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[L] [Washu de Vampiro][O avião e o livro]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Washu_Hakubi, 1 Fev 2003.

  1. Washu_Hakubi

    Washu_Hakubi Usuário

    [Washu de Vampiro][O avião e o livro]

    Esta história já está na minha cabeça faz muuuuito tempo ( na verdade, pensei nela como história em quadrinhos, mas estou escrevendo para não perder os detalhes enquanto não tenho condição de desenha-la) e este é só um início...ah, tirem suas próprias conclusões :mrgreen:

    *************************************************************
    Capítulo 1: O avião e o livro
    Sete horas da manhã, aeroporto de Tokyo.Já cedo, lotado de pessoas chegando, partindo e aguardando voôs, ocupadas com seus próprios negócios.Tudo parece muito confuso, mas depois que se acostuma com essa correria diária, não se tem maiores problemas.
    - Será que eu vou me acostumar a tudo isso?
    Já vestida com o avental e a touca do uniforme, Ashita tentava andar pelos corredores sem trombar com os passageiros.O fato de conduzir o carrinho com o material de limpeza não lhe ajudava em nada.Em menos de meia hora, havia derrubado pelo menos três pastas de executivos.
    - Ai!Me desculpe o mau jeito, senhor!! - acabou de acontecer outra vez.
    - EI, VOCÊ! - um dos oficiais viu o que aconteceu - O que está fazendo aqui?Vá logo para a limpeza do avião!!!
    - Sim, sim! - ela recolheu tudo e apressou o passo - Ah, se eu não precisasse tanto de dinheiro!!!
    É o primeiro dia de Ashita como faxineira no aeroporto, então ela está um pouco confusa e ansiosa.Mesmo morando na capital há cinco anos, o ritmo de vida metropolitano a incomoda, mas ela precisa sobreviver a isso.
    - Eu me acalmo por saber que isso é só uma questão de tempo.Assim que o meu livro for publicado, finalmente vou poder viver daquilo que sempre quis.O mundo vai conhecer a escritora Ashita Shiroi!!!
    Sorriu, imaginando o futuro glorioso que a esperava.Gostava de fazer isso enquanto trabalhava, deixava o seu coração mais leve - e por consequência o serviço também.
    - Eu só preciso de uma boa história.Uma digna de Bernadette.
    Entrou no banheiro do avião, a pior parte de seu dia.Suspirou.
    - Eu NUNCA gostei de limpar banheiros...
    Independente de seus gostos, continuou o trabalho sem esquecer de Bernadette - personagem principal de toda história sua.
    - O que será que Bernadette diria se estivesse no meu lugar?Bem, ela não parece ser do tipo que limpa banheiros, hehe...mas... - parou por um instante - Talvez...
    Deixando a escova de lado, sentou-se na privada e puxou o inseparável caderninho de bolso.
    - Inspiração é um momento sagrado! - justificou-se - Bernadette vai pegar um avião hoje.Ela é uma aeromoça experiente...não. - resgou a folha e jogou fora - ela é uma passageira da primeira classe...sim.Mas o que mais?Isso, boa idéia!
    Se Ashita tivesse dado um pouco mais de atenção ao seu horário de trabalho, poderia não ter entrado na confusão.Mas era tarde demais agora.Depois de mais ou menos cinco páginas escritas, um barulho a fez tirar os olhos do papel.
    - Será que.. - levantou-se receosa, mas uma turbulência a fez cair para a frente - Me diz que não...
    Instintivamente encolheu-se a um canto,zonza demais para se apavorar.Abraçou-se rápido ao cadeninho e fechou os olhos, com medo de vomitar.
    - *Será que eu consigo sobreviver a isso???*
    A pressão foi aumentando, até que Ashita teve a sensação de estar caindo no vazio, e nem percebeu quando perdeu os sentidos.
    O avião decolava.
    *****
    Quando abriu os olhos, a primeira coisa que Ashita sentiu foi a dor horrível no estômago que a impedia de se levantar, além da câimbra que não sabia dizer onde começava e onde terminav.Pouco a pouco, os pensamentos se estabilizaram.
    - *Que dor de cabeça...que dor de tudo...o que aconteceu...o avião decolou...Essa não, eu...ai...*
    Depois de algum esforço, levantou-se cambaleando, mas parou à porta.
    - *O que eu faço agora?Pense,Ashita, pense!Não sei para onde estou indo...mas esse não é o pior...*
    Sentou-se na privada, desacreditada.
    - Eu vou acabar perdendo o emprego!!!
    O avião não estava lotado, pelo contrário.Muitas poltronas do meio estavam vazias, e tudo estava em silêncio.Devagar, a porta do banheiro abriu-se e Ashita reparou nisso tudo.Havia escondido o avental e a touca, e tinha uma idéia maluca em mente.
    - *Eu não posso perder esse emprego.Felizmente, ninguém conhece a minha cara ainda...é loucura, mas preciso agir normalmente enquanto estiver aqui dentro.*
    Disfarçando o nervosismo, ela saiu do banheiro e andou até uma das poltronas vazias.Sentou-se silenciosamente, para não acordar a garota que dormia ao lado_Olhou as comissárias com um certo desprezo.
    - *Que eu saiba, vocês têm que verificar tudo antes da decolagem...suas folgadas...*
    Os minutos se arrastavam.Ashita procurava não pensar na gravidade situação, ou ficaria ainda mais tensa.Limitou-se a reconhecer seu talento de entrar em situações estranhas e constrangedoras.Puxou seu caderninho outra vez.
    - *A culpa é toda sua, Bernadette.Só por isso você terá um trauma no seu passado!*
    Começou a escrever cheia de razão, mas parou depois de duas linhas.Por mais que rabiscasse os cantos da folha, nenhuma idéia vinha.Bernadette lhe abandonara.Ashita estava querendo chorar, a essa altura.
    - *O que eu faço agora...pra onde eu vou...não tenho nenhum dinheiro...não tenho nem idéia do que fazer quando descer!!!*
    - Aeromoça, por favor! - falou sem pensar, à passagem da comissária.
    - Sim, senhorita? - ela a a atendeu com um amigável sorriso.
    - Um café.Bem forte.Por favor.
    - Já está saindo. - a aeromoça anotou o pedido e logo voltou com o café.Ashita forçou um sorriso.
    - Você salvou a minha vida...
    - Qualquer coisa é só chamar. - agradeceu e se retirou calmamente.Ashita tomou o café de um gole só.
    - *Ao menos vou aproveitar a viagem...ah ,que Deus me ajude!*
    Um movimento na poltrona ao lado distraiu Ashita dos pensamentos.
    - Desculpa, eu a acordei?
    - Hum?Ah, não se preocupe.Eu dormi até demais, acho.Desde que sentei, apaguei.Nem vi quando a senhorita chegou! - sorriu docemente, sem notar o nervosismo da outra.
    - Ah...é mesmo...?Bem...se eu fizer uma pergunta estranha, você não repara?
    - Pergunta...estranha? - a moça ressabiou-se.
    - Para onde estamos indo? - Ashita sussurrou.
    - Ky..Kyoto... - muito discreta, ela não fez nenhum comentário, ou talvez tenha sido por medo mesmo.
    - Kyoto? - animou-se - Ótimo, é perto até!Poderia ser beeem pior, poxa, estou aliviada agora!Ahn...não repara, por favor... - Ashita corou inteira diante dos olhos arregalados da moça.Mas depois ela sorriu, parecendo entender Ashita ao menos em parte.
    - Claro.Quem sou eu para dizer algo dos seus motivos...meu nome é Tenko Yoko!
    - Ashita Shiroi!Prazer em conhecê-la!
    - O prazer é meu!
    Ficaram um tempo em silêncio.Ashita viu em Tenko um alívio no meio de sua situação desesperadora.
    - *Ao menos não desembarco sozinha...parece uma moça gentil! Agora preciso me enturmar com ela!*
    Ashita passou os dez minutos seguintes pensando em como iniciar uma conversa, mas tinha medo de acabar falando demais e se entregando.Não queria passar mais vergonha do que o necessário.
    - Céus, parece que estamos há horas aqui dentro... - Tenko foi quem quebrou o silêncio - Não teria um relógio, teria?
    - Infelizmente não... - Ashita lamentou de verdade.
    - Eu quero chegar logo...talvez fosse melhor dormir de novo, mas não conseguiria! - ela sorriu, mas disfarçou a ansiedade contida nele.
    - Pois é, eu também fiquei sem sono...*por que fui tomar aquele café extra-forte???*Bem, quem sabe conversando o tempo passa!
    - É, acho que só assim!Não tem como encurtar a viagem mesmo!
    Um sacolejo interrompeu a conversa, e as duas precisaram se segurar nas cadeiras.Depois que parou elas se olharam, de olhos arregalados.
    - Que foi isso? - Ashita sentiu a tonteira voltar.
    - Me assustei... - Tenko confessou, afundando-se na cadeira.
    Outro sacolejo, dessa vez mais forte e mais longo_Os passageiros começaram um murmúrio que crescia junto com a turbulência, e as comissárias de bordo não davam conta de acalmar a todos.O transtorno chegou ao máximo quando um cheiro de fumaça tomou o ambiente e as máscaras de oxigênio caíram.
    Em um segundo, Tenko e Ashita colocaram as máscaras e os coletes salva-vidas.Sem saber o que dizer, olharam-se angustiadas e chegaram à mesma resposta: era a primeira vez que passavam por algo assim.
    À mercê da sorte, sentiam o avião descer cada vez mais rápido e um calor infernal vindo de todos os lados.Tenko fechou os olhos, tentando manter-se consciente.Ashita segurou firme nos braços da poltrona, e era como se caísse no vazio novamente.Mas agora, nao era apenas sensação.Era real.

    *************************************************************
     
  2. Leir

    Leir Quem é vivo, né...

    Olha....Se quando for pro papel desenhada....vai ser meia comica cheis de gritos e embaraços ou vai ser séria mesmo?
     
  3. Vinci

    Vinci Usuário

    Legal... Como elas são?
    Tipo... Desenho básico...
     
  4. Washu_Hakubi

    Washu_Hakubi Usuário

    Leirbag: no início é meio cômico mesmo porque a Ashita é meio nervosa e desajeitada, mas aos poucos vai ficando sério...na verdade vai depender da visão do personagem do momento ( não é só a visão da Ashita) A visão da Tenko tende a ser mais séria e preocupada,até depressiva, por exemplo.Com certeza ela não teria feito a mesma coisa se estivesse no lugar da Ashita :mrgreen:
    Curinga: eu vou escanear as poses chave dela logo que possível (pobre q tem q emprestar scanner é fogo :( )
     
  5. Washu_Hakubi

    Washu_Hakubi Usuário

    Depois de trocentos anos :mrgreen:
    ********************************************************************
    Capítulo 2: Tudo o que é ruim, pode piorar

    - *Estou morta*.

    Foi a a primeira coisa que passou pela cabeça de Tenko, mesmo sem saber o porquê.Fraca demais para abrir os olhos, sentia algo pressionando seu peito e gosto de sangue na boca.Doía.

    - *Dor...não estou morta...mas...por que estaria?*

    Conseguiu se lembrar do avião, da queda, de tudo.Abriu os olhos devagar, sem poder se mexer.As visões confusas foram se esvaindo, e a lucidez voltava pouco a pouco.

    - *Viva.Estou viva.Mas o avião caiu.Gritar.Quero gritar.Socorro...*

    Tinha câimbra em um dos braços, mas o outro estava livre. Suspirou longamente ao tirar a máscara de oxigênio já caindo do rosto, como se não respirasse há muito tempo.Juntou forças para falar.

    - Alguém...tem alguém... - parou, tomando fôlego, sentindo a pressão do cinto sobre o peito.

    - Ashita...está aí...está...viva...?

    Com esforço olhou para o lado, tendo finalmente vontade de chorar.

    - A...Ashita...???

    O cinto de Ashita havia se arrebentado, assim com a poltrona inteira.Só aí o cheiro ardido de queimado entrou nos pulmões de Tenko.Poucas poltronas estavam no lugar como a dela, a maioria chamuscava espalhada pela carcaça.O que dizer então dos ocupantes?

    - Meu Deus...meu Deus!!!!

    O choque da visão deu forças a Tenko para tentar arrancar o cinto.Conseguiu depois de muito custo, embora o alívio fosse relativo, sufocado pela tragédia ao redor.Não pôde se levantar.

    - O que aconteceu, Ashita...o que aconteceu com a gente...?

    A exaustão foi tomando conta do corpo e da mente de Tenko,e, de rápida eaflita, sua respiração foi ficando cada vez mais lenta e difícil, assim como as batidas do seu coração.

    - *Eu tinha mesmo que...ver tudo antes de ir...?*

    - AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!

    Um grito agudo e desesperado tirou-a do estado de choque.Sem lembrar-se da dor no corpo, ela virou de costas na poltrona, e quase chorou de novo.De alegria.

    -A...Ashita...?

    Encolhida a um canto, Ashita não havia notado a outra;tinha os olhos vidrados na parte do fundo - ainda mais trágica do que o que Tenko vira - parecendo estar em choque também.Mas não parecia ter ferimentos mais graves do que hematomas e arroxeados.

    - Ten...ko...? - os olhos dela brilharam ao ouvir o chamado - Eu não posso acreditar...você tá viva também!!!

    Praticamente pulou no pescoço de Tenko, mesmo de joelhos.Ela retribuiu o abraço sem se importar de ser prensada contra a poltrona.

    - Eu faria isso direito, mas minhas pernas estão bambas... - Ashita justificou-se, sem jeito.

    - Felizmente, elas ainda estão aí... - Tenko sorriu.

    - É uma bela maneira de se pensar...você tá legal?

    - Legal?Tá doendo tudo!E você?

    - Parece que rolei barranco abaixo!

    Riram feito bobas, abraçadas.Aquela dor era a coisa mais linda que poderia acontecer depois daquela desgraça, provava que ainda havia vida o bastante dentro delas.

    - Quero sair daqui.Sair deste inferno! - Ashita desabafou, tentando se levantar.Tenko deu as mãos para ajudá-la.

    - Disse tudo...como vamos sair?

    - A gente tem que dar um jeito!

    As duas olharam em volta mais uma vez, agora procurando um meio de escapar.Constataram tristemente que não havia mais ninguém vivo, mas isso não trazia nenhuma solução.

    Tenko coçou os cabelos nervosamente e Ashita bufou, mas antes que pudessem falar algo...

    - Alguém vivo aí? - uma voz chegou abafada até elas, vindo de fora da carcaça.Correram até o lugar onde a pessoa deveria estar.

    - Duas pessoas!Duas! - Tenko gritou, ansiosa.

    - Ah, ótimo! - era a voz de um rapaz - Escutem, podem se mexer?

    - Sim!!!! - gritaram ao mesmo tempo.

    - Olha - ele falou calma e pausadamente - eu vou tentar tirar esse amontoado de escombros do lado de fora.Façam o mesmo aí, ok?Tomem cuidado para não deixar escapar alguma faísca!Devagar!

    - Tá!

    Tomando todo o cuidado, elas seguiram as instruções dele, revirando o amontoado de escombros que bloqueava o rombo.Depois de um tempo impossível de definir e com as mãos sangrando, elas sentiram a luz do sol entrando pelas frestas e se alargando conforme a passagem se abria.

    - Saiam agora!!!Com cuidado!

    Ashita desceu primeiro, e Tenko veio logo atrás.Os arranhões causados pelo ferro retorcido nem foram percebidos.Sentir a terra sob os pés de novo era reconfortante demais para eles fazerem diferença.

    - Sobrevivemos, Tenko!!! - Ashita a abraçou de novo - Sobrevivemos a essa porcaria toda!!!

    - As duas senhoritas estão bem? - um moço loiro estava ao lado delas, e a primeira impressão era de grande simpatia.Pelas roupas rasgadas e o sangue seco na cabeça, era um sobrevivente também.

    - Bem?Tá doendo tudo!!! - as duas sorriram.Ele pareceu não entender o motivo da alegria, mas sorriu também.

    - Pelo visto, só nós três escapamos... - ele olhou o que restou do avião - Foi mesmo muita sorte.

    - Ahn... - Tenko sentiu-se boba de repente - Muito obrigada, senhor...

    - Ah, que educação a minha! - deu umtapinha na própria cabeça - Meu nome é Ken Oberek.

    - Tenko.Tenko Yoko... - com certeza, ela pensou, ainda estava sob o efeito do choque, pois foi atacada por uma zonzeira.

    - E Ashita Shiroi.Nós duas tivemos foi muita sorte de o senhor voltar!

    - Não precisam me chamar de senhor... - pareceu um tanto encabulado - Eu voltei porque ouvi um grito desesperado vindo de lá, então corri para ver se alguém estava vivo!

    Foi a vez de Ashita ficar encabulada.

    - Ahn...foi um choque e tanto acordar... - sorriu amarelo.Tenko quis cortar o assunto.

    - Nem me lembre disso...vai demorar um pouco até que eu consiga contar essa história para alguém.

    Sentou-se, notando pela primeira vez o lugar em que caíram.A impressão era de que estavam em uma clareira no meio de uma floresta enorme.Um pressentimento ruim passou pela sua cabeça.

    - Será...que estamos muito longe de Kyoto?

    - Kyoto??? - Ken pareceu estranhar a pergunta - Com certeza Kyoto está muito longe!Nós estávamos quase chegando no destino...

    - Ei - Ashita se apressou em falar - Isso é uma tremenda contradição, não é não?Se estávamos quase chegando, como é que Kyoto pode estar longe?

    - Não tem nada de estranho nisso...ah não... - Ken segurou uma risada imprópria para o momento - Vocês...como pode isso?

    - Como pode o quê???Tenko, para onde estávamos indo??? - Ashita começou a ficar nervosa.

    - Kyoto...é claro... - procurou confirmação nos olhos do rapaz, mas não teve sucesso.Ele retirou uma papel amassado do bolso, que mostrava o itinerário da viagem.As garotas quase caíram para trás ao ler.

    - Como assim..."Vôo Tokyo-Japão/São Paulo-Brasil"????????

    - Mas isso é tão óbvio!Vocês pegaram o avião errado! - Ken disse isso com uma tranquilidade quase sádica.

    Ashita sentou-se também, sem saber o que dizer.Ken acabou quebrando o silêncio depois de alguns minutos.

    - Vocês não...perceberam nada?Quero dizer...o tempo que passou...

    - Aquele desmaio no banheiro...perdi a noção...?

    - O atraso...e como dormi tanto...?

    Elas continuaram soltando frases que só faziam sentido para elas mesmo, deixando Ken muito confuso mas também muito curioso com aquela história estranha.

    - Ei.Garotas.Ashita.Desmaio no banheiro???

    Ashita calou-se, percebendo que sua história acabaria sendo duas vezes mais vergonhosa de contar...mas, mesmo envergonhada, aquela situação não permitia qualquer cerimônia.Suspirou.

    - Certo!Eu conto a verdade!Eu não devia estar naquele avião!

    - Isso já deu pra notar, né...

    - Deixa eu terminar!Eu não devia estar em nenhum avião!Isso porque eu devia limpar o banheiro e sair!Porque eu sou...era...a faxineira do aeroporto!Mas o avião decolou e eu fiquei presa!Pronto, falei...

    Silêncio.Ken e Tenko olharam fixamente para Ashita, que corava a cada segundo de vergonha e raiva.Cruzou os braços.

    - Hunf...quando acordei do desmaio, decidi me misturar entre os passageiros para não perder o emprego...e sentei ao lado da Tenko.

    - Eu estava dormindo...e você me perguntou...para onde íamos... - segurou o riso - Mas que história...

    - E a sua história? - Ashita resmungou.Tenko também corou.

    - Hum...eu me atrasei..então peguei o avião errado...dormi demais...
    Ken coçou a cabeça, surpreso.Mas foi educado o bastante para não fazer piadinhas ou sarcasmos.Sorriu.

    - Apagaram mesmo, e não perceberam o tempo que passou..bem... é difícil dizer algo que console numa situação dessas, mas ao menos todos estamos vivos!

    - Consegue ser gentil numa hora dessas... - Tenko sorriu para ele.

    - Ah, desse jeito eu vou ficar encabulado, senhorita! - as bochechas muito brancas ficaram vermelhas, mas ele não pareceu constrangido.

    - Ken - Ashita ficou séria - como só você...ahn...está bem informado...tem idéia de onde estamos?

    - Hum - cruzou os braços - Já devemos estar no Brasil..mas existem muitas florestas aqui.Podemos descartar a famosa Amazônia, não passaríamos nem perto.A Mata Atlântica é uma possibilidade.Talvez o Pantanal, no caso de um desvio de rota.Ei... porque estão me olhando assim?

    As duas ouviam espantadas o discurso prático dele, deixando-o realmente envergonhado.

    - Você pensa rápido...

    - E sabe bastante sobre o Brasil...

    - Ah - sorriu - Um jornalista tem que ser bem informado!Mas o que importa é que não consigo pensar em mais nada além de Mata Atlântica e Pantanal...

    - E o que a gente faz agora?

    - Temos que procurar água.Um rio, para ser mais exato.

    - Muito bem - Ashita levantou-se - Eu não quero perder a chance de ter saído viva daquele avião.Vamos procurar esse rio.

    - É. - Tenko concordou, escondendo a preocupação - *Devem pensar que estão todos mortos...ninguém virá...*

    - Não se preocupe, senhorita Tenko - Ken chegou ao lado dela , prestativo - Daremos um jeito!

    Ela sorriu, feliz pelo apoio de alguém que era praticamente um estranho.Se bem que, naquele momento, isso era desimportante; acabavam de formar uma equipe, como a situação exigia.

    - Obrigada.Mas não precisa me chamar de senhorita!

    - Tá...

    - Ei, vocês dois! - Ashita chamou - Que tal este caminho?Tem som de pássaros mais pra lá, não deve ser longe da água!

    - Parece que eu não sou o único a saber das coisas, senhorita Ashita!

    - Hum, eu não sou o que se possa chamar de bicho de cidade grande mesmo.E me chame só de Ashita também!

    Seguiram adiante, mesmo com as pernas bambas e os passos incertos.Mas o instinto de sobrevivência superava o mal-estar físico,e, enquanto estivessem a salvo da febre da solidão, suas chances eram maiores.

    Em outro ponto da floresta, uma arara vermelha cruzava os céus, imponente como uma rainha.
    ********************************************************************
     
  6. Vinci

    Vinci Usuário

    Brasil...? :o?:

    Pô... Uma história que se passa no Brasil seria hilária! Sério... Eles vão sair do Brasil, né? :mrgreen:
     
  7. Thrain...

    Thrain... Usuário

    Fico legal. Deu pr imaginar bem como ia ficar em estlo d quadrinhos(Mangá na verdade 8-) )

    Só achei meio estranho a Ashika e a Tenko ficarem tão felizes qudo perceberam uma a outra depois da queda, elas ficam mais preocupadas em procurar uma pessoa q conheceram à alguns minutos do que consigos mesmos....

    Editando:
    Agora lembrei: BRASIL?! comé q o kra sabia q era brasil!? só pq tem mata é Brasil? Pudia ser Paraguai, Uruguai (seguindo pela "meta" da viagem), até Argentina; E como o kra sabia tanto sobre o Brasil? Pra um japonês(ou otro estrangeiro) ter decorado q aki tem a floresta amazônica, Pantanal, ou Atlantica e ONDE exatamente elas ficam ele tinha q ter passado mto tempo estudando....
    Seria mais legal se eles tivessem caido nas montanhas ou na patagonia.
    (mas faça do jeito q vc acha q vai fica melhor :wink: )
     
  8. Washu_Hakubi

    Washu_Hakubi Usuário

    é FUNDAMENTAL que seja no Brasil^^
    Ele é um cara culto, ué!^^E não é americano XD
    Quando as gurias acordaram, a aeromoça tinha acabado de falar que estavam no espaço aéreo brasileiro...simples...^^
     
  9. Vinci

    Vinci Usuário

    Tá legal... Continua... E COLOCA ALGO SANGRENTO!!!! HAUHAUHAUHAUAHUAHUAHAHUAHAUHAU :twisted:
     

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