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Lotus - O Pedido

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Breno C., 6 Set 2008.

  1. Breno C.

    Breno C. Usuário

    Primeira parte: O Pedido

    [align=center]O pedido.[/align]

    [align=right]Dezembro, 21 de 1921[/align]

    Existe um rio chamado vida e é nele que navegamos com nosso pequeno e frágil barquinho. E assim como existe o rio, também existem as margens dele. Na margem direita temos a sanidade, que é munida de razões e lógicas e é por onde costumamos andar quando saímos de nosso barco para pegar mantimentos a fim de sobreviver às escolhas que temos que fazer quando navegamos pelo rio da vida. Na esquerda temos a margem da insanidade, que é casualmente visitada por alguns de nós que acreditam em uma vida recheada de momentos insanos e sem lógica. Eu sou uma dessas pessoas que um dia parou bem nas praias da margem da insanidade e de lá quase adentrou na floresta da loucura.
    Minha saga começa no dia que fui fazer o grande pedido a filha mais velha dos Hinton. Isso foi a exatos dois meses atrás e posso dizer com toda a certeza que naquele tempo eu não passava de um garoto descrente em um futuro feliz, só me importando com os benefícios que aquele uniam podiam me gerar, pois a filha mais velha dois Hinton era a herdeira mais rica de toda a cidade, caso o senhor e senhora Hinton morressem. Então naquela tarde de domingo após a missa na igreja de Santa Luzia, eu caminhei na direção da família Hinton, mas precisamente dos pais e me apresentei como jornalista de um pequeno jornal da cidade. Claro que eles já me conheciam, porque meus pais e os senhores Hinton haviam sido grandes amigos quando eles ainda eram muito ricos.
    - Mas é claro que nós lhe conhecemos pequeno Jef (Jeferson) – a senhora Hinton disse para mim, mostrando seus dentes brancos como nuvens – E fico espantada de você estar com toda essa cerimônia para conosco, você deve se lembrar de que seus pais eram grandes amigos nossos – ela disse “eram” como se eles houvessem morrido.
    Trocamos um papo, como dizem por ai nas gírias dos negros. Não foi a tarde mais maravilhosa da minha vida e nem a mais movimentada, mas eu tinha um objetivo em mente e sentia que ele poderia se cumprir mais rápido do que imaginava, porque senti olhares da jovem Susan destinados a minha pessoa. Quando se é um jornalista, acabasse ganhando certos poderes como o da observação. Desde que me sentei à mesa deles, percebi que Susan me olhava com certa interrogação. Susan não é do tipo de garota que tira o ar de um homem, chega até ser simples de mais com seus cabelos loiros sem brilho e seu olhar azul embaçado, porém ela carrega nas faces um certo ar de nobreza que é muito comum em todas as mulheres da família Hinton, segundo o que meu pai mesmo me contava quando eu era mais jovem. E quem sabe aquele ar de nobreza poderia conquistar meu coração havido pelos contatos e dinheiro que aquela família poderia me conceder.
    Já no final da tarde, anunciei minha intenção de visitar os Hinton no dia seguinte em sua casa para tratarmos de assuntos pessoais. Acho que nesse mesmo momento a Sra. Hinton percebeu minhas reais intenções já que abriu um grande sorriso e o direcionou a Susan que estava a minha direita, com a perna coberta com o guardanapo quase encostando em mim. Foi um momento meu esquisito, pois o Sr. Hinton me concedeu a dádiva de entrar mais uma vez eu sua mansão mos o fez com uma ressalva um tanto quando esquisita.
    - Olha rapaz – ele junta as mãos como se fosse rezar – permito que vá a minha casa, pois sei que é um bom rapaz, mas quero que fique sabendo que em minha casa até as mulheres pensão com suas próprias cabeças.
    Na hora não entendi o que ele queria dizer com aquilo, mas enquanto caminhava em direção ao meu apartamento, fui pensando melhor naquela declaração que poderia ser vergonhosa para qualquer pai de família, mas que para ele era como se fosse algo do qual se orgulhar. Percebi que ele também havia entendido as minhas intenções para com uma dê suas três pedras preciosas, ela tinha mais duas filhas e as tratava como se fosse raridades, apesar de nenhuma delas ser muito interessante, a mais nova, Beth, tinha claros problemas de concentração, o que para mim denuncia uma certa demência.
    Eram sete horas da manhã quando me levantei no dia seguinte ao do piquenique beneficente da igreja de Santa Luzia. Estava muito ansioso, era como se estivesse indo a uma entrevista de emprego, e de um bom emprego, dependendo da resposta que eu receberia ali na sala dos Hinton, ornamentada com belas tapeçarias e cortinas de seda oriental, poderia me tornar um homem rico. De certa forma foi muito estranho o modo com o qual fui tratado por toda a família Hinton naquele piquenique, sou um reporte pobre, que vem de uma família falida e nos repórteres já somos descriminados demais pelas classes mais avantajadas. Eles acreditam inferiores ou que levamos uma vida promiscua, o que não é de todo errado, mas mesmo assim costuma me deixar muito chateado, afinal de contas eles precisam tanto de nós como nós deles. Os Hinton me trataram muito bem, permitiram que me sentasse a mesa deles, que compartilhasse da mesma comida, logo eu que sou um dos repórteres mais pobres da região.
    Caminhei até a mansão dos Hinton as nove horas. Ela ficava numa parte nobre da cidade, uma área residencial e levei quarenta minutos para chegar até lá, mas não me incomodei, precisava pensar no que iria dizer para os Hinton. Nunca havia pedido a mão de uma garota e já havia ouvido sobre casos em que o pretendente era humilhado pela família da jovem em questão. Definitivamente eu não seria humilhado, as pessoas que me receberam tão bem em sua mesa de piquenique, não iriam me humilhar. Minhas mãos suavam quando apertei a campaninha, mas não demorei a ser atendido e quem veio me receber foi a pequena Barbara, a filha “do meio” do Hinton, que é uma garotinha muito agradável com o mesmo ar de nobreza no olhar. Quando passei pela porta e entrei na ante sala da casa, vi no relógio que eram quase eram nove e cinqüenta, o que me fez perceber que demorei dez minutos fora da casa, tentando decidir o que faria. Mas logo fui guiado pela casa até chegar a sala de visitas aonde se encontravam todos os membros da família, até mesmo uma negra que deveria ter sido a ama de leite de todas aquelas crianças além de ser a provável amante do senhor Hinton.
    - Pequeno Jef, que bom que você veio – a mulher insistia em me chamar de pequeno Jef, mesmo vendo que eu tinha o dobro de seu tamanho. – por um minuto achamos que não veria mais fazer o pedido.
    - Como senhora Hinton? – fiquei perplexo por perceber que todos já tinham entendido a minha intenção. – Como a senhora sabe que eu vim fazer pedido?
    - Clarice, não deixe o rapaz constrangido – interrompeu o Sr. Hinton com seu cachimbo na mão esquerda. – Vamos deixar que ele mesmo faça as coisas. Isso me faz lembrar do dia em que foi pedir sua mão em casamento... – tinha que interromper, senão ouviria a história mais longa da minha vida.
    Interrompi dizendo que estava muito nervoso, e logo me foi oferecido um lugar para sentar aonde eu ficava de frente para toda a família, inclusive para Susan, o que me fez perceber que ela tinha as faces rosadas além de não conseguir olhar em minha direção, sempre mantendo a cabeça baixa. Eu tinha que ser rápido, estava percebendo que talvez meu pedido seria acatado por toda a família.
    - Senhor e senhora Hinton, eu, Jeferson Randle, venho até a sua casa com a intenção de pedir a mão de sua filha mais velha, Susan, em casamento... – as palavras quase não saíram da minha boca.
     

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