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Autor da Semana Monteiro Lobato

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Lissa, 12 Dez 2012.

  1. Lissa

    Lissa Chocolatier Honoris Causa

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    Monteiro Lobato

    José Bento Renato Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, no dia 18 de abril de 1882. Foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX e também um importante editor de livros inéditos e autor de importantes traduções. Seguido a seu precursor Figueiredo Pimentel ("Contos da Carochinha") da literatura infantil brasileira, ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis, que constitui aproximadamente a metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de contos (geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas, crônicas, prefácios, cartas, um livro sobre a importância do petróleo e do ferro, e um único romance, O Presidente Negro, o qual não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças, que entre as mais famosas destaca-se Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939).


    Formou-se em Direito e atuou como promotor público até se tornar fazendeiro, após receber herança deixada pelo avô. Diante de um novo estilo de vida, Lobato passou a publicar seus primeiros contos em jornais e revistas, sendo que, posteriormente, reuniu uma série deles em Urupês, obra prima do escritor. Em uma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris ou Lisboa, Monteiro Lobato tornou-se também editor, passando a editar livros também no Brasil. Com isso, ele implantou uma série de renovações nos livros didáticos e infantis, e por eles ficou marcado na literatura brasileira. Dedicado a um estilo de escrita simples, onde realidade e fantasia andam de mãos dadas, pode-se dizer que ele foi o precursor da literatura infantil no Brasil.


    Entre seus personagens mais famosos estão: Emília, a espevitada boneca de pano com opiniões proprias e fortes; Pedrinho, personagem que o autor se identifica quando criança; Visconde de Sabugosa, o sábio sabugo de milho que sempre aconselha as crianças e até os adultos; Cuca, vilã que aterroriza o imaginário infantil até hoje; Saci pererê, ícone do folclore brasileiro; Dona Benta, a avó que toda criança sonha ter, entre outros do Sítio do Pica Pau Amarelo.


    Escreveu ainda outras incríveis obras infantis, como: A Menina do Nariz Arrebitado, O Saci, Fábulas do Marquês de Rabicó, Aventuras do Príncipe, Noivado de Narizinho, O Pó de Pirlimpimpim, Reinações de Narizinho, As Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática, Memórias da Emília, O Poço do Visconde, O Pica-Pau Amarelo e A Chave do Tamanho.
    Fora os livros infantis, este escritor brasileiro escreveu outras obras literárias, tais como: O Choque das Raças, Urupês, A Barca de Gleyre e o Escândalo do Petróleo. Neste último livro, demonstra todo seu nacionalismo, posicionando-se totalmente favorável a exploração do petróleo apenas por empresas brasileiras.


    CARREIRA


    Primeiros anos
    Criado em um sítio, Monteiro Lobato foi alfabetizado pela mãe Olímpia Augusta Lobato e depois por um professor particular. Aos sete anos, entrou em um colégio. Nessa idade descobrira os livros de seu avô materno, o Visconde de Tremembé, dono de uma biblioteca imensa no interior da casa. Leu tudo o que havia para crianças em língua portuguesa. Nos primeiros anos de estudante já escrevia pequenos contos para os jornaizinhos das escolas que frequentou.


    Em 13 de junho de 1898, perdeu o pai, José Bento Marcondes Lobato, vítima de congestão pulmonar. Decidiu, pela primeira vez, participar das sessões do Grêmio Literário Álvares de Azevedo do Instituto Ciências e Letras. Sua mãe, vítima de uma depressão profunda, veio a falecer no dia 22 de junho de 1899.
    Tendo forte talento para o desenho, pois desde menino retrata a Fazenda Buquira, tornou-se desenhista e caricaturista nessa época. Em busca de aproveitar as suas duas maiores paixões, decidiu ir para São Paulo após completar 17 anos.
    Seu sonho era a Escola de Belas-Artes, mas, por imposição do avô, que o tinha como um sucessor na administração de seus negócios, acabou ingressando na Faculdade do Largo de São Francisco para cursar Direito. Mesmo assim seguiu colaborando em diversas publicações estudantis e fundou, com os colegas de sua turma, a "Arcádia Acadêmica", em cuja sessão inaugural fez um discurso intitulado: Ontem e Hoje. Lobato, a essas alturas, já era elogiado por todos como um comentarista original e dono de um senso fino e sutil, de um "espírito à francesa" e de um "humor inglês" imbatível, que carregou pela vida afora.


    O Advogado
    Em 1904 diplomou-se bacharel em Direito e regressou a Taubaté. No ano seguinte fez planos de fundar uma fábrica de geleias, em sociedade com um amigo, mas passou a ocupar interinamente a promotoria de Taubaté e conheceu Maria Pureza da Natividade de Souza e Castro ("Purezinha"). Em maio de 1907 foi nomeado promotor público em Areias, e casou-se com Purezinha, a 28 de março de 1908. Exatamente um ano depois nasceu Marta, a primogênita do casal.


    No ano seguinte, aos 29 anos, Lobato recebeu a notícia do falecimento de seu avô, o Visconde de Tremembé, tornando-se então herdeiro da Fazenda Buquira, para onde se mudou com toda a família. De promotor a fazendeiro, dedicou-se à modernização da lavoura e à criação. Com o lucro dos negócios, abriu um externato em Taubaté, que confiou aos cuidados de seu cunhado. Em 1912 nasceu Guilherme, o seu terceiro filho. Ainda insatisfeito, mas desta vez com a vida na fazenda, planejou explorar comercialmente o Viaduto do Chá, na cidade de São Paulo, em parceria com Ricardo Gonçalves.


    Fama
    Primeiro seus livros foram publicados pela Editora da Revista do Brasil. Assim, o livro Urupês, em sua sexta edição em 1920, está registrado "Ed. da Revista do Brasil, São Paulo, 1920". Na última capa consta: "Director Monteiro Lobato, Secretario Alarico Caiuby", "A venda em todas as livrarias e no escriptorio da Revista do Brasil".


    Em julho de 1918, publicou em forma de livro Urupês, com retumbante sucesso e alcançando grande repercussão ao dividir o país sobre a veracidade da figura do caipira, fiel para alguns, exagerada para outros. O livro chamou a atenção de Rui Barbosa que, num discurso, em 1919, durante a sua campanha eleitoral, reacendeu a polêmica ao citar Jeca Tatu como um "protótipo do camponês brasileiro, abandonado à miséria pelos poderes públicos". A popularidade fez com que Lobato publicasse, nesse mesmo ano, Cidades Mortas e Ideias de Jeca Tatu.
    Em 1920, o conto Os Faroleiros serviu de argumento para um filme dirigido pelos cineastas Antônio Leite e Miguel Milani. Meses depois, publicou Negrinha e A Menina do Narizinho Arrebitado, sua primeira obra infantil, e que deu origem a Lúcia, mais conhecida como a Narizinho do Sítio do Picapau Amarelo.


    Além disso, por não gostar muito das traduções dos livros europeus para crianças, e sendo um nacionalista convicto, criou aventuras com personagens bem ligados à cultura brasileira, recuperando inclusive costumes da roça e lendas do folclore.
    Mas não parou por aí. Monteiro Lobato pegou essa mistura de personagens brasileiros e os enriqueceu, '"misturando-os" a personagens da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema. Também foi pioneiro na literatura paradidática, ensinando história, geografia e matemática, de forma divertida.


    O fim
    Preso por seu posicionamento nacionalista na questão do petroleo brasileiro no governo Getúlio Vargas, Lobato continuou sendo perseguido e o governo fazia de tudo para abafar suas ideias. Ele denunciou torturas e maus tratos por parte da policia do Estado Novo.


    Recusou indicação para a Academia Brasileira de Letras, foi censurado pela ditadura e teve um pequeno contato com os comunistas da época. Tornou-se diretor do Instituto Cultural Brasil-URSS, mas foi obrigado a se afastar do cargo em setembro de 1945, quando foi levado para ser operado às pressas de um cisto no pulmão.


    Em abril de 1948 sofreu um primeiro espasmo vascular que afetou a sua motricidade. Mesmo assim, afiliou-se à revista Fundamentos e publicou os folhetos De Quem É o Petróleo na Bahia e Georgismo e Comunismo.
    Dois dias após conceder a Murilo Antunes Alves, da Rádio Record, a sua última entrevista, na qual defendeu a Campanha de O Petróleo é Nosso, Monteiro Lobato sofreu um segundo espasmo cerebral e faleceu às 4 horas da madrugada, no dia 4 de julho de 1948, aos 66 anos de idade. Sob forte comoção nacional, seu corpo foi velado na Biblioteca Municipal de São Paulo e o sepultamento realizado no Cemitério da Consolação.


    OBRA


    Livros infantis
    Coleção Sítio do Picapau Amarelo
    1921 - O Saci
    1922 - Fábulas
    1927 - As aventuras de Hans Staden
    1930 - Peter Pan
    1931 - Reinações de Narizinho
    1932 - Viagem ao céu
    1933 - Caçadas de Pedrinho
    1933 - História do mundo para as crianças
    1934 - Emília no país da gramática
    1935 - Aritmética da Emília
    1935 - Geografia de Dona Benta
    1935 - História das invenções
    1936 - Dom Quixote das crianças
    1936 - Memórias da Emília
    1937 - Serões de Dona Benta
    1937 - O poço do Visconde
    1937 - Histórias de Tia Nastácia
    1939 - O Picapau Amarelo
    1939 - O minotauro
    1941 - A reforma da natureza
    1942 - A chave do tamanho
    1944 - Os doze trabalhos de Hércules (dois volumes)
    1947 - Histórias diversas


    Outros livros infantis
    Alguns foram incluídos, posteriormente, nos livros da série O Sítio do Picapau Amarelo. Os primeiros foram compilados no volume Reinações de Narizinho, de 1931, em catálogo apenas como tal até os dias atuais.
    1920 - A menina do narizinho arrebitado
    1921 - Fábulas de Narizinho
    1921 - Narizinho arrebitado (incluído em Reinações de Narizinho)
    1922 - O marquês de Rabicó (incluído em Reinações de Narizinho)
    1924 - A caçada da onça
    1924 - Jeca Tatuzinho
    1924 - O noivado de Narizinho (incluído em Reinações de Narizinho, com o nome de O casamento de Narizinho)
    1928 - Aventuras do príncipe (incluído em Reinações de Narizinho)
    1928 - O Gato Félix (incluído em Reinações de Narizinho)
    1928 - A cara de coruja (incluído em Reinações de Narizinho)
    1929 - O irmão de Pinóquio (incluído em Reinações de Narizinho)
    1929 - O circo de escavalinho (incluído em "Reinações de Narizinho, com o nome O circo de cavalinhos)
    1930 - A pena de papagaio (incluído em Reinações de Narizinho)
    1931 - O pó de pirlimpimpim (incluído em Reinações de Narizinho)
    1933 - Novas reinações de Narizinho
    1938 - O museu da Emília (peça de teatro, incluída no livro Histórias diversas)


    Tradução e adaptação de livros infantis;
    Lobato também traduziu e adaptou os livros infantis:
    Contos de Grimm,
    Novos Contos de Grimm,
    Contos de Anderson,
    Novos Contos de Anderson,
    Alice no País das Maravilhas,
    Alice no País dos Espelhos,
    Robinson Crusoe,
    Contos de Fadas e
    Robin Hood.


    Livros para adultos
    O Saci Pererê: resultado de um inquérito (1918)
    Urupês (1918)
    Problema vital (1918)
    Cidades mortas (1919)
    Ideias de Jeca Tatu (1919)
    Negrinha (1920)
    A onda verde (1921)
    O macaco que se fez homem (1923)
    Mundo da lua (1923)
    Contos escolhidos (1923)
    O garimpeiro do Rio das Garças (1924)
    O Presidente Negro/O choque (1926)
    Mr. Slang e o Brasil (1927)
    Ferro (1931)
    América (1932)
    Na antevéspera (1933)
    Contos leves (1935)
    O escândalo do petróleo (1936)
    Contos pesados (1940)
    O espanto das gentes (1941)
    Urupês, outros contos e coisas (1943)
    A barca de Gleyre (1944)
    Zé Brasil (1947)
    Prefácios e entrevistas (1947)
    Literatura do minarete (1948)
    Conferências, artigos e crônicas (1948)
    Cartas escolhidas (1948)
    Críticas e outras notas (1948)
    Cartas de amor (1948)


    O Sítio na televisão


    Os livros infantis de Monteiro Lobato foram transformados em cinco séries de televisão de bastante sucesso. A primeira delas, na TV Tupi de São Paulo, foi exibida de 3 de junho de 1952 a 1962, ao vivo, pois não havia ainda o videotape. Foi adaptada pela escritora Tatiana Belinky, sendo a mais fiel ao original de todas as adaptações para a televisão. Nada restando desse programa, exceto algumas fotos, pois seus episódios não eram gravados. Em 1957, a TV Tupi do Rio de Janeiro também transmitiu um Programa Sítio do Pica-Pau Amarelo, diferente do programa paulista, pois não havia, na época, transmissão em rede nacional, nem transmissão de imagens via tronco de micro-ondas da Embratel. Participaram do Sítio no Rio de Janeiro: Cláudio Cavalcanti e Daniel Filho.


    A segunda série foi ao ar pela TV Cultura de São Paulo, em 1964.
    A terceira, pela Rede Bandeirantes, em 12 de dezembro de 1967.


    A quarta série, exibida na Rede Globo, de 7 de março de 1977 a 31 de janeiro de 1986, é considerada como a de maior repercussão e sucesso. Também na Rede Globo, foi ao ar de 12 de outubro de 2001 até 2 de Dezembro de 2007, a quinta série chamada Sítio do Picapau Amarelo.
    Ambas as séries da Globo misturam histórias originais de Monteiro Lobato com textos inspirados em temas atuais.

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  2. Com a sua permissão Lissa... o MEU herói.
    Aprendi a ler e a gostar de ler com ele.
    Deu saudades..

    Quem tiver oportunidade, leia "A "Barca de Gleyre" em dois volumes que contém a correspondência entre Lobato e seu amigo Godofredo Rangel. Durante 40 anos conversaram sobre livros, cultura, críticas e opiniões.
     
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  3. CarolAcunha

    CarolAcunha Usuário

    Se eu não me engano, o primeiro livro que peguei em uma biblioteca (na escola em que estudei da 1ª à 4ª série) foi O Saci. A partir daí só foi hehehe
     
  4. Lissa

    Lissa Chocolatier Honoris Causa

    Um dos primeiros que li foi A Reforma da Natureza, e por um momento achei que conseguiria fazer minhas próprias reformas. Foi um up pra minha imaginação e pras minhas primeiras leituras (eu tinha uns 5/6 anos).
     
  5. O primeiro livro que eu ganhei do meu pai foi O Saci. Acho que por conta dele que gosto de mitologias e coisas sobrenaturais até hoje.
    Confesso que tive um e só um pesadelo depois do capítulo do Lobisomem.
    Depois foram vindo os outros, A Reforma da Natureza é ótimo mas penso que A Chave do Tamanho é muito surreal e gosto muito dele.
     

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