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[L] [Vela] Tempi Dominus

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Vela- o Rousoku, 23 Jun 2004.

  1. Vela- o Rousoku

    Vela- o Rousoku Sirius Black

    [Vela] Tempi Dominus

    Rapidamente sentiu um sorriso brotando de dentro, quando percebeu.
    Mais acordado do que nunca, ele agora sentia que tudo era, enquanto tudo estava.
    Com os olhos, seguiu o leve movimento que levantava a ponta da folha seca, de um marrom tão forte que parecia pintada com guache. E a ponta começou a levantar, com o vento, e finalmente a folha se virou. Do outro lado, de um marrom um pouco mais claro, pôde notar todos os veios percorrendo a folha. Algum dia ela fôra viva e alimentada, mas a essa altura só podia-se ver os seus vasos, vazios, secos, quebradiços. Começou a se arrastar bem lentamente, e sua borda arranhando na calçada retumbava em ecos em sua cabeça. Mas não só ela, como várias folhas em volta. Uma que estava um pouco mais à frente, dobrada sobre si mesma, balançando de uma forma peculiar, que qualquer um saberia que ela iria embora dali rolando. Enquanto outra, ao lado, se arrastou para debaixo da primeira, produzindo um leve som de chuva. Do outro lado, mais ao canto, uma folha ainda meio esverdeada no meio, mas com a ponta já descolorida, engatara um de seus lados numa folha de grama, e o outro oscilava levantando como a tampa de um alçapão, sendo aberto por um indeciso.

    Olhou atentamente para a primeira folha, que já estava um palmo fora do lugar onde estivera da última vez que a viu, e viu que um pequeno vulto escuro se fazia notar na borda direita da folha. Algo que tentava subir. Com a atenção concentrada, esperou até que o obstinado vulto conseguisse seu intento, e com grande esforço, de fato conseguiu. Uma formiga. Um tanto grande, a formiga, do tipo que chega a fazer sentir seu peso, se sobre uma pétala delicada. De cor tão escura que quase não se podia distinguir detalhes, mas apenas uma sombra com seu formato peculiar de três pequenas esferas. Assim que mostrou sua fronte, começou a agitar suas pequenas antenas, como se fosse um cego tateando numa calçada. De fato, parecia um tanto cega, e estava sobre uma calçada. Ergueu completamente seu corpo, exibindo seu abdômen redondo e cheio de micropelos, enquanto caminhava até o centro da folha, onde foi forçada a parar por uma fenda, que para ela parecia um grande buraco. Parada diante da fenda, tateou o seu lado, e com esforço esticou suas anteninhas até o outro lado, onde tateou um pouco também. Parecia ter se resolvido a atravessar, e apesar de hesitar, enfim chegou à outra ponta. O vento moveu levemente a folha, assustando a pobre formiga, que num piscar de olhos se escondeu.

    Arrastando levemente seu olhar à direita, e o fixando na grama, encontrou uma pequena flor. Não era uma flor muito cobiçada, ou pelo menos não muito reconhecida, pois nunca tinha visto similar. Tinha uma beleza sutil, porém valiosa, e no entanto estava ali, no canto de uma calçada, em esquecimento. E do lado, outra, praticamente igual, parecendo atores de uma peça usando o mesmo figurino. Pequenas pétalas azuis, com círculos amarelos menores ainda, espalhados por elas, que ao vento pareciam caçoar da atenção que estavam recebendo. Como que, depois de tanto tempo ali, esquecidas, elas agora poderia ter a honra de alguém assistindo o vento encostar a pétala de uma no ramo da outra? Pareciam reconhecer a honra, pois se dobravam na direção dele, que notou que uma pequena formiga, de mesma feição que a anterior, agora descia de seu ramo e se enfurnava na grama, logo abaixo.

    Voltou seu olhar novamente para a singela folha, que o vento agora tentava virar de costas. Notou, com um pouco de pena, a brava formiga, tentando descer pelo canto da fenda que outrora transpassou. Com um súbito golpe, o vento vira a folha como se virasse um bote num mar agitado. Finalmente a formiga mostra-se vitoriosa, arriscando caminhar na calçada para sair de baixo da folha.

    Ele não mais via a formiga. Ou, pelo menos, não mais a assistia. Estava agora intrigado: durante o tempo que passou observando tudo isso, poderia muito bem ter andado alguns metros, e nada mais. No entanto, tanta coisa parece ter acontecido em tão pouco tempo, e se ele tivesse apenas andado alguns metros, tão pouco teria acontecido, no mesmo intervalo de tempo. Ainda assim, todas essas coisas estariam lá do mesmo jeito, quer ele sentisse ou não.
    E se, ao invés de pensar que o tempo de seus pensamentos é que oscila e varia com o tempo real, que é o da natureza, ele pensar que é o tempo da natureza que é errante, em relação ao tempo real, que é o dos pensamentos?
    Se, ao invés de achar que ocorrerram muitos eventos de pensamento dentro de um evento de tempo, achar que ocorreram poucos eventos de tempo dentro de um evento de pensamento?
    Assim, quanto mais pensar e sentir, dentro de um instante, maior e maior se tornará esse instante, que se arrastará enquanto a vida dele continua em sua mente. E ao invés de encolher os pensamentos, estará esticando o tempo, e cada segundo durará muito mais, e muito mais tempo se passará antes que a natureza faça seu trabalho que chamam tempo. Poderia ter uma vida muito mais longa do que aqueles que têm a mesma idade, porque para ele muito mais tempo teria dentro do mesmo tempo! Ele era agora o senhor do tempo! E a formiga sequer tinha conseguido se afastar da folha quando, por sentir que tudo era, enquanto tudo estava, um sorriso lentamente brotou de dentro.
     
  2. Skylink

    Skylink Squirrle!

    Caraca... Adorei!!!!!!

    Muito bom mesm Vela, achei perfeito!

    Só to meio sem palavras pra expressar algo melhor agora... Vou reler outra hora e ver se arranjo outras palavras que não sejam apenas elogios.

    Mas estes, vc já merece de sobra. ^^
     
  3. Evestar

    Evestar Usuário

    muito bom mesmo adorei :clap: :amem:
     
  4. Ka Bral o Negro

    Ka Bral o Negro Tchokwe Pós-Moderno

    Desculpe pela demora. Aqui estou.

    Finalmente li com calma; permita-me, pois, uma análise crítica.

    O texto está bom. Procure melhorar cda vez mais.

    Trata-se de uma prosa lírica, pois o personagem é o narrador, e ele descreve suas sensações e reflexões acerca das ações de outrem.

    Poderia ser uma prosa poética, se houvesse uma escolha mais criteriosa de palavras.

    Sugestões:

    - Seja mais conciso. Se houver menos palavras, mas estas exprimirem maior força, certamente o texto tornar-se-ia muto mais interessante. Seria um exemplo perfeito de prosa poética;

    - Evite repetições de palavras;

    - Seja mais objetivo. Em algumas passagens, a descrição mostrou-se excessiva, e um tanto quanto monótona;

    - Se, mesmo assim, desejar apostar numa descrição detalhada, então ofereça mais harmonia e ritmo ao texto.

    Críticas construtivas, ao meu, que visam únicamente melhorar seu trabalho.

    Continue escrevendo. :wink:
     

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