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Livros "difíceis" vs Livros "fáceis"

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Giuseppe, 18 Mai 2018.

  1. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Alguém aí costuma diferenciar entre um livro fácil e um difícil? Vou explicar. Na minha mente existem essas duas categorias de livros, e cada livro que existe está classificado em alguma delas no meu cérebro, mesmo que inconscientemente. Bem, alguns livros são uma leitura realmente fluida, um verdadeiro prazer, e você nem percebe que acabou de ler 50 páginas. Mas outros são um verdadeiro esforço mental, e é difícil ler mais do que cinco páginas de uma vez. Os primeiros exemplos que me vem à mente são "A Ilha do Tesouro" de Robert Louis Stevenson, que é um livro bem fácil de ler, e "Em Busca do Tempo Perdido", de Marcel Proust, que é uma leitura bem pesada. Ulisses, de James Joyce, também é um livro difícil.
    Por gentileza, compartilhem seus pensamentos sobre esse fascinante assunto.
     
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  2. Nírasolmo

    Nírasolmo Usuário

    Bom,considerando esse fator,eu nunca li um livro difícil.Todos os livros que li,gostei,mesmo que demorasse para lê-los.Até Senhor dos Anéis que pode ser considerado como um livro denso e riquíssimo em detalhes,no meu caso,a leitura fluiu bem,tanto que lia 100 páginas por dia,em média.Talvez Adultério,de Paulo Coelho,que,quando adquiri,li um pouco e não gostei,mas dois anos atrás li e gostei,tal como Fim,de Fernanda Torres.
    Mas realmente livros que me proporcionaram uma leitura prazerosa,além de Senhor dos Anéis,foram O Hobbit,também de Tolkien,Harry Potter,de J.K. Rowling,1822,de Laurentino Gomes e Brasil:Uma Biografia,da antropóloga Lilia Moritz Schwarcz
     
  3. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Tolkien é o meu autor favorito de ficção, e nem sei como imaginar minha vida sem ele, mas pra mim tem algumas partes no Senhor dos Anéis que são bem difíceis de se ler de forma que eu preciso ir bem aos poucos. Estou falando principalmente de algumas partes onde há bastante descrição de paisagens. É claro que essa é uma das características de Tolkien, mas nesses trechos específicos tenho que ir um pouquinho por vez pra não cansar. Mas a Terra Média nunca seria a mesma sem esses detalhes e a própria natureza da obra exige que ela seja assim. Tolkien sabia exatamente o que estava fazendo.
     
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  4. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Para além do livro poder ser escrito hermético de forma proposital versus acidental/erro há também outros fatores.

    Em geral os livros técnicos são considerados bem escritos quando o autor consegue ser claro e objetivo dentro da única interpretação que o autor permite.

    Já livros "não técnicos" a "mão do autor" poderá permitir variados graus de liberdade de imaginação a depender da personalidade, instrução qualidades e defeitos do escritor. Por exemplo, alguns autores de fantasia preferem não esclarecer passagens difíceis e sim deixar as perguntas em aberto. Outros criam limites apenas quando são estimulados (tipo o Tolkien respondendo cartas e perguntas).

    Em clássicos da literatura a leitura vai se tornando mais "secreta" com a passagem dos anos porque o tempo vai apagando as referências culturais e de estilo e um livro pode se separar em muito da compreensão do público num futuro em que o idioma mudou bastante.

    É um sonho de muitos autores conseguir construir uma sintonia do público com a obra dele. Todavia não é um sonho nítido para muitos deles e para alguns não é também uma prioridade (há quem escreva sem realmente querer que um monte de gente aprecie ou entenda facilmente um livro).

    De todo modo se o escritor consegue estimular a leitura da obra que escreveu fazendo com que o leitor descubra passagens insinuadas, se ele é capaz de fazer o leitor usar a imaginação para se auto-descobrir e completar a peça final na cadeia de leitura, a relação não dependerá apenas da riqueza (interior) de quem escreve mas também da riqueza de quem lê (um bom escritor é um bom leitor).

    Costuma-se comentar que para escrever um livro é preciso de uma vila de pessoas e o mesmo vale para um leitor. Para se formar um bom leitor é preciso de uma cadeia feliz de acontecimentos.

    Quando a cadeia é quebrada em um ponto crítico, parágrafos redundantes, frases sem fluidez, explicações obscuras, etc... o leitor se percebe "deixado do lado de fora da obra" sem a imersão ou sequer sem acesso ao conteúdo.

    Pessoalmente já li livros técnicos em que o texto original que era em espanhol já vinha muito ruim e a tradução se encarregou de deixá-lo com cara de ser de outro mundo de tão difícil que ficou o texto.

    Outro exemplo de construções mal planejadas são livros de cursos de inglês no Japão. Nos livros eles usam formações difíceis e gramaticalmente corretas, mas com grandes problemas de compreensão e que nunca, nunca mesmo são usadas nos países falantes de língua inglesa. São feitos para fazer uma nota de corte para provas de escola ao cobrar decoreba de gramática mas não ensinam direito. Tipo um monte de livros de matemática que pioram o aprendizado pela dificuldade da leitura, por serem mal escritos.
     
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  5. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Há também os autores que escrevem em uma linguagem simples, do dia a dia, e de forma pausada. Já outros usam uma linguagem rebuscada, tanto que você tem que usar o dicionário a cada dois minutos, sem falar em frases complexas, onde há várias mudanças de raciocínio em uma mesma frase. Às vezes eu tenho que voltar e reler tudo de novo (minha atenção não é das melhores).
     
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  6. Eriadan

    Eriadan Usuário Usuário Premium

    Tenho uma imensa resistência aos parágrafos infinitos de Saramago. Nunca consegui passar das primeiras páginas. Por causa dessa experiência sempre evitei os autores alemães, que costumam gostar de parágrafos longos.
     
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  7. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Eu evito de maneira geral todos os autores "difíceis". Sei lá, quando eu leio um livro é pra relaxar, me divertir, ter uma experiência que me dá alegria, e por isso não gosto de ler em um estado mental de tensão e concentração extrema.
     
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  8. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Eu sinceramente não acho uma tarefa fácil rotular um livro de leitura fácil ou difícil, pois sempre haverá alguns que poderão ser fáceis pra mim, mas não pra outros e o inverso é verdadeiro.

    O que penso é que existem livros com conteúdo mais denso, complexo ou com uma forma de escrita ou um assunto que se você nunca teve contato antes, no mínimo torna a leitura mais lenta, forçando o leitor a ter que parar pra buscar uma melhor e maior compreensão do que está lendo, senão corre o sério o risco da leitura empacar e vir a desistir no meio do caminho. Eu por exemplo já cheguei a pensar num primeiro contato com uma obra de Agatha Christie, ela ser uma autora de livros difíceis, mas depois que fui lendo outros vários títulos e gostando cada vez mais do estilo dela, hoje ela é uma das minhas preferidas e a leitura flui fácil sem dificuldade pra mim.
     
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  9. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Realmente, conforme você vai apreciando e se acostumando com o estilo do autor, a leitura se torna mais fluida. Acho que foi o que aconteceu comigo em relação à Tolkien. E sobre o que você disse sobre o assunto do livro ser complexo, isso também conta (e muito!) mas eu estava me referindo principalmente ao fato de certos autores terem uma prosa difícil de acompanhar, independente de qual é o assunto tratado.
     
  10. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Eu ainda acrescentaria o seguinte: o fato de eu escolher um livro teoricamente bem fácil e bem fluido de ler não necessariamente é garantia ou sinônimo de uma leitura prazerosa, pois não é raro em algum momento pegar um título cuja experiência me trouxe apenas uma sensação de "mais do mesmo" e não acrescentou quase ou nada de novo.

    Já por outro lado, mesmo que a leitura tenha sido difícil, eu posso também ter uma experiência de prazer maior, pelo fato de ter sido uma leitura desafiadora, inédita e que trouxe uma riqueza de aprendizado e conhecimento bem mais interessante, o que reforça a teoria que é sempre bom de vez em quando sairmos da zona de conforto e estar sempre aberto ao novo e os livros não são muito diferentes de trilhas que escolhemos para caminhar e desbravar.
     
  11. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Com certeza. Eu mesmo, apesar do desconforto/cansaço, faço um esforço pra ler livros que eu realmente quero ler e que vão me fazer bem, mesmo que não seja exatamente uma leitura leve e fácil. Concordo totalmente com a ideia de sair da zona de conforto, pois senão caímos na estagnação.
    Dito isso, ainda acho que quando eu quero relaxar e aproveitar um momento livre, é muito mais atraente para mim algo que não seja considerado uma leitura desafiadora.
    Enfim, há o momento certo pra tudo, seja pra fazer um esforço e expandir nossos horizontes aprendendo uma coisa nova, ou seja simplesmente pra relaxar.
    Se eu estiver o tempo todo estudando alguma coisa, nunca vou ter tempo pra poder apenas aproveitar.
     

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