que o nosso sobrevivente voltasse a ter um comportamento decente.
    ...e sofre uma alteração profunda de personalidade
    (...) O aspecto mais impressionante desta história desagradável é a discrepância entre a estrutura normal da personalidade que antecedeu o acidente e os nefastos traços de personalidade que vieram depois à superfície e se mantiveram para o resto da vida de Gage. Este soubera, em tempos, tudo o que precisava saber para fazer opções que lhe traziam vantagens. Possuía um sentido de responsabilidade pessoal e social que se reflectiu numa subida de nível profissional, preocupava-se com a qualidade do seu trabalho e granjeava a admiração de patrões e colegas. Estava bem adaptado em termos de convenções sociais e parece ter sido sério nos seus negócios. Depois do acidente deixou de respeitar normas sociais, os princípios éticos, no sentido amplo do termo, eram violados, as decisões que tomava já não levavam em conta os seus melhores interesses e era dado a inventar histórias "sem qualquer fundamento a não ser na sua própria fantasia", segundo as palavras de Harlow. Não dava mostras de se preocupar com o futuro, não tinha qualquer sinal de pré-reflexão.
    As alterações na personalidade de Gage não foram subtis. Não conseguia tomar boas opções e as que tomava não eram, pura e simplesmente, neutras. Não eram as decisões comedidas ou simples de alguém cuja mente está diminuída, mas sim activamente desvantajosas. Poderá talvez dizer-se que o seu sistema de valores era agora diferente ou, se ainda era o mesmo, não havia nenhuma forma pela qual os antigos valores pudessem pesar nas suas decisões. Não existem provas que nos permitam escolher entre estas duas hipóteses, mas a investigação de doentes com lesões cerebrais semelhantes à de Gage leva-me a crer que nenhuma das explicações resume o que realmente acontece nessas circunstâncias. Mantém-se uma parte do sistema de valores que pode ser utilizada em termos abstractos, mas está desligada das situações da vida real.»
    Por que Phineas Gage?
    A maioria dos casos de lesões neurológicas mostrava que a vítima ficava com seqüelas nas funções motoras, precepção, linguagem etc, porém, Phineas Gage apresentou mudanças nas convenções sociais e regras éticas previamente adquiridas, isto é, ele apresentou mudança de caráter.
    A partir do caso de Gage muitas idéias antes tidas como corretas no âmbito da neurologia cairam por terra. Uma delas era que o tamanho do cérebro influenciava na sua potência, ou seja, quanto maior o cérebro maior a sua eficiência. Poucas afirmações podiam ser retiradas do caso Gage, pois, na verdade, seu caso foi muito fora do comum, porém, não restam dúvidas de que a alteração da personalidade de Gage foi provocada por uma lesão cerebral circunscrita a um local específico.
    António Damásio, O erro de Descartes, pp. 21-28.”


    Pois é... intrigante não? Nossa personalidade, nossas atitudes, têm mesmo uma base neurológica, são decorrentes de atividade neuronal de uma região especifica do nosso cérebro... Sabemos hj q o lobo frontal é extremamente importante e tem um papel “gerenciador” no sistema nervoso, integralizador, a sua falta nos tira a razão, o bom senso...
    _____________________________________________

    No mesmo livro (e em alguns outros) existem relatos e informações a respeito das emoções, casos de pessoas q se tornaram completamente “insensiveis” a qq coisa, não sentiam tristeza, nem alegria, nem nada, vou elaborar o texto direitinho e coloco aqui depois, acho q só o caso do Gage já rende discussão suficiente :mrgreen:
     
  11. Elanor Ladeira

    Elanor Ladeira Apaixonada

    Consciência


    O texto abaixo foi retirado do livro “Princípios da Neurociência” de
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    “A quebra da tradição pela qual a mente e a consciência surgem de uma interação misteriosa entre o espírito e o corpo foi na verdade o foco do problema da consciência para os neurocientistas do século XX. Estando filosoficamente contra o dualismo, somos obrigados a encontrar uma solução para o problema levando em consideração células nervosas e circuitos neurais.
    O problema da consciência é verdadeiro?
    Alguns filósofos e muitos neurocientistas acreditam que consciência é uma ilusão. Este ponto de vista é um exemplo do funcionalismo radical, cruamente ilustrado pela asserção de que mente e consciência estão para o encéfalo assim como o ato de caminhar está para as pernas. Patrícia Churchland argumentou que ”a corrente elétrica não é causada por elétrons em movimento, ela é elétrons em movimento. Os genes não são formados por pares de base do DNA, eles são pares de base.” Este ponto de vista, chamado de “materialismo eliminativo” é explicado de maneira magistral em Consciousness Explained, de Daniel Dennett.

    Embora o campo da inteligência artificial tenha influenciado muito a neurociência cognitiva, John Searle argumenta que a consciência não pode ser reduzida a uma máquina que pode pensar, um computador com a mente como programa e a consciência como uma propriedade emergente. Ele defende que a mente não é análoga a um programa sendo processado por um computador do encéfalo. Ele argumenta que os programas consistem literalmente de um conjunto de regras (sintáticas) enquanto a mente lida com valores, senso e significados (semânticos). Portanto, a mente difere de um programa de computador porque um serie de regras, não importa o quão complexa for, não é suficiente para a semântica. Searle defende o estudo cientifico da consciência ao invez de negar sua existência evidente.

    Certos distúrbios têm sido de grande importância no estudo do problema da consciência, uma vez que eles têm adicionado informações importantes sobre outras funções do encéfalo. Um exemplo disto é a afasia, um distúrbio neurológico que nos forneceu bases para o entendimento da linguagem. A cegueira cortical estudada por Lawrence Weiskrantz e seus colegas foi especialmente influente neste aspecto. Os pacientes com lesões no córtex visual primário são cegos, mas quando forçados a fazer uma escolha com base no que é mostrado perante seus olhos, eles são capazes de tomar decisões quase como se pudessem ver. Mesmo assim esses pacientes insistem que não podem ver. Portanto, eles percebem mas não têm consciência de que percebem. Martha Farah revisou estes curiosos distúrbios – cegueira cortical, prosopagnosia e negligencia – e os fatores relevantes que se referem à consciência.
    Existem duas explicações teóricas sérias derivadas do conhecimento das propriedades dos neurônios e dos circuitos neurais. Francis Crick e Christof Koch propuseram que a consciência é uma integração da atividade neural semelhante ao mecanismo de unificação de diferentes aspectos sensórios que ocorre para produzir uma percepção. Assim como essa unificação, a consciência também dependeria de um disparo sincrônico dos neurônios corticais a uma freqüência de aproximadamente 40Hz. Gerald Edelman propôs que a consciência resulta das várias funções cruciais da atividade encefálica: memória, aprendizagem, discernimento entre si mesmo e o outro, e mais importante, a função de reentrada – comparação recursiva de informações de diferentes regiões do encéfalo.

    A consciência pode ser explicada??

    Em um artigo clássico, Thomas Nagel argumentou que a consciência é especifica da primeira pessoa e diferente de qualquer outro fenômeno natural. Em razão deste caráter subjetivo inerente, cria-se um problema único para ser analisado cientificamente. Colin McGinn foi além deste argumento. Apesar de ser um materialista, McGinn acredita que a mente humana não tem habilidade cognitiva para entender a natureza da consciência assim como um macaco não pode entender física das partículas. Pessoalmente, acredito que o problema da consciência é difícil, talvez o mais difícil de todos que a neurociência tenha se deparado. Segundo Crick e Koch e muitos outros, a consciência deve ter uma correlação neural. Em conclusão, acredito que os futuros cientistas cognitivos neurais identificarão os neurônios envolvidos e caracterizarão os mecanismos pelos quais a consciência é produzida.”



    Como vcs podem perceber... não existe hj nenhuma comprovação cientifica do que seja a consciência, nem ao menos provamos que ela existe...

    Kandel é um dos melhores neurocientistas vivos, seu livro foi recentemente traduzido, se não entenderam alguma coisa do texto, é só perguntar...

    Pessoalmente, as vezes eu acho que McGinn está certo... não consigo ser tão otimista em relação a este problema como o autor é...
     
  12. Conan

    Conan Cavaleiro Pendragon

    Ja existe hoje em dia um conhecimento de que tipo de energia é uasado em tal estimulos cerebrais?( tipo, eletrica por exemplo). Porque uma parte de estudo que envolve a neurociencia é a tentativa ou de se criar um computador com caracteristicas biologicas de funcionamento parecido com o do cerebro; como existem pesquisas para tentar uma comunicaçaum entre maquina e cerebro convertendo tais estimulos de maneira até que informaçoes armazenadas no cerebro possam ser compartilhadas com maquinas.( eu naum entendo muito do assunto naum, mas tenho um amigo que trabalha com pesquisa na area). Quanto a questaum da conciencia, por enquanto o maximo que se pode fazer é especular...
     

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