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Literatura para Adolescentes: atoleiro, limbo ou filão?

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Lucas_Deschain, 31 Out 2011.

  1. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    Olá meiapalavrianos

    essa semana tive a oportunidade de ouvir uma pessoa dizendo que os dias de hoje são melhores que os de antigamente no quesito 'literatura de transição para a 'fase adulta''. Deixa eu tentar explicar o ponto de vista da guria que me disse isso: ela disse que antigamente se perdiam muitos leitores na transição da literatura infantil ou infanto-juvenil para a "literatura intelectual" ou "adulta", visto que não existiam livros que possibilitassem essa passagem.

    Não concordei quanto às referências temporais, mas de fato achei que ela tinha um argumento válido, de que essa passagem realmente é difícil e muitos deixam de ser leitores por motivos vários (que não se restringem, a meu ver, a disponibilidade de títulos específicos para essa faixa etária). O detalhe que me intrigou mais (e que me inquietou a ponto de eu abrir esse tópico) foi que, ao passo que ela me explicava seu ponto de vista, ele me apresentou romances vários que representariam essa tal 'literatura que se coloca entre a infância e a vida leitora adulta'. Alguns deles: vários do Nicholas Sparks, Meg Cabot, P.C. Cast (acho que é isso, desculpem se errei), Harry Potter, Crepúsculo e afins, Diários de Vampiro e assim por diante.

    Diante disso, fiquei me perguntando se essas leituras dariam o fomento necessário para a transição, se empacariam de vez o leitor nesse "nível" eternamente ou se se tratava "apenas" de um filão (o que não o exclui de ser empacador ou transcendente).

    E aí, o que vocês pensam a esse respeito?
     
  2. imported_Mel

    imported_Mel Usuário

    Filão com certeza é. Mas eu concordo com essa menina, sim. Até por experiência própria, Harry Potter foi meu primeiro livro sem figuras. Agora se a pessoa fica empacada nesse "nível", como você diz, não culpo os livros, e sim a experiência cultural da pessoa de maneira mais generalizada.
     
  3. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Epá, não sei...

    Conheço muita gente boa que usou Agatha Christie pra fazer essa transição. Bem, eu não tive uma adolescência literária muito comprida, depois da série Vagalume e Os Karas, pulei logo pra seção adulta de capa dura e sem figurinhas da biblioteca. Esse questionamento é interessante e é preciso pensar um pouco pra não responder baseada em preconceitos.

    (pensando...)

    Ok, primeiro: literatura de transição é um termo válido? Conheci o nome Nicholas Sparks através de uma mulher de 35 anos. oO Transição nada mais significa que convívio do novo com o velho, não é? Adaptando pra literatura, seria livro infanto-juvenil e adulto numa estante só. OU estou sendo muito radical?

    Talvez o grande lance dessa transição seja outro: escolher bons livros introdutórios. O fato de um jovem ler livros à la Crepúsculo é bom sinal de que eles se interessam pela leitura, mas se, junto com esses livros, outros bons não forem introduzidos conjuntamente, pode ser que descambem pra "leitura fácil e descompromissada" pra sempre, que acho que define melhor o que sua amiga chamou de "literatura de transição". Há que se perceber o interesse temático deles e procurar bons livros no mesmo tom, e introduzi-los. Aí sim será transição, uma vírgula, não uma prisão dimensional.

    Mas eu sou meio roots, corrijam-me se estiver sendo mt dura na minha opinião.
     
  4. Anica

    Anica Usuário

    Por partes.

    Primeiro que eu discordo da colocação de que não existia leitura de transição. Isso sempre existiu, é só pensar no caso de Conan Doyle com seu Sherlock Holmes, que trazem muitos jovens para o hábito da leitura há tempos. O Brasil também sempre produziu bastante títulos de pré-adolescentes e adolescentes, seja através da coleção vaga-lume, seja de forma independente com títulos como A marca de uma lágrima (que já tem um porrilhão de edições). A característica principal desses livros é que nelas há ecos de outras obras, o que pode atrair a atenção dos jovens para elas (no caso de A marca de uma lágrima que citei, seria Cyrano de Bergerac).

    Mas pensando nos títulos que estão em evidência no momento, sobre a pergunta de se empacam eternamente, minha resposta se divide em duas partes.

    1. Ninguém resolve problemas de logaritmo sem ter aprendido as operações básicas em matemática. Da mesma forma que ninguém vai ler Guimarães Rosa sem antes ter lido livros mais básicos. É um processo onde você vai progressivamente se preparando como leitor, para conseguir absorver da melhor forma possível uma obra mais complexa, que vá além de uma "história legal" (aka enredo divertido). Se alguém contar para mim que leu Crime e Castigo com 15 anos eu vou achar bacana, mas vou achar também que a pessoa deveria reler o livro recentemente. Alguns livros exigem mais do que a bagagem literária, mas também a de vida - tem coisa que passa completamente batido para um adolescente cuja maior preocupação é não reprovar na escola, e a de um cara que tem que trabalhar para pagar as contas, por exemplo.

    Então acho que livros que focam apenas no enredo são necessários sim para estimular o hábito de leitura. Não precisa necessariamente ser livro de adolescente como Crepúsculo ou Harry Potter. Eu, por exemplo, comecei com Stephen King. Mas de qualquer forma, o que eu quero dizer é que primeiro você conquista o hábito, depois parte para desafios.


    2. Sobre os livros "de transição" atuais, o que acontece é que esses livros, como comentei, são títulos em evidência no momento. Assim como quando eu era adolescente Entrevista com o Vampiro era um must, hoje em dia a coisa recai sobre Crepúsculo e companhia. Acontece. Daqui uns anos serão outros livros. Mas não acho que só porque são livros sem grandes recursos de narrativa que as pessoas que leem esses títulos serão eternamente leitores de livros assim. Como comentei, há ecos de outras obras em livros assim, mesmo que ecos bem vagos - e chega uma hora que o leitor vai querer mais, e vai atrás desses ecos. Eu lembro que com 15 anos li O Mundo de Sofia, que hoje em dia acredito ser bem ingênuo, mas que na época achei "foda" (como toda boa adolescente acharia, hehe), e foi um livro que abriu as portas para mim de um mundo cheio de pensadores, que provavelmente não teria ido atrás na época não fosse esse livro.

    Mas aquela coisa: alguém que leu só Crepúsculo dificilmente se qualifica como um leitor (no sentido de alguém que tem o hábito de ler). Acompanhou uma onda, vai abandonar o livro e pronto, quem sabe um dia pegue outra coisa da moda. Mas aquele que engata uma série assim em outros vários títulos, eu tenho certeza absoluta que não empacará nesse tipo de leitura. Terá desenvolvido o hábito, será daquelas pessoas que "leem até fórmula de shampoo".
     
  5. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Não tinha pensado por esse lado das livre-adaptações, Anica. Faz sentido. Só não sei se têm sido publicados novos títulos com esse teor recentemente.

    Mas, sei lá... Vamos combinar que o ato da leitura não é a coisa mais divertida do mundo, PS é muito mais legal. E se alguém deixa o PS de lado pra encarar seis Harry Potter e sei lá quantos Crepúsculos, é porque minimamente interessado em leitura o cidadão é, né? hehe. Se o caso é "moda", seu futuro literário pode depender de quem o influencia... Daí é só orar e pedir a Deus que o prof. de Literatura faça bem seu trabalho ou que um anjo sem asas lhe dê um David Copperfield de presente.

    Ah, uma observação que espero não desviar o assunto: as adaptações cinematográficas podem ajudar bastante. Lembro que até hoje tenho vontade de ler Huckberry Finn (é assim que se escreve?) porque assisti o filme e na época fiquei toda apaixonadinha pelo Frodo e ele nem sonhava em ser Frodo ainda. E da mesma forma não quis ler Orgulho e Preconceito porque achei o filme chatinho. E a febrite Senhor dos Anéis e a veneração por Laranja Mecânica (se bem que esse é beeeem adulto mesmo, rs)? Lembro também de uma penca de gente que leu Fitzgerald pela primeira vez graças ao Brad Pitt e aos burburinhos de que o filme não tinha nada a ver com o conto. Mas acho que disvirtuei tudo, desculpa, rs.
     
  6. Anica

    Anica Usuário

    Não é só caso de livre adaptação. Falo de influência que ecoa na obra mesmo, vide o caso de Crepúsculo que no mínimo pode empurrar as adolescentes para O morro dos ventos uivantes e Romeu e Julieta, por exemplo (que são citados nos livros) ou para outras histórias de vampiro, incluindo Dracula, que pode servir como porta de entrada (já vi mais de uma pessoa começando a desenvolver o hábito de literatura pelo horror da inglaterra do século xix).
     
  7. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    Penso um pouco nesse sentido também Manu, usei a expressão 'literatura de transição' porque a moça usou, mas também porque, mesmo que ela seja diferente para cada leitor, existem obras que 'se encaixariam' mais adequadamente nessa 'categoria', digamos assim. Pode ser que eu tenha realizado a transição com História sem Fim ou com algum Stephen King, mas isso não quer dizer que alguém que o leia irá necessariamente realizar a transição também. E mesmo quem 'já tiver realizado-a' pode se divertir horrores lendo um daqueles livros amalucados do King (eu mesmo comprei uns 3 dele esse ano).

    A resposta continua sendo complementada junto com a que eu vou dar a Anica, beleza?

    Concordo Anica, tanto que falei pra ela até sobre O Apanhador no Campo de Centeio, que acho ser uma bela indicação para quem está meio sem rumo nessa de literatura (e nessa de vida também, em alguma medida XD ) Isso sem contar King, que tem uma porrada de títulos. Nem tinha lembrado do Sherlock, mas ele é uma boa também.

    O que eu botei em negrito é, na minha opinião, a forma perfeita de definir 'boa literatura' para o senso comum. Basta ter um enredo caprichado que vai. Acho que essa noção de que literatura é só uma 'história legal' que tem que ser derrubada, ou pelo menos relativizada, para que as pessoas vejam que, mesmo livros que não tenham mil e uma aventuras, assassinatos, roubos mirabolantes, planos maquiavélicos, vilões escrachados ou plot twists, os livros tem coisas muito importantes a nos dizer a respeito de nós mesmos e do mundo que nos rodeia.

    É engraçado mas se você explicar para uma pessoa que Ulisses, um dos livros mais aclamados de todos os tempos, apesar das 900 e poucas páginas se passa em um dia, provavelmente a pessoa irá torcer o nariz violentamente e cair de pau em cima dizendo que o livro deve ser uma chatice. Só porque o James Joyce não é roteirista das peripécias do Jack Bauer parece que o pessoal não consegue deixar de lado o ceticismo (e muchas vezes a preguiça) e encarar o livro. Não acho que resultados tão proveitosos virão de uma leitura abrupta e isolada de Ulisses, assim sem ter o costume de leitura ou de conhecer um pouco sobre a obra, yadda, yadda, yadda, mas é o tipo de coisas que envolve desafio, como a Anica falou.

    Não sei não, ainda tenho minhas dúvidas a respeito disso, mas é algo que não temos como provar com certeza.

    Uma coisa que é importante de ser considerada é que o que está em jogo aqui não é necessariamente a qualidade dos livros, visto que não é ela que determina isoladamente se a pessoa irá continuar a ler ou não, mas a própria situação atual, a concepção de tempo, tecnologias e todos aqueles um milhão de fatores que estamos cansados de saber já. Aliás, isso é uma coisa que vale a pena discutir aqui e que é uma das coisas que mais me intriga e me deixa assustado: a mudança na noção e concepção de tempo. Ler é uma atividade solitária e que demanda tempo e paciência, ainda mais quando se fala de 'alta literatura' (não gosto dessa expressão, mas relevem, OK?): é preciso tempo para deglutir, se aclimatar ao livro e ao estilo, dependendo do livro e do autor até mais que isso, é preciso voltar passagens, escrever pontos principais etc É preciso conseguir situar-se criticamente em relação ao que leu.

    É justamente isso que está sendo ameaçado cada vez mais, a meu ver. Lógico, a noção de tempo não é algo que existe dentro da cabeça das pessoas e não é necessariamente uma escolha que elas fazem quando acordam de manhã, é algo vivo e socialmente condicionado e condicionante. Em que pese os aspectos individuais da escolha por ler ou não ler, o valor do tempo assume contornos muito diferentes hoje em dia, basta olhar o que é 'livro novo' e 'livro velho' ou 'filme novo' e 'filme velho'. É absurdo. Filmes de 2008 ou 2009 são velharia.

    O que vocês pensam sobre isso?

    edit: só mais uma coisa: quando vocês olham para esses livros e títulos e lêem orelhas e sinopses, vocês não acham que falta aquele quinhão de literatura rock your world? às vezes para mim soa como se fosse só mais um livro-mercadoria...
     
  8. Anica

    Anica Usuário

    Ué, você não leu a matéria da Veja em que a Izze apareceu? Ela fala justamente disso.

    Sobre o resto do seu post Lucas, eu acho que você está começando a misturar alhos com bugalhos e está colocando muita coisa em um balaio só.

    Insisto na questão de ganhar experiência como leitor através dos ditos "livros mais fáceis", que seriam essa literatura de transição. Quando se tem essa experiência, a reflexão sobre o que se lê é automática. Você que tem quase 100 livros lidos nesse ano há de concordar comigo - não é necessário tanto tempo assim para absorver (e bem) uma obra. Você adquiriu um ritmo rápido como leitor, mas isso depois de muito tempo lendo. E certamente não foi muito tempo lendo o que você lê hoje em dia, antes disso você leu até Artemis Fowl, que está no mesmo grupo de Crepúsculo, por exemplo.

    O bacana da literatura é que justamente isso, os livros bons vencem o tempo. Títulos fracos serão esquecidos, títulos bons continuarão a ser lembrados e lidos ano após ano. Copiando lá do meu tumblr

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    E não são necessários recursos estilísticos ou uma narrativa hermética para sobreviver ao tempo. As boas histórias também sobrevivem. Como já citei, se pegar um livro de Stephen King e analisar como arte, eles são um lixo. Como entretenimento, são ótimos. E por serem tão divertidos décadas se passaram e ainda tem quem se pele de medo descobrindo O Cemitério, A Coisa ou A Hora do Vampiro, por exemplo. Tolkien tem todos os méritos de ter criado um mundo crível, mas também é entretenimento - tá aí, firme e forte. Acredito que Rowling também, com seu Harry Potter.

    Comentei sobre Entrevista com Vampiro e volto a retomar o exemplo porque acho que se enquadra bem. O livro foi escrito na década de 70, fez um sucesso enorme nos anos 90 (com adolescentes histéricas sonhando com Louis e Lestat assim como sonham com Edward hoje em dia), e com toda essa história de vampiro acabou voltando agora. Quase dá para dizer que de 20 em 20 anos ele ressurge, encanta um público e volta para a prateleira.

    Então não, não acho que essa ideia de "é velho" tenha algum efeito em literatura. Pelo contrário: todos sabem que muito livro ganha status de clássico justamente pelo fator "velharia".

    ***

    A questão é que, como disse, você está misturando alhos com bugalhos e isso tudo não tem nada a ver com a leitura dos adolescentes e poderia bem ser discutido em um tópico à parte. :)
     
  9. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    minha literatura d transição foi puramente religiosa. mas eu sentia q faltava algo +, só aquilo ñ me satisfazia. dae parti p shakespeare, pq era d quem todo mundo falava bem. foi oq me mostrou q haviam boas opções além do horizonte.

    por essa experiência pessoal acredito q mto da evolução do leitor vai da fome literária q existe dentro dele. eqto uns podem se tornar gourmets, glutões, antropófagos outros manterão a dietinha básica ou até se tornarão jejunos & faquires.
     
  10. Francine Ramos

    Francine Ramos Usuário

    A Mel mandou bem:

    Conheço "gente grande" que não consegue largar os livros de banca e os chick-lit da vida, mas também sou da turma que começou lendo Paulo Coelho, Stephen King e Agatha Cristie, mas eu progredi (tô me achando..rsrs) Agora estou lendo Grande Sertão: Veredas! rs Ou seja, é a experiência cultural - de um modo mais genérico... é gosto...como explicar alguém que gosta de axé e não tem a mínima noção da qualidade superior de um jazz, um blues, uma música clássica?
     
  11. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Comecei lendo faroestes e livros policiais pockets. Hoje já li livros que começam e terminam com S...

    No final das contas, acho que isso depende muito da pessoa, de seu interesse. Senão cai no que a Anica disse: Mas aquela coisa: alguém que leu só Crepúsculo dificilmente se qualifica como um leitor (no sentido de alguém que tem o hábito de ler). Acompanhou uma onda, vai abandonar o livro e pronto, quem sabe um dia pegue outra coisa da moda. Mas aquele que engata uma série assim em outros vários títulos, eu tenho certeza absoluta que não empacará nesse tipo de leitura. Terá desenvolvido o hábito, será daquelas pessoas que "leem até fórmula de shampoo". A questão não creio que seja na leitura ou no livro em si; existem pessoas cuja leitura de transição nem é delas, mas sim do simples escutar ou ver de outras pessoas lendo livros... A questão está no interesse da pessoa, se ela vai querer ou não transcender esta porta. Afinal de contas, é só abrir e entrar: e, é claro, vencer a hesitação.
     
  12. imported_Shiryu

    imported_Shiryu Yippie-ki-yay...

    Também concordo que esse é um filão necessário para a "aprendizagem" da leitura. Ninguém começa lendo Ulysses ou O Pêndulo de Foucalt, sempre tem algo mais light antes (a não ser que você seja Jiraya/Jedi). E é esse light que vai fazer você se interessar pela leitura ou não. Se você gostar mesmo, a escolha por ler Rick Riordan ou Érico Veríssimo vai ser um resultado das suas próprias experiências e gostos. Eu comecei com a O Médico e o Monstro e a coleção Sherlock Holmes da Melhoramentos.
     
  13. Marcio Scheibler

    Marcio Scheibler Usuário

    Esse tipo de livro é chamado de YA (Young adult) e essa palavra não surgiu há pouco tempo.

    ALICE NO PAÍS DA MARAVILHAS, O CONDE DE MONTE CRISTO, AS AVENTURAS DE TOM SAWYER, OLIVER TWIST, etc...só para citar alguns clássicos!!!!

    Na página do Wikipedia em inglês tem um belo texto falando sobre isso!!!!
     
  14. Pescaldo

    Pescaldo Penso, logo hesito.

    De todas essas classificações em que a Literatura se envolve, a mais desnecessária é essa da idade. É puramente mercadológica e excludente. Carrega uma obrigação implícita em se ler x e y em determinada idade e z e t em outra idade. É uma censura mascarada.

    Na verdade, penso que Arte não deveria ter nenhuma restrição de idade ou algo do tipo.
     
  15. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    Maneiro ver como o tópico gerou repercussão. Vamos lá:

    Verdade, acabei fugindo da alçada inicial do tópico. Depois crio um outro tópico para debater a questão-para-além-do-livro mais especificamente.

    Sim, não nego nada disso que você falou Anica, mas o detalhe é que já temos uma "caminhada" que nos permite ser mais rápidos. Mas o detalhe é que são cada vez menos, a meu ver (e isso quer dizer que não tenho dados estatísticos ou quantitativos para me embasar), as pessoas que aceitam o desafio de exercitar seu tempo e paciência para destrinchar as páginas de A Insustentável leveza do ser, por exemplo. Acredito que a maioria das pessoas, ao ver aquela frase inicial do livro do Kundera, sobre o mito do eterno retorno e o troço do peso e da leveza, pensa que o livro vai ser muito denso e larga mão.

    Parece a mim que esses livros supostamente de "transição" (YA, literatura para adolescente etc.) não proporcionam o "nível de desafio" que fará a curiosidade se tornar potente o suficiente para, no caso de encarar algum livro mais "difícil", estar minimamente "preparada". O uso extensivo de aspas mostra que a frase toda é uma hipótese minha, completamente passível de ser derrubada.

    Disso eu discordo, falar que o livro é velho (fisicamente falando ou ter sido escrito há bastante tempo) gera um tipo de reação na pessoa e, infelizmente, tenho visto muito mais torcidas de nariz do que caras de interesse ou curiosidade. Não estou dizendo que não existam pessoas que não se empolguem com o fato do livro "ser velho", mas acho que elas são minoria hoje em dia (repito: não tenho dados para confirmar, falo de observação cotidiana)

    Pois é Pescaldo, concordo contigo, dividir etariamente não é a solução, mas ainda assim, jogando por padrões mais ou menos estabelecidos, é uma literatura recorrente em adolescentes, são livros que comumente aparecem na listagem de livros que eles lêem.

    Queria saber o que tu pensa sobre as consequências dessa literatura ou desse tipo de classificação.
     
  16. Anica

    Anica Usuário

    Lucas, me perdoe, mas esse tipo de coisa não cabe em uma discussão. Você não pode falar da sua experiência pessoal como se ela fosse uma verdade absoluta. Eu vejo no próprio caso do Meia Palavra (e lá na valinor mesmo) inúmeras situações que contrariam o que você disse acima. Há jovens que aparecem aqui querendo mais. Há jovens que querem clássicos. E já que falei na Valinor, você acha que a Valinor só tem gente velha discutindo Tolkien? Não. Tem até criança de 10, 11 anos - e elas LERAM os livros, que são de décadas atrás, portanto "velhos". Então honestamente não acho que caiba essa visão "apocalíptica" de que hoje em dia ninguém se interessa por livros mais velhos ou ninguém quer algo mais denso. Não acho que os casos dos que interessam sejam tão minoria assim. Não sei qual universo você orbita, mas eu vivo em um no qual livrarias brasileiras reportaram que livros de Ernest Hemingway esgotaram em poucos dias, neste ano. Foi por influência de um filme? Tanto faz. A questão é que as pessoas tem interesse sim. Acho extremamente arrogante essa postura de se dizer parte de uma geração que lê e se interessa por clássicos e livros "densos", como se a piazada de hoje em dia fosse um bando de songo mongo que só gosta de livro teen de vampiro. Uma dica: não são. Pelo menos não todos.
     
  17. Liv

    Liv Visitante

    Eu sou prova viva. Tinha 14 anos quando li Senhor dos Anéis. :lily:
     
  18. Pescaldo

    Pescaldo Penso, logo hesito.

    As consequências, pra mim, seriam que eles vão procurar ler aquilo que lhes é da idade, como se houvesse um diploma quando você ultrapassasse e pudesse ler outras coisas. E o contrário também vale: tem adulto que pode se sentir desencorajado e, portanto, sem conseguir o prazer da leitura, porque um livro de maior facilidade para ele é recomendado para jovens de 12 a 16 anos.

    As pessoas e a molecada leem o mesmo tanto e na mesma densidade que sempre leram. Talvez, na verdade, leiam um pouco mais por conta dos títulos "direcionados" a eles, mas de resto as coisas são iguais. Não é todo mundo que dá conta de ler os clássicos ou uma literatura mais densa, independente da idade. Tem gente que passa a vida toda lendo Sidney Sheldon, tem gente que nem passa por ele.

    Como professor, eu tento comentar dos enredos e suscitar as vontades de lerem determinados livros. Assim como, incentivo sempre que alguém me pergunte sobre algum. Pra comentar três casos: alguns moleques do sétimo ano que não liam por nada no mundo, começaram a ler contos do Sherlock e algumas coisas do Poe por recomendação minha. Teve uma menina do sexto ano (!!!!!!) que pediu pra mãe comprar Memórias Póstumas de Brás Cubas pra ela (tenso, quero só ver), porque ela achou legal esse negócio de ir pra frente e ir pra trás na história (era uma aula sobre estrutura narrativa e eu dei o exemplo de narrativa não-linear com o Memórias).

    No primeiro ano do Ensino Médio, emprestei Fausto e Sofrimentos do Jovem Werther pra uma das alunas. Enquanto que outra, que já havia terminado de ler um livro de contos do Machado (a mesma do outro tópico), pediu que eu emprestasse Paraíso Perdido do Milton. Uma outra comentou de Percy Jackson pra mim e fui sincero com ela quanto a minha opinião sobre o livro, mas recomendei que, se ela gostou da ideia geral da história, leia independente do que eu falei. "E o filme?", "Não vi, mas dizem que o livro é infinitamente melhor." Pra finalizar, tem um outro aluno que sempre vem comentar de um ou outro escritor e pedir um ou outro conselho de leitura.

    Eu, quando recomendo livros, não levo muito em consideração a idade de quem pede. Nem a idade de quem escreveu e nem o momento em que escreveram. Eu recomendo e só. Pergunto o tipo de leitura que ele prefere e sempre falo: "se não estiver conseguindo, tente mais um pouco, se desafie".

    Acho que tem que ser por aí. Recomende: se não gostar, não gostou.
     
  19. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    Tá perdoada, hehe. Mas só peraí uma coisa: desculpem se dei a entender que acho a geração de agora "songa monga". Lendo meu post agora ficou parecendo mesmo que eu disse isso, mas deixa eu me explicar ( :vergonha: ) :

    - não tratei minha percepção como "verdade absoluta", fiz questão de ressaltar que era uma coisa que tinha percebido a respeito da minha realidade cotidiana. Talvez eu tenha soado um pouco apocalíptico porque vi muita gente que tinha orgulho de nunca ter lido nada, nem mesmo a matéria na apostila ou livro didático. Minha experiência é na minha cidadezinha do interior do Paraná, onde não consigo perceber tanta gente interessada como você relatou. Não estou dizendo que todos na cidade são burros e eu sou inteligente, nada disso, mas observando o pessoal das escolas e na própria biblioteca pública, tem mais gente que não quer saber de ler nada do que gente que se interessa, seja porque tipo de literatura for.

    - me foquei no "problema" ao invés de observar casos que o contradizem. Tive um aluno que leu vários livros da série do Percy Jackson na quinta série (considero isso um feito e tanto), outros que discutiam O Código Da Vinci com unhas e dentes e um para quem tive a oportunidade de emprestar Blade Runner. Por mais que eu tenha o maior orgulho de dizer isso, e procurar estimular quem eu conheço a ler (principalmente os que foram meus alunos), emprestar livros que sei que não vou reaver ou que sei que vão voltar sem ser lidos, creio que se tratam mais de exceções. Mas quem sabe talvez tenha sido sempre assim e eu que estou analisando as coisas com um "parâmetro" errado...sei lá...

    Não acho que a literatura é a salvação, nem que o mundo se separa entre os bons que lêem e os ruins que não lêem. O Xerxenesky uma vez disse que temos que aceitar que algumas pessoas não vão gostar de ler, e isso não quer dizer que ele seja pior por causa disso. Acho que é por aí. Enfim, acho que essa coisa de ter mais ou menos gente lendo hoje em dia do que em outra época e que tipo de condições/fatores/etc. estão causando essa mudança perpassa a discussão que fala mais sobre "bugalhos" do que sobre "alhos", como você mesmo disse. Acho que é uma questão bem mais ampla, que engloba mais do que a própria literatura em si, mas, como você também disse, é assunto pra outro tópico.
     
  20. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    As pessoas não lêem o contrato antes de criar uma conta no facebook. Na verdade, não consultei nenhum dado estatístico.

    Li Harry Potter só depois de ler Grande Sertão: Veredas. E agora, será que eu voltarei a minha infância literária?! E recentemente li toda a coleção do Calvin. Pronto!

    Li A Divina Comédia porque eu colecionava os quadrinhos do Spawn, o soldado do inferno. Eu era só um pré-adolescente. Bom, quadrinhos não são a melhor iniciação para textos tão complexos, mas pelo menos me levaram a histórias muito mais interessantes.

    Quanto a Literatura de entretenimento, putz! Se alguém lê Ulisses é por entretenimento, a menos que seja para fazer uma tese de doutorado. E quem faz teses de doutorado sobre Ulisses, com certeza se entretem muito com o livro. Livros que não são para entrenimento não são literatura, são manuais técnicos.

    Fui na Feira do Livro de Porto Alegre ontem e estava a procura desses clássicos do século XIX. Não encontrava O Fantasma da Ópera. Aliás, o que se encontrava mesmo era Steve Jobs e Maçonaria. Só consegui encontrar O Fantasma da Ópera na Ática, junto com outras obras obrigatórias do ensino médio. Pois é. Faz tempo que eu não me deparava com letras tão grandes. Até parece que eu era um bebê numa terra de gigantes.

    Livros de transição são aqueles que ainda têm algumas gravuras e as letras ainda são ligeiramente maiores do que a literatura adulta sem xxx.
     

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