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Literaturas Africanas de Língua Portuguesa

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Excluído046, 24 Out 2010.

  1. Excluído046

    Excluído046 Banned

    "Nunca escrevi, sou apenas o tradutor de silêncios." - Mia Couto.
    Não quero me colocar como uma conhecedora das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, muito menos como uma tradutora dessas silenciadas Literaturas. Quero, antes de mais nada, esclarecer que sou apenas uma pessoa que se interessa por ler a tradução desse silêncio, que tem a curiosidade de ouvir esse silêncio.

    Tópico para indicações de (e discussões sobre) obras de autores de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.

    Antes de indicar alguns escritores - o que devo fazer em outro post -, quero pontuar alguns aspectos importantes sobre as Literaturas Africanas:

    1) Por que uma Literatura que visa, dentre outras coisas, à (re)construção da identidade nacional é escrita na língua do colonizador?

    Por diversos motivos, dentre eles, eu diria que por uma opção estética, uma opção pela criação de uma "Literatura Menor", que, segundo DELEUZE & GUATARI é aquela que uma minoria faz em uma língua maior. Isto é, o escritor africano utiliza a língua do colonizador, a Língua Portuguesa, para externar a sua maneira de pensar, inscrevendo, no texto, pistas que remontam à identidade cultural híbrida do país (há, na literatura africana, uma presença muito forte da oralidade na escrita, o que, por vezes, é rememorado quando se compara a obra de escritores africanos à de Guimarães Rosa), denunciando, por vezes de forma irônica, as mazelas da sociedade.

    Ao mesmo tempo em que se busca um processo revolucionário, de um lado, preservar as línguas nacionais, assegurando-lhes espaços concretos de fala, também se fazia necessário operacionalizar meios que garantissem um domínio mais eficaz da língua da colonização, base da expressão literária que visava ao atingimento dos dois públicos. O plurilinguísmo dessa literatura parece revelar o movimento nos dois sentidos, ou seja, na busca da originalidade da cultura autóctone e na manutenção da língua da colonização, marca da presença cultural do outro. Disso resulta um 'entrelugar'.

    2) Como a morte é vista na Literatura Africana?

    Aqui, antes de qualquer explicação, é necessário citar Laura Padilha (renomada estudiosa de Literatura Africana), quando ela propõe um conceito para Ancestralidade: a essência de uma visão que os teóricos das culturas africanas chamam de visão negro-africana do mundo. Tal força faz com que os vivos, os mortos, o natural e o sobrenatural, os elementos cósmicos e os sociais interajam, formando os elos de uma mesma e indissolúvel cadeia significativa [...] Intermediando o vivo e o morto, bem como as forças naturais e as do sagrado, estão as dos ancestrais, ou seja, os antepassados que são ‘o caminho para superar a contradição que a descontinuidade da existência humana comporta e que a morte revela brutalmente.

    É impossível estudar a Literatura Africana dissociada da configuração cultural. Estamos falando de uma sociedade em que os velhos são respeitados. Digo, são muito respeitados. Sabem o côro, das Tragédias gregas? Tipo, ele têm a função de demonstrar a sabedoria, não é? Assim são os velhos nas sociedades africanas tradicionais. Eles são os detentores da sabedoria. Cabe a eles passarem essa sabedoria para os mais novos. Na Literatura clássica, Atena é deusa da sabedoria, não é? Na Literatura Africana, os velhos cumprem esse papel.

    A Morte... esvaziemo-nos das nossas concepções sobre a morte. Para os africanos, como eu já disse, por intermédio da citação da Laura Padilha, a morte constitui um diálogo com a vida. Ela não é 'o fim'. Em julho de 2007, assisti a uma palestra de Mia Couto (escritor Moçambicano), na UFMG. Uma menina perguntou-lhe: "Clarice Lispector dizia que a morte era personagem de suas obras. Seria assim na Literatura Africana?" Ele respondeu: "Não. A morte não é uma personagem nas obras da literatura africana. As personagens das obras de literatura africana estão mortas. Ou vivas de outra maneira".
     
  2. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Este tópico deu origem a este artigo
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    Elessar Hyarmen postou, em algum tópico por aí, o link da (excelente) Revista África e Africanidades:
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    Para começarmos com um tom leve (embora o assunto não seja tão leve assim), vou colocar um poema que acho de uma beleza ímpar:

    É inútil mesmo chorar:
    «Se choramos aceitamos. É preciso não aceitar.»
    Por todos os que tombam pela verdade
    Ou que julgam tombar.
    O importante neles é já sentir a vontade
    De lutar por ela,
    Por isso é inútil chorar.

    Ao menos se as lágrimas
    Dessem pão,
    Já não haveria fome.
    Ao menos se o desespero vazio
    Das nossas vidas
    Desse campos de trigo.
    Mas o que importa
    É não chorar:
    «Se choramos aceitamos. É preciso não aceitar.»

    Mesmo quando já não se sinta calor
    É bom pensar que há fogueiras
    E que a dor também ilumina.
    Que cada um de nós
    Lance a lenha que tiver,
    Mas que não chore
    Embora tenha frio:
    «Se choramos aceitamos. É preciso não aceitar.»

    (António Cardoso, poeta angolano)
     
    • Gostei! Gostei! x 2
    • Ótimo Ótimo x 1
  3. Pim

    Pim God, I love how sexy I am!

    Mas que poema maravilhoso, Melian. *__*

    Essas amostras são uma ótima maneira de mostrar a qualidade da literatura em português que não vimos por aqui. Quem conhecer mais do assunto e quiser enriquecer o tópico, fique à vontade!
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  4. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Já tive a oportunidade de ler algumas crônicas de um escritor de Moçambique, Abdala Mussa que ecreve muto bem. É muito bom conhecer uma cultura interessante e ainda tão pouco acessível aos brasileiros.
     
  5. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Faço minhas as palavras da Pim. :yep:
    Aliás, Pim, suas palavras surtiram efeito:

    :yep:

    Dizem que 'imagem é tudo'. Há controvérsias, ainda mais quando falamos de escritores desconhecidos para nós, como os escritores africanos, por exemplo.

    Com o meu post de hoje, a proposta é mostrar imagens de pessoas que, inicialmente, não significam 'nada' para nós, porque não conseguimos associar a imagem delas a nenhum fato conhecido. Que tal tentarmos 'criar' uma história para essas pessoas das imagens? Vamos tentar descobrir quem são elas? Podem chutar, usar as ferramentas de pesquisa, etc. Ao fazer isso, vocês não estarão perdendo tempo, mas, sim, ganhando conhecimento, descobrindo não só a história dessas pessoas, mas, também, a história de suas obras literárias.

    Primeiro, vou deixar vocês procurarem 'no escuro'. Depois, quando vocês tentarem e, se não conseguirem descobrir nada sobre as pessoas das fotos, poderão solicitar dicas.
     

    Arquivos Anexados:

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  6. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Fico deprimida quando vejo que vocês nem tentaram chutar. Ok, nem fico deprimida. Mas eu esperava, pelo menos, um comentário do tipo: SÓ UMA MULHER? (Tudo bem que, geralmente, sou eu quem faz esse tipo de comentário :lol: )

    Ok, o primeiro ali, aquele senhor de óculos, terno e gravata, não é ninguém menos do que Agostinho Neto, que foi líder do MPLA - Movilmento Popular de Libertação de Angola - e, em 1975, se tornou o primeiro presidente de Angola.

    Voz do sangue
    (Agostinho Neto)

    Palpitam-me
    os sons do batuque
    e os ritmos melancólicos do blue

    Ó negro esfarrapado do Harlem
    ó dançarino de Chicago
    ó negro servidor do South

    Ó negro de África

    negros de todo o mundo

    eu junto ao vosso canto
    a minha pobre voz
    os meus humildes ritmos.

    Eu vos acompanho
    pelas emaranhadas áfricas
    do nosso Rumo

    Eu vos sinto
    negros de todo o mundo
    eu vivo a vossa Dor
    meus irmãos.
     
  7. Turgon

    Turgon 孫 悟空

    Ok. Vou dar uma pesquisada quando chegar em casa. :mrgreen:

    E só tem uma mulher? =P

    Quanto aos poemas, são bem bonitos. Gostei dos dois.
     
  8. Pityë Lómelindë

    Pityë Lómelindë numa Gondolin imaginária

    Achei muito, muito interessante a proposta de discussão sobre a literatura africana...
    Por muito tempo ela foi marginalizada, mas as coisas estão mudando felizmente. :)

    Estudei prosa e poesia africanas na facul (agora é obrigatório pelo menos uma disciplina de estudo na matriz curricular) não foi muita coisa, mas deu pra sentir que, apesar de jovem, é uma literatura profunda e sensivel. O professor da disciplina, além de dar aulas, tinha um grupo de pesquisa bem legal sobre o tema; o grupo chamava-se "Estudos de Literatura Afrobrasilusa" (um neologismo que expressava bem as relações - mais estreitas do que parecem - entre a literatura brasileira, portuguesa e africana. Apresentei uma comunicação, sob a orientação dele, que abordava aspectos gerais da negritude na "Sagrada Esperança"... foi bem legal! :)
     
  9. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Sua Comunicação deve ter ficado muito boa (apresentou em que congresso/seminário/whatever?), já que Sagrada Esperança é mais abrangente por reunir Quatro poemas de Agostinho Neto e Poemas.

    Engraçadinho. XD

    Bem, estou ansiosa. E como ninguém arriscou um palpite, vou falar um pouquinho sobre os demais 'desconhecidos' das fotos.

    O primeiro, como já falei, é o (salve, salve!) Agostinho Neto. O segundo, é Ovídio Martins, caboverdiano, da Ilha de São Vicente:

    Desculpa meu amor
    não há tempo para o amor

    Quando melhor arfar o mar
    o céu for mais azul
    a lua menos leviana

    Desculpa meu amor
    ‘inda é cedo para o amor

    Quando fenderem os ares
    os pássaros da liberdade

    Desculpa meu amor
    temos em breve o nosso amor

    Quando soluçarem os tambores
    na Mãe-Terra distante
    Quando endoidecerem tinindo
    os sinos todos de Cabo Verde



    O último ali é Amílcar Cabral. Também caboverdiano. Um dos fundadores do, inicialmente, clandestino, Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Ele foi assassinado por membros do seu próprio partido. Posteriormente, seu irmão foi nomeado o primeiro presidente da Guiné.



    ILHA

    Tu vives - mãe adormecida-
    nua e esquecida,
    seca,
    fustigada pelos ventos,
    ao som das músicas sem música
    das águas que nos prendem...

    Ilha:
    teus montes e teus vales
    não sentiram passar os tempos
    e ficaram no mundo dos teus sonhos
    - os sonhos dos teus filhos -
    a clamar aos ventos que passam,
    e às aves que voam, livres,
    as tuas ânsias!

    Ilha:
    colina sem fim de terra vermelha
    - terra dura -
    rochas escarpadas tapando os horizontes,
    mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!

    O terceiro é Rui de Noronha: Moçambicano. O melhor da sua produção poética foi publicado em O Brado Africano.

    Surge et ambula

    Dormes! e o mundo marcha, ó pátria do mistério.
    Dormes! e o mundo avança, o tempo vai seguindo...
    O progresso caminha ao alto de um hemisfério
    E no outro tu dormes o sono teu infindo...

    A selva faz de ti sinistro eremitério,
    Onde sozinha, à noite, a fera anda rugindo.
    A terra e a escuridão têm aqui o seu império
    E tu, ao tempo alheia, ó África, dormindo...

    Desperta. Já no alto adejam negros corvos
    Ansiosos de cair e de beber aos sorvos
    Teu sangue ainda quente, em carne de sonâmbula...

    Desperta. O teu dormir já foi mais que terreno...
    Ouve a voz do Progresso, este outro Nazareno
    Que a mão te estende e diz - "África, surge et ambula".

    A quarta é Alda Lara. Era esposa do (também) escritor Orlando Albuquerque. Em Lisboa, onde cursou medicina, esteve ligada a algumas das atividades da Casa dos Estudantes do Império (um grupo de intelectuais pró-independência). Era famosa pela sua habilidade de declamar.


    Presença Africana

    E apesar de tudo,
    ainda sou a mesma!
    Livre e esguia,
    filha eterna de quanta rebeldia
    me sagrou.
    Mãe-África!
    Mãe forte da floresta e do deserto,
    ainda sou,
    a irmã-mulher
    de tudo o que em ti vibra
    puro e incerto!...

    - A dos coqueiros,
    de cabeleiras verdes
    e corpos arrojados
    sobre o azul...
    A do dendém
    nascendo dos abraços
    das palmeiras...
    A do sol bom,
    mordendo
    o chão das Ingombotas...
    A das acácias rubras,
    salpicando de sangue as avenidas,
    longas e floridas...

    Sim!, ainda sou a mesma.
    - A do amor transbordando
    pelos carregadores do cais
    suados e confusos,
    pelos bairros imundos e dormentes
    (Rua 11...Rua 11...)
    pelos negros meninos
    de barriga inchada
    e olhos fundos...

    Sem dores nem alegrias,
    de tronco nu e musculoso,
    a raça escreve a prumo,
    a força destes dias...

    E eu revendo ainda
    e sempre, nela,
    aquela
    longa historia inconseqüente...

    Terra!
    Minha, eternamente...
    Terra das acácias,
    dos dongos,
    dos cólios baloiçando,
    mansamente... mansamente!...
    Terra!
    Ainda sou a mesma!
    Ainda sou
    a que num canto novo,
    pura e livre,
    me levanto,
    ao aceno do teu Povo!...
     
  10. Pityë Lómelindë

    Pityë Lómelindë numa Gondolin imaginária

    Foi nos Encontros Interdisciplinares da UFC. O orgulho da força do negro e luta pelo reconhecimento e crescimento humano é muito profundo na obra toda.

    Notei que vc gosta muito da poesia... ela é maravilhosa mesmo! Eu não conhecia os autores caboverdianos.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  11. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Para quem ainda não leu nada de Literatura Africana, ou para quem já leu e quer continuar a ler, recentemente, a Ana Lovejoy resenhou O Fio das Missangas, de Mia Couto, lá no Meia Palavra. Vale a pena dar uma conferida:

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    Também tem um texto meu lá, sobre o conto O Cego Estrelinho, de Mia Couto:

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    Última edição: 19 Fev 2011
  12. Pityë Lómelindë

    Pityë Lómelindë numa Gondolin imaginária

    Melian, preciso de um livro que fale sobre os fundamentos históricos da literatura africana... algo sobre a influência política e social na produção literaria desses países. Eu sei que as poesias já falam muito por si, mas eu queria algo com uma dose menor de emoção e maior de pesquisa... Se vc pudesse me indicar algum livro, artigo, tese, sei lá, qualquer coisa assim, eu ficaria muito grata.:)
     
  13. Excluído046

    Excluído046 Banned

    É o seguinte, dona moça, meu enfoque é nas Literaturas Africanas de Língua Portuguesa no pós-independência, ok? Então eu posso te falar, de maneira mais segura, sobre elas, especialmente, sobre a Moçambicana, na qual decidi mergulhar mais profundamente . Entretanto, tudo o que você ler sobre a Literatura africana no pós-independência, vai ter algo contextualizando a coisa toda, o que acaba falando dos primórdios dessa Literatura.

    Para começar, recomendo o elucidativo artigo Panorama das literaturas africanas de língua portuguesa, escrito pelas professoras: Maria Nazareth Soares Fonseca e Terezinha Taborda Moreira. É provável que você já tenha lido o artigo, ele é bem conhecido e você pode encontrá-lo na internet, mesmo. Se não encontrar, sei que ele foi publicado no CESPUC, trequinho de Pesquisa da PUC-Minas (que deve ter no acervo da UFRJ). Por que eu acho importante a leitura desse artigo? Porque as autoras falam sobre os cinco países africanos que têm a língua portuguesa como língua oficial: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

    Acho que tem umas discussões interessantes, também, no livro Literaturas em Movimento - Hibridismo cultural e exercício crítico, organizado por Rita Chaves e Tânia Macedo. Recomendo, especialmente, os artigos:

    - "Políticas de esquecimento e desejos de lembrar" - Maria Nazareth Soares Fonseca
    - "Angola e Moçambique nos anos 60: a periferia no centro do território poético" - Rita Chaves
    - "Cabo Verde - uma literatura crioula" - Rubens Pereira dos Santos.

    Acredito que você já conheça, já que é tipo a "Bíblia" dos pesquisadores de Literatura Africana, mas é imprescindível a leitura do Entre voz e letra: o lugae da ancestralidade na ficção angolana do século XX, da Laura Padilha. Esse livro foi criado a partir da tese de doutorado da Laura :grinlove: (que é, atualmente, a maior estudiosa brasileira de Literatura Africana. Era a Maria Aparecida Santilli, mas ela, infelizmente, faleceu. :tsc:), e, sério, é um achado. O livro me acompanha desde 2007, quando comecei a pesquisar Africanas, e ele sempre me ajuda a destravar, quando minha dissertação não anda (ela tá travada, nos últimos meses :cry: ). E eu sou muito tiete da Laura Padilha. Até tirei foto com ela, no Encontro de Africanas que aconteceu, em 2010, em Ouro Preto.

    Outro que você já deve conhecer, mas não posso deixar de citar: O vão da voz: a metamorfose do narrador na ficção moçambicana, da Terezinha Taborda Moreira :grinlove:. Também era, inicialmente, a tese de doutorado da professora Terezinha. É um livro lindo, no qual ela faz uma leitura histórica e poética.

    Como eu acredito que a interdisciplinaridade só enriquece os estudos, se você tiver a oportunidade, leia o Na casa de meu pai: a África na filosofia da cultura, do Kwame Anthony Appiah. o Appiah é de uma lucidez incrível.

    Um livro que QUALQUER PESSOA (mesmo que não seja pesquisadora) deveria ler é o Origens do nacionalismo africano, do Mário Pinto de Andrade. É um achado. A perspectiva sociológica ajuda a compreender a motivação dos escritores "fundadores" da Literatura Africana. Mário Pinto de Andrade era FABULOSO.

    Leia qualquer ensaio que encontrar da Inocência Mata. A melhor teórica de Literatura Africana. Sem mais.

    Por último, e não menos importante, recomendo que você encontre a coleção Literaturas de Língua Portuguesa - Marcos e Marcas, organizada por Maria Aparecida Santilli e Suely Fadul Villibor Flory. A coleção é composta por cinco volumes: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal. Cada país tem um livro específico, no qual se estabelece relações entre a a literatura, a história e a cultura. Eu tenho o de Moçambique, e posso te afirmar que ele é BRILHANTE. São informações precisas, ditas de uma maneira simples, sem rodeios, o que facilita a compreensão.

    Enfim, espero ter, de alguma maneira, te ajudado, dona moça.
     
    Última edição: 2 Fev 2012
    • Ótimo Ótimo x 1
  14. Pityë Lómelindë

    Pityë Lómelindë numa Gondolin imaginária

    É justamente desses países de Língua Portuguesa que eu estava falando... Vc tá fazendo pós sobre literatura africana? Se for, é muito massa, muito legal! Foi paixão ao primeiro verso quando li Agostinho Neto, queria ter a chance de estudá-lo...

    Já o li sim, mas faz muito tempo. (Nem lembrava dele... :roll:)


    Ele está na bibliografia da disciplina. Tava pensando em xerocar junto com o material do professor, mas se vc diz que ele é tão bom, prefiro procurá-lo em algum sebo pra comprar (tenho peso na conciencia quando copio um livro e, se ele for bom, é pior ainda :yep:)

    Se ajudou? Minha nossa!! Muito, ajudou muito! Esses outros textos e livros, eu não conhecia, mas agora que sei por onde começar tudo vai se tornar mais fácil, ou mais difícil, sei lá :lol: Valeu mesmo Melian (vc realmente faz jus ao seu nick :abraco:)
     
  15. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Sim, eu faço mestrado em Literaturas de Língua Portuguesa. Escohi a vertente Literatura Africana e desmembrei para Literatura Moçambicana.

    Vale a pena comprar, mesmo. Esse livro vai te acompanhar sempre.

    Disponha, dona moça. :abraco:
     
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