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Notícias Música brasileira está cada vez mais pobre e banal; de quem é a culpa?

Tópico em 'Música' iniciado por Fúria da cidade, 30 Jun 2017.

  1. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ


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      Luan Santana, Gusttavo Lima e as irmãs Simone e Simaria Imagem: Brazil News/UOL/Reprodução




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      A música brasileira nunca esteve tão simplória, confinada em letras que abusam de palavras repetidas e de poucos e recorrentes acordes nas composições. Os responsáveis por esse movimento não são exatamente os atuais sertanejos, mas o rock nos 1960, o rap nos 1980 e, principalmente, a massificação cultural do país desde o auge de Faustão e Gugu Liberato em seus programas de auditório.

      A conclusão acima está em um estudo do pernambucano Leonardo Sales, um dos mais completos já publicados sobre o tema no Brasil e o primeiro a ir a fundo em questões harmônicas. Para chegar a um veredito o que para muitos é mais que óbvio, ele selecionou 532 artistas nacionais, analisando o espectro de letras e acordes. O resumo da pesquisa pode ser acessado
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      A radiografia musical é baseada nos acervos do sites Letras.com.br (102 mil letras) e Cifras.com.br (44 mil cifras). Privilegiou artistas com mais de dez cifras e gêneros com mais de 20 artistas. Apenas faixas com pelo menos 50% do vocabulário em português e palavras constantes no nosso dicionário entraram na análise de dados.

      “Procurei deixar transparente: quando falo de complexidade da música brasileira, estou limitando esse conceito à análise dos indicadores que considero”, diz Sales, que é auditor no ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União.

      Essa metodologia, como qualquer outra, têm lá suas limitações. As cifras extraídas, por exemplo, não são necessariamente as oficiais do artista. Muitos jamais chegaram a registrar a notação. “Claro que música é muito mais complexo que isso. Eu quis apenas pontuar certos aspectos das músicas e analisá-los, no limite do que é quantificável pela análise de dados no computador.”
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      Gráfico mostra queda na quantidade de acordes utilizados na música brasileira Imagem: Reprodução

      Música difícil é coisa do passado...


      Segundo a pesquisa (note o gráfico acima), a música brasileira foi brutalmente "simplificada" com o advento do rock e da Jovem Guarda nos anos 1960. Passada a moda de Roberto, Erasmo e Wanderléa, os sons voltaram se intrincar, mas é nítido que ao longo das últimas décadas eles vêm ficando mais fáceis. Segundo Sales, isso tem a ver com a popularização do rap a partir da década de 1980, que maximizou o número de palavras e diminuiu o de acordes, e com o intenso processo de massificação que hoje tem reflexo no quase monopólio do sertanejo nas paradas. “Houve uma mudança do perfil do artista. Antes, ele era mais elitizado. Tinha que saber compor e tocar. Com a mercantilização da música, hoje ele pode se lançar sem saber muito de música, sabendo só cantar e se apresentar. ”
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      Imagem: Roberto Filho/Brazil News

      Chico Buarque é o grande gênio da música brasileira


      Em termos de riqueza artística, não tem para ninguém. Chico Buarque lidera com folga o coeficiente brasileiro de complexidade musical. Não por acaso, o cantor e compositor carioca é o artista nacional que mais gravou acordes distintos na carreira. Na sequência dos complexos, aparecem, na ordem, Djavan, Ivan Lins, João Bosco, Ed Motta, Caetano Veloso, Lenine, Vinicius de Morais e Simone. Veja a lista completa
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      . O técnico Ed Motta encabeça no ranking de tamanho de acorde (aqueles enriquecidos com mais notas), enquanto Lenine é o primeiro em matéria de raridade deles, o que torna o pernambucano, ao menos cientificamente, um dos artistas mais originais do país. Na outra ponta da lista, a dos músicos menos complexos, estão nomes como Michele Mello, a banda Malla 100 Alça e o --lembra dele?-- grupo Rouge.
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      Imagem: Reinaldo Canato/UOL


      Funk e os “primos pobres”



      Você sempre odiou os funkeiros, argumentando que o gênero é o mais pobre e simplista da música? Bem, ao menos sob a ótica da quantidade de acordes, há aí um bom argumento. O estilo nascido nos morros do Rio é o que menos faz uso de notações distintas. A repetição também é a tônica do rap, do brega, da música regional e do reggae, que aparecem na sequência --sim, o reggae é mais simples, que ritmos como o forró, o axé e o sertanejo, que já são relativamente descomplicados. Outra: o samba/pagode é bem mais complexo harmonicamente que o rock. Já no número de palavras e na raridade delas, o rei é o rap: só ele consegue bater a MPB, o estilo mais rico da nossa música, seguido da bossa nova. Entre os artistas, o grupo paulistano Facção Central é o primeiro lugar isolado em quantidade de palavras diferentes usadas.
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      Imagem: Divulgação/Montagem

      Legião Urbana e Asa de Águia têm algo em comum?


      Sim: a similaridade dos “acordários”. Polêmico? Nem tanto. De acordo com o estudo, esses dois populares grupos, conhecidas por suas sonoridades enxutas, utilizam uma dinâmica similar no uso de acordes. É aí que o rock básico influenciado pelo pós-punk e as micaretas do axé se encontram. Já em matéria de temática de letras, o resultado é bem diferente. A banda de Renato Russo está agrupada entre os artistas capazes de escrever sobre questões sociais e não só relacionamentos, enquanto os asseclas de Durval Lélys habitam o variado mundo das paixões bem-sucedidas, que agrega principalmente o axé, mas também o samba, o pop rock e... Tom Jobim. Em tempo: 64% dos artistas brasileiros tem uma forte preponderância em versar sobre temas ligados ao relacionamento.
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      Imagem: Divulgação/Montagem

      O pesquisador surtou?

      Anitta é mais complexa que os Mutantes, Nando Reis e Legião Urbana. Os pagodeiros do Exaltasamba também estão acima de Tim Maia, Rita Lee e até do virtuoso Baden Powell. Luan Santana bate colegas das antigas como Leandro e Leonardo e as bandas Ira, RPM e Mamonas Assassinas. O cantor Belo vem logo à frente de Paulinho da Viola, João Nogueira e Noel Rosa. Ironia ou erro grosseiro de cálculo? O pesquisador explica: “O coeficiente leva em consideração a quantidade de músicas no site. Então, o Exaltasamba, por exemplo, pode ter muito mais músicas que o Baden Powell, e isso o ajuda a ficar na frente. Também estamos limitados pelo acervo dos sites. O cara que gosta dos Mutantes às vezes não está colocando todas as músicas deles lá como está o fã da Anitta.”

      Fonte:
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      Como toda e qualquer pesquisa o resultado gera bastante polêmica.
     
  2. Eriadan

    Eriadan Bears. Beets. Battlestar Galactica. Usuário Premium

    O que mais me chamou a atenção foi esse abismo na década de 60. Nunca tinha parado pra pensar que a revolução causada pela Jovem Guarda foi em grande parte graças à simplificação musical, com maior potencial de popularização.
     
  3. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Existe fora do grande eixo comercial-popularesco-midiático gente de que produz MPB contemporânea da melhor qualidade, que pra mim não ficam devendo em nada aos grandes nomes do passado como a dupla Alex Maia e Carol Andrade (que tem uma linda voz e composições muito boas) e o Dudu Sales que no violão pra mim é tão bom ou melhor que o Toquinho e João Gilberto juntos.

    São alguns nomes que não estão na grande mídia, mas fazem normalmente seus shows em bares e casas de pequeno pra médio porte e assim como esses tem vários por todo o país, cujas produções não são consideradas "viáveis comercialmente". Por mim não ligo, pois assim assisto música boa ao vivo sem muita muvuca e num ambiente bem mais intimista.
     
  4. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Reduzir a qualidade da música ao número de acordes e harmônicas é meio simplista não? Praticamente ele ignorou todo o contexto histórico e local de onde esses estilos surgiram. Tanto o rock como o rap foram movimentos de ruptura comportamental e de protesto no fim dos anos 50 e meados dos 60. O rap tem suas raízes no Blues e no Funk de James Brown.
    Já o sertanejo é simples pois no início era composto na hora pelos tropeiros após a lida no campo com um violão e tal como o Blues falar sobre amores, lamentos, saudades e por aí vai. As composições se tornaram complexas e intrincadas por aqui em função da Ditadura, onde o compositor tinha de se valer de uma genialidade sem igual para entregar sua mensagem ao público como uma música não subversiva, vide o álbum Tábua de Esmeralda de Jorge Ben.

    No fundo, ele só queria manifestar seu ardor pelo Chico Buarque e mandar todo o resto tomar no cú.
     
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  5. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    O autor provavelmente espera que só quem pode se dedicar ao estudo da música por anos possa ser artista, quem não possui condição financeira pra tanto (ou por não querer) não pode se tornar artista. É o velho elitismo musical.

    Esse papo parece mais coisa de velho que reclama da música dos jovens. Quantidade de notas, acordes ou quantidade de qualquer coisa significa algo além de quantidade? Como o Elring disse, os jovens que começaram os seus respectivos estilos não vinham de escolas de música, vinham de garagens e porões e nem por isso a música deles era pior do que aquelas baladas açucaradas e sem graça que tocavam nas rádios e na televisão americanas na mesma época.
     
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  6. Reverendo

    Reverendo Usuário

    Ou seja, debaixo da opressão e da bordoada, a produção musical melhorou. As coisas estão fáceis demais para os medíocres atuais.
    Agora, sobre o sertanejo ser simples... ele não era, necessariamente. Era variado e eventualmente, bem complexo. Quanto ao que temos aí... o sertanojo, simplicidade é um elogio que ele não merece.
     
  7. Taefel

    Taefel Hobbit grande

    A quantidade e complexidade de acordes não me parecem parâmetros suficientes para dizer se uma música é ou não boa. Mas eu sou suspeita pra falar já que duas das minhas maiores influências musicais vem do punk e do grunge, dois estilos famosos pela simplificação e pela "sujeira". Particularmente acho bandas como Nirvana, Pearl Jam e Offspring geniais mesmo os caras não sendo e nem tendo a vontade de ser um David Gilmour da vida. Aliás outra grande influência musical minha é o rock progressivo (meio paradoxal né?), que no quesito de complexidade e quantidade de acordes, está entre um dos estilos musicais mais arrojados. No entanto, muita gente morre de sono ouvindo Pink Floyd e mesmo eu, acho Dream Theater uma banda tediosa. Desculpa.
     
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  8. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Se tem algo que definitivamente não tem o menor peso no meu gosto musical é a quantidade de acordes.
     
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  9. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Décadas de 50, 60 e 70 foram excepcionais pra música no mundo inteiro, provavelmente porque havia muitos paradigmas pra serem quebrados na sociedade, isso aconteceu em todos os meios ( literatura, cinema) mas acho que na música foi mais evidente por ter um meio de divulgação muito amplo, o rádio.
    Pense nos ícones da música popular britânica dessas décadas: Beatles, Rolling Stones, The Who, Pink Floyd, Queen... hoje o que os britânicos têm/tiveram? Oasis, Amy Winehouse, Spice Girls, Adele.
    São talentos sim, mas nem se comparam com os do passado.
    Ainda nessas décadas os EUA tiveram ícones musicais nos mais diversos estilos, de The Doors a Johnny Cash, passando por Marvin Gaye, Stevie Wonder, Bob Dylan, Lou Reed, pessoal da Motown e inúmeros etc.
    O que é feito hoje em dia na música norte-americana tem sempre uma ou mais referências ao que foi feito nesse período.
    Música popular francesa e italiana também tiveram seu auge nas décadas de 60 e 70.
    Mas, assim como o Brasil, todos esses países tiveram e têm sua cota de música "banal".

    E não sei se o talento dos músicos e letristas brasileiros se deve tanto assim ao período de ditadura.
    Muitas das músicas mais famosas do Chico Buarque não eram de cunho político, bem como Edu Lobo, Gilberto Gil e Caetano Veloso.
    Tom Jobim não escreveu nada que fosse censurado, até onde sei (me corrijam se souberem o contrário, por favor) .
    E tinha sim muita música "banal" naquela época também, o "popular" era o que tocava em rádio AM, música brega e caipira (geralmente duplas, mas não o sertanejo de hoje em dia) e as canções dos ídolos da Jovem Guarda eram, em sua maioria, versões (bem bregas, vale lembrar) de músicas norte-americanas, francesas ou italianas.

    Aqui a lista das 100 músicas mais tocadas no Brasil em 1968, no site
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    (clique no link pra ver as listas de outros anos) era bem eclética.

     

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