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Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por mandah, 12 Set 2009.

  1. mandah

    mandah Usuário

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    [/url]Obsessiva. Fanática. Maluca. Compulsiva. Suas idéias, sua paixão. Era extremamente exacerbada. Chegara a um ponto em que sua vida não fazia o menor sentido. Ela precisava estar perto deles. Estar com eles. Livros chegavam-lhe a ser mais importantes do que pessoas.
    Sim, eu sei, livros são bons. Fazem bem para as pessoas. Ou ao menos para a maior parte delas. O problema é que para ela o limite da racionalidade começava a se esgotar. Passara a confundir o real com o irreal. A realidade já se tornara um conto de fadas. Ela já se esquecera completamente de que o mundo existia. De que as pessoas não eram perfeitas, de que príncipes encantados não existiam. Seu mundo eram contos, eram os livros. Seu senso de realidade se tornara tão irreal, seus sonhos se tornaram tão só seus que todos começaram a afastar-se. Ela não notava. Acreditava que os outros não compreendiam sua exímia capacidade. Não podia ver o quanto isso a prejudicava. O quanto sofreria por tudo isso.
    Esquecera de viver. Acreditava ter vivido o mesmo que os personagens. Em algum momento, decidiu criar seus próprios personagens. O fazia para todas as pessoas que conhecia. Chegava a acreditar que elas eram como ela imaginava. Esse era o problema. Não sabia quem eram realmente e isso sempre lhe causava muita decepção.
    Tentou escrever livros. Como seus grandes ídolos. Nunca consegui sair do começo. Ela não conseguia conduzir a mesma história por muito tempo. Então surgiram os contos. Eram mais simples. Mas ela sempre considerava o que escrevia terrível. Sonhava com o dia em que chegaria aos pés de Fernando Sabino ou de Clarice Lispector. Por isso gostava de andar. De ir a lugares. Para tentar encontrar sobre o que escrever. Mas o que ela não sabia é que ela não deveria procurar, que tudo aconteceria a seu tempo. O que ela precisava era viver.
    Sua relação com os livros era um tanto quanto diferente. Eram seus amantes. Chorava quando terminava um. Como se houvesse partido um ente querido. Mas não derramou uma lágrima sequer quando perdeu seu melhor amigo por ele lhe dizer a mais pura verdade. A de que ela precisava deixar de ler tanto e passar um pouco mais de tempo com as pessoas. Ela ficou furiosa naquele momento. Mas depois decidiu parar pra pensar e viu que ele talvez tivesse razão. Decidiu sair um pouco mais e ver pessoas.
    Todos os dias passou a seguir para o mesmo local. Não conseguia compreender o que havia naquele lugar que a fascinava tanto. Talvez o cheiro das flores. Talvez o ir e vir das pessoas. Olhando para seus rostos, tentava compreender o que pensavam, para onde iam.
    Aquele lugar a encantava. Talvez por ser um recanto verde no meio do cinza da cidade. Talvez por haver um lago no seu centro, perto do qual podia passar horas olhando e pensando o quão boa a vida poderia ser. Gostava de ficar sozinha. Gostava de observar. Gostava de imaginar. Gostava de viver. Mesmo que sua vida naquele momento fosse tremendamente monótona e sem sentido. Mesmo que sua vida naquele momento se remetesse simplesmente a romances lidos em livros.
    Muitas vezes questionava o sentido de sua existência. Afinal, porque ela estava ali, porque ela precisava seguir todos os dias para aquele local, como se houvesse alguma coisa pela qual esperava acontecer. Só não sabia o que era.
    Houve uma época na qual começou a achar que não tinha tempo. Nunca conseguia ler tudo o que queria e ainda havia tanta coisa para ler. Depois de começar os passeios passou a ter outro tipo de pensamento. Perguntava-se: O que era o tempo afinal? Concluiu que nada mais era do que uma criação do homem para fazer as pessoas trabalharem mais. Sim, o tempo é uma ilusão.
    Percebeu então, que apesar do tempo não existir, um dia ela iria morrer e não conseguiria mais viver tudo que deixara de viver. Descobriu que continuava gostando de livros, mas que não deveria tê-los como a coisa mais importante da sua vida. Naquele momento, ela viu o Sol pela primeira vez. Ela viu o quanto poderia viver. Naquele momento, ela viveu pela primeira vez.

    E decidiu procurar aquele que lhe abrira os olhos.

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