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Maria Cheia de Graça (Maria Full of Grace, 2004)

Tópico em 'Cinema' iniciado por Dirhil, 11 Fev 2005.

  1. Dirhil

    Dirhil Olha, Schroeder...

    MARIA CHEIA DE GRAÇA (Maria Full of Grace, EUA e Colômbia, 2004)

    Elenco: Catalino Sandino Moreno, Yenny Paola Vega, Virginia Ariza, Guilied Lopez, Patricia Rae, Orlando Tobon

    Direção: Joshua Marston

    Sinopse: Maria é um jovem colombiana de 17 anos, grávida de 2 meses, que acaba de perder o emprego e precisa sustentar a família em casa. Ela acaba topando traficar heroína para os EUA, levando a droga dentro do estômago.

    Pôster: (muito foda por sinal)
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    (pode conter leves spoilers)

    O filme causou um certo estardalhaço ao redor do mundo, ganhando vários prêmios. Inclusive na Mostra Intercional de São Paulo, ano passado, quando aportou em terras brasileiras. E com razão já que o filme é muito bem concebido, abordando diversos problemas que essa forma de tráfico pode acarretar.
    Aliás, filmes recentes sobre drogas estão muito bons: Requiem Para um Sonho, Cidade de Deus, Traffic. O diferencial tá na protagonista deste: Catalina Sandino Moreno. Uma atuação corretíssima e não caricata. Sem nenhum exagero. Conseguiu inclusive ser indicada ao Oscar de melhor atriz deste ano, mas dificilmente irá ganhar. Além disso, ela é linda!
    O filme peca pelos coadjuvantes idiotas. A melhor amiga da Maria é uma personagem idiota, interpretada por uma "porta".... tem o namorado dela que é outro péssimo ator. Pelo menos o roteiro é bem feito. Apesar de ser um pouco previsível (aka: a mocinha se dá sempre bem).

    Nota: 69

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  2. SPOILERS, HEIN


    Sim sim, é massa! :D
    Um bom filme sobre drogas. \o//////////////
    Algumas atuações são esquisitas mesmo, mas a da Catalina e a da Carla são ótimas. ^o^

    Mas tive a impressão de que parte do tema pendia para algo que não drogas. Na verdade, drogas me pareceu só um pretexto. A verdadeira denúncia reside na dificuldade em se viver sem dinheiro, viver numa casa sobre-lotada, ter um emprego denegridor. Em suma, em crescer numa sociedade precária em condições precárias.

    As primeiras seqüências gritam essas coisas. Maria parece entediada com a rotina: suspira no trabalho para mais tarde encontrar os mesmos problemas em casa, onde sequer agüenta comer mais pão; até na hora de fazer sexo quer algo diferente que fuja do tédio do dia-a-dia: sugere fazê-lo no telhado, mas é recusada. Além disso, sua família mal tem dinheiro para comprar remédios para o bebê doente e ela não consegue sequer pensar em casamento pois não há onde morar com o "marido".

    De repente o assunto "drogas" surge na sua frente e antes que pudesse dizer qualquer coisa ela já estava em Nova York. E, depois de problemas aqui e acolá, ela toma uma decisão que pouco tem a ver com uma possível lição aprendida depois de todas as confusões. Não, é só uma oportunidade que ela enxerga no novo e perfeito país. Na cena final, dentro do aeroporto, ela decide permanecer nos EUA porque ela está cansada da precariedade e do tédio. Vê a possibilidade de dar ao seu filho um futuro melhor, como Carla pretendia fazer com o seu. Recusa-se e fazer uma parábola e terminar onde tinha começado. E, ironicamente, de um certo modo foram as drogas que a ajudaram. Sem elas, ela não teria chegado até ali. Com elas, ela teve a chance de botar sua vida para correr num rumo melhor.

    Não, não estou dizendo que isso é uma espécie de subtexto que esconde uma apologia às drogas. Pelo contrário, essa ironia final sugere uma revanche, um golpe inesperado em todos os elementos prejudiciais - incluindo as drogas. Maria fecha a última cena caminhando de forma muito mais majestosa e esperançosa do que aquele rosto desanimado no ponto esperando pelo ônibus que surge no primeiro segundo do filme.
     
  3. Strider

    Strider Usuário

    O filme começa muito bem, os primeiros 40 minutos são muito bons, mostrando a rotina da Maria na Colômbia, a falta de comunicação com as pessoas, seu vazio e a descoberta da gravidez. Muito dessa força se dá a atuação da Catalina e de todos os outros personagem e da leveza roteiro. Catalina, por sinal, é ótima, adorei. Estava com medo de encontrar algo exagerado, ainda mais por causa do tema de drogas, mas não, se mantém perfeita.

    Falando em drogas, ao abordar o tema, o diretor torna o filme um pouco didático e sensasionalista, procurando uma crítica social aos "mulas" que se sacrificam. Muita gente elogiou como o filme descamba para uma espécie de documentário; e isso foi o que mais me incomodou. O filme se sustenta no que quer falar e se esquece como fazê-lo que, fatalmente, é de uma maneira muitas vezes apelativa e sentimental. Às vezes ele acerta, mantendo um clima de dúvida e apreensão sobre a situação envolvendo Maria, especialmente no aeroporto, quando ele a bota no meio dos dois policiais, com uma montagem assustadora e tal. Mas só em algumas cenas.

    No geral, eu gostei. Talvez com o tempo ele perca sua força, mas o Joshua Marston escapando do sensacionalismo, mostra algum talento, e tem futuro, espero. O final é bem irônico. Enquanto vemos Maria andando em busca de um mundo mais aceitável, ao fundo está escrito na parede "It's what's inside that counts", se referindo que o que importa é os sentiementos do ser humano ou os papelotes que ele carrega no estômago.
     
  4. Em que sentido é sensacionalista e em que sentido é uma "crítica social às mulas"?

    Pra mim é nada mais que a própria realidade. Algumas mulas se dão bem, outras se dão mal. Assim funciona na vida real.

    Também não vi nada de apeltivo ou sentimental. Pelo contrário, o filme é extremamente frio e sua "tristeza" se dá mais pelas situações precárias (infelizmente naturais/reais/verdadeiras) do que por lágrimas.
     
  5. Strider

    Strider Usuário

    É sensacionalista quando ele fala sobre os adolescentes que carregam as drogas, sendo nada diferente de qualquer matéria do Globo Repórter (ok, tecnicamente melhor, mas não na essência). A crítica é bem isso, do sacrifício que esses adolescentes fazem pra ganhar dinheiro e sustentar a família, que já que não conseguem um trabalho decente no país de origem.

    Também não vi nada de apeltivo ou sentimental. Pelo contrário, o filme é extremamente frio e sua "tristeza" se dá mais pelas situações precárias (infelizmente naturais/reais/verdadeiras) do que por lágrimas.[/quote]

    Não é sempre, lembrando o que eu disse, mas tem muita apelação sentimental sim, especialmente na briga das duas amigas. Claro, algumas vezes ele tenta impôr essa frieza e é justo essa inconstância que é ruim.
     

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