1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Minha palavra final sobre Orques e Gobelins

Tópico em 'Artigos Valinor' iniciado por Imrahil, 29 Jan 2019.

  1. Benedetti

    Benedetti Usuário

    Olá. Vou ressuscitar essa discussão, pois estou interessado. Antes uma breve apresentação.

    Primeiramente queria dizer que eu fui um usuário relativamente assíduo do fórum da Valinor anos atrás. Li o Senhor dos Anéis pouco antes do primeiro filme chegar aos cinemas e logo comecei a frequentar o fórum. Com o passar do tempo, as coisas mudaram, a vida mudou e esse fórum ficou para trás (embora as boas lembranças tenham permanecido). Eu estava aqui quando começou a força-tarefa para achar todas as lacunas na tradução do Senhor dos Anéis.
    Eu não faço a menor ideia de como era meu login e muito menos a senha rs. Então eu resolvi fazer uma nova conta.

    Como disse antes, li o Senhor dos Anéis tempos atrás e fiquei encantando. Naturalmente fui atrás de outras obras de Tolkien e li todas as que estavam disponíveis no Brasil: O Hobbit, O Silmarillion e Contos Inacabados. Alguns anos depois eu li um bom pedaço do Silmarillion em inglês, mas não conclui a leitura. Mas me lembro que deu pra notar como o texto em inglês parecia ser mais complicado que sua versão em português. Imaginei que era por inabilidade minha na língua inglesa. Depois disso eu fui ampliando meus horizontes literários e confesso que Tolkien ficou meio de lado. Lembro vagamente da polêmica da tradução do termo "ananos" mas eu já estava indo em outra direção. Passei batido por todos os outros lançamentos da obra tolkeniana lançados pela Martins Fontes. Sempre pensava em voltar ao autor, mas acaba fazendo outras coisas, lendo outras coisas e não aconteceu.

    Daí veio a Harper Collins, novo projeto, novas traduções... Um bom incentivo. Ainda mais considerando que seria uma ótima oportunidade para finalmente traduzirem o Senhor dos Anéis sem cortes!

    Vi a nova polêmica da tradução de alguns termos. Li os argumentos contrários (em uma leitura BASTANTE dinâmica dos textos do Eduardo, pq né?) e li os argumentos dos tradutores. Achei que era válida a discussão, mas achei que o tom dela estava ridículo. Não dei muita bola.

    Comprei algumas das novas edições dos livros, no entanto ainda não li nenhum (mas Tolkien já está encaixado na fila de leituras, para breve eu espero rs).

    Recentemente me deparei mais uma vez com as polêmicas/discussões/histerias sobre as traduções. E dessa vez tinha um adendo: "não são apenas os termos escolhidos. As traduções estão cheias de erros". Busquei quais seriam esses erros, e depois de algumas horas de busca eu só achei um exemplo: o já famoso irmãos/filhos de Finarfin da página 171 de O Silmarillion. Olhei minha edição e de fato está errado. Procurei mais relatos de outros erros e tudo que encontrei foi um vago "vários outros erros".
    Desconfiei bastante disso, pois sei da seriedade dos tradutores (evidentemente já conhecidos).

    Bom, depois desse LONGO prolegômeno, vamos ao que me interessa perguntar/comentar:

    1) Apresentaram algum outro relato de erros das novas traduções? Pq tudo que achei foi o erro mencionado. No meu entendimento um erro é perdoável, é claro. Acontece.

    2) Só eu fiquei (mais uma vez) chocado com o tom das discussões sobre esse assunto? É tudo muito dramático, histriônico, desesperado. Devo dizer que beira o comportamento adolescente. Alguém imagina uma discussão sobre traduções nesse tom entre leitores de Joyce ou Proust ou a maioria dos autores mais cascudos? O único caso semelhante que vi foi sobre a tradução de Paulo Bezerra de Os Demônios do Doistoiévski. Mas nesse caso há a polaridade política no meio, então já era o esperado. Enfim, fiquei com uma péssima impressão do público brasileiro tolkeniano (minhas recordações não eram essas, estaria eu errado?), bastante infantilizado. Não foi possível evitar pensar naquele velho preconceito da "literatura séria" contra obras/público de fantasia e similares.

    Não sei se é um tema sensível aqui, mas achei que seria interessante abordar essa questão por aqui. Sinto pelo longo post...
     
    • Ótimo Ótimo x 2
  2. Haran Alkarin

    Haran Alkarin Usuário

    Ué, você esperava o que da internet? Na internet, onde estão hoje reunidos os leitores de "autores mais cascudos"? Pelo que sei não estão, porque Tolkien é autor popular, e a maioria dos "autores mais cascudos" não são.
     
  3. Benedetti

    Benedetti Usuário

    É verdade, eu pensei nisso também. Afinal de contas, é a internet. Mas sei lá, eu tinha uma lembrança de discussões tolkenianas tão civilizadas por aqui. Realmente me assustei um pouco. Parece até leitores de DC e Marvel (sem querer falar mal dos quadrinhos).

    Leitores de "autores mais cascudos" não estão em fanpages, de fato, mas isso não significa que não usem a internet. Lembro de boas discussões sobre tradução no blog da Denise Bottmann, p.ex. Quando Caetano Galindo publicou sua versão do Ulisses vi discussões comparativas entre as três edições, aqui e ali. Enfim, são mais espalhadas e escassas, mas dá pra achar alguma coisa
     
  4. Haran Alkarin

    Haran Alkarin Usuário

    Blog eu nem contaria como uma "discussão", e sim como um produtor de conteúdo munido de audiência capaz de dar algum feedback, é uma relação um tanto quanto assimétrica. Aí sim o nível tende a ser maior. Quanto menos popular o assunto tende a ser, mais esse formato tende a ser prevalente. Já se o assunto é popular, como política, cinema, etc. o modelo de discussão é (ou pode ser) mais "simétrico": o produtor do conteúdo não é bem definido, e há réplicas, tréplicas, etc, aí bagunça mesmo e a qualidade se perde. É isso que aconteceu com a questão dos "orques".

    Mas enfim, fora do episódio do Eduardo Stark, o fandom de Tolkien tem sido relativamente civilizado sim, especialmente na Valinor. Justamente porque Tolkien tem sido cada vez menos popular e acaba prevalecendo um modelo mais assimétrico de discussão, baseado ou na resolução de dúvidas ou em textos postados por usuários. Não lembro de nenhuma polêmica ou rusga fora a questão dos "orques". Aliás, tinha bem mais rusgas nos anos 2000... Isso nas seções Tolkien né, já que a Valinor recebe um público com pouco ou nenhum interesse em Tolkien, aí o perfil é outro, há menos "produção de conteúdo" e mais "discussão" propriamente dita, e a Valinor difere menos da internet como um todo.
     
    Última edição: 26 Jan 2020
  5. Benedetti

    Benedetti Usuário

    Não, não. Falo de discussão mesmo. O blog da Denise nem tem o intento de ser um blog sobre discussões de tradução. É um blog de memória da tradução (quem traduziu o que pra quem e quando) e, principalmente, de "vigília" contra plágios de tradução. Ela foi a "responsável" pela Martin Claret tomar um pouco de vergonha na cara. Mas algumas discussões acabavam surgindo às vezes, nos comentários, espontaneamente.

    Mas lembrei de uma polêmica bem idiota sobre uma tradução de um autor não popular. Caetano Galindo (de novo rs) comentou em seu blog que pegou inspiração para a tradução de uma rima de um verso do T.S. Eliot em uma música do último disco do Gilberto Gil. Isso bastou para horrorizar um grupo de leitores no facebook, abismados com essa "contaminação" do popular brasileiro na imaculada obra eliotiana. Bem elitista e a cara desse país.

    Mas estou fugindo do assunto, talvez.
     
  6. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Com relação ao ponto 2 eu procuro dar um bom desconto, porque existe uma ideia romântica de que a academia e o mundo profissional sejam sempre um exemplo de "lords ingleses" no trato das questões. Mas todos são humanos e autores consagrados podiam ser também influenciados, loucos, doentes (doentios) e até criminosos, não raro ainda hoje tem tiroteio de um autor contra outro na Rússia. Mas como escreviam bem o público apreciava a produção.

    Quer dizer, não é incomum que o próprio meio editorial e as próprias universidades (justo os especialistas que muitas vezes discordam ferrenhamente) sejam objetivamente a fonte de arranca-rabos e que o fandom comum (blogs, colunas opinativas, etc...) sejam os mais visados na culpa disso. Porque tem horas que as vezes o povo pega fogo mesmo, o próprio Tolkien foi para a guerra e não usou a via diplomática (que por vezes não é mesmo uma opção).
     
  7. Benedetti

    Benedetti Usuário

    Bom, ressalto que não tenho nenhuma visão romântica sobre a academia como um reduto de "lords ingleses", até pq eu fiz mestrado e doutorado, passei muito tempo nesse meio e sei como a coisa funciona.

    Apesar de achar que é válida a discussão sobre as traduções de termos e sua adequação aos desejos do autor e, muito mais importante, a discussão das qualidades de qualquer tradução, eu sinto que falta maturidade na discussão. Só eu tenho a sensação de que a maior parte dos "revoltados" não está muito interessada em questões de tradução e sua adequação ao que pensava Tolkien, mas simplesmente estão incomodados com a diferença dos termos ao já consagrado? É claro que o "ficar incomodado" e o "desgostar" são sentimentos legítimos, mas não é basicamente assim que a questão tem sido exposta. E por mais legítimos que esses sentimentos sejam, ainda assim me parece imaturidade transformar isso numa querela histriônica. Nem tanto a discussão em si, mas o tom.
     
  8. dermeister

    dermeister Ent cara-de-pau

    A impressão só existe porque quem está fora do meio tolkieniano acaba vendo a minoria barulhenta, não uma representação equilibrada dos leitores. Nesses quase dois anos desde o anúncio das novas traduções, há um consenso entre tolkiendili de que as traduções estão (1) certas, (2) corretas e (3) melhores que todas as outras que já tivemos no passado (eu usei essa frase num evento de lançamento do Hobbit para tirar umas risadas do público). Tanto que o único (até o momento) erro real que apontaram eu (como leigo metido) nem considero como um erro de *tradução* -- erros de edição, afinal, pipocam toda vez que qualquer texto não-trivial é reeditado (e isso inclui todos os livros do Tolkien nas edições originais!).

    Outra consideração é sobre onde as opiniões que deram essa impressão foram publicadas: fóruns incentivam diálogo, posts detalhados, troca de informação, discordância saudável e críticas bem fundamentadas. Sensacionalismo, polêmica rasa, bait e rage-clicks não funcionam aqui, não temos um algoritmo dando visibilidade a um post ou usuário em função de uma métrica de engajamento ou coisa assim. É um modelo oposto ao do Facebook/Twitter/Youtube/etc., que incentivam opiniões rasas, lançando usuários a uma corrida ao mínimo, ao sensacional e ao polêmico, tudo com o menor esforço possível para ganhar o maior número de likes/rts/views/etc. Quem acompanhou isso pelo Facebook, por ex., viu raivosinhos martelando insistentemente os mesmos pontos sem nunca trazer nada de novo, porque ser truculento dá engajamento (eu estou resistindo a fazer um paralelo com discussões políticas no FB, mas pior que o mecanismo de ação é o mesmo).
     
    • Ótimo Ótimo x 1
    • Gostei! Gostei! x 1

Compartilhar