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[Letra] Carta de Amor, de Maria Bethânia

Tópico em 'Música' iniciado por JLM, 11 Nov 2012.

  1. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

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    Carta De Amor

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    Não mexe comigo que eu não ando só
    eu não ando só, que eu não ando só
    não mexe não (2x)

    Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos Cupis
    sou Tupinambá, tenho Erês, caboclo boiadeiro
    mãos de cura, Morubichabas, Cocares, Arco-íris
    Zarabatanas, Curarês, Flechas e Altares.
    A velocidade da luz no escuro da mata escura
    o breu o silêncio a espera. Eu tenho Jesus,
    Maria e José, todos os Pajés em minha companhia
    o menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos
    o poeta me contou.

    Não mexe comigo que eu não ando só
    eu não ando só, que eu não ando só
    não mexe não (2x)

    Não misturo , não me dobro a rainha do mar
    anda de mãos dadas comigo, me ensina o baile
    das ondas e canta, canta, canta pra mim, é do
    ouro de Oxum que é feita a armadura guarda o
    meu corpo, garante meu sangue, minha garganta
    o veneno do mal não acha passagem e em meu
    coração Maria ascende sua luz, e me aponta o
    caminho.
    Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã,
    giro o mundo, viro, reviro tô no reconcavo
    tô em face, vôo entre as estrelas, brinco de
    ser uma traço o cruzeiro do sul, com a tocha
    da fogueira de João menino, rezo com as três
    Marias, vou além me recolho no esplendor das
    nebulosas descanso nos vales, montanhas, durmo
    na forja de algum, mergulho no calor da lava
    dos vulcões, corpo vivo de Xangô

    Não ando no Breu nem ando na treva
    Não ando no breu nem ando na treva
    é por onde eu vou o Santo me leva
    é por onde eu vou o Santo me leva(2x)

    Medo não me alcança, no deserto me acho, faço
    cobra morder o rabo, escorpião vira pirilampo
    meus pés recebem bálsamos, unguento suave das
    mãos de Maria, irmã de Marta e Lázaro, no
    Oásis de Bethânia.
    Pensou que eu ando só, atente ao tempo num
    comece nem termine, é nunca é sempre, é tempo
    de reparar na balança de nobre cobre que o rei
    equilibra, fulmina o injusto, deixa nua a justiça

    Eu não provo do teu féu, eu não piso no teu chão
    e pra onde você for não leva o meu nome não
    e pra onde você for não leva o meu nome não(2x)

    Onde vai valente? você secô seus olhos insones
    secaram, não veêm brotar a relva que cresce livre
    e verde, longe da tua cegueira. Seus ouvidos se
    fecharam à qualquer musica, qualquer som, nem o
    bem nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe
    você pisa na terra mas não sente apenas pisa,
    apenas vaga sobre o planeta, já nem ouve as
    teclas do teu piano, você está tão mirrado que
    nem o diabo te ambiciona, não tem alma você é
    o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.

    O que é teu já tá guardado
    não sou eu que vou lhe dar,
    não sou eu que vou lhe dar,
    não sou eu que vou lhe dar.(2x)

    Eu posso engolir você só pra cuspir depois,
    minha forma é matéria que você não alcança
    desde o leite do peito de minha mãe, até o sem
    fim dos versos, versos, versos, que brota do
    poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita
    na palma da inspiração de Caymmi, se choro quando
    choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que
    alimenta a visa, chorando eu refaço as nascentes
    que você secou.
    Se desejo o meu desejo faz subir marés de sal e
    sortilégio, vivo de cara pra o vento na chuva e
    quero me molhar. O terço de Fátima e o cordão de
    Gandhi, cruzam o meu peito.
    Sou como a haste fina que qualquer brisa verga
    mas, nenhuma espada corta

    Não mexe comigo que eu não ando só
    eu não ando só, que eu não ando só(2x)
    não mexe comigo
     

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