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'Não voto em quem defende pena de morte', diz preso

Morfindel Werwulf Rúnarmo

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Presos provisórios e adolescentes infratores votaram ontem pela primeira vez em São Paulo em penitenciárias e unidades da Fundação Casa (ex-Febem) no Estado.

No total, mais de 2 mil presos provisórios (aqueles que ainda têm direito a recursos ou cumprem ordens de prisão temporárias) e menores em medidas socioeducativas acessaram as urnas ontem.

A Folha acompanhou a votação no Presídio Romão Gomes, na zona norte da capital, onde presos relataram que escolheram candidatos que prometeram impedir a adoção da pena de morte no Brasil e lutar pela melhoria do Poder Judiciário.

O presídio é destinado a PMs e ex-PMs detidos após processos judiciais e procedimentos da Polícia Militar para excluir os policiais criminosos da corporação.

De cinco em cinco, vestidos com o uniforme cáqui, eles foram encaminhados à 445ª Seção Eleitoral do Tucuruvi, instalada em uma sala de reuniões da prisão.

Em um desses grupos, um preso mostrou disposição especial em falar à reportagem.

'HIGHLANDERS'

Ao ser indagado sobre o inédito direito ao voto, ele disse que

A pergunta sobre o motivo que o levou à prisão foi respondida de modo enfático: "Me acusaram de cortar a cabeça de uma pessoa, mas eu não sou capaz de cortar a cabeça nem de uma galinha".

Em seguida, ele se identificou como o sargento Moisés Alves dos Santos, 33, condenado em primeira instância a 18 anos de prisão sob a acusação de atuar em um grupo de extermínio que cortava a cabeça das vítimas, conhecido como "highlanders".

Santos contou que quando atuava como policial na rua viu crimes bárbaros, como estupros, e tinha simpatia por políticos que defendiam a adoção da pena de morte para certos crimes.

"Agora não voto em candidatos que defendem a pena de morte, porque hoje sei que ela pode atingir pessoas como eu, que são inocentes",
afirmou Santos, que não quis contar em quem votou.

O PM Adriano Ricardo Gueth Novais, 34, disse que se sentia muito bem por
"exercer a cidadania ao votar"
e
"poder escolher pessoas que possam melhorar o Judiciário, para que os prazos processuais sejam cumpridos mais rapidamente".
Ele aguarda há um ano e quatro meses pela realização de um júri em que espera ser inocentado de uma acusação de tentativa de homicídio.

Novais contou que votou em Marina, Celso Russomano, Netinho e Ciro Moura.

Um outro soldado da PM foi votar no presídio, mas na condição de inocente. Ele fez a inscrição eleitoral na penitenciária, mas em seguida foi absolvido em um julgamento e foi solto.

O soldado conta que ficou quase quatro anos esperando por um júri na prisão, e não se sentiu mal por ter que voltar ao local.
"Fiz amigos e aprendi muita coisa aqui",
disse. Ele preferiu não se identificar por estar de volta ao trabalho na PM.

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