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Mágica, por Melkor. Não Aceitam-se Devoluções

Tópico em 'Comunicados, Tutoriais e Demais Valinorices' iniciado por Artigos Valinor, 25 Jun 2005.

  1. Artigos Valinor

    Artigos Valinor Usuário

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    Porque ouro? Eu tive essa questão feita para mim algumas vezes. De onde eu tirei a idéia que os dragões poderiam retirar poder do ouro, ou, mais especificamente, que existe alguma coisa especial no ouro no que se trata de mágica? [Nota do Tradutor: Martinez está se referindo ao ensaio
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    , de sua própria autoria]</P>
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    Bem, eu esqueci de mencionar um parágrafo crucial quando estava citando um ensaio de Tolkien [o qual, a propósito, Chistopher Tolkien chamou de "Notas Sobre os Motivos do Silmarillion" - os parágrafos sobre o elemento-Morgoth foram movidos do início para o final de seção II].</P>


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    Quando ao final nos referimos à visão de Tolkien de como a mágica funcionava para Sauron, temos as seguinte palavras: "O poder de Morgoth estava disseminado através de todo o Ouro, se em nenhuma parte absoluto [pois ele não criara o Ouro] em nenhuma parte estava ausente. [Era este elemento-Morgoth na matéria, de fato, que era o pré-requisito para a "mágica" e outras perversidades que Sauron praticou com ele e sobre ele.]" </P>


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    Mas o que se segue explica minha fascinação pelo ouro, e porque eu acho que dragões seriam capazes de se sustentar a partir dele:</P>
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    "É bastante possível, claro, que certos "elementos" das condições da matéria tenham atraído a atenção especial de Morgoth [principalmente, exceto no passado remoto, por razões de seus próprios planos]. Por exemplo, todo o ouro [na Terra-média] parece ter uma tendência especialmente "maligna" - mas não a prata. A água é representada como quase inteiramente livre de Morgoth. [Isto, claro, não significa que um mar, rio, poço ou mesmo vasilhame de água em particular não pudesse ser envenenado ou poluído - como todas as coisas podiam.]"</P>


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    Então, não existe uma conecção específica com dragões, mas Tolkien pelo menos reservou alguns pensamente para o lugar em particular ocupado pelo ouro na hierarquia do que podemos chamar "substâncias mágicas" na Terra-média. Ouro é um elemento fascinante. É o terceiro metal mais condutivo que conhecemos [apenas cobre e prata são mais efetivos]. Em sua forma mais pura o ouro pode ser ingerido com segurança [embora sopa de ouro seja muita cara, segundo me contaram] mas não possui um valor nutritivo para nós. Dragões podem ou não ter se beneficiado da absorção de algumas libras de ouro. [Nota do tradutor: libras no sentido de peso]</P>


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    De fato, me foi apontado que o tesouro dos dragões incluem mais coisas do que apenas ouro. A barriga de Smaug, por exemplo, estava incrustrada com jóias. Mas qualquer um que viu o desenho de Bilbo e Smaug que Tolkien fez para O Hobbit [entitulada "Conversação com Smaug"] não poderá deixar de notar que a maior parte da cama do dragão é composta de ouro. Sim, existe todo tipo de coisas brilhantes espalhadas pela pilha [incluindo a Pedra Arken no topo da pilha] mas a maior parte do tesouro é ouro.</P>


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    Isso não quer dizer que as jóias não sejam especiais a seu próprio modo. Lembre-se como Ungoliant cobiçou as gemas que Melkor roubou dos Noldor em Formenos. Ela comeu todas exceto as Silmarilli e ficava mais poderosa enquanto o fazia. Estas gemas possivelmente não continham o que Tolkien se referia como elemento-Morgoth, mesmo Morgoth tendo sido mantido em Aman por um longo tempo. Então, a questão que surge é se existia algum outro elemento "mágico" com o qual Ungoliant estava se alimentando ou se ela estava simplesmente se alimentando da própria essência das pedras preciosas.</P>


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    Quando Ungoliant sugou a vida das Duas Árvores e depois sorveu a luz líquida dos Poços de Varda ela cresceu a um tamanho imenso. Ela tornou-se tão grande e poderosa que Melkor a temeu. Luz era o sustento de Ungoliant, mas a luz das Duas Árvores seria um produto do que poderíamos considerar "mágica pura", o poder de um Vala. Yavanna trouxe as Duas Árvores à vida pelo poder de sua canção, um ato de sub-criação inigualado dentro dos Salões de Eä, e que ela disse não ser capaz de repetir. Assim alimentada pelo poder do encantamento mais poderoso de Yavanna, Ungoliant tornou-se imensa e mais poderosa do que antes.</P>


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    Da mesma forma as gemas roubadas dos Noldor eram encantadas. Fëanor aprendeu como fazer pedras preciosas que brilhavam sob a luz das estrelas ou que brilhava de acordo com sua vontade. Ele teve muitos anos, durante os quais construiu um grande tesouro, e este tesouro foi transportado para Formenos quando Fëanor, Finwë e os filhos de Fëanor e os Noldor que os seguiram fixaram lá ao norte de Valinor durante o período do banimento de Fëanor de Tirion. Portanto Ungoliant foi capaz de se alimentar não apenas com a essência das jóias Noldorin mas também com o poder que Fëanor [e quaisquer outros artesãos] colocou nelas.</P>


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    Se os Noldor eram capazes de crias gemas mágicas em Aman, eles não seriam menos capazes de criá-las na Terra-média. E assim como os Noldor foram ensinados pelos Valar e Maiar, especialmente por Aulë, também os Anões foram ensinados pessoalmente por Aulë. Os Anões possuíam suas próprias habilidade e poderes especiais. Eles podem ter sido menos poderosos que os Eldar, ou talvez menos ambiciosos [pois eles nunca fizeram artefatos como os Anéis de Poder ou as Silmarilli]. Mas os Anões também colocavam seus pensamentos nas coisas que faziam, como o elmo-dragão de Dor-lomin, que protegia seus portadores de qualquer dano. E a Flecha Negra de Erebor que Bard usou para matar Samug pode ter sido um produto de mais do que um artesão experiente. Talvez algum mestre Anão, morto pelo dragão fazendo com que todo seu conhecimento fosse perdido com ele, tenha posto um grande esforço na sua criação e embuiu nela algo de seu poder.</P>


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    O poder dos Elfos - e dos Anões - podia não ser igual ao poder de Morgoth ou Yavanna, mas ainda sim seria uma fonte de encantamento. Um dragão sobre um tesouro Élfico [como em Nargothrond] ou um tesouro Anão [como em Erebor] poderia sugar ou simplesmente banhar-se nas energias dos criadores dos itens encantados tanto quanto ou quase tanto como no elemento-Morgoth contido no ouro. O que não quer dizer que os dragões tivessem que fazer isso, mas claramente a passagem de poder de um ser para um objeto é uma idéia que Tolkien usou várias e várias vezes, e um após o outro ele nos deu exemplos de poder passando de um objeto para uma criatura. As imensas energias que Melkor dispersou através de Arda em seus esforços para identificá-la consigo mesmo poderiam, coletivamente, ofuscar aquelas dos Elfos e Anões criadores de itens. Mas um tesouro de ouro e gemas não importa o quão grande fosse seria apenas uma pequena fração da essência de Arda. Assim cada pequena partícula ajudaria.</P>


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    Um senso de escala desenvolve-se quando pesamos os grande poderes [malignos] da Primeira Era contra aqueles das Eras posteriores. Melkor governou seu reino a partir de Angband, onde ele estava cercado por seus servos: Sauron, os Balrogs, Draugluin e os lobisomens, Orcs, Trolls, Thuringwethil e talvez outras criaturas como morcegos, e outros monstros não nomeados nas lendas dos Elfos e Edain. Ele criou lá alguns dragões e nutriu Carcharoth, o grande Lobo. Mas suas criaturas também residiam por toda a Terra-média. O cerco de Angband foi mais um show do que qualquer outra coisa, pois as forças de Melkor eram capazes de ir e vir como queriam através de rotas no norte. E Melkor recrutara muitos Homens do leste.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Na Segunda Era Sauron começou a agir por si mesmo. Ele eventualmente reuniu todas as criaturas malignas novamente mas quase todos os servos Maiar de Melkor haviam perecido ou se ocultado. E se existiam dragões a seu serviço eles parecem não ter conseguido muito em Eriador [a menos que quando Sauron queimou as grandes florestas de Minhiriath e Enedwaith na Guerra dos Elfos e Sauron ele o tenha feito com a ajuda dos dragões]. Ao final da Era Sauron tinha escravizado os Nazgul. Uma vez que um vasto exército de Elfos, Anões e Homens foi capaz de derrotá-lo, Sauron não era tão poderoso [militarmente] quanto Melkor havia sido ao final da Primeira Era. Parte da força militar sem dúvida vinha do número de magos ao serviço de Melkor, e de suas qualidades. Mesmo em seus estado decaídos os Maiar corrompidos eram bastante poderosos.</P>


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    Na Terceira Era Sauron tomou forma muito lentamente, e concentrou seus esforço ao redor de Dol Guldur por um longo tempo. Ele enviou o Senhor dos Nazgul ao norte para fundar o Reino-Bruxo de Angmar e de Angmar Sauron atingiu os Dunedain do Norte [e em uma extensão menor aos Eldar também]. Parte da estratégia de Angmar parecia ser corromper o Povo das Colinas de Rhudaur, alguns dos quais se tornaram feiticeiros. Mas, embora temidos pelos Homens, estes feiticeiros não parecem ter deixado marcas na história. Eles foram virtualmente eliminados durante ou após a guerra de 1409.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Embora Tolkien não fale das magias realizadas pelo Povo das Colinas ele revela alguma coisa sobre os tipos de magia utilizadas pelo Senhor dos Nazgul e pelos Espectros Tumulares, que foram enviados pelo Rei Bruxo para habitar os túmulos de Tyrn Gorthad após a Grande Praga ter destruído a maior parte do povo de Cardolan. Os Nazgul e os Espectros parecem ter sido adeptos de matar seres vivos, e os Nazgul especialmente [com suas lâminas Morgul] escravizavam os espíritos daqueles que matavam. O Espectro Tumular que capturou Frodo e os Hobbits estava pronto a sacrificá-los, presumivelmente para enviar seus espíritos a Sauron ou ao Senhor dos Nazgul.</P>


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    No Morgoth"s Ring, o ensaio sobre "Morte e separação do fea e hrondo [>hroa]", Tolkien fala de como os espíritos dos Elfos assassinados podiam prolongar-se na Terra-média:</P>
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    "Mas pareceria que nestes dias posteriores mais e mais elfos, sejam eles dos eldalië em origem, sejam de outras raças, que demoram-se agora na Terra-média recusando a convocação de Mandos, e vagam desabrigados no mundo, negando-se a deixá-lo e incapazes de habitá-lo, assombrando árvores, fontes ou lugares ocultos que conheciam. Nem todos destes são amigáveis ou intocados pela Sombra. De fato, a recusa à convocação é em si um sinal de mácula."</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    "É, portanto, algo imprudente e arriscado, além de ser um ato errado, proibido pelos Governantes de Arda, os vivos tentarem se comunicar com os desencarnados, embora os desabrigados possam desejá-lo, especialmente os mais indignos entre eles. Pois os desencarnados, vagando pelo mundo, são aqueles que no mínimo recusaram a porta da vida e continuaram pesarosos e auto-piedosos. Alguns são preenchidos com rancor, desgosto e inveja. Alguns eram escravizados pelo Senhor do Escuro e ainda fazem o seu trabalho, apesar de ele ter partido. Eles não dirão verdades ou sabedoria. Apelar-lhes é uma tolice. Tentar dominá-los e fazê-los servos da própria vontade de alguém é perversidade. Tais práticas são as de Morgoth; e os necromantes são da hoste de Sauron, seu servo."</P>


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    Alguns dizem que aqueles Desabrigados desejavam corpos, embora não desejassem consegui-los através da lei pela submissão ao julgamento de Mandos. Os mal intencionados dentre eles iriam tomar corpos, se pudessem, sem seguir a lei. O perigo de se comunicar com eles era, portanto, não apenas o perigo de ser iludido por fantasias ou mentiras: também existia o perigo da destruição. Para um dos famintos Desabrigados, se fosse admitido à amizade dos Viventes, poderiam procurar expulsar o fëa do corpo; e na disputa pelo controle o corpo poderia ficar gravemente ferido, mesmo que não tivesse sido arrancado de seus morador de direito. Ou os Desabrigados poderiam implorar abrigo, e se admitido, procurariam escravizar seu anfitrião e usar tanto sua vontade como seu corpo para seus próprios objetivos. É dito que Sauron fez tais coisas, e ensinou ao seus seguidores como alcança-las.</P>


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    Alguém pode se espantar com o que a última frase significa. Sauron foi conhecido com o Necromante durante os longos anos em que residiu em Dol Guldur. Ele operou sem corpo para escravizar outros enquanto recuperava sua força? Ele algumas vezes abandonava o próprio corpo para trabalhar com feiticeiros que pensavam que podiam escravizá-lo? O que veio a ser dos escravos que Sauron obteve desta forma, e quem seriam seus seguidores que podiam praticar tais enganações? Estariam os Nazgul tomando posse de tais possíveis feiticeiros? Tais ligações arriscadas com Sauron poderiam explicar tanto porque ele era capaz de manipular tantos líderes dos Homens como porque eles se sentiam atraídos por ele em primeiro lugar. Os xamãs e reis e líderes não saberiam, até ser tarde demais, que seus predecessores que se tornaram poderosos não eram nada mais do que avatares de Sauron. Isto não quer dizer que todos os servos de Sauron seriam diretamente manipulados. Mas os mais poderosos dentre seus servos e aliados de fato poderiam ser feiticeiros-marionete.</P>


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    Talvez isto explique o costume bárbaro onde os reis queimavam-se em uma pira. Denethor II escolher morrer desta maneira e Gandalf o repreendeu por isso, dizendo que apenas os reis bárbaros eram tratados dessa forma. Se Sauron não tivesse mais uso para um de seus escravos poderia ser conveniente destruir todas as evidências de sua possessão do que deixar que seus seguidores aprendessem a verdade, ou alguma porção dela. Por outro lado, pode-se argumentar, se Sauron e os Nazgul podiam controlar pessoas, porque o Senhor dos Nazgul não usou o corpo de Earnur para ter controle sobre toda Gondor? Pode ser que, se ele fizesse a tentativa, o Senhor dos Nazgul não tivesse o poder necessário. Earnur não iria coloborar de livre vontade com um Nazgul ou mesmo com o próprio Sauron. Sua vontade seria rompida mas ele provavelmente morreria, consumido pelo esforço.</P>


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    O medo que alguns dos Rohirrim demonstram, perguntando-se se Aragorn e seus companheiros poderiam ser espectros Élficos quando ele toma as Sendas dos Mortos, também pode dar fundamento à suspeita de que talvez ele tenham sido possuídos por espíritos Élficos. A especulação implica que os Rohirrim teriam experiência com homens possuídos por espíritos Élficos, ou talvez tenham ouvido contos o bastante sobre tais homens para acreditar que seriam verdade. E finalmente sabemos que Tolkien não estava apenas revendo o tema quando escreveu o ensaio sobre morte e conitnuidade do espírito e corpo. Ele estava preenchenco algumas lacunas na estrutura já estabelecido pelO Senhor dos Anéis.</P>


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    E dessa forma nós podemos seguramente deduzir que, no mundo de Aragorn e seus companheiros, existiam ou existiram homens que tolamente tentaram tornar-se poderosos através de meios não-naturais. Talvez inspirados por ou invejosos dos Istari e Elfos, que possuiam tais habilidades naturalmente, homens foram conduzidos em direção das trevas. E o aparente aumento no força e sofisticação dos inimigos de Arnor e Gondor também podem mostrar aqueles homens sucumbindo à tentação de forjar alianças com espíritos malignos, embora pudessem não ter idéia do que estavam fazendo.</P>


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    O que nos traz de volta ao assunto de como os homens podem ter começado tal experimentação. Mesmo Sauron precisou de um primeiro voluntário para sucedê-lo. Será que ele descobriu que os homens já estavam brincando com esta idéia quando tomou forma novamente? Terá ele plantado as sementes de tais práticas durante a Segunda Era? Se sim, a antiga sabedoria recuado para o leste distante mas não poderia estar completamente perdida. Talvez os nazgul tivessem mantido o conhecimento vivo em antecipação ao eventual retorno de Sauron. E homens buscando poder poderiam procurar por objetos de poder. Ouro seria valioso, mas ouro trabalhado pelos Elfos e Anões seria mais mágico do que qualquer coisa que os Homens pudessem conquistar por si mesmos.</P>


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    Portanto, pessoas desejando tornar-se feiticeiro poderiam barganhar com Elfos e Anões se possuíssem riquezas e recursos que os Elfos e Anões desejassem. De outra forma, Homens poderiam pilhar Elfos e Anões na esperança de obter tesouros. A animosidade e estranhamento que se criou entre Homens e as outras raças durante a Terceira Era podem ter tido muitas causas, mas Tolkien cita que os Anões eram frequentemente saqueados pelos Homens, provavelmente mais do que pelos dragões. E assim geração após geração de feiticeiros e estudantes de necromancia poderiam lutar e obter artefatos preciosos e gemas, valorizando-os não por sua beleza mas sim por seus encantamentos.</P>


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    Não que todos os praticantes de magia tivessem que ser malignos. Os Numenorianos de Cardolan, pelo menos, tinham modos de criar espadas encantadas. As espadas do túmulos que Tom Bombadil deu aos Hobbits eram "imbuídas com feitiços para a destruição de Mordor". Faramir fala a Frodo e Sam que mesmo em Gondor alguns de seu povo continuavam a fazer elixires na desesperada busca por vida longa, e alguns homens continuavam a se relacionar com os Elfos. Em uma carta para um leitor, Tolkien fala que Beorn era um homem "ainda que um Troca-Peles e um pouco de mago". Tais homens não haviam procurado comunicar-se com espíritos Élficos, os Desencorporados, ou com Sauron e os Nazgul. Eles teriam procurado uma sabedoria mais pura.</P>


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    E uma vez que o poder de Melkor estava disseminado através do mundo físico existia muito material com o qual trabalhar. Não é necessário encantar material que já está encantado. Ouro era um material ruim para armas mas podia ser inserido nas lâminas de espadas de ferro [como nas lâminas tumulares]. As lâminas tumulares eram também decoradas com gemas, e feitas de um estranho metal que os Hobbits não reconheceram. E Denethor reconheceu imediatamente que a espada de Pippin havia sido feita pelos Dunedain do norte. Ele reconheceu a arma pelo seu desenho, seus materias ou por alguma outra coisa?</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Os Numenorianos também contruiram a grande torre de Orthanc, cuja pedra era tão lisa e forte que não podia ser quebrada pelos Ents. Exista magia envolvida ali? Estaria a pedra negra com a qual os Numenorianos trabalharam cheia com uma quantidade extraordinariamente grande da essência de Melkor ou seria simplesmente suficiente que eles pudessem murmurar ou cantar seus pensamento nela e a torre se tornaria quase impenetrável? E do que a pedra negra de Erech era feita? Por que era tão importante para os Homens Mortos de Dunharrow? Isildur a colocou ali, e seu rei havia feito um juramente sobre ela. Seria, talvez, a pedra um repositório de elemento-Morgoth maior do que, digamos, outras pedras de forma e tamanhos similares?</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Mas então Isildur teria sido capaz de fazer uso do elemento-Morgoth para amaldiçoar os Homens de Dunharrow por quebrarem seu juramento? Como um Homem ele era desprovido do poder necessário para confinar os espíritos de uma tribo inteira na Terra-média por milhares de anos. Mesmo o mais poderoso dos feiticeiros entre os Homens parece não ter atingido nada comparável. Então a maldição de Isildur deve ter sido ampliada por algo maior, algo mais puro. Mesmo os Valar não tinham a autoridade de manter os Homens nos Salões de Eä para sempre. Seria um ato de desafio e rebelião para com Námo manter um espírito Humano tanto tempo, ao final das contas. Então a vontade e a autoridade que reforçou a maldição de Isildur deve ter vindo de um poder maior, e este poderia ser apenas o próprio Ilúvatar.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Como um Rei de Gondor, Isildur era, de fato, um sacerdote de Ilúvatar por parte de seu povo. "Parece que," Tolkien aponta na Carta 156, "que existia uma "área santificada" no Mindolluin, aproximável apenas pelo Rei..."</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    "...onde ele antigamente oferecia graças e louvores por parte de seu povo; mas isto foi esquecido. Foi relembrado por Aragorn, e lá ele encontrou um broto da Árvore Branca, e a replantou no Pátio da Fonte. É presumível que com o ressurgimento da linha dos reis sacerdotes [da qual Lúthien, a Abençoada Dama Élfica, era uma antepassada] o culto a Deus poderia ser renovado, e Seu Nome [ou título] seria novamente ouvido com mais frequência. Mas não existiriam templos do Deus Verdadeiro enquando a influência Numenoriana persistisse."</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Os Reis de Gondor [e, presumivelmente, os Reis de Arnor] estariam apenas continuando ou revivendo o antigo culto que seus povos praticavam em Numenor.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    "Os Numenorianos então começaram um grande novo bem, como monoteístas; mas como os Judeus com um único centro físico de "adoração": o pico da montanha Meneltarma "Pilar do Céu" - literalmente, pois eles não concebiam o céu como a residência divina - no centro de Númenor; mas não possuía construções nem templos, e todas essas coisas tinham uma associação com o mal...."</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Ilúvatar não encheu Arda com sua essência pessoal como Melkor fez, mas não havia necessidade. Ilúvatar criou Eä com a Chama Imperecível, e colocou a Chama em seu interior. Os Salões de Eä eram incontestavelmente identificados com a vontade de Ilúvatar, e as maquinações mesquinhas de Melkor podiam apenas inserir uma identificação com Arda. Portanto Ilúvatar é livre para agir em sua criação assim que desejar. E Gandalf aponta para Frodo que existiam alguns propósitos-guia funcionando em Arda, quando ele diz "Existe mais do que um poder funcionando, Frodo. O Anel está tentando voltar para seu mestre... por trás disso algo mais trabalha, além de qualquer propósito do Criador do Anel. Não posso colocar isso de forma mais simples do que dizendo que Bilbo estava marcado para encontrar o Anel, e não o criador do mesmo..."</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    E podemos estar certos que Gandalf falava de Ilúvatar pois Tolkien o diz na Carta 156 "Então Deus e os deus "angelicais", os Senhores ou Poderes do Oeste, apenas olhavam através de certos locais como a conversação de Gandalf com Frodo". Tendo os Valar alguma parte na decisão de se Bilbo encontraria o Anel ou não, Tolkien está claramente incluindo Ilúvatar na decisão.</P>


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    A inserção de um elemento divino na "mágica" da Terra-média então levanta uma questão sobre aplicabilidade. Estaria a palavra "mágica" sendo muito usada? Nesse ponto Tolkien demonstra arrependimento em ter usado a palavra, que descreve tanto os trabalhos sub-criacionais dos Elfos quanto "as fraudes do Inimigo". Ainda quele ele defina dois aspectos da mágica, magia [efeitos físico] e goétia [efeitos na mente e espírito], ele insistiu que tanto um quanto outro tipo poderiam ser bom ou mau dependendo do motivo do usuário, e que tanto os personagens bons [Valar, Elfos] quando os Maus [Melkor, Sauron] utilizaram ambos os tipos de mágica. E mais: todos as "mágicas" ou poderes vieram em última instância da vontade ou pensamento de Ilúvatar, que criou os seres que praticavam mágica. Então, se os poderes de Melkor, ou Ulmo, são o produto do pensamento de Ilúvatar, ele difere em natureza das intervenções diretas de Ilúvatar?</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Em um aspecto, o poder de Melkor é dele próprio: dado a ele irrevogavelmente por Ilúvatar. Apenas Ilúvatar ou Melkor poderiam alterar sua força natural. Outros seres, como Manwe e Namo, poderiam ser capazes de capturas e executar Melkor, e portanto enfraquecê-lo como resultado dele ser forçadamente desalojado de sua encarnação física. Mas tal desalojação seria resultado das leis físicas da Criação. Isto é, Ilúvatar fez as regras que mesmo Melkor tinha que obedecer. Ele não poderia simplesmente recusar ser morto. Sua encarnação física era sujeita às consequências da fisicalidade. Portanto existia uma chance real, embora mínima, de Fingolfin matar Melkor. E por isso também que Gil-galad e Elendil [ou Isildur, como alguns acreditam] foram capazes de matar Sauron. Sauron morreu em Númenor mas a destruição de Númenor foi causada por Ilúvatar. A morte de Sauron na encosta do Orodruin foi atingida por um ser ou seres com poderes e estatura muito inferiores a Manwe.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    O aspecto divino da "mágica" é, portanto, identificável com as leis da natureza. Isto é, a vontade de Ilúvatar não pode ser distinguida de um aspecto de si mesmo ou de sua criação. Se a Criação deve comportar-se de uma certa forma, e a própria Criação é atingida pelo poder de Ilúvatar, então todas as coisas da Criação estão, por extensão, exibindo o poder de Ilúvatar, embora porções desse poder tenham sido dados irrevogavelmente a elas.</P>


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    Pode existir, portanto, um aspecto de Arda [e todos os Salões de Eä, a Criação] que é muito parecido com o elemento-Morgoth, embora mais puro e mais consistente: um elemento-Ilúvatar. Não utilizável com finalidade de conduzir "mágica", talvez, mas irrevogavelmente estampado com sua vontade. Coisas existem porque Ilúvatar disse que ela poderiam existir, e elas funcionam de acordo com as Leis da Criação que ele definiu. Então, todo o poder dos Ainur e Elfos e Anões, seja por eles retido ou inserido em outros itens, devem existir e funcionar de acordo com as leis naturais de Ilúvatar. E o próprio Ilúvatar portanto não precisaria transgredir suas próprias leis para executar sua vontade sobre o mundo. O mundo irá executar sua vontade para ele porque as leis da natureza fderivam de sua própria vontade.</P>


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    Isto é, não existe distinção real entre a "mágica" de Ilúvatar e a "mágica" de Melkor, exceto em escala e pureza de propósito. O poder de Melkor é incomparavelmente menor do que o de Ilúvatar, mas a perversão de Melkor também corrompeu seu poder então ele é impuro. Todo o poder é retirado da mesma forma e corre a partir da mesma fonte. Mas Ilúvatar concedeu irrevogavelmente poderes, em alguma proporção, às criaturas de seu pensamento. Os esforços de Melkor para identificar-se com Arda através da disseminação de sua força através do mundo foi, de fato, um ato de desafio. E amplamente infrutífero. Ilúvatar não irá cancelar seus presentes a Melkor, mas também não é barrado pela vontade de Melkor.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Por outro lado, tendo feito os Salões de Eä e os populado com os Ainur e outras criaturas de estatura similar porém inferior, Ilúvatar nãoprecisa infundir continuamente seu poder em Eä. Então existe um aspecto finito na mágica. Apenas uma certa quantia desse poder veio para o universo e apenas uma certa quantia foi adicionada através do nascimento de seres que possuem a habilidade de encantar coisas. A separação de Aman da Terra-média de uma certa forma limita ou mesmo reduz a mágica que pode ser "utilizada" pelos Homens e outros seres. O que Melkor deixou para trás trata disso disso. Novos Elfos e Anões podem ter nascido, mas seus poderes são incomparavelmente pequenos perto do poder de Melkor. Assim que os Elfos partem ou morrer, assim que os Anões morrem, e seus artefatos desaparecem ou são destruídos, a reserva de mágica disponível e passível de utilização diminui. </P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Isto é, com o passar dos milênios tornar-se-ia mais e mais difícil para os Homens praticarem a "verdadeira" mágica porque as fontes de mágica dais quais necessitavam se tornariam cada vez menos. Uma das mais fortes críticas levantadas contra Tolkien por escritores atuais de fantasia é que parece não haver limite para a mágica em seu mundo, e nada poderia estar mai longe da verdade. "Mágica" é extremamente difícil de definir, mas as expressões de poder, a criação de "artefatos mágicos", diminuíriam em tamanho e número com o passar das Eras porque o poder estaria deixando a Terra-média.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Portanto as Silmarilli de Fëanor e os Anéis de Poder definem um limite superior da expressão de poder na Terra-média. Sem dúvida outros grandes trabalhos foram realizados: as cidades de Gondolin, Mengroth e Khazad-dum eram, de muitas maneiras, "mágicas". Mas elas eram os produtos de populações inteiras, o resultados de eras de trabalho. E mesmo assim nada como elas poderá ser contruído novamente. Mesmo na Quarta Era, quando Durin VII liderou seu povo novamente para Khazad-dum, é improvável que eles pudessem reviver a antiga glória de sua cidade. Apenas um eco do passado poderia ser alcançado, em parte porque seu número havia se reduzido, mas também porque eles haviam perdido muito da antiga sabedoria. Khazad-dum era a última relíquia de eras onde cidades mágicas eram possíveis. Agora elas são simplesmente lendas.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    O medo de Galadriel de que seu povo pudesse diminuir na Era dos Homens, condenado a se tornar um povo rústico de cavernas e vales, é portanto assentado sobre um problema bastante real. Uma vez que os Anéis de Poder deixaram de existir, os Elfos [que haviam sido protegidos dos efeitos do Tempo] teriam que deixar a Terra-média. Os Elfos perderam não apenas grande parte de seu conjunto de talentos, mas também suas "reserva de poder". Isto é, restaram menos Elfos para construir novas cidades. Alguns dos Alto Elfos permaneceram em Imladris e Lindon mas eles nunca mais poderiam ser uma grande nação Eldarin. Não existiriam mais artefatos, nem cidades a serem cionstruídas nas terras dos Homens. E os Elfos que compreendiam que Arda continuava possuindo o elemento-Morgoth poderiam relutar em utilizá-lo novamente na mesma escala da criação dos Anéis de Poder. Eles aprenderam através de muitas lições amargas qual era o preço de trabalhar com tal mágica.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Algo pode ser dito aqui sobre o Mithril. Se ouro é altamente mágico, Mithril seria ainda mais? Eu acho que sim. Desafortunadamente é extremamente difícil obtê-lo. Ouro é bem mais abundante. Também o são as jóias. E muito do mithril que foi trazido à luz está perdido. Tar-Telemmaite, décimo-quinto rei de Númenor, coletou todo o mithril que pode encontrar. Sauron também coletou todo o mithril que pode. Embora seja duvidoso que os Numenorianos tivessem sido feiticeiros, Sauron pode realmente ter encontrado usos mágicos para o seu mithril. E quando Barad-dur foi destruída uma grande quantidade de mithril pode ter sido destruída com ela. Lentamente o mithril desapareceu da Terra-média.</P>


    <P class=CorpoTexto>
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    Pode ter havido uma boa razão porque o Balrog de Moria escondeu-se em ou perto de um veio de mithril. O mithril em seu estado natural pode ter mascarado seu poder. E pode ser que se os dragões pudessem realmente drenar poder do ouro e jóias que pudessem drená-lo do mithril também. Mas se prata [prata normal] possuía menos elemento-Morgoth que o ouro, o mithril possuíram mais do que a prata? Ou, sendo "prata verdadeira", o mithril estava praticamente livre do elemento-Morgoth? Nós provavelmente nunca vamos saber.</P>
    Tradução de Fábio Bettega
     

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