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Autor da Semana Mario Quintana

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Éomer, 4 Abr 2012.

  1. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    Os poemas são pássaros que chegam
    não se sabe de onde e pousam
    no livro que lês.
    Quando fechas o livro, eles alçam vôo
    como de um alçapão.
    Eles não têm pouso
    nem porto;
    alimentam-se um instante em cada
    par de mãos e partem.
    E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
    no maravilhado espanto de saberes
    que o alimento deles já estava em ti…


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    Mario Quintana
    30/06/1906 - 05/05/1994




    BIOGRAFIA



    Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de 1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana. Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal Correio do Povo. Seus pais ensinam-lhe, também, rudimentos de francês. No ano de 1914 inicia seus estudos na Escola Elementar Mista de Dona Mimi Contino.

    Em 1915, ainda em Alegrete, freqüentou a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde conclui o curso primário. Nessa época trabalhou na farmácia da família. Foi matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de internato, no ano de 1919. Começa a produzir seus primeiros trabalhos, que são publicados na revista Hyloea, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio. Por motivos de saúde, em 1924 deixa o Colégio Militar. Emprega-se na Livraria do Globo, onde trabalha por três meses com Mansueto Bernardi. A Livraria era uma editora de renome nacional.

    No ano seguinte, 1925, retorna a Alegrete e passa a trabalhar na farmácia do pai. No ano seguinte sua mãe falece. Seu conto, A Sétima Personagem, é premiado em concurso promovido pelo jornal Diário de Notícias, de Porto Alegre.

    Em 1927 A revista Para Todos, do Rio de Janeiro, publica um poema de sua autoria, por iniciativa do cronista Álvaro Moreyra, diretor da citada publicação. Nesse mesmo ano falece seu pai.

    Em 1929, começa a trabalhar na redação do diário O Estado do Rio Grande, que era dirigida por Raul Pilla. No ano seguinte a Revista do Globo e o Correio do Povo publicam seus poemas.

    Vem, em 1930, por seis meses, para o Rio de Janeiro, entusiasmado com a revolução liderada por Getúlio Vargas, também gaúcho, como voluntário do Sétimo Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. Volta a Porto Alegre, em 1931, e à redação de O Estado do Rio Grande.

    O ano de 1934 marca a primeira publicação de uma tradução de sua autoria: Palavras e Sangue, de Giovanni Papini. Começa a traduzir para a Editora Globo obras de diversos escritores estrangeiros: Fred Marsyat, Charles Morgan, Rosamond Lehman, Lin Yutang, Proust, Voltaire, Virginia Woolf, Papini, Maupassant, dentre outros. O poeta deu uma imensa colaboração para que obras como o denso Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust, fossem lidas pelos brasileiros que não dominavam a língua francesa.

    Retorna à Livraria do Globo, onde trabalha sob a direção de Érico Veríssimo, em 1936.

    Em 1939, Monteiro Lobato lê doze quartetos de Quintana na revista lbirapuitan, de Alegrete, e escreve-lhe encomendando um livro. Com o título Espelho Mágico o livro vem a ser publicado em 1951, pela Editora Globo.

    A primeira edição de seu livro A Rua dos Cataventos, é lançada em 1940 pela Editora Globo. Obtém ótima repercussão e seus sonetos passam a figurar em livros escolares e antologias.

    Em 1943, começa a publicar o Do Caderno H, espaço diário na Revista Província de São Pedro. Canções, seu segundo livro de poemas, é lançado em 1946 pela Editora Globo.

    Lança, em 1948, Sapato Florido, poesia e prosa, também editado pela Globo. Nesse mesmo ano é publicado O Batalhão de Letras, pela mesma editora.
    Seu quinto livro, O Aprendiz de Feiticeiro, versos, de 1950, é uma modesta plaquete que, no entanto, obtém grande repercussão nos meios literários. Foi publicado pela Editora Fronteira, de Porto Alegre. Em 1951 é publicado, pela Editora Globo, o livro Espelho Mágico, uma coleção de quartetos, que trazia na orelha comentários de Monteiro Lobato.

    Com seu ingresso no Correio do Povo, em 1953, reinicia a publicação de sua coluna diária Do Caderno H (até 1967). Publica, também, Inéditos e Esparsos, pela Editora Cadernos de Extremo Sul - Alegrete (RS).

    Em 1962, sob o título Poesias, reúne em um só volume seus livros A Rua dos Cataventos, Canções, Sapato Florido, espelho Mágico e O Aprendiz de Feiticeiro, tendo a primeira edição, pela Editora Globo, sido patrocinada pela Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul.

    Com 60 poemas inéditos, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, é publicada sua Antologia Poética, em 1966, pela Editora do Autor - Rio de Janeiro. Livro que receberia em dezembro daquele ano o Prêmio Fernando Chinaglia, por ter sido considerado o melhor livro do ano. Lançada para comemorar seus 60 anos, em 25 de agosto o poeta é saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o seguinte poema, de sua autoria, em homenagem a Quintana:

    Meu Quintana, os teus cantares
    Não são, Quintana, cantares:
    São, Quintana, quintanares.

    Quinta-essência de cantares...
    Insólitos, singulares...
    Cantares? Não! Quintanares!

    Quer livres, quer regulares,
    Abrem sempre os teus cantares
    Como flor de quintanares.

    São cantigas sem esgares.
    Onde as lágrimas são mares
    De amor, os teus quintanares.
    São feitos esses cantares
    De um tudo-nada: ao falares,
    Luzem estrelas luares.

    São para dizer em bares
    Como em mansões seculares
    Quintana, os teus quintanares.

    Sim, em bares, onde os pares
    Se beijam sem que repares
    Que são casais exemplares.

    E quer no pudor dos lares.
    Quer no horror dos lupanares.
    Cheiram sempre os teus cantares
    Ao ar dos melhores ares,
    Pois são simples, invulgares.
    Quintana, os teus quintanares.

    Por isso peço não pares,
    Quintana, nos teus cantares...
    Perdão! digo quintanares.

    Preso à sua querida Porto Alegre, mesmo assim Quintana fez excelentes amigos entre os grandes intelectuais da época. Seus trabalhos eram elogiados por Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, Cecília Meireles e João Cabral de Melo Neto, além de Manuel Bandeira. O fato de não ter ocupado uma vaga na Academia Brasileira de Letras só fez aguçar seu conhecido humor e sarcasmo. Perdida a terceira indicação para aquele sodalício, compôs o conhecido:

    Poeminha do Contra
    Todos esses que aí estão
    Atravancando meu caminho,
    Eles passarão...
    Eu passarinho!

    (Prosa e Verso, 1978)​

    Quintana tentou se tornar imortal por três vezes, perdeu todas: para Eduardo Portella, ex- ministro da educação do General Figueiredo, em um arranjo político, até hoje, não muito bem explicado, depois, para Arnaldo Niskier, que posteriormente seria presidente da ABL e , finalmente, para Carlos Castelo Branco , o Castelinho, este um grande jornalista, mas sem histórico de escritor. O poeta desistiu definitivamente de tentar a cadeira na ABL, mesmo com a garantia de unanimidade dos votos dos colegas. O poeta gaucho expôs sua visão da academia com a seguinte declaração:

    só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro.”, disse, se referindo à forte politização nas indicações de escritores para a academia. Ainda em relação à ABL, ele declarou: “ A academia não convida. A gente é que tem de candidatar-se, solicitar votos pessoalmente, arranjar pistolões. Há gente que não dá para isso. Eu também não,” dando uma pista dos motivos da sua não indicação.

    A Câmara de Vereadores da capital do Rio Grande do Sul — Porto Alegre — concede-lhe o título de Cidadão Honorário, em 1967. Passa a publicar "Do Caderno H no Caderno de Sábado do Correio do Povo" (até 1980).
    Em 1968, Quintana é homenageado pela Prefeitura de Alegrete com placa de bronze na praça principal da cidade, onde estão palavras do poeta: "Um engano em bronze, um engano eterno". Em 1973 lançou, pela Editora Globo — Coleção Sagitário —, o livro Do Caderno H. Nele estão seus pensamentos sobre poesia e literatura, escritos desde os anos 40, selecionados pelo autor.

    Em 1975 publica o poema infanto-juvenil Pé de Pilão, co-edição do Instituto Estadual do Livro com a Editora Garatuja, com introdução de Érico Veríssimo. Obtém extraordinária acolhida pelas crianças.

    Quintanares é impresso em 1976, em edição especial, para ser distribuído aos clientes da empresa de publicidade e propaganda MPM. Por ocasião de seus 70 anos, o poeta é alvo de excepcionais homenagens. O Governo do Estado concede-lhe a medalha do Negrinho do Pastoreio — o mais alto galardão estadual. É lançado o seu livro de poemas Apontamentos de História Sobrenatural, pelo Instituto Estadual do Livro e Editora Globo.

    A Vaca e o Hipogrifo, segunda seleção de crônicas, é publicado em 1977 pela Editora Garatuja. O autor recebe o Prêmio Pen Club de Poesia Brasileira, pelo seu livro "Apontamentos de História Sobrenatural".

    Em 1978 realiza-se o lançamento de Prosa & Verso", antologia para didática, pela Editora Globo. Publica Chew me up slowly, tradução Do Caderno H por Maria da Glória Bordini e Diane Grosklaus para a Editora Globo e Riocell (indústria de papel).

    Na Volta da Esquina, coletânea de crônicas que constitui o quarto volume da Coleção RBS, é lançado em 1979, Editora Globo. Objetos Perdidos y Otros Poemas é publicado em Buenos Aires, tradução de Estela dos Santos e organização de Santiago Kovadloff.

    Seu novo livro de poemas "Esconderijos do Tempo" é publicado pela L&PM Editores - Porto Alegre, em 1980. Recebe, no dia 17 de julho, o Prêmio Machado de Assis conferido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Participa, com Cecília Meireles, Henrique Lisboa e Vinicius de Moraes, do sexto volume da coleção didática "Para Gostar de Ler", Editora Ática.

    Em 1980, participa da "Jornada de Literatura Sul Rio-Grandense", uma iniciativa da Universidade de Passo Fundo e Delegacia da Educação do Rio Grande do Sul. Recebe de quase 200 crianças botões de rosa e cravos, em homenagem que lhe é prestada, juntamente com José Guimarães Deonísio da Silva, pela Câmara de Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços daquela cidade. No Caderno Letras & Livros do Correio do Povo, reinicia a publicação Do Caderno H. "Nova Antologia Poética" é publicada pela Editora Codecri - Rio de Janeiro.

    O autor recebe o título de "Doutor Honoris Causa", concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no dia 29 de outubro de 1982.

    É publicado, em 1983, o IV volume da coleção "Os Melhores Poemas", que homenageia Mario Quintana, uma seleção de Fausto Cunha para a Global Editora - São Paulo. Publicação de "Lili Inventa o Mundo", Editora Mercado Aberto - Porto Alegre, seleção de Mery Weiss de textos publicado em Letras & Livros e outros livros do autor.

    Por aprovação unânime da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, o prédio do antigo Hotel Magestic (onde o autor viveu por muitos e muitos anos), tombado como patrimônio histórico do Estado em 1982, passa a denominar-se "Casa de Cultura Mário Quintana".

    Em 1984 ocorrem os lançamentos de Nariz de Vidro, seleção de textos de Mery Weiss, Editora Moderna - São Paulo, e O Sapo Amarelo, Editora Mercado Aberto - Porto Alegre. O álbum Quintana dos 8 aos 80 é publicado em 1985, fazendo parte do Relatório da Diretoria da empresa SAMRIG, com texto analítico e pesquisa de Tânia Franco Carvalhal, fotos de Liane Neves e ilustrações de Liana Timm.
    Ao completar 80 anos, em 1986, é publicada a coletânea 80 Anos de Poesia, organizada por Tânia Carvalhal, Editora Globo. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Vale dos Sinos (UNISINOS) e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Lança Baú de Espantos, pela Editora Globo, uma reunião de 99 poemas inéditos.

    Em 1987, são publicados Da Preguiça como Método de Trabalho, Editora Globo, uma coletânea de crônicas publicadas em "Do Caderno H", e "Preparativos de Viagem", também pela Globo, reflexões do poeta sobre o mundo.

    Porta Giratória, pela Editora Globo - Rio de Janeiro, é lançada em 1988, uma reunião de crônicas sobre o cotidiano, o tempo, a infância e a morte.
    Em 1989 ocorre o lançamento de A Cor do Invisível pela Editora Globo - Rio de Janeiro. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Campinas (UNICAMP) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, entre escritores de todo o Brasil.
    Velório sem Defunto, poemas inéditos, é lançado pela Mercado Aberto em 1990.

    Em 1992, a editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) reedita, em comemoração aos 50 anos de sua primeira publicação, A Rua dos Cataventos.

    Poemas inéditos são publicados no primeiro número da Revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional/Departamento Nacional do Livro, em 1993. Integra a antologia bilíngüe "Marco Sul/Sur - Poesia", publicada Editora Tchê!, que reúne a poesia de brasileiros, uruguaios e argentinos. Também em 93 Seu texto Lili Inventa o Mundo é montado para o teatro infantil, por Dilmar Messias. Treze de seus poemas são musicados pelo maestro Gil de Rocca Sales, para o recital de canto Coral Quintanares - apresentado pela Madrigal de Porto Alegre no dia 30 de julho (seu aniversário) na Casa de Cultura Mario Quintana.

    Em 1994 alguns de seus textos são publicados na revista literária Liberté - editada em Montreal, Quebec, Canadá - que dedicou seu 211o número à literatura brasileira (junto com Assis Brasil e Moacyr Scliar). Publicação de Sapato Furado, pela editora FTD - antologia de poemas e prosas poéticas, infanto - juvenil. Publicação pelo IEL, de Cantando o Imaginário do Poeta, espetáculo musical apresentado no Teatro Bruno Kiefer pelo Coral da Casa de Cultura Mário Quintana, constituído de poemas musicados pelo maestro Adroaldo Cauduro, regente do mesmo Coral.

    Falece, em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos, o poeta e escritor Mario Quintana.

    Escreveu Quintana:

    "Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira".
    E, brincando com a morte: "A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos".


    Bibliografia:

    - A Rua dos Cata-ventos (1940)
    - Canções (1946)
    - Sapato Florido (1948)
    - O Batalhão de Letras (1948) - literatura infanto-juvenil
    - O Aprendiz de Feiticeiro (1950)
    - Espelho Mágico (1951)
    - Inéditos e Esparsos (1953)
    - Poesias (1962)
    - Antologia Poética (1966)
    - Pé de Pilão (1968) - literatura infanto-juvenil
    - Caderno H (1973)
    - Apontamentos de História Sobrenatural (1976)
    - Quintanares (1976) - edição especial para a MPM Propaganda.
    - A Vaca e o Hipogrifo (1977)
    - Prosa e Verso (1978)
    - Na Volta da Esquina (1979)
    - Esconderijos do Tempo (1980)
    - Nova Antologia Poética (1981)
    - Mario Quintana (1982)
    - Lili Inventa o Mundo (1983) - literatura infanto-juvenil
    - Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)
    - Nariz de Vidro (1984)
    - O Sapato Amarelo (1984) - literatura infanto-juvenil
    - Primavera cruza o rio (1985)
    - Oitenta anos de poesia (1986)
    - Baú de espantos ((1986)
    - Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)
    - Preparativos de Viagem (1987)
    - Porta Giratória (1988)
    - A Cor do Invisível (1989)
    - Antologia poética de Mario Quintana (1989)
    - Velório sem Defunto (1990)
    - A Rua dos Cata-ventos (1992) - reedição para os 50 anos da 1a. publicação.
    - Sapato Furado (1994)
    - Mario Quintana - Poesia completa (2005)
    - Quintana de bolso (2006)


    Traduções

    PAPINI, Giovanni. Palavras e sangue. Porto Alegre: Globo, 1934.
    - MARSYAT, Fred. O navio fantasma. Porto Alegre: Globo, 1937.
    - VARALDO, Alessandro. Gata persa. Porto Alegre: Globo, 1938.
    - LUDWIG, Emil. Memórias de um caçador de homens. Porto Alegre: Globo, 1939.
    - CONRAD, Joseph. Lord Jim. Porto Alegre: Globo, 1939.
    - STACPOOLE, H. de Vere. A laguna azul. Porto Alegre: Globo, 1940.
    - GRAVE, R. Eu, Claudius Imperator. Porto Alegre: Globo, 1940.
    - MORGAN, Charles. Sparkenbroke. Porto Alegre: Globo, 1941.
    - YUTANG, Lin. A importância de viver. Porto Alegre: Globo, 1941.
    - BRAUN, Vicki. Hotel Shangai. Porto Alegre: Globo, 1942.
    - FULOP-MILLER, René. Os grandes sonhos da humanidade. Porto Alegre: Globo, 1942 (de parceria com R. Ledoux).
    - MAUPASSANT, Guy de. Contos. Porto Alegre: Globo, 1943.
    - LAMB, Charles & LAMB, Mary Ann. Contos de Shakespeare. Porto Alegre: Globo, 1943.
    - MORGAN, Charles. A fonte. Porto Alegre: Globo, 1944.
    - MAUROIS, André. Os silêncios do Coronel Branble. Porto Alegre: Globo, 1944.
    - LEHMANN, Rosamond. Poeira. Porto Alegre: Globo, 1945.
    - JAMES, Francis. O albergue das dores. Porto Alegre: Globo, 1945.
    - LAFAYETTE, Condessa de. A princesa de Cléves. Porto Alegre: Globo, 1945.
    - BEAUMARCHAIS. O barbeiro de Sevilha ou a precaução inútil. Porto Alegre: Globo, 1946.
    - WOOLF, Virginia. Mrs. Dalloway. Porto Alegre: Globo, 1946.
    - PROUST, Marcel. No caminho de Swann. Porto Alegre: Globo, 1948.
    - BROWN, Frederiek. Tio prodigioso. Porto Alegre: Globo, 1951.
    - HUXLEY, Aldous. Duas ou três graças. Porto Alegre: Globo, 1951.
    - MAUGHAM, Somerset. Confissões. Porto Alegre: Globo, 1951.
    - PROUST, Marcel. À sombra das raparigas em flor. Porto Alegre: Globo, 1951.
    - VOLTAIRE. Contos e novelas. Porto Alegre: Globo, 1951.
    - BALZAC, Honoré de. Os sofrimentos do inventor. Porto Alegre: Globo, 1951.
    - MAUGHAM, Somerset. Biombo chinês. Porto Alegre: Globo, 1952.
    - THOMAS, Henry & ARNOLD, Dana. Vidas de homens notáveis. Porto Alegre: Globo, 1952.
    - GRENNE, Graham. O poder e a glória. Porto Alegre: Globo, 1953.
    - PROUST, Marcel. O caminho de Guermantes. Porto Alegre: Globo, 1953.
    - PROUST, Marcel. Sodoma e Gomorra. Porto Alegre:Globo, 1954.
    - BALZAC, Honoré de. Uma paixão no deserto. Porto Alegre: Globo, 1954.
    - MÉRIMÉE, Prospero Novelas completas. Porto Alegre:Globo, 1954.
    - MAUGHAM, Somerset. Cavalheiro de salão. Porto Alegre: Globo, 1954.
    - BUCK, Pearl S. Debaixo do céu. Porto Alegre: Globo, 1955.
    - BALZAC, Honoré de. Os proscritos. Porto Alegre: Globo, 1955.
    - BALZAC, Honoré de. Seráfita. Porto Alegre: Globo, 1955.


    Temática, influências e características da Obra

    Cronologicamente a obra de Quintana poderia ser classificada como pertencente ao
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    . Mas, sua poesia crescia sob o clima da década de 30 (
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    ) no plano da literatura gaúcha. Quintana, no entanto, recusava-se a ser enquadrado em qualquer escola literária, tendo herdado o sincretismo da belle époque, momento em que confluíram a a vertente simbolista (pelo conteúdo) e a vertente parnasiana (pelo estilo). Foi influenciado por poetas simbolistas tais como Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Verlaine, Verhaeren, Rollinart e
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    , tendo recebido deste último maior e notória influência. Do parnasianismo Quintana resgatou o culto ao soneto e a outras formas fixas, ressuscitando o formalismo assassinado pelos modernistas de 22.

    Mário Quintana é conhecido como poeta da ternura, sendo considerado por muitos um poeta de romantismo tardio. O Seus versos por vezes recuperam as paisagens da infância perdida, unindo, vias lembrança, o velho ao menino, aquilo que o tempo distanciou. Os temas simples e singelos eram refinados ainda mais sob a pena lírica do poeta. Dono de um senso de humor finíssimo e refinado e uma ironia delicada Os temas frequentes de Quintana são: valorização da imaginação, o sonho, a fantasia, o devaneio, o encanto, o misticismo e o sobrenatural, a humanidade, a existência, o carinho, o aconchego, a pureza, a canção e o mundo infantil.
    Entre seus temas mais explorados estão a tristeza das coisas (melancolia), a morte, a infância vivida em Alegrete, o progresso como causa de desumanização, a ironia do cotidiano e a sua amada Porto Alegre:

    O Mapa

    Olho o mapa da cidade
    Como quem examinasse
    A anatomia de um corpo...

    (E nem que fosse o meu corpo!)

    Sinto uma dor infinita
    Das ruas de Porto Alegre
    Onde jamais passarei...

    Há tanta esquina esquisita,
    Tanta nuança de paredes,
    Há tanta moça bonita
    Nas ruas que não andei
    (E ha uma rua encantada
    Que nem em sonhos sonhei...)

    Quando eu for, um dia desses,
    Poeira ou folha levada
    No vento da madrugada,
    Serei um pouco do nada
    Invisível, delicioso

    Que faz com que o teu ar
    Pareça mais um olhar,
    Suave mistério amoroso,
    Cidade de meu andar
    (Deste já tão longo andar!)

    E talvez de meu repouso...


    Literatura Infanto-Juvenil

    Também é importante ressaltar a literatura infanto-juvenil de Mario Quintana. Foi daqueles grandes poetas que também se preocupou em se escrever para meninos e meninas, sejam grandes ou pequenos.
    Sua obra para crianças mais conhecida é Pé de Pilão, publicada em 1968. O livro conta a história de Matias, menino transformado em pato que teve a avó , que era uma fada, transformada em velha por inveja da bruxa má que vivia na floresta. O pato vai tirar retrato iniciando assim a história repleta de magia que encantava e divertia crianças e pais, onde o macaco era retratista, o passarinho realmente saia da câmera e o “polícia” era um cavalo montado em outro cavalo. E a poesia por ai vai, segundo as palavras do próprio poeta:
    Eu comecei a fazer rimas, e a rima puxou o enredo: comecei com aquela rima do pato-sapato, e fui indo em frente, quando vi, notei que tinha uma história pronta [...] as crianças parecem que gostaram, e elas são os críticos mais terríveis que eu conheço [...] gostam de rimas do tipo “Gabriela, cara de panela” ou “Quintana, cara de banana”. É a poética das crianças.
    A edição mais conhecida do livro, ilustrada por Edgar Koetz, foi publicada pela editora L&PM em 1980:

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    Pé de Pilão: ilustração de Edgar Koetz​

    O pato ganhou sapato,
    Foi logo tirar retrato.

    O macaco retratista
    Era mesmo um grande artista.

    Disse ao pato: “Não se mexa
    Para depois não ter queixa”.

    E o pato, duro e sem graça
    Como se fosse de massa!

    “Olhe prá cá direitinho:
    Vai sair um passarinho”.

    O passarinho saiu,
    Bicho assim nunca se viu.

    Com três penas no topete
    E no rabo apenas sete.

    E como enfeite ele tinha
    Um guizo em cada peninha.

    Fazia tanto barulho
    Que o pato sentiu engulho.

    Pousou no bico do pato:
    - Eu também quero retrato!

    - No retrato saio eu só,
    Prá mandar a minha vó!

    A discussão não parava
    E cada qual mais gritava.

    Passa na rua um polícia.
    “Uma briga? Que delícia!”

    O polícia era um cavalo
    Montado noutro cavalo.

    Entra como um pé de vento
    Prende tudo num momento.

    “Hão de ficar vida e meia
    Descansando na cadeia”.

    “Ah! Ah! Ah!...” ri ele assim.
    E o cavalo: “him! him! him!...”

    A avó do pato é uma fada
    Que ficou enfeitiçada.

    Nunca, nunca envelhecia,
    Era loira como o dia.

    Ai, que linda que era ela!
    E agora seca e amarela.

    Parece passa de gente,
    Não tem cabelo nem dente.

    Vou num instante contar
    Como pôde assim mudar.

    Lá na Floresta Encantada
    Mora a Fada Mascarada.

    Ninguém direito a conhece,
    Pois sempre outra parece.

    Conforme lhe dá no gosto,
    Cada dia usa um rosto.

    É que é feia, feia, feia...
    Como ninguém faz idéia!

    Quando no espelho se olhava,
    O espelho logo rachava.

    Se olhava um rio, - ora essa!
    Corria o rio mais depressa!

    E não sei se já lhe disse
    Que a vó do pato era Alice.

    Ora, um dia, Alice vinha
    Pela floresta sozinha.

    Vendo-a, a Fada Mascarada
    Voa à casa da coitada.

    O pato, naqueles dias
    Era menino, o Matias.

    “Olha, menino, o que eu trouxe!”
    E lhe mostra um lindo doce.

    Ele, guloso e contente
    Finca o dente no presente.

    Vai falar. Mas que é que há?
    Só pode dizer quá... quá...

    Pois o menino tão belo
    Virou patinho amarelo.

    Chega a avó. E vejam só:
    A Fada lhe atira um pó.

    Nem havia o pó sentado,
    Estava tudo mudado.

    Num segundo a pobre Alice
    Toda encolheu de velhice.

    Mal pode andar. Chama então
    Seu neto do coração.

    Vem um patinho: quá? quá?
    Nenhum compreende o que há.

    E pela floresta escura
    Vão um do outro à procura.

    E tanto andou o patinho
    Que perdeu o seu caminho.

    Vai seguindo, estrada fora,
    Até o romper da aurora.

    Chega à cidade. Há um regato.
    Que alegria para um pato!

    Matias põe-se a nadar
    Sem mais nada recordar.

    Passa um grupo de meninas.
    É cada qual mais traquinas.

    - Um pato! – gritam em coro.
    - Que lindo patinho de ouro!

    Rosa, a filha do Prefeito,
    Agarra-o com todo o jeito.

    Comida e casa lhe dá
    Diz o patinho: quá, quá.

    Rosa tem um professor
    Chamado Dom Galaor.

    Se o professor ergue o dedo,
    Rosinha treme de medo

    E quer que o mundo se acabe,
    Pois a lição nunca sabe.

    Enquanto o mestre falava
    O pato, sério, escutava.

    Tanto assim que já sabia
    Muita história e geografia.

    Porém, antes de mais nada,
    O seu forte era a taboada.

    Num dia de sabatina
    Que pena dava a menina!

    Quanto é sete vezes nove?
    E rosinha nem se move.

    Mas o pato, desta vez,
    Assopra: sessenta e três.

    E ele mal acreditava:
    Nem sabia que falava!

    No jardim à tardezinha
    Chega sempre uma andorinha.

    Tem por nome Margarida
    E passa a voar toda a vida.

    Nada no mundo lhe escapa:
    É como se fosse um mapa.

    A casa de dona Alice?
    Já vi do alto... ela disse.

    Margarida! – exclama o pato
    - Leva-lhe, então, meu retrato.

    “Sou eu mesmo!” Escrevo atrás
    E o resto lhe contarás.

    Ora, o pato, finalmente,
    Era um bicho meio gente.

    Queria tirar retrato,
    Mas ao menos de sapato.

    Deu-lhe Rosa uns sapatinhos
    Que eram mesmo uns amorinhos

    E lhe disse: “Tem cuidado,
    Pois são do meu batizado”.

    E no que deu tal história,
    Tem-no vocês na memória.

    Vejamos como eles são
    A caminho da prisão.

    Nesta ordem, pela estrada,
    Vai seguindo a bicharada:

    Bem atrás, o passarinho,
    Atado ao pé do vizinho,

    Depois, Matias, unido
    Ao macaco desgranido

    E este devidamente
    Preso ao cavalo da frente.

    Quanto ao cavalo de cima
    Procura no ar uma rima

    (Pois compunha uma balada
    Para a sua namorada).

    Comida? Nem pra cheirar
    E é preciso andar, andar.

    Muito além daquela serra
    Fica a prisão que os aterra.

    Para o polícia, isto sim,
    É que não falta capim.

    A pança ronca faminta,
    O passarinho tilinta.

    E segue a turma encordoada,
    Erguendo a poeira da estrada.

    Mas algo acontece enfim,
    Só por causa do tlim-tlim.

    E entra nova personagem
    Para dar gosto à vigem.

    Uma cobra cascavel
    Bicho enganoso e cruel

    E que ante as outras faz gabo
    De ter um guizo no rabo.

    Essa cobra amaldiçoada,
    Em um galho encoscorada,

    Quase que tomba do galho
    Ouvindo o som do chocalho.

    “Que lindos guizos!” – diz ela
    E de inveja se amarela.

    “Eu jamais conseguiria
    Tão bonita melodia...

    Pelos dois chifres do Diabo!
    De meu rival vou dar cabo”.

    E com perigo de vida,
    Segue a turma distraída...

    E o repelente animal
    Prepara o bote mortal.

    O macaco retratista,
    Que tem bom golpe de vista,

    Vê a cobra e pensa: hum!
    Vou matar esse muçum...

    Passa ao alcance do galho,
    Pega a cobra do chocalho.

    Depois torce a desgraçada,
    Tal e qual roupa enxaguada.

    E a cobra, de cabo a rabo,
    Entrega a alma ao Diabo.

    E o macaco desgranido
    Tem uma idéia, o sabido...

    Os dedos no bolso mete,
    Sai do bolso um canivete.

    Corta o chocalho da cobra
    E no chão atira a sobra...

    Também corta, com perícia,
    Ao cavalo do polícia,

    A corda que o liga aos dois,
    Prende-lhe o guizo depois.

    Os cavalos vão seguindo,
    Vão seguindo e vão ouvindo,

    Por artes de tal manobra,
    Os guizos da extinta cobra.

    E continua o de cima
    Em procura de outra rima:

    “Olhar pra trás não preciso,
    Enquanto escuto esse guizo...”

    Assim pensa o chichisbéu,
    Fazendo versos ao léu,

    Enquanto os presos se vão,
    Vai rimando o paspalhão...

    E nisto o céu escurece,
    Pois, como sempre, anoitece.

    E eis que à beira da floresta
    Há uma capela modesta

    Que aos passantes causa dó
    Por ter uma torre só:

    É como uma vaca mocha
    Ou uma pessoa coxa...

    Por fé, ou outros motivos,
    Entram nela os fugitivos.

    Que paz que sentem, enfim:
    Será que o Céu é assim?

    No altar, Nossa Senhora
    Tem um ar tão bom agora,

    Um ar tão bom e paciente
    Que parece a mãe da gente.

    Nos braços mostra o Menino
    Rechonchudo e pequenino.

    O Menino tem na mão
    Um chocalho sem função.

    Como fizeram, também,
    O burro e o boi em Belém,

    Os bichos eu ali chegaram
    Humildemente o adoraram

    E, para a noite passar,
    Deitaram-se atrás do altar.

    O passarinho, coitado...
    Que bicho mais assustado!

    Basta zumbir um mosquito,
    Já ele desperta, aflito!

    Agora mesmo acordou.
    Será que ouviu ou sonhou?

    Vem um vulto de mansinho...
    Nem respira o passarinho!

    É um vulto negro e embuçado,
    Negro e mal intencionado!

    Vem roubar, o sacripanta,
    O manto da Virgem Santa,

    O rico manto azulado,
    A ouro e prata bordado.

    Vai o vulto pôr-lhe o dedo...
    E o passarinho – ai que medo!

    Todo tilinta, tlim, tlim,
    Na tremedeira sem fim.

    O ladrão, em desatino,
    Pensa que é o Santo menino

    Que o seu chocalho sacode,
    Vai fugindo como pode.

    E o passarinho, feliz,
    Agita as asas e diz:

    “No mundo não há bandido
    Que possa com meu tinido!”

    Como um herói, adormece...
    E nem nota o que acontece...

    Uma velha... quem é ela?
    Vem entrando na capela.

    Toda curvada e gemendo,
    Pra si mesma vai dizendo:

    “Quem me dera ter na mão
    Minha vara de condão!

    Fui roubada e enfeitiçada,
    Já não posso fazer nada...

    No estado em que estou agora
    Só mesmo Nossa Senhora!

    Sem feitiços nem varinhas,
    A Rainha das Rainhas

    Com a graça celestial
    Põe fim a tudo que é mal.

    E eu não quero ser mais fada
    E não desejo mais nada

    Senão achar meu netinho.
    Onde é que estás, pobrezinho?

    E de cansaço adormece
    E nem nota o que acontece...


    * * *

    Quando acorda – que alegria!
    Matias lhe dá bom dia.

    É ele, outra vez menino,
    Com seu sorriso ladino!

    E ela está em pleno viço,
    Como antes do feitiço!

    Agora, já não é fada,
    Vive a bordar, sossegada.

    E como qualquer senhora,
    É na cidade que mora.

    Como todos, Dona Alice
    Espera, em calma, a velhice.

    E usa o cabelo em bando
    Como convém a uma vó.

    Vai Matias de sacola,
    Todos os dias pra escola.

    E para que a nossa história
    Não ficasse relambória,

    A Rosinha, envergonhada
    De sua vida passada,

    Estuda como uma traça
    E sem mais sofrer vexames

    Passa sempre nos exames
    Como a luz pela vidraça.


    E outro poema muito conhecido e de grande valor didático é o Batalhão das Letras, onde nas mãos do poeta as letras fazem malabarismo e aos poucos vão formando a magia do alfabeto. Ideal para crianças que estão em processo de alfabetização.

    Aqui vão todas as letras,
    Desde o A até o Z,
    Pra você fazer com elas
    O que esperam de você...

    Aí vem o Batalhão das Letras
    E, na frente, a comandá-lo,
    O A, de pernas abertas,
    Montado no seu cavalo.

    Com um B se escreve BALÃO,
    Com um B se escreve BEBÊ,
    Com um B os menininhos
    Jogam BOLA e BILBOQUÊ.

    Com C se escreve CACHORRO,
    Confidente das CRIANÇAS
    E que sabe seus amores,
    Suas queixas e esperanças...

    Com um D se escreve DEDO,
    Que poderá ser mau ou sábio,
    Desde o dedo acusador
    Ao D do dedo no lábio...

    O E da nossa ESPERANÇA
    Que é também o nosso ESCUDO
    É o mesmo E das ESCOLAS
    Onde se aprende de tudo.

    Com F se escreve FUGA,
    FRADES, FLORES e FORMIGAS
    E as crianças malcriadas
    Com F é que fazem FIGAS.

    O G é letra importante,
    Como assim logo se vê:
    Com um G se escreve GLOBO
    E o globo GIRA com G.

    Com H se escreve HOJE
    Mas “ontem” não tem H...
    Pois o que importa na vida
    É o dia que virá!

    O I é a letra do ÍNDIO,
    Que alguns julgam ILETRADO...
    Mas o índio é mais sabido
    Que muito doutor formado!

    Com J se escreve JULIETA,
    Com J se escreve JOSÉ:
    Um joga na borboleta,
    O outro no jacaré.

    O K parece uma letra
    Que sozinha vai andando,
    Lembra estradas, andarilhos
    E passarinhos em bando...

    O L lembra o doce LAR,
    Lembra um casal à LAREIRA!
    O L lembra LAZER
    Da doce vida solteira...

    Com M se escreve MÃO.
    E agora vê que engraçado:
    Na palma da tua mão
    Tens um M desenhado!

    N é a letra dos teimosos,
    Da gente sem coração:
    Com N se escreve – NUNCA!
    Com N se escreve – NÃO!

    Outras letras dizem tudo.
    Mas o O nos desconcerta.
    Parece meio abobalhado:
    Sempre está de boca aberta...

    Quem diz que ama a POESIA
    E não a sabe fazer
    É apenas um POETA inédito
    Que se esqueceu de escrever...

    Esse Q das QUEIJADINHAS,
    Dos bons QUITUTES de QUIABO
    Era um O tão mentiroso
    Que um dia criou rabo!

    Os RATOS morrem de RISO
    Ao roer o queijo prato.
    Mas para que tanto riso?
    Quem ri por último é o gato.

    Acheguem-se com cuidado,
    De olho aceso, minha gente:
    O S tem forma de cobra,
    Com ele se escreve SERPENTE.

    É o T das TRANÇAS compridas,
    Boas da gente puxar;
    Jeito bom de namorar
    As menininhas queridas...

    O U é a letra do luto!
    O U do URUBU pousado
    Nas negras noites sem lua
    Num palanque do banhado...

    Este V é o V de VIAGEM
    E do VENTO vagabundo
    Que sem pagar a passagem
    Corre todo o vasto mundo.

    Era uma vez um M poeta
    Que um dia, em busca de uma rima,
    Caiu de pernas pra cima
    E virou um belo dábliu!
    Coisa assim nunca se viu,
    Mas é a história verdadeira
    De como o dábliu surgiu...

    Com um X se escreve XÍCARA,
    Com X se escreve XIXI.
    Não faças xixi na xícara...
    O que irão dizer de ti?!

    Ypsilon – letra dos diabos,
    Que engasga o mais sabichão!
    Por isso o povo e as crianças
    A chamam de “pissilão”...

    O Ze é a letra de ZEBRA,
    E letras das mais infames.
    Com um Z os menininhos
    Levam ZERO nos exames.

    E todas as vinte e seis letras
    Que aprendeste num segundo
    São vinte e seis estrelinhas
    Brilhando no céu do mundo!


    Fontes:

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    Última edição: 4 Abr 2012
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  2. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Éomer, você repetiu os trequinhos aqui, ó:


    A Vaca e o Hipogrifo não é nada menos do que sensacional.

    Eu gosto do fato de o Quintana, assim como o João Cabral (um pouco menos, na verdade, com o João Cabral a coisa é mais intensa) não se encaixar, efetivamente, em um período literário. Ele se encaixa cronologicamente, mas, na prática, sua obra flertava com dois ou três períodos.
     
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  3. O Quintana é simplesmente apaixonante. Não conheço ninguém que não goste dos poemas dele! Foi, sem dúvida, um grande escritor e se não entrou para a Acadêmia Brasileira de Letras, acredito que tenha sido mesmo pelas "politicagens".
     
  4. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    Depois que Paulo Coelho conseguiu uma vaga na ABL eu acho que para o Quintana foi até uma honra não ter conseguido entrar. E eu não falo por preconceito de quem nunca leu algo dele, mas por não ter conseguido aguentar nem 10 paginas de todos os livros que tentei ler.
     
  5. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Legal! Estou lendo a edição dos 80 Anos de Poesia do Quintana publicada pela editora Globo. Desconheço o real alcance da edição, mas ela estava barata e promete =P

    Agora não sei dizer se efetivamente estou gostando... Acho que comecei a ler Quintana tarde demais, numa época onde não consigo me encantar com o tipo de poesia que o Quintana faz, que é algo mais simples, espontâneo etc.

    Até agora gostei muito desse soneto:

    Gostei também do X. Lembrou-me a quinta elegia do Rilke...

    Vou continuar tentando, de toda forma. Quando li Pablo Neruda pela primeira vez eu também não gostei; mas agora, ao relê-lo, estou podendo aproveitar bem mais... Quem sabe o mesmo ocorra com o Quintana?
     
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  6. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    Por ser mais simples e espontâneo é que gosto do Quintana ( nesse ponto penso um pouco diferente de você,Grande Mavericco). Talvez a releitura possa quebrar sua resistência com Quintana.
     
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