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[Melkor, o inimigo da luz][Miosótis]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Melkor- o inimigo da luz, 23 Out 2005.

  1. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Avistou, no meio do deserto, uma vistosa floresta tropical circundada por fios enferrujados de arame farpado, exatamente como imaginava que seria. O sol lambia suas costas com sua língua áspera e escaldante. Suspirou. Caminhou até a fronteira e, frente-a-frente com a sua última chance de desistir, deu uma risada curta e seca – resignação! Olhou para todos os lados, na tentativa de preparar-se. Deu-se início o que vinha esperando há tanto.

    Com seus dedos magros levantou um dos fios da cerca e, com sua perna fatigada, empurrou para baixo o outro. Passou por entre ambos. Foi quando do primeiro encontro entre o chão da floresta com seus pés descalços que sentiu as maiores sensações: a terra gelada como a solidão, úmida como o beijo de sua mãe e ainda assim firme, como é firme o chão em que se acredita; as suas mais incríveis lembranças em tão pouca coisa! O espaço entre seus dedos, conforme andava, era piedosamente preenchido pelo barro da última chuva e ele sorria. Subia bruxuleando o cheiro de vapor d’água, indolente...

    As folhas gigantes das avencas e samambaias cobriam boa parte do caminho, mas realmente insignes eram os ipês, flamboyans, sibipirunas, cáciafístolas, quaresmeiras, paineiras, primaveras, jatobás, jacarandás, jequitibás e outras árvores muitas. E o sábio bem sabe que a sombra que projetam as árvores ilustres é igualmente ilustre. Sentou-se ao pé de uma palmeira imperial e jogou-se no leve descanso de estar vivendo, observando as coisas.

    O calor, filtrado pelas copas das árvores egrégias, transformava-se num inofensivo cálido toque, como o toque simultâneo de mil dedos-de-moça por todo o seu corpo já extasiado. Calado, celebrava a alegria de senti-los e começava, pausadamente, a decidir-se levantar. Decidiu-se e levantou. Ainda no ar pairava aquele cheiro gostoso de água, um relento da noite quase ridiculamente preguiçoso.




    Após muito perambular, encontrou uma pedra toda coberta de musgo, úmida por natureza, entre cujas rachaduras nascia um incrível miosótis que, por sua qualidade incrível, despertou nele a certeza de estar diante do transcendental. Suas pétalas azuis enregeladas e o seu botão amarelo-claro eram, para ele, o pináculo de tudo aquilo, e, por ter essa convicção, aproximou-se da flor, pegou-a nas mãos e fechou o punho. O resto, foram só incertezas.
     

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