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Literatura e Música: no princícpio era o dó, e do dó fez-se ré

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Excluído046, 23 Abr 2012.

  1. Excluído046

    Excluído046 Banned

    A vida é uma ópera, e uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestração é excelente... — Mas, meu caro Marcolini...
    — Quê?...

    E, depois, de beber um gole de licor, pousou o cálice, e expôs-me a história da criação, com palavras que vou resumir.

    Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles outros condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera, do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros, — e acaso para reconciliar-se com o céu, — compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno.
    (Dom Casmurro - Machado de Assis)

    Vamos ver quem anda brincando de compor a ópera e quem tem cuidado de conduzi-la? Do que você está falando, Melian? Estou falando de estabelecermos relações entre a música e a literatura. Não, eu não quero estabelecer um padrão exato para isso. Nada do tipo: "Ah! mas é só para falarmos de intertextualidade ou musicalização também serve?" É tudo junto e misturado, gente. O foco principal é falarmos sobre as referências literárias nas canções. E, não, não há a necessidade de conceituarmos isso, entende? O que importa não é saber dizer se o processo intertextual de Até o fim é uma paródia ou paráfrase, o importante é que se perceba que há um namoro da letra da canção com o Poema de Sete Faces de Drummond. Só isso.

    Para começar:

    A terceira margem do rio - Caetano Veloso, canção homônima daquele que é considerado um dos melhores contos da Literatura brasileira, A terceira margem do rio, escrito por Guimarães Rosa. Eu acho a canção belíssima. Caetano captou, bem, o tom do conto e, baseado nisso, fez uma canção memorável. Sobre o conto, eu me junto ao côro dos que dizem que ele é, junto de A missa do Galo (do meu IDOLATRADO Machado) o melhor conto da Literatura brasileira.

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    Um índio - Caetano Veloso: QUEM, meu Deus, QUEM consegue não estabelecer a relação imediata com O Guarani, de José de Alencar, quando ouve "apaixonadamente como Peri..."?

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    Vambora :grinlove:, da Adriana Calcanhotto (MINHAMÚSICAPREFERIDADACALCANHOTTOEMTODOSOSTEMPOSEUNIVERSOS). Um dos versos da canção é "Na cinza das horas", que remete ao nome de um livro do Manuel Bandeira... Além disso, a canção tem um tom melancólico, tal qual o tom que perpassa não só A cinza das horas, primeiro livro do poeta, mas toda a sua obra. Vambora, ainda, faz referência a uma obra do Ferreira Gullar, chamada Dentro da noite veloz, nos versos: "Ainda tem o seu perfume/ Pela casa/ Ainda tem você na sala/ Porque meu coração dispara? / Quando tem o seu cheiro/ Dentro de um livro/ Dentro da noite veloz..." Tenho todos os problemas do mundo com o Gullar dos últimos tempos, porque ele se tornou um maldito reacionário, mas Dentro da noite veloz tem os poemas do Gullar que mais me fascinaram, porque é uma obra MUITO política. Gosto, mesmo.

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    Já que estamos falando sobre a Calcanhotto e o Gullar, agora vai um caso de musicalização, mesmo: o poema Traduzir-se.

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    Capitu, de Luiz Tatit. Relação direta com Dom Casmurro, de Machado de Assis: "Capitu, a ressaca dos mares, a sereia do sul, captando os olhares, nosso totem tabu, a mulher em milhares, Capitu".

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    Até o Fim (muito bem interpretada por Zeca Baleiro, BTW) – Chico Buarque: a humorística exploração do ‘gauche’, presente em “Poema de sete faces”, de Drummond.
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    Assentamento - Chico Buarque: tem uma linda homenagem ao Corpo de Baile, do Guimarães Rosa :grinlove:. Tem referência ao Tutaméia, nesta canção também, bem no início, quando o conto "Barra da Vaca" é retomado e coisa e tal.

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    Pedro Pedreiro – Chico Buarque. Chico admitiu que tinha lido muito Guimarães, na época, e quis, de certa forma, ‘emulá-lo’ (podemos pensar em uma espécie de pastiche, né?). “Penseiro”, neologismo. Etc.

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    Murders in the Rue Morgue, do Iron Maiden. Oi, baseada no conto "Os assassinatos da rua Morgue" do Edgar Allan Poe :grinlove:.

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    Fleurs Du Mal, da Sarah Brightman, é uma clara referência ao poema escrito por Baudelaire (não só ao poema, mas à obra homônima, do poeta francês):

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    O nome da banda Joy Division veio do livro House of Dolls, de Karol Cetinsky. No livro, Joy Division era o nome como era chamado o lugar onde as mulheres judias eram mantidas prisioneiras e eram OFERECIDAS sexualmente aos oficiais nazistas. :cry:

    O nome da banda Belle & Sebastian:grinlove: foi retirado de um livro infantil, "Belle et Sébastien", escrito pelo francês Cécile Aubry.

    Carrie - Europe. Adoro a banda, e a canção é muito foda, embora não seja a minha preferida da banda, que é Coast to Coast (pois é, The final countdown não é a minha preferida). Nosso imaginário está povoado pela Carrie do filme de Brian de Palma, né? Mas o filme é baseado no livrinho lindo do Stephen King, chamado Carrie, a estranha.

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    Eu citaria o álbum Nightfall in Middle-earth (que estou ouvindo, no momento), do Blind Guardian, todo baseado em O Silmarillion :grinlove:, mas preciso deixar de ser putinha do Silma. Preciso?


    Enfim, a ideia é essa, pessoas. Prossigam.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
    • Ótimo Ótimo x 8
  2. Excluído046

    Excluído046 Banned

    E o Pagz nem veio aqui falar sobre Sociedade Alternativa. Assim não dá pra ser feliz, Brasil! :disgusti:
     
    • LOL LOL x 2
  3. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    Me lembrei dessa interpretação fodaça da Maria Rita, que tem esses versos que eu tanto gosto:


    "Tanta gente se esquece que é preciso viver
    Combater moinhos, caminhar entre o medo e o prazer
    Somos todos na vida, qualquer um de nós
    Vilões e heróis, vilões e heróis"




    Dom Quixote

    Maria Rita

    Cavaleiro andante estrela marginal
    Sobre o Rocinante escravo de metal
    Um acorde rasga o céu
    Raio negro a cavalgar o som
    E cavalgar sozinho... e cavalgar

    Viverá pra sempre em nosso coração
    O moinho vento nova geração
    Um menino vai crescer
    Procurando em cada olhar o amor
    E caminhar, sozinho... e caminhar
    Tanta gente se esconde do sonho com o medo de sofrer
    Tanta gente se esquece que é preciso viver
    Combater moinhos, caminhar entre o medo e o prazer
    Somos todos na vida, qualquer um de nós
    Vilões e heróis,vilões e heróis

    Viverá pra sempre em nosso coração
    O moinho vento nova geração
    Um menino vai crescer
    Procurando em cada olhar o amor
    E caminhar, sozinho... e caminhar
    Tanta gente se esconde do sonho com o medo de sofrer
    Tanta gente se esquece que é preciso viver
    Combater moinhos, caminhar entre o medo e o prazer
    Somos todos na vida, qualquer um de nós
    Vilões e heróis,vilões e heróis

    E seja onde for, qualquer lugar
    Leva a luz que te conduz
    Jamais abandonar o dom que te seduz
    E seja onde for, qualquer lugar
    Leva a luz que te conduz
    Jamais abandonar o dom que te seduz.

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    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
    • Gostei! Gostei! x 3
  4. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Prefiro Gita nesse sentido:

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    Uma das minhas músicas preferidas do Mestre Raul Seixas fala de DEUS! Não um deus pagão, o deus bíblico, ou mesmo um deus hindu, mas o Deus-Verdade, o Deus-Ser, Infinito, Imperecível, Imutável, a Essência de Tudo, o Brahman, Princípio e Fim de todas as coisas. A música é uma adaptação belíssima do poema Bhagavad Gita, que relata os conselhos de sabedoria eterna e filosofia hindu de alcance universal e profundidade insondável do deus Krishna, uma das manifestações (ou avatar) do Deus Um que se revela ao príncipe Arjuna, que se debate sobre a legitimidade moral da guerra dos Bharatas. O Gita é parte da gigantesca epopeia 'O Mahabharata', clássico dos clássicos da literatura épica, religiosa e filosófica da Índia e de todo o hinduísmo, incluindo inúmeras escolas e seitas, vedantas ou não, movimentos New Age, harekrishnianismo e outros setores esotéricos e religiosos.

    Eu, como grande admirador do Mestre, só passei a admirá-lo mais depois que dei uma estudada no hinduísmo e pude ter um relance da enormidade, da grandiosidade, do poder, do tamanho do Bhagavad Gita e de toda a sabedoria hinduísta.

    Hare Krishna!
     
    Última edição por um moderador: 5 Out 2013
    • Gostei! Gostei! x 4
  5. Quickbeam

    Quickbeam Rock & Roll

    A primeira música que me veio à memória foi "Venus in Furs", do Velvet Underground:
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    Shiny, shiny, shiny boots of leather
    Whiplash girlchild in the dark
    Comes in bells, your servant, don't forsake him
    Strike, dear mistress, and cure his heart

    Downy sins of streetlight fancies
    Chase the costumes she shall wear
    Ermine furs adorn the imperious
    Severin, Severin awaits you there

    I am tired, I am weary
    I could sleep for a thousand years
    A thousand dreams that would awake me
    Different colors made of tears

    Kiss the boot of shiny, shiny leather
    Shiny leather in the dark
    Tongue of thongs, the belt that does await you
    Strike, dear mistress, and cure his heart

    Severin, Severin, speak so slightly
    Severin, down on your bended knee
    Taste the whip, in love not given lightly
    Taste the whip, now plead for me

    I am tired, I am weary
    I could sleep for a thousand years
    A thousand dreams that would awake me
    Different colors made of tears

    Shiny, shiny, shiny boots of leather
    Whiplash girlchild in the dark
    Severin, your servant comes in bells, please don't forsake him
    Strike, dear mistress, and cure his heart
    Para a época, parece-me uma letra bem incomum, inspirada pelo livro homônimo de Leopold von Sacher-Masoch, tratando de temas como bondage, submissão e S&M.


    Uma outra que gosto bastante é esta do Cure:
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    Standing on the beach
    With a gun in my hand
    Staring at the sea
    Staring at the sand
    Staring down the barrel
    At the arab on the ground
    I can see his open mouth
    But I hear no sound

    I'm alive
    I'm dead
    I'm the stranger
    Killing an arab

    I can turn
    And walk away
    Or I can fire the gun
    Staring at the sky
    Staring at the sun
    Whichever I chose
    It amounts to the same
    Absolutely nothing

    I'm alive
    I'm dead
    I'm the stranger
    Killing an arab

    I feel the steel butt jump
    Smooth in my hand
    Staring at the sea
    Staring at the sand
    Staring at myself
    Reflected in the eyes
    Of the dead man on the beach
    The dead man on the beach
    A letra é inspirada pelo livro O Estrangeiro, de Albert Camus, e não tem nada de racista, mas a controvérsia sempre acompanhou a canção. Parece que o Robert Smith ficou tão cheio de ter de explicar a letra toda hora, que acabou mudando-a nas últimas turnês ("Kissing an Arab", "Killing an Ahab", "Killing Another").


    Não poderia também deixar de citar esta música da Kate Bush:
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    Out on the wiley, windy moors
    We'd roll and fall in green
    You had a temper, like my jealousy
    Too hot, too greedy
    How could you leave me?
    When I needed to possess you?
    I hated you, I loved you too

    Bad dreams in the night
    They told me I was going to lose the fight
    Leave behind my wuthering, wuthering
    Wuthering Heights

    (Chorus) Heathcliff, its me, Cathy come home
    I'm so cold, let me in-a-your window

    Oh it gets dark, it gets lonely
    On the other side from you
    I pine alot, I find the lot
    Falls through without you
    I'm coming back love, cruel Heathcliff
    My one dream, my only master

    Too long I roam in the night
    I'm coming back to his side to put it right
    I'm coming home to wuthering, wuthering,
    Wuthering Heights

    (Chorus)
    Oh let me have it, let me grab your soul away
    Oh let me have it, let me grab your soul away
    You know it's me, Cathy
    A letra, como percebe-se pelo próprio título, provém de O Morro dos Ventos Uivantes, famoso romance de Emily Brontë, com alguns versos sendo citações diretas da obra. Foi o single de estreia da cantora e tornou-se uma canção clássica no repertório dela. Lembro de ter ouvido a música quando criança, mas só bem mais tarde fui entender o que ela cantava naquele refrão. :dente:


    Gosto muito também desta dos Titãs:
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    O pulso ainda pulsa
    O pulso ainda pulsa...

    Peste bubônica
    Câncer, pneumonia
    Raiva, rubéola
    Tuberculose e anemia
    Rancor, cisticircose
    Caxumba, difteria
    Encefalite, faringite
    Gripe e leucemia...

    E o pulso ainda pulsa
    E o pulso ainda pulsa

    Hepatite, escarlatina
    Estupidez, paralisia
    Toxoplasmose, sarampo
    Esquizofrenia
    Úlcera, trombose
    Coqueluche, hipocondria
    Sífilis, ciúmes
    Asma, cleptomania...

    E o corpo ainda é pouco
    E o corpo ainda é pouco
    Assim...

    Reumatismo, raquitismo
    Cistite, disritmia
    Hérnia, pediculose
    Tétano, hipocrisia
    Brucelose, febre tifóide
    Arteriosclerose, miopia
    Catapora, culpa, cárie
    Câimba, lepra, afasia...

    O pulso ainda pulsa
    E o corpo ainda é pouco
    Ainda pulsa
    Ainda é pouco
    Assim...
    Difícil não pensar em Augusto dos Anjos ou mesmo no poema
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    , de Manuel Bandeira, ao ouvir essa música.


    Há, também, as músicas de uma adaptação teatral de 1984, do George Orwell, que o Bowie estava planejando, mas que teve de ser abortada depois dos direitos terem sido negados a ele. Essas músicas acabaram indo parar no álbum Diamond Dogs, como, por exemplo, esta aqui:
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    Someday they won't let you, so now you must agree
    The times they are a-telling, and the changing isn't free
    You've read it in the tea leaves, and the tracks are on TV
    Beware the savage jaw
    Of 1984

    They'll split your pretty cranium, and fill it full of air
    And tell that you're eighty, but brother, you won't care
    You'll be shooting up on anything, tomorrow's never there
    Beware the savage jaw
    Of 1984

    Come see, come see, remember me?
    We played out an all night movie role
    You said it would last, but I guess we enrolled
    In 1984 (who could ask for more)
    1984 (who could ask for mor-or-or-or-ore)
    (Mor-or-or-or-ore)

    I'm looking for a vehicle, I'm looking for a ride
    I'm looking for a party, I'm looking for a side
    I'm looking for the treason that I knew in '65
    Beware the savage jaw
    Of 1984

    Come see, come see, remember me?
    We played out an all night movie role
    You said it would last, but I guess we enrolled
    In 1984 (who could ask for more)
    1984 (who could ask for mor-or-or-or-ore)
    (Mor-or-or-or-ore)
    [HR][/HR]

    Quanto a canções cujas letras são textos musicados, uma de minhas favoritas é esta dos Secos & Molhados, sobre um poema de Vinícius de Moraes:
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    Pensem nas crianças
    Mudas telepáticas
    Pensem nas meninas
    Cegas inexatas
    Pensem nas mulheres
    Rotas alteradas
    Pensem nas feridas
    Como rosas cálidas
    Mas oh não se esqueçam
    Da rosa da rosa
    Da rosa de Hiroshima
    A rosa hereditária
    A rosa radioativa
    Estúpida e inválida
    A rosa com cirrose
    A antirrosa atômica
    Sem cor sem perfume
    Sem rosa sem nada.
    Faz parte, junto com o também musicado
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    , do maravilhoso primeiro disco da banda.


    O Caetano também tem inúmeras músicas desse tipo, mas minhas favoritas acho que são estas:
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    Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
    Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô
    De fulô e ainda quem falta me dá

    Soando como um shamisen
    E feito apenas com um arame tenso um cabo e uma lata
    Velha num fim de festafeira no pino do sol a pino mas para
    Outros não existia aquela música não podia porque não
    Podia popular aquela música se não canta não é popular
    Se não afina não tintina não tarantina e no entanto puxada
    Na tripa da miséria na tripa tensa da mais megera miséria
    Física e doendo doendo como um prego na palma da mão
    Um ferrugem prego cego na palma espalma da mão
    Coração exposto como um nervo tenso retenso um renegro
    Prego cego durando na palma polpa da mão ao sol

    Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
    Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô
    De fulô e ainda quem falta me dá

    O povo é o inventalínguas na malícia da maestria no matreiro
    Da maravilha no visgo do improviso tenteando a travessia
    Azeitava o eixo do sol

    Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
    Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô
    De fulô e ainda quem falta me dá

    E não peça que eu te guie não peça despeça que eu te guie
    Desguie que eu te peça promessa que eu te fie me deixe me
    Esqueça me largue me desamargue que no fim eu acerto
    Que no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim
    Me reservo e se verá que estou certo e se verá que tem jeito
    E se verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem
    Faz cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre
    Que me ensinou já não dá ensinamento

    Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
    Porque eu não posso guiá eviva quem já me deu circuladô
    De fulô e ainda quem falta me dá
    Poema de Haroldo de Campos, nunca imaginei que pudesse ficar tão decorável. :dente:

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    A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.
    Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte...
    É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte.
    Não encontrei a versão original, mas essa cover também ficou muito boa. A letra vem de um texto (em prosa!) de Joaquim Nabuco, do livro Minha Formação.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
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  6. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Ode descontínua e remota para flauta e oboé. De Ariana para Dionísio, da Hilda Hilst :grinlove: foi musicada pelo Zeca Baleiro. Os poemas são magníficos e ficaram brilhantes musicados. Sério. Só para vocês sentirem um gostinho, vai aí o meu poema preferido de Ode, musicado (até uso esse poema como minha descrição, lá no Meia Palavra). Sério, sintam a delícia do poema:

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  7. Phantom Lord

    Phantom Lord London Calling

    Algumas músicas que me vem à mente são estas:



    Pato Fu - "A Hora da Estrela"
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    Bela homenagem composta pelo John e pelo Pato Fu para a obra da Clarice Lispector.
    Quando Fernanda Takai canta que “a hora da estrela vai chegar”,é bastante emocionante.


    David Bowie - "1984"
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    David Bowie sempre soube o que fazia.E mais uma vez ele acerta ao escrever uma canção se baseando na obra "1984" do George Orwell.



    The Police - "Don't Stand So Close To Me"
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    Sting e The Police usando "Lolita" do Vladimir Nabokov,para compor esta bela música.


    Secos & Molhados - "Não,Não Digas Nada"
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    Mais uma vez os Secos & Molhados acertam em cheio,ao musicar lindamente o poema de Fernando Pessoa.
     
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  8. Amon_Gwareth

    Amon_Gwareth Paragon

    Um dos maiores trabalhos vocais da música romântica russa (e por que não da história?) é o The Bells, de Sergei Rachmaninoff. Este trabalho sonoro é inspirado no famoso poema de E.A. Poe, e nota-se claramente a preocupação do compositor de manter o ritmo do poema, bem como frequentes "pontos" na música, que simbolizam os mesmos sinos representados na sonoridade do poema.

    A estrutura da música parte de um primeiro movimento serelepe, e gradativamente vai ficando mais tensa e pesada até chegar no IV movimento, onde é absolutamente melancólica - conforme a construção do poema.

    Não costumo apoiar traduções e adaptações para outros idiomas, mas ainda assim essa tá tranquilamente na minha "top list"

    Enfim, leiam, escutem e interpretem vcs mesmos:

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    HEAR the sledges with the bells—
    Silver bells!
    What a world of merriment their melody foretells!
    How they tinkle, tinkle, tinkle,
    In the icy air of night!
    While the stars that oversprinkle
    All the heavens, seem to twinkle
    With a crystalline delight;
    Keeping time, time, time,
    In a sort of Runic rhyme,
    To the tintinnabulation that so musically wells
    From the bells, bells, bells, bells,
    Bells, bells, bells—
    From the jingling and the tinkling of the bells.

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    Hear the mellow wedding-bells
    Golden bells!
    What a world of happiness their harmony foretells!
    Through the balmy air of night
    How they ring out their delight!—
    From the molten-golden notes,
    And all in tune,
    What a liquid ditty floats
    To the turtle-dove that listens, while she gloats
    On the moon!
    Oh, from out the sounding cells,
    What a gush of euphony voluminously wells!
    How it swells!
    How it dwells
    On the Future!—how it tells
    Of the rapture that impels
    To the swinging and the ringing
    Of the bells, bells, bells—
    Of the bells, bells, bells, bells,
    Bells, bells, bells—
    To the rhyming and the chiming of the bells!

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    Hear the loud alarum bells—
    Brazen bells!
    What tale of terror, now, their turbulency tells!
    In the startled ear of night
    How they scream out their affright!
    Too much horrified to speak,
    They can only shriek, shriek,
    Out of tune,
    In a clamorous appealing to the mercy of the fire,
    In a mad expostulation with the deaf and frantic fire,
    Leaping higher, higher, higher,
    With a desperate desire,
    And a resolute endeavor
    Now—now to sit, or never,
    By the side of the pale-faced moon.
    Oh, the bells, bells, bells!
    What a tale their terror tells
    Of Despair!
    How they clang, and clash, and roar!
    What a horror they outpour
    On the bosom of the palpitating air!
    Yet the ear, it fully knows,
    By the twanging
    And the clanging,
    How the danger ebbs and flows;
    Yet, the ear distinctly tells,
    In the jangling
    And the wrangling,
    How the danger sinks and swells,
    By the sinking or the swelling in the anger of the bells—
    Of the bells—
    Of the bells, bells, bells, bells,
    Bells, bells, bells—
    In the clamour and the clangour of the bells!

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    Hear the tolling of the bells—
    Iron bells!
    What a world of solemn thought their monody compels!
    In the silence of the night,
    How we shiver with affright
    At the melancholy meaning of their tone!
    For every sound that floats
    From the rust within their throats
    Is a groan.
    And the people—ah, the people—
    They that dwell up in the steeple,
    All alone,
    And who, tolling, tolling, tolling,
    In that muffled monotone,
    Feel a glory in so rolling
    On the human heart a stone—
    They are neither man nor woman—
    They are neither brute nor human—
    They are Ghouls:—
    And their king it is who tolls:—
    And he rolls, rolls, rolls, rolls,
    Rolls
    A pæan from the bells!
    And his merry bosom swells
    With the pæan of the bells!
    And he dances, and he yells;
    Keeping time, time, time,
    In a sort of Runic rhyme,
    To the pæan of the bells—
    Of the bells:—
    Keeping time, time, time,
    In a sort of Runic rhyme,
    To the throbbing of the bells—
    Of the bells, bells, bells—
    To the sobbing of the bells:—
    Keeping time, time, time,
    As he knells, knells, knells,
    In a happy Runic rhyme,
    To the rolling of the bells—
    Of the bells, bells, bells:—
    To the tolling of the bells—
    Of the bells, bells, bells, bells,
    Bells, bells, bells—
    To the moaning and the groaning of the bells.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
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  9. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    Monte Castelo do Renato Russo, que se utiliza da bela I Epístola de São Paulo aos Corintios e do soneto 11 de Luiz Vaz de Camões: "Amor é fogo que arde sem se ver". Incrível como os versos de um e outro se completam.

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  10. Excluído046

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    Flor da idade (como eu amo essa canção, meu Deus!), do Chico Buarque :grinlove:, que nos remete ao poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade:

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  11. Excluído046

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  12. Excluído046

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    Vem, gente!
     
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