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"Laranja Mecânica" (Anthony Burgess)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Eldaráto Calimanar, 29 Ago 2004.

  1. Eldaráto Calimanar

    Eldaráto Calimanar On the heels of his desire

    "Laranja Mecânica" sai com nova tradução
    JOCA REINERS TERRON
    especial para a Folha

    Depois de retornar da Malásia, onde trabalhou como professor, em 1960, o escritor britânico Anthony Burgess teve diagnosticado um tumor cerebral e deram-lhe apenas um ano de vida. Intencionando escrever o maior número possível de livros para assim deixar a viúva em situação cômoda devido aos direitos autorais, Burgess trancou-se numa cidade no sul da Inglaterra e de lá saiu com cinco livros prontos e outro pela metade.

    Detalhe: não se sabe ao certo quais seriam os cinco terminados, porém o inacabado era o romance "Laranja Mecânica", relançado agora no Brasil pela editora Aleph. O tempo passou, nada aconteceu, e o escritor foi morrer somente em 1993, aos 76 anos de idade.

    Burgess escreveu "Laranja Mecânica" inspirado nas tribos urbanas dos mods e rockers que infestavam a Londres dos anos 60. A obra tornou-se sucesso após Stanley Kubrick fazer a adaptação para o cinema, em 1971. Mais de 40 anos depois de seu lançamento, esse clássico da distopia (ao lado de "1984", de George Orwell e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley) também pode ser lido como um antecipador da barbárie hoje vivida pelas populações das metrópoles, como São Paulo, que assiste a massacres de moradores de rua.

    O livro é narrado por Alex, líder de uma gangue de "nadsats" (adolescentes --diferentemente da personificação de Alex por Malcolm McDowell, com 28 anos à época da gravação do filme) que vaga por uma cidade no futuro atrás de drogas (entre outras coisas), praticando espancamentos e assaltos. Depois de idas e vindas, Alex é preso e submetido a uma lavagem cerebral que o faz vomitar a cada pensamento violento.

    O escândalo causado pelos delírios visuais da versão cinematográfica provocou sua proibição na Inglaterra, pois a exibição poderia influenciar os jovens, possibilidade esta questionada por Burgess: "A agressão foi erigida no interior do sistema humano e não pode ser ensinada por livros, filmes ou peças. Se alguém quiser acreditar que um livro possa instigar a violência, a Bíblia deveria ser sua primeira escolha".

    "Os maiores dramas de todos os tempos estão encharcados de sangue (...) e, claro, pode-se dizer que sem violência não pode haver drama", ainda defendia-se num artigo no jornal britânico "The Guardian", 30 após a primeira edição do livro.

    Ao contrário da visualidade aguçada criada por Kubrick, a qualidade extrema do original de Burgess é a música da gíria "nadsat", causadora de um estranhamento à altura de clássicos da literatura modernista de língua inglesa, como o "Finnegans Wake", de James Joyce.

    Porém não é uma música da incomunicabilidade a proposta por Burgess, e sim um convite ao mergulho do leitor num mundo movido pela violência masculina da puberdade e da testosterona em ebulição, irrompendo não apenas nos atos de fúria incontida mas também nas agressivas e pueris brincadeiras de linguagem típicas dessa fase.

    "Laranja Mecânica" tem um final diferente da adaptação para o cinema, baseada na edição norte-americana que à revelia do autor suprimiu o último capítulo. Longe de ser uma conclusão otimista, essa conclusão põe em xeque um Alex no limite do amadurecimento. Alex, que (como não poderia escapar a um lingüista do alcance de Burgess) também significa "sem lei".

    Joca Reiners Terron é autor de "Hotel Hell" (2003), entre outros livros

    LARANJA MECÂNICA
    Autor: Anthony Burgess
    Tradutor: Fábio Fernandes
    Editora: Aleph
    Quanto: R$ 36 (224 págs.)

    Fonte:
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    Ótima notícia, espero que agora com esta nova tradução fique mais fácil de achar o livro nas livrarias! :mrgreen:
     
  2. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    Fala sério, tem um exemplar na biblioteca da UFPR que é mó difícil de conseguir. 4 anos tentando e nunca dá :gotinha:

    Agora vou ter um :dance:

    Eu tenho outro livro do Burgess, é um estudo sobre Literatura de Língua Inglesa. Bem interessante, aliás. E fácil de achar :obiggraz:

    -----------

    Edit:
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  3. Skywalker

    Skywalker Great Old One

    Eu tenho a antiga. O dicionário Nadstat é fantástico e hilário.
     
  4. Logan Mcloud

    Logan Mcloud Usuário

    eu e um amigo meu lemos laranja mecanica a alguns anos... e um dos objetivos era para aprendermos a falar em nasdsat para podermos falar em publico caisas q as outras pessoas nao devem saber..... o livro eh muito bom.... e se vc reparar bem todo o nasdsat eh bem baseado no russo... eh muitop legal... eu recomento... mas o ultimo cap, meio q estraga..... por issoq cortaram ele... :P (no filme)

    abraços Dwarf
     
  5. Ayame Shinomori

    Ayame Shinomori Usuário

    Eu peguei o livro do meu pai XD moh velho ..ele ganhou qdo tinha 18 anos ..
    mas .. cara .. esse livro eh lindo,ateh fico sem palavras..eh ..JOROSCHO!
    Nadsat rlz! :grinlove:
     
  6. Logan Mcloud

    Logan Mcloud Usuário

    na traduçao q eu li eh hororshow

    acho q a ideia fica mais clara...

    Dwarf
     
  7. Gil_Gaer

    Gil_Gaer A lost elf

    Finalment eu consegui esse livro. O problema agora é ter tempo para ler... ainda bem que as férias já estão aí. :obiggraz:
     
  8. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    Comecei a ler agora essa edição nova do Laranja. Tipo, uma coisa eu preciso deixar registrada: o prefácio do Fábio Fernandes é um show. A bagagem cultural, as relações que ele estabelece entre outras obras, o histórico do livro... é realmente impressionante.

    Quando terminar o livro eu falo dele, propriamente dito :jive:
     
  9. str1ker

    str1ker Usuário

    e porque vocês não aprendem esperanto, ou aramaico?
     
  10. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    Hmmmkay, agora que li todo o livro...

    É realmente muito bom. A grande sacada dele ao falar da juventude criando uma 'nova' juventude é que, bem, eles podem falar diferente, usar roupas diferentes mas lá no fundo é a mesma coisa que acontece em qualquer época.

    Obviamente aqui a questão da ultraviolência é um exagero, mas cai naquela coisa da inconseqüência dos jovens. Bom, não precisa ir muito longe para ver os "Eu so foda i u que voxe dis é pq tem inveja di mim!" etc. É desse botão de foda-se ligado que o Burgess fala.

    Fica aqui uma observação especial para o pessoal que até agora só viu o filme: o final do livro é diferente. Honestamente prefiro o final do filme, achei mais ácido. Mas a proposta do Burgess era mostrar o crescimento do Alex, então o final do livro também é válido.

    Muitcho bom. Aconselho a leitura sem consultar o dicionário =]
     
  11. V

    V Saloon Keeper

    O final do livro é por um lado ainda mais chocante que o do filme -- se você parar pra pensar que grande parte do que levou o Alex a fazer as coisas que ele fez foi pura imaturidade, a inconseqüência da técnica de "cura" se torna bem maior.
     
  12. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    Verdade, não tinha pensando por esse lado. Na realidade é até um belo tapa de luva de pelica nos pedagogos de plantão, hehe.

    Esqueci de comentar que determinadas questões são melhores trabalhadas (além do fim): o Tosco (não gostei da tradução do nome) trabalhando como policial, sendo uma das soluções para a ultraviolência. Caramba, isso fez com que eu lembrasse de muita coisa sobre nosso exército :eek:
     
  13. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

  14. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Esse talvez foi o livro, cujo filme baseado nele vi primeiro que mais demorei pra ler, mas a espera valeu muito a pena.
     

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