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Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Deriel, 20 Dez 2002.

Situação do Tópico:
Fechado para novas mensagens.
  1. Deriel

    Deriel Administrador

    Cetiscismo
    de Francisco Prosdocimi

    Os cientistas são, muitas vezes, céticos com relação à grande maioria dos eventos místicos, paranormais e ufológicos que parecem acontecer à sua volta. Entretanto, devemos considerar que os cientistas são indivíduos que conhecem a natureza do universo melhor do que qualquer outro profissional na sociedade humana. Afinal, essa é sua profissão!

    No âmbito de nossa sociedade, cada pessoa se especializa em uma determinada área de seu interesse e se torna cética com relação à sua área de conhecimento (excetuando-se aqui religiosos e místicos, que aceitam certas premissas dogmáticas sem uma gota de ceticismo). Considerando que é impossível que nos especializemos em todas as áreas do conhecimento humano, muitas vezes tendemos a aceitar as opiniões de especialistas. Apesar de tudo, quando o assunto envolve crenças e convicções pessoais, é difícil aceitar o que os especialistas dizem (por mais bem colocado e lógico que seja) e é por isso que nossa sociedade vive tão cheia dos mais absurdos e diferentes mitos.

    Experimente, um dia, chegar pra uma dona de casa e dizer que consegue assar um bolo apenas com o calor de suas mãos, que consegue fazê-lo crescer apenas com a força do pensamento ou que utilizando cem vezes menos ingredientes você faz um bolo do mesmo tamanho. Experimente dizer a um engenheiro civil que você é capaz de construir um edifício de vinte andares utilizando apenas um pilar com dois milímetros de diâmetro. Experimente falar a um cientista da computação que você conseguiu fazer com que seu disco rígido de 540Mb conseguisse armazenar 200Gb. Experimente surpreender um advogado dizendo que você conseguiu criar um sistema de leis perfeito, onde nunca haveria erros de sentença e todos pagariam de forma justa e adequada por seus atos ilegais. Diga a um publicitário que você bolou uma propaganda que fizesse qualquer um sair correndo para comprar seu produto.

    Sou capaz de apostar dez para um como, em todos os casos citados no parágrafo anterior, o profissional, no mínimo, iria duvidar de você. (É claro que algumas vezes ele poderia achar que você é louco e concordar: “– Sim, sim, parece interessante...”) Mas é claro que ele iria querer saber como você conseguiu tal façanha. Todos são céticos quando conhecem o objeto de seu estudo! A dona de casa, por mais humilde que seja, nunca vai acreditar que você consegue fazer um bolo do mesmo tamanho utilizando apenas um centésimo de cada ingrediente. É importante notar que talvez, num futuro distante, seja possível fazer esse bolo com tão poucos ingredientes, mas não vale a pena perder muito tempo com essa pessoa que diz fazê-lo hoje, a não ser que ela explique de forma lógica e mostre passo a passo seus procedimentos.

    No caso do cientista pode-se dizer que não vale a pena gastar muita saliva discutindo com uma pessoa que diz que pode haver vida inteligente no Sol, como aconteceu comigo há bem pouco tempo. Toda a vida que já observamos, até hoje, é a que existe na Terra, onde todos os organismos são formados por informações codificadas em cadeias de moléculas que formam os ácidos nucléicos (RNA ou DNA). Sabemos que o DNA se desestabiliza a cerca de 100ºC, quando acontece a quebra das ligações de hidrogênio e a abertura da dupla fita, descaracterizando a forma de dupla hélice da molécula. Numa temperatura um pouco maior acontece a ruptura das ligações fosfodiéster que ligam os nucleotídeos entre si, cortando o DNA em minúsculos pedacinhos que são incapazes de constituir vida, inteligente ou não, da forma como conhecemos. Sei que a temperatura na superfície do Sol é muito maior do que míseras centenas de graus Celsius (e, no seu interior, é ainda maior) e, portanto, estou convicto que não podemos encontrar vida inteligente no Sol. É claro, e esse é um dos pontos-chave da questão, que pode existir vida no Sol, baseada em outras cadeias químicas ou em coisas completamente inusitadas para nós no dia de hoje. A minha pergunta para essa pessoa é similar àquela feita pela dona de casa ao indivíduo que diz fazer o bolo com um centésimo dos ingredientes: explique-me, através de um raciocínio lógico e mostrando passo a passo, como é que pode existir vida inteligente no Sol? Como a pessoa não é capaz de explicar e nem de apresentar provas convincentes, mantenho-me cético com relação a esse fato, assim como a dona de casa manteve-se cética com relação ao bolo econômico. Algum dia, num futuro sabe-se lá quão distante, pode-se chegar a fazer tal bolo ou mostrar a existência de tal vida. Até lá, a dona de casa e eu nos manteremos céticos com relação a cada um dos fatos.

    O mesmo raciocínio pode ser aplicado a grande parte dos fenômenos místicos, parapsicológicos ou religiosos. Enquanto ninguém mostrar evidências ou explicar detalhadamente através de raciocínios lógicos que um determinado evento (seja uma cura através das mãos, uma torção de talheres com a força da mente, uma abdução por alienígenas, a existência de Deus ou um bolo com um centésimo dos ingredientes) realmente existe ou pode acontecer, temos o direito e o dever de permanecermos céticos em relação a ele. Do contrário seríamos obrigados a acreditar em qualquer coisa que qualquer um inventasse, como o fato de sermos controlados por uma mente em forma de ostra. Se não há evidências de que somos controlados por uma mente em forma de ostra ou que existe vida após a morte, não temos por que acreditar em uma ou outra coisa, por mais que um milhão de pessoas nos digam que já viram em seus sonhos uma mente em forma de ostra dizendo-lhes o que fazer.

    Somente com uma maior educação científica e cética a população conseguirá se desvencilhar de crenças e misticismos absurdos, sem quaisquer evidências físicas e criados a partir de lógicas falhas. Com uma legião de céticos espalhados pelas mais diversas áreas do conhecimento, da culinária à biologia molecular, poderá chegar um dia em que será muito mais difícil enganar até mesmo a mais simples das pessoas. Mas é claro que toda a minha argumentação pode estar errada ou incompleta. Mostre-me o porquê e poderei, se utilizar bons argumentos explicar passo a passo, concordar com você.
     
  2. Deriel

    Deriel Administrador

    Humanismo Secular?

    Humanismo Secular
    de Fritz Stevens, Edward Tabash, Tom Hill, Mary Ellen Sikes e Tom Flynn

    Humanismo Secular é um termo que tem sido usado nos últimos trinta anos para descrever uma visão de mundo com os seguintes elementos e princípios:


    * Uma convicção de que dogmas, ideologias e tradições, quer religiosas, políticas ou sociais, devem ser avaliados e testados por cada pessoa individual em vez de simplesmente aceitas por uma questão de fé.
    * Compromisso com o uso da razão crítica, evidência factual, e método científico de pesquisa, em lugar da fé e misticismo, na busca de soluções para os problemas humanos e respostas para as questões humanas mais importantes. [1]
    * Uma preocupação primeira com a satisfação, desenvolvimento e criatividade tanto para o indivíduo quanto para a humanidade em geral.
    * Uma busca constante pela verdade objetiva, tendo entendido que nossa imperfeita percepção dessa verdade é constantemente alterada por novos conhecimentos e experiências. [2]
    * Uma preocupação com esta vida e um compromisso de dotá-la de sentido através de um melhor conhecimento de nós mesmos, nossa história, nossas conquistas intelectuais e artísticas, e as perspectivas daqueles que diferem de nós.
    * Uma busca por princípios viáveis de conduta ética (tanto individuais quanto sociais e políticos), julgando-os por sua capacidade de melhorar o bem-estar humano e a responsabilidade individual.
    * Uma convicção de que com a razão, um mercado aberto de idéias, boa vontade, e tolerância, pode-se obter progresso na construção de um mundo melhor para nós mesmos e nossas crianças.

    Como os Humanistas Seculares Vêem as Alegações Religiosas e Sobrenaturais?
    Os Humanistas Seculares seguem uma perspectiva ou filosofia chamada de Naturalismo, na qual as leis físicas do universo não são subordinadas a entidades imateriais ou sobrenaturais como demônios, deuses, ou outros seres "espirituais" fora do domínio do universo natural. Eventos sobrenaturais como milagres (que contradizem as leis físicas) e fenômenos psíquicos, como percepção extra-sensorial, telecinese, etc., não são descartados automaticamente, mas são vistos com um alto grau de ceticismo).[3]

    Humanistas Seculares são Ateus (ou Ateístas)?
    Os Humanistas Seculares tipicamente descrevem-se como ateístas (sem crença em um deus e bastante céticos quanto à possibilidade de haver um) ou agnósticos (sem crença em um deus e em dúvida quanto à possibilidade). Os Humanistas Seculares tem origens filosóficas e religiosas bastante diversas, desde o fundamentalismo cristão até sistemas de crenças liberais e o ateísmo de nascença. Alguns alcançaram conforto em uma posição humanista secular após um período de deísmo. Deístas são aqueles que expressam um sentimento vago ou místico de que uma inteligência criativa pode estar, ou em algum momento esteve, conectada ao universo ou envolvida com a sua criação, mas agora se encontra ou não-existente ou não mais ocupada com sua operação.

    Os Humanistas Seculares não dependem de deuses ou outras forças sobrenaturais para resolver seus problemas ou oferecer orientação para suas condutas. Em vez disso, dependem da aplicação da razão, das lições da história, e experiência pessoal para formar um fundamento moral e ético e para criar sentido na vida. Humanistas Seculares vêem a metodologia da ciência como a mais confiável fonte de informação sobre o que é factual ou verdadeiro sobre o universo que todos partilhamos, reconhecendo que novas descobertas sempre estarão alterando e expandindo nossa compreensão deste, e possivelmente mudarão também nossa abordagem de assuntos éticos.

    Qual é a Origem do Humanismo Secular?
    O Humanismo Secular enquanto um sistema filosófico organizado é relativamente novo, mas seus fundamentos podem ser encontrados nas idéias de filósofos gregos clássicos como os Estóicos e Epicurianos, bem como no Confucionismo chinês.4 Estas posições filosóficas buscavam as soluções de problemas humanos em seres humanos em vez de deuses.

    Durante a Idade das Trevas da Europa Ocidental, as filosofias humanistas foram suprimidas pelo poder político da igreja. Aqueles que ousavam expressar opiniões em oposição aos dogmas religiosos dominantes eram banidos, torturados ou executados. Foi apenas na Renascença dos séculos quatorze a dezessete, com o desenvolvimento da arte, música, literatura, filosofia e as grandes navegações, que a consideração à alternativa humanista a uma existência centrada em Deus passou a ser permitida. Durante o Iluminismo do século dezoito, com o desenvolvimento da ciência, os filósofos finalmente começaram a criticar abertamente a autoridade da igreja e a se engajar no que tornou-se conhecido como "Livre-Pensamento".

    O movimento Livre-Pensador do século dezenove na América do Norte e Europa Ocidental finalmente tornou possível para o cidadão comum a rejeição da fé cega e superstição sem o risco de perseguição. A influência da ciência e tecnologia, conjuntamente com os desafios à ortodoxia religiosa por célebres livres-pensadores como Mark Twain e Robert G. Ingersoll trouxeram elementos da filosofia humanista até mesmo para igrejas cristãs tradicionais, que tornaram-se mais preocupadas com este mundo, e menos com o próximo.

    No século vinte cientistas, filósofos e teólogos progressistas começaram a se organizar em um esforço para promover a alternativa humanista às tradicionais perspectivas baseadas na fé. Esses primeiros organizadores classificaram o humanismo como uma religião não-teísta que preencheria a necessidade humana de um sistema ético e filosófico organizado para orientar nossas vidas, uma "espiritualidade" sem o sobrenatural. Nos últimos trinta anos, aqueles que rejeitam o sobrenaturalismo enquanto opção filosófica viável adotaram o termo "humanismo secular" para descrever sua postura de vida não-religiosa.

    Seus críticos frequentemente tentam classificar o humanismo secular como uma religião. No entanto, o humanismo secular carece das características essenciais de uma religião, inclusive a crença em uma divindade e uma ordem transcendente que a acompanha. Os humanistas seculares mantém que assuntos referentes a ética, conduta social e legal adequadas, e metodologia da ciência são filosóficos e não pertencem ao domínio da religião, que lida com o sobrenatural, místico e transcendente.

    O Humanismo Secular, portanto, é uma filosofia e perspectiva que se concentra nos assuntos humanos e emprega métodos racionais e científicos para lidar com a larga variedade de assuntos importantes para todos nós. Ao mesmo tempo que o humanismo secular é adverso aos sistemas religiosos baseados em fé em muitos pontos, ele se dedica ao desenvolvimento do indivíduo e da humanidade em geral. Para alcançar esta meta, o humanismo secular encoraja a dedicação a um conjunto de princípios que promovem o desenvolvimento da tolerância e compaixão e uma compreensão dos métodos da ciência, análise crítica, e reflexão filosófica.

    Para uma discussão detalhada do humanismo secular, queira se dirigir aos seguintes livros escritos pelo filósofo e fundador do Council of Secular Humanism, Paul Kurtz e publicados por Prometheus Books:


    The Transcendental Temptation
    Forbidden Fruit: The Ethics of Humanism
    Living Without Religion: Eupraxophy
    In Defense of Secular Humanism

    ***
    Original em
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    Notas do Tradutor

    1 - Neste ponto discordo ligeiramente dos autores: me parece claro que o ser humano precisa de fé e esperança. Mas essa fé precisa se fundamentar nos fatos, e não se deixar levar pela tentação de querer moldá-los ou rejeitá-los arbitrariamente por algum pretexto emocional. Os aspectos emocionais do ser humano são reais, importantes e merecem respeito e atenção, mas os fatos continuam sendo fatos mesmo quando nossa fé ou necessidade de que sejam outros é enorme. Voltar

    2 - É claro que a meta de "conhecer a verdade objetiva" é em si utópica. No entanto, considero que devemos buscar ser objetivos em nossos julgamentos. Primeiro, porque é possível nos aproximar do conhecimento objetivo, mesmo que ele nunca possa ser plenamente alcançado; e Segundo, porque quando falhamos em ser objetivos corremos o risco de cometer injustiças graves.

    Veja também, por exemplo, o oitavo item de 10 Myths about Secular Humanism, da revista eletrônica Free Inquiry. Voltar

    3 - Por quê esse ceticismo? Porque a fé ou crença, quando desconectada do questionamento realista, é comprovadamente perigosa. O exemplo mais dramático são os numerosos casos de crimes violentos cujos autores garantem ter sido inspirados pela vontade de uma entidade sobrenatural benevolente, mas existem muitos exemplos menos óbvios, possivelmente mais sérios ainda em suas consequências a longo prazo. Este perigo não está presente apenas em movimentos religiosos. Voltar

    4 - E, em minha opinião, mais ainda na essência do Taoísmo. Voltar
     
  3. Deriel

    Deriel Administrador

    Ciência?

    Ciência
    Ciência é, antes de mais nada, um conjunto de métodos lógicos e empíricos que permitem a observação sistemática de fenômenos empíricos, a fim de compreendê-los. Acreditamos entender fenômenos empíricos quando temos uma teoria satisfatória que explique como funcionam, que padrões regulares seguem, ou por que se apresentam a nós como se apresentam. Explicações científicas são feitas em termos de fenômenos naturais em detrimento dos sobrenaturais, embora ciência em si não exija a aceitação ou a rejeição do sobrenatural.

    A ciência é também o corpo organizado do conhecimento sobre o mundo empírico, que provém da aplicação do conjunto de métodos lógicos e empíricos citados acima.

    A ciência consiste de várias ciências específicas, como biologia, física, química, geologia e astronomia, que são definidas pelo tipo e gama de fenômenos empíricos que investigam.

    Para concluir, ciência é também a aplicação do conhecimento científico, como a alteração do arroz com genes do narciso e de bactérias para aumentar seu conteúdo de vitamina A.

    os métodos lógicos e empíricos da ciência

    Não existe um método científico único. Alguns dos métodos da ciência envolvem lógica, por exemplo, tirando conclusões ou deduções a partir de hipóteses, ou decidindo as implicações lógicas de relações causais em termos de condições necessárias ou suficientes. Alguns dos métodos são empíricos, como o de fazer observações, projetar experiências controladas, ou projetar instrumentos para usar na coleta de dados.

    Métodos científicos são impessoais. Logo, o que quer que um cientista seja capaz de fazer como cientista, qualquer outro deve ser capaz de duplicar. Quando uma pessoa afirma medir ou observar algo através de algum método puramente subjetivo, o qual outros não podem duplicar, esta pessoa não está fazendo ciência. Quando cientistas não conseguem duplicar o trabalho de outro cientista é um sinal claro de que este errou, ou no projeto, ou na metodologia, ou na observação, ou nos cálculos ou na calibração.

    fatos e teorias científicas

    A ciência não assume saber a verdade sobre o mundo empírico a priori. Ela assume que deve descobrir seu conhecimento. Aqueles que afirmam saber a verdade empírica a priori (como os assim chamados criacionistas científicos) não podem estar falando sobre conhecimento científico. A ciência pressupõe uma ordem regular na natureza e assume que existam princípios fundamentais conforme os quais os fenômenos naturais funcionam. Assume que estes princípios ou leis são relativamente constantes. Mas ela não assume que possa saber a priori o que esses princípios sejam, ou o que a ordem real de qualquer conjunto de fenômenos empíricos seja.

    Uma teoria científica é um conjunto unificado de princípios, conhecimento e métodos para explicar o comportamento de alguma gama específica de fenômenos empíricos. Teorias científicas tentam entender o mundo das experiências observadas e sensoriais. Tentam explicar como o mundo natural funciona.

    Uma teoria científica deve ter algumas conseqüências lógicas que possamos testar contra fatos empíricos através de predições baseadas na teoria. Entretanto, a natureza exata do relacionamento entre uma teoria científica fazendo predições e sendo testada é algo sobre o que filósofos amplamente divergem (Kourany).

    É verdade que algumas teorias científicas, quando são desenvolvidas e propostas pela primeira vez, são freqüentemente pouco mais que palpites baseados em informações limitadas. Por outro lado, teorias científicas maduras e bem desenvolvidas sistematicamente organizam o conhecimento e nos permitem explicar e prever uma ampla gama de eventos empíricos. Em ambos os casos, entretanto, uma característica deve estar presente para que a teoria seja científica. A característica distintiva de teorias científicas é que elas são "passíveis de ser experimentalmente testadas" (Popper, 40).

    Ser capaz de testar uma teoria experimentalmente significa ser capaz de prever certas conseqüências observáveis ou mensuráveis a partir da teoria. Por exemplo, a partir de uma teoria sobre como os corpos físicos se movem um em relação ao outro, alguém prevê que um pêndulo deve seguir um determinado padrão de comportamento. Essa pessoa então monta um pêndulo e testa a hipótese de que eles se comportam da maneira prevista pela teoria. Se eles se comportarem assim, então a teoria está confirmada. Se não se comportarem da maneira prevista pela teoria, então ela foi refutada. (Isto assumindo que o comportamento previsto para o pêndulo foi corretamente deduzido a partir da sua teoria e que a sua experiência foi conduzida adequadamente).

    O fato de que uma teoria tenha passado em um teste empírico, no entanto, não comprova a teoria. Quanto maior o número de testes rigorosos nos quais uma teoria passar, maior o seu grau de confirmação e mais razoável é a sua aceitação. Porém, confirmar não é o mesmo que provar logicamente ou matematicamente. Nenhuma teoria científica pode ser provada com absoluta certeza.

    Além disso, quanto mais testes puderem ser feitos sobre a teoria, maior o seu conteúdo empírico (Popper, 112, 267). Uma teoria a partir da qual possam ser feitas muito poucas predições empíricas será difícil de testar e geralmente não será muito útil. Uma teoria útil é rica, ou seja, podem ser geradas muitas predições empíricas a partir dela, cada uma servindo como mais um teste da teoria. Porém, mesmo se uma teoria for muito rica e mesmo se passar por muitos testes rigorosos, é sempre possível que falhe no próximo. Ela poderia até mesmo falhar no mesmo teste pelo qual passou várias vezes no passado. Karl Popper chama esta característica das teorias científicas de "falseabilidade."

    Uma conseqüência necessária para que afirmações científicas sejam falseáveis é que elas sejam também falíveis. Por exemplo, a teoria da relatividade especial de Einstein é aceita como "correta" no sentido de que "sua inclusão necessária nos cálculos leva a uma concordância excelente com as experiências" (Friedlander, 1972, 41). Isto não significa que a teoria seja infalivelmente certa. Fatos científicos, como as teorias científicas, também não são certezas infalíveis. Os fatos envolvem não apenas elementos perceptuais facilmente testáveis; eles também envolvem interpretação.

    O famoso paleoantropologista e escritor científico Stephen Jay Gould nos lembra que, em ciência, 'fato' somente pode significar "confirmado até um grau tal que seria perverso negar uma concordância provisória" (Gould, 1983, 254). Entretanto, fatos e teorias são coisas diferentes, observa Gould, "e não degraus em uma hierarquia de certeza crescente. Fatos são os dados do mundo. Teorias são estruturas de idéias que explicam e interpretam os fatos." Nas palavras de Popper: "Teorias são redes lançadas para capturar o que nós chamamos de 'o mundo': para racionalizá-lo, explicá-lo e desvendá-lo. Nós nos empenhamos para tornar a rede cada vez mais fina.

    Para o público desinformado, os fatos contrastam com as teorias. Os não-cientistas comumente usam o termo 'teoria' para se referir a uma especulação ou palpite baseados em informações ou conhecimentos limitados. Porém, quando nos referimos a uma teoria científica, não estamos nos referindo a uma especulação ou palpite, mas a uma explicação sistemática de alguma gama de fenômenos empíricos. No entanto, teorias científicas variam em grau de certeza do altamente improvável ao altamente provável. Isto é, há graus variáveis de provas e respaldo para diferentes teorias, ou seja, algumas são mais razoáveis para se aceitar que outras.

    Existem, é claro, muito mais fatos que teorias, e assim que algo se estabelece como um fato científico (por exemplo, que a terra gira em torno do sol) não é provável que seja substituído por um "fato melhor" no futuro. Por outro lado, a história da ciência claramente mostra que teorias científicas não permanecem inalteradas para sempre. A história da ciência é, entre outras coisas, a história da teorização, testes, discussões, refinamentos, rejeições, substituições, mais teorizações, mais testes, etc. É a história de teorias funcionando bem por algum tempo, a ocorrência de anomalias (ou seja, a descoberta de novos fatos que não se encaixam nas teorias estabelecidas), e novas teorias sendo propostas e acabando por substituir as antigas parcialmente ou completamente.

    Deveríamos nos lembrar que a ciência, como a define Jacob Bronowski, "é uma forma bem humana de conhecimento.... Cada julgamento na ciência se apoia na fronteira do erro.... A ciência é um tributo ao que podemos saber embora sejamos falíveis" (Bronowski, 374). "Um dos objetivos das ciências físicas," ele diz "era fazer um retrato fiel do mundo material. Uma das conquistas da física no século XX foi provar que este objetivo é inatingível" (353).

    conhecimento científico

    O conhecimento científico é o conhecimento humano, e os cientistas são seres humanos. Não são deuses, e a ciência não é infalível. Mesmo assim, o público em geral muitas vezes toma as afirmações científicas como verdades absolutas. Acham que, se algo não é uma certeza, não é científico, e se não é científico então qualquer outra visão não científica tem o mesmo valor. Esta concepção equivocada parece estar, pelo menos em parte, por trás da falta de entendimento generalizada sobre a natureza das teorias científicas.

    Outro equívoco comum é o de pensar que, por serem baseadas na percepção humana, as teorias científicas são necessariamente relativas, logo não nos dizem realmente nada sobre o mundo real. A ciência, segundo alguns "pós-modernistas", não pode afirmar que nos dá um retrato fiel de como é realmente o mundo. Pode apenas nos dizer como ele se apresenta para os cientistas. Não existe uma coisa chamada verdade científica. Todas as teorias científicas são meras ficções. Porém, só porque não existe uma maneira única, verdadeira, final, divina de se ver a realidade, não quer dizer que não exista uma coisa chamada verdade científica. Quando a primeira bomba atômica explodiu exatamente como alguns cientistas previram que explodiria, mais um pouco da verdade sobre o mundo empírico foi revelada. Pouco a pouco estamos descobrindo o que é verdadeiro e o que é falso, testando empiricamente teorias científicas. Afirmar que aquelas teorias que tornam possível explorar o espaço são "apenas relativas" e "representam apenas uma perspectiva" da realidade é compreender de maneira profundamente equivocada a natureza da ciência e do conhecimento científico.

    a ciência como uma vela na escuridão

    A ciência é, como Carl Sagan a define, uma vela na escuridão. Ela lança uma luz sobre o mundo ao nosso redor e nos permite enxergar além das nossas superstições e medos, além da nossa ignorância e ilusões, e além do pensamento mágico dos nossos ancestrais, que justificavelmente lutavam por sua sobrevivência temendo e tentando dominar os poderes ocultos e sobrenaturais.

    Jacob Bronowski colocou tudo em perspectiva em uma cena de sua versão televisiva de Ascent of Man. Me refito ao episódio sobre "Conhecimento e Certeza" onde ele foi a Auschwitz, caminhou para dentro de um lago onde as cinzas eram descarregadas, inclinou-se e colheu um punhado de lodo.

    Dizem que a ciência vai desumanizar as pessoas e transformá-las em números. Isso é falso, tragicamente falso. Este é o campo de concentração e crematório de Auschwitz. É aqui que pessoas eram transformadas em números. Neste lago foram descarregadas as cinzas de uns 4 milhões de pessoas. E isso não foi feito pelo gás. Isso foi feito pela ignorância. Quando as pessoas acreditam ter o conhecimento absoluto, sem qualquer confirmação na realidade, é assim que se comportam. É isto que os homens fazem quando aspiram ao conhecimento dos deuses (374).

    O segredo é saber como desenvolver confirmações na mundo real que evitem a predisposição para a confirmação, wishful thinking, auto-ilusão, pensamento seletivo, validação subjetiva , ser seduzido pelo reforço comunitário ou convencido por hipóteses ad hoc e raciocínio post hoc, assim como ter um ceticismo saudável e habilidade para aplicar a navalha de Occam quando necessário.

    Veja verbetes relacionados sobre naturalismo, pseudociência, e as listadas no índice por assunto Lógica/Percepção & Ciência/Filosofia, e os listados em Junk Science e Pseudociência.


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    *Este material foi adaptado de Becoming a Critical Thinker, cap. 9, "Ciência e Pseudociência." Estou ciente de que 'ciência' pode também se referir a qualquer corpo sistemático de conhecimentos sobre algum objeto de estudo, e de que às vezes se referem à matemática e até à teologia como ciências. Este verbete não é, obviamente, uma tentativa de definir todos os possíveis usos do termo 'ciência'. Em alguns círculos, a ciência sobre a qual escrevo aqui é chamada de ciência natural. Não pretendo lançar nenhum debate a respeito do que é ou o que não é uma ciência 'de verdade' com este verbete, nem pretendo entrar em nenhuma questão "marginal" a respeito de se alguma disciplina ou atividade é ou não ciência.
     
  4. Deriel

    Deriel Administrador

    Falácias

    Falácias
    de Stephen Downes

    "As falácias lógicas são erros de raciocínio ou de argumentação, erros que podem ser reconhecidos e corrigidos por pensadores prudentes. Este ensaio lista e descreve todas as falácias lógicas conhecidas.

    O propósito deste ensaio é assegurar que a informação sobre as falácias lógicas estará livremente disponível. Para assegurar que esta informação permaneça gratuitamente acessível, este ensaio e o seu conteúdo são protegidos por direitos autorais.

    O ponto central de um argumento é expor razões que sirvam de suporte para alguma conclusão. Um argumento comete uma falácia quando as razões apresentadas, de fato, não sustentam a conclusão."


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