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Músicas Literárias - Zé Ramalho

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por murilocontro, 30 Jun 2008.

  1. murilocontro

    murilocontro Usuário

    Certas músicas contam histórias, algumas parecem que saltaram de um bom livro devido a verossimilhança que conseguem alcançar em suas letras. Isso faz que eu me sinta espectador da ação passando a viver o que é cantado. Assim como nos livros.

    Muitas músicas do Zé Ramalho carregam isso, os detalhes, os arranjos, algumas rimas, aquela palavra usada de forma certeira que realmente faz jus a parecer música para os ouvidos, entre as entrelinhas que existem em suas letras com mensagens libertinas.

    Músicas de Zé Ramalho, para ouvir e sentir:

    [size=medium]Avohai - Zé Ramalho[/size]

    A primeira estrofe já demonstra tamanha minuciosidade em descrever o personagem central. Seguindo, a canção continua traçando detalhes do personagem, agora sobre sua face: …Pares de olhos tão profundos Que amargam as pessoas que fitar…

    [size=medium]Vila do Sossego - Zé Ramalho[/size]

    A rima aplicada de forma constante deixa a música harmoniosa como uma poesia. Veja: …Que normalmente, comumente, fatalmente, felizmente, displicentemente o nervo se contrai, oh, com precisão... e …Um compromisso submisso, rebuliço no cortiço chamo o Padre “Ciço” para me benzer, oh, com devoção…

    Outro momento que faz eu imaginar uma leitura, é a forma de relatar certas ocasiões. Como falei no início deste artigo, letras que usando palavras certeiras deixam a leitura, ou melhor a canção ótima para os ouvidos. Fazendo analogias e deixando nossa imaginação fluir, esse momento floresce nesse trecho: …Nos aviões que vomitavam pára-quedas / Nas casamatas, caso vivas, caso morras / E nos delírios meus grilos temer…

    E vocês, conhecem alguma música que desperte esse sentimento?

    Este artigo também pode ser encontrado no Clube da Leitura em
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  2. Zuleica

    Zuleica Usuário

    :think: Que beleza! Tenho sim, creio que não é bem o ritmo que o pessoal admira, como esta. O Vital Farias e Elomar fazem trabalhos como o Zé Ramalho com textos preciosos. Cito assim que possível.
     
  3. murilocontro

    murilocontro Usuário

    Estou no aguardo Zuzu :sacou:

    ;)
     
  4. LatinoAmericano

    LatinoAmericano Aqui jaz Alcarecco

    As músicas do Zé Ramalho são muito boas mesmo, gostei do tópico!
     
  5. Hérmia

    Hérmia Usuário

    Eu gosto muito das músicas do Zé Ramalho, especialmente de Chão de Giz... me trás tanta lembrança boa ..de uma época que não volta jamais e que eu poderia ter aproveitado mais....se não tivesse tido tanto medo de sofrer.....
    Olha a letra, linda poesia.....

    Chão de Giz
    Zé Ramalho


    Eu desço dessa solidão
    Espalho coisas sobre
    Um Chão de Giz
    Há meros devaneios tolos
    A me torturar
    Fotografias recortadas
    Em jornais de folhas
    Amiúde!
    Eu vou te jogar
    Num pano de guardar confetes
    Eu vou te jogar
    Num pano de guardar confetes...

    Disparo balas de canhão
    É inútil, pois existe
    Um grão-vizir
    Há tantas violetas velhas
    Sem um colibri
    Queria usar quem sabe
    Uma camisa de força
    Ou de vênus
    Mas não vou gozar de nós
    Apenas um cigarro
    Nem vou lhe beijar
    Gastando assim o meu batom...

    Agora pego
    Um caminhão na lona
    Vou a nocaute outra vez
    Prá sempre fui acorrentada
    No seu calcanhar
    Meus vinte anos de "boy"
    That's over, baby!
    Freud explica...

    Não vou me sujar
    Fumando apenas um cigarro
    Nem vou lhe beijar
    Gastando assim o meu batom
    Quanto ao pano dos confetes
    Já passou meu carnaval
    E isso explica porque o sexo
    É assunto popular...

    No mais estou indo embora!
    No mais estou indo embora!
    No mais estou indo embora!
    No mais!...
     
  6. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Saga de Severinin
    Vital Farias

    Peço a atenção dos senhores
    Pra história que eu vou contar
    Falo de Severinin lavrador tão popular
    Que morava numa palhoça
    E cultivava uma roça perto de Taperoá

    E Severinin todo dia lavrava a terra macia
    E terra lavrada é poesia

    Mexe com mão na terra
    Sobe esta serra corta esse chão
    Planta que a planta ponte
    Por esses montes lã d'algodão

    Severinin vivia até feliz
    Enchendo os olhos com bem d'rais
    E mesmo a plantação tava bonita em flor
    E ao seu lado a sua companheira
    Tinha o seu amor

    Mas como diz o ditado e haverá de se esperar
    Depois de tudo plantado
    Fazendeiro pede pra Severinin desocupar

    Já tinha até fruta madura
    Jirimum enrramando no terreiro
    E tinha até um passarinho
    Que além de ser seu vizinho
    Ficou muito companheiro

    Chega tanta incerteza
    A alma presa quer se soltar
    Luta, luta sozinho
    Qual o caminho de libertar

    Severinin ficou sozinho e só
    Ingratidão não pôde suportar
    Correu para o sul
    Aí a construção se viu
    De uma vez por todas
    De uma vez por todas
    Desabar
     
  7. murilocontro

    murilocontro Usuário

    Gislene, essa música realmente é muito profunda. As formas em que as palavras são empregadas em cada momento na letra...

    :)

    Zuleica, o início da Saga de Severinim me lembrou um pouco João Cabral de Melo Neto, em Morte e Vida Severina.
    Vou procurar essa música pois não conheço, a letra no final, fica bem melancólica não?

    :lendo:
     
  8. LatinoAmericano

    LatinoAmericano Aqui jaz Alcarecco

    Essa aqui é em parceria do Zé Ramalho com o Alceu Valença, uma das que eu mais gosto:

    A Dança das Borboletas

    As borboletas estão voando
    A dança louca das borboletas
    Quem vai voar não quer dançar
    só quer voar, avoar
    Quem vai voar não quer dançar
    só quer voar, avoar

    E as borboletas estão girando
    Estão virando a sua cabeça
    Quem vai girar não quer cair
    só quer girar, não caia!
    Quem vai girar não quer cair
    só quer girar, não caia!

    E as borboletas estão invadindo
    os apartamentos, cinemas e bares
    Esgotos e rios e lagos e mares
    Em um rodopio de arrepiar
    Derrubam janelas e portas de vidro
    Escadas rolantes e nas chaminés
    Se sentam e pousam em meio à fumaça
    De um arco-íris, se sabe o que é

    Se sabe o que é... Se sabe o que é...
    Se sabe o que é... Se sabe o que é...

    E as borboletas estão invadindo
    os apartamentos, cinemas e bares
    Esgotos e rios e lagos e mares
    Em um rodopio de arrepiar
    Derrubam janelas e portas de vidro
    Escadas rolantes e nas chaminés
    Se sentam e pousam em meio à fumaça
    De um arco-íris, se sabe o que é

    Se sabe o que é... Se sabe o que é...
    Se sabe o que é... Se sabe o que é...
     
  9. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Sabes, que eu falei e depois fiquei na dúvida do que tinha mais impacto para mim, letra ou música. Como Rosa, do Pixinguinha + Otávio de Souza. :think: Vital Farias é muito culto e comprometido com a cultura popular brasileira, imagino que tenha a ver mesmo com a obra de João Cabral.
     
  10. Joselle Torres

    Joselle Torres Usuário

    ....Inexplicável e imortal........ amo muito assim como Caetano e Gil........

    .....A que mais amoooooo.....acho linda e diz muito do nosso povo.....a realidade camulfada pelo socialismo.....

    *****************************************************************
    Admirável Gado Novo

    Oooooooooh! Oooi!
    Vocês que fazem parte dessa massa
    Que passa nos projetos do futuro
    É duro tanto ter que caminhar
    E dar muito mais do que receber...

    E ter que demonstrar sua coragem
    À margem do que possa parecer
    E ver que toda essa engrenagem
    Já sente a ferrugem lhe comer...

    Êeeeeh! Oh! Oh!
    Vida de gado
    Povo marcado
    Êh!
    Povo feliz!...(2x)

    Lá fora faz um tempo confortável
    A vigilância cuida do normal
    Os automóveis ouvem a notícia
    Os homens a publicam no jornal...

    E correm através da madrugada
    A única velhice que chegou
    Demoram-se na beira da estrada
    E passam a contar o que sobrou...

    Êeeeeh! Oh! Oh!
    Vida de gado
    Povo marcado
    Êh!
    Povo feliz!...(2x)

    Oooooooooh! Oh! Oh!
    O povo foge da ignorância
    Apesar de viver tão perto dela
    E sonham com melhores tempos idos
    Contemplam essa vida numa cela...

    Esperam nova possibilidade
    De verem esse mundo se acabar
    A Arca de Noé, o dirigível
    Não voam nem se pode flutuar
    Não voam nem se pode flutuar
    Não voam nem se pode flutuar...

    Êeeeeh! Oh! Oh!
    Vida de gado
    Povo marcado
    Êh!
    Povo feliz!...(2x)

    Ooooooooooooooooh!
     
  11. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]


    Nossaaaaa...como não lembrar daquela novela: "Rei do Gado" essa era uma das músicas que eu mais gostava...é muito bonita ela!
     
  12. murilocontro

    murilocontro Usuário

    E vejam só, até tinha me esquecido...

    Admirável Gado Novo é uma ponte para Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley :sim:

    E pesquisando um pouquinho sobre o livro, na wikipédia diz:

    :hanhan:
     
  13. Joselle Torres

    Joselle Torres Usuário

    Essa música dele foi muito marcante na minha vida....hehehehehehe

    A letra é perfeita.........
     
  14. imported_Rafaela

    imported_Rafaela Usuário

    Gente, a Legião Urbana tambem tem músicas assim. Uma das que mais gosto e tem mais de 9min é Faroeste Caboclo que dá até para roteiro de filme. Segue a letra:

    Faroeste Caboclo
    Legião Urbana
    Composição: Renato Russo


    Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
    Era o que todos diziam quando ele se perdeu
    Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
    Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

    Quando criança só pensava em ser bandido
    Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
    Era o terror da sertania onde morava
    E na escola até o professor com ele aprendeu

    Ia pra igreja só prá roubar o dinheiro
    Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
    Sentia mesmo que era mesmo diferente
    Sentia que aquilo ali não era o seu lugar

    Ele queria sair para ver o mar
    E as coisas que ele via na televisão
    Juntou dinheiro para poder viajar
    De escolha própria, escolheu a solidão

    Comia todas as menininhas da cidade
    De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
    Aos quinze, foi mandado pro o reformatório
    Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.

    Não entendia como a vida funcionava
    Discriminação por causa da sua classe e sua cor
    Ficou cansado de tentar achar resposta
    E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.

    E lá chegando foi tomar um cafezinho
    E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
    E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
    Mas João foi lhe salvar

    Dizia ele: "Estou indo pra Brasília
    Neste país lugar melhor não há
    Tô precisando visitar a minha filha
    Eu fico aqui e você vai no meu lugar"

    E João aceitou sua proposta
    E num ônibus entrou no Planalto Central
    Ele ficou bestificado com a cidade
    Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal

    "Meu Deus, mas que cidade linda,
    No Ano-Novo eu começo a trabalhar"
    Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
    Ganhava cem mil por mês em Taguatinga

    Na sexta-feira ia pra zona da cidade
    Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
    E conhecia muita gente interessante
    Até um neto bastardo do seu bisavô

    Um peruano que vivia na Bolívia
    E muitas coisas trazia de lá
    Seu nome era Pablo e ele dizia
    Que um negócio ele ia começar

    E o Santo Cristo até a morte trabalhava
    Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
    E ouvia às sete horas o noticiário
    Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar

    Mas ele não queria mais conversa
    E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar
    Elaborou mais uma vez seu plano santo
    E sem ser crucificado, a plantação foi começar.

    Logo logo os maluco da cidade souberam da novidade:
    "Tem bagulho bom ai!"
    E João de Santo Cristo ficou rico
    E acabou com todos os traficantes dali.

    Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
    E ia pra festa de rock, pra se libertar
    Mas de repente
    Sob uma má influência dos boyzinho da cidade
    Começou a roubar.

    Já no primeiro roubo ele dançou
    E pro inferno ele foi pela primeira vez
    Violência e estupro do seu corpo
    "Vocês vão ver, eu vou pegar vocês"

    Agora o Santo Cristo era bandido
    Destemido e temido no Distrito Federal
    Não tinha nenhum medo de polícia
    Capitão ou traficante, playboy ou general

    Foi quando conheceu uma menina
    E de todos os seus pecados ele se arrependeu
    Maria Lúcia era uma menina linda
    E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu

    Ele dizia que queria se casar
    E carpinteiro ele voltou a ser
    "Maria Lúcia pra sempre vou te amar
    E um filho com você eu quero ter"

    O tempo passa e um dia vem na porta
    Um senhor de alta classe com dinheiro na mão
    E ele faz uma proposta indecorosa
    E diz que espera uma resposta, uma resposta do João

    "Não boto bomba em banca de jornal
    Nem em colégio de criança isso eu não faço não
    E não protejo general de dez estrelas
    Que fica atrás da mesa com o cú na mão

    E é melhor senhor sair da minha casa
    Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião"
    Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
    "Você perdeu sua vida, meu irmão"

    "Você perdeu a sua vida meu irmão
    Você perdeu a sua vida meu irmão
    Essas palavras vão entrar no coração
    Eu vou sofrer as conseqüências como um cão"

    Não é que o Santo Cristo estava certo
    Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
    Se embebedou e no meio da bebedeira
    Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar

    Falou com Pablo que queria um parceiro
    E também tinha dinheiro e queria se armar
    Pablo trazia o contrabando da Bolívia
    E Santo Cristo revendia em Planaltina

    Mas acontece que um tal de Jeremias,
    Traficante de renome, apareceu por lá
    Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
    E decidiu que, com João ele ia acabar

    Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
    E Santo Cristo já sabia atirar
    E decidiu usar a arma só depois
    Que Jeremias começasse a brigar

    Jeremias, maconheiro sem-vergonha
    Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar
    Desvirginava mocinhas inocentes
    Se dizia que era crente mas não sabia rezar

    E Santo Cristo há muito não ia pra casa
    E a saudade começou a apertar
    "Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
    Já tá em tempo de a gente se casar"

    Chegando em casa então ele chorou
    E pro inferno ele foi pela segunda vez
    Com Maria Lúcia Jeremias se casou
    E um filho nela ele fez

    Santo Cristo era só ódio por dentro
    E então o Jeremias pra um duelo ele chamou
    Amanhã às duas horas na Ceilândia
    Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou

    E você pode escolher as suas armas
    Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
    E mato também Maria Lúcia
    Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor

    E o Santo Cristo não sabia o que fazer
    Quando viu o repórter da televisão
    Que deu notícia do duelo na TV
    Dizendo a hora e o local e a razão

    No sábado então, às duas horas,
    Todo o povo sem demora foi lá só para assistir
    Um homem que atirava pelas costas
    E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir

    Sentindo o sangue na garganta,
    João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
    E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
    A gente da TV que filmava tudo ali

    E se lembrou de quando era uma criança
    E de tudo o que vivera até ali
    E decidiu entrar de vez naquela dança
    "Se a via-crucis virou circo, estou aqui"

    E nisso o sol cegou seus olhos
    E então Maria Lúcia ele reconheceu
    Ela trazia a Winchester-22
    A arma que seu primo Pablo lhe deu

    "Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é
    E não atiro pelas costas não
    Olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha
    Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão"

    E Santo Cristo com a Winchester-22
    Deu cinco tiros no bandido traidor
    Maria Lúcia se arrependeu depois
    E morreu junto com João, seu protetor

    E o povo declarava que João de Santo Cristo
    Era santo porque sabia morrer
    E a alta burguesia da cidade
    Não acreditou na história que eles viram na TV

    E João não conseguiu o que queria
    Quando veio pra Brasília, com o diabo ter
    Ele queria era falar pro presidente
    Pra ajudar toda essa gente que só faz...

    Sofrer...
     
  15. Thorondir

    Thorondir Usuário

    Hã!? :S
     
  16. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    Avohai é provavelmente minha música nacional favorita de todos os tempos. Aliás, Zé Ramalho é o cara!

    Outra que gosto muito dele, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu:

     
  17. Clara

    Clara Antifa Usuário Premium

    :rofl:

    Só!
    O povo enquanto gente, a nivel de ser humano, nos leva a essa coisa social-afro-tupinambá, essa coisa comuna-morte-e-vida-severina enquanto raiz do inconsciente coletivo... :dente:



    Conheço algumas músicas com letra do Vinicius de Moraes e outras do Tom Jobim que me fazem "ver" essas histórias:

    VALSINHA (de Vinícius de Moraes – Chico Buarque)

    Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
    Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
    E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
    E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
    Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
    Com seu vestido decotado, cheirando a guardado de tanto esperar
    Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se ousava dar
    E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
    E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
    E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
    E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
    Que o mundo compreendeu
    E o dia amanheceu
    Em paz


    (É praticamente um pequeno conto)


    "Chovendo na roseira" do Tom Jobim é uma canção que eu ouvia quando criança e eu podia sentir o ar limpo e úmido que a chuva traz, a imaginar um passarinho pulando de contente porque chegou a primavera. E o final, quando a Elis Regina (sim eu ouvia a gravação com ela) repete: "você é de ninguém" fazia, e ainda faz, eu me sentir estranhamente bem comigo mesma.


    CHOVENDO NA ROSEIRA

    Olha
    Está chovendo na roseira
    Que só dá rosa mas não cheira
    A frescura das gotas úmidas
    Que é de Betinho, que é de Paulinho, que é de João
    Que é de ninguém!

    Pétalas de rosa carregadas pelo vento
    Um amor tão puro carregou meu pensamento
    Olha, um tico-tico mora ao lado
    E passeando no molhado
    Adivinhou a primavera

    Olha, que chuva boa, prazenteira
    Que vem molhar minha roseira
    Chuva boa, criadeira

    Que molha a terra, que enche o rio, que lava o céu
    Que traz o azul!

    Olha, o jasmineiro está florido
    E o riachinho de água esperta
    Se lança embaixo do rio de águas calmas

    Ahh, você é de ninguém!
     

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