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[L] [Thrain] [Sentado ele Observa]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Thrain..., 4 Dez 2003.

  1. Thrain...

    Thrain... Usuário

    [Thrain] [Sentado ele Observa]

    Não tive nenhum motivo em particlar para escrever esse conto, só entretenimento pessoal, pensei em dividi-lo com vc´s.... Por favor digam o q acharam...

    ___________________________________________________________

    Sentado ele Observa



    Sentado ele Observa. Aos poucos as primeiras pessoas vão chegando e, dentro do possível, se acomodando nos duros e compridos bancos de madeira velha. Uma mulher comum, de cabelos comuns, e andar comum, chega com sua prole: cinco rebentos encaixados em suas roupas de domingo mal cheirosas. Um começa a reclamar e encontra-se com um tapa atrás da cabeça. Todos se sentam.

    O menor deles, em sua roupinha azul turquesa de segunda mão, parece ser o mais interessante. Ele abre a boca e, indiferente ao velho gordo que a murmura à frente, passa o olhar viscoso pelo longo e excessivamente decorado teto, babando, de olhos arregalados. Ele se desliga do ambiente mofado a sua volta.

    Os poucos que ainda restam de pé sentam e se espremem. Os murmúrios do gordo agora são repetidos mecanicamente pelos adultos e satirizados em sussurros pelos pequenos mais atrevidos. O ar quente do grande salão faz as roupas de domingo se mancharem de suor.Tudo ridiculamente normal.

    Por habito, ele, o que sentou primeiro e Observou, começa também a balbuciar as repetições do gordo. Seus olhos, como os da criança mal cheirosa, também vão longe acompanhando sua mente. Através dos rostos vazios das pessoas comuns a sua volta, dos suspiros de apatia do gordo, da hipocrisia da cesta ambulante, do carpete grudento e cafona, e de tudo mais pelo qual ele já havia revirado os olhos inúmeras vezes em inúmeras ocasiões.

    Sua mente começa então a produzir efeitos mais interessantes no plano de fundo já tantas vezes utilizado.

    As grandes e pesadas portas de madeira agora se abrem de uma só vez, e uma velha entra, trazendo uma brisa rasteira e gélida. Suas vestes longas são de uma cor inédita na cidade, um roxo seco e deprimente. Ela as arrasta levando a brisa igreja adentro; os corpos param de suar. A velha tem um olhar azedo, um olhar que desvia os olhos alheios de um contato direto, ela olha tudo como se houvesse algo de muito doente e frio em seu interior.

    A figura para ao lado da criança que ainda baba e a encara. A criança percebe e de imediato começa a gritar e espernear loucamente, como se algo absurdamente frio tivesse sido enterrado em seus olhos, mas ainda assim sem desvia-los da velha. O Observador pode sentir o desespero. Ninguém faz nada a respeito, aliás, nem notaram a velha entrando, apesar de terem parado de suar.

    A criança continua a berrar e se contorcer na ponta do banco. A velha volta seu rosto para frente, para o altar, e a criança cai no chão feito um boneco de madeira, como se a vide tivesse se esvaído de sua carne jovem.O Observador sente um arrepio forte pelo corpo e um prazer a muito esquecido.

    A velha continua a arrastar suas vestes pelo carpete, gerando arrepios e pequenos espasmos nos repetidores indiferentes, até que chega à última fileira. Ela olha a todos com uma visão panorâmica, e, aos poucos, algumas cabeças começam a tremer mais e mais até que explodem, como balões que cresceram de mais elas explodem, jorrando restos vermelhos nas roupas já secas de domingo. Os repetidores agora se balançam freneticamente para frente e para traz em seus assentos, repetindo as repetições do gordo que ainda apaticamente murmura.

    Um fino sorriso aparece no rosto da velha e seu olhar sai do azedo e passa perto da depravação.Ela então se move para o altar, para deterás do gordo, que deixa de suar e passa a tremer. O Observador sente o suspense, premeditando uma ação suculenta.

    A velha levanta os dedos finos e, enquanto os passa de leve pela careca do gordo apático, geme baixinho de prazer. O gordo para então de murmurar, seu rosto fica inexpressivo. Dos olhos, também gordos, brotam lágrimas vermelhas, que aumentam e aumentam, até que os pequenos globos rolam para fora das faces lívidas, puxando junto uma pequena torrente de sangue vivo.

    A velha suspira longamente e exibe um grande sorriso de satisfação. O mesmo acontece com o Observador. Ela sai e as portas se fecham com um estrondo.

    O Observador olha em volta, as pessoas vão se retirando. A mulher comum se levanta e acorda o mais novo dos rebentos, ela e sua prole deixam por último a igreja. O padre passa tranqüilamente por uma porta nos fundos e o Observador decide que é hora de enfrentar a luz do dia novamente. Nada de novo no seu mundo.
     
  2. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Nossa, guri! Quéissu! Que macabro! ^^

    Mas gostei muito da idéia... Eu só percebi que era imaginação dele no fim, me surpreendeu msmo. Não tem muito o que dizer, a narrativa tá gostosa de ler, seu vocabulário tá bom... Só posso te dar os parabéns, guri! =)

    E, respondendo à sua MP... É claro que você é guri! Você é minúsculo! ^^
     
  3. Lembas

    Lembas Usuário

    hahahahah
    Pensamentos perversos no meio da missa... gostei. Senti empatia. De uma maneira sórdida é decepcionante pensar que não aconteceu mesmo :twisted:
     
  4. Thrain...

    Thrain... Usuário

    Eu ainda tenho u monte de pequenas edições pra fazer nese texto, e tb tava pensando em postar a continuação.... talvez ainda essa semana...

    Lembas: Coisas assim não acontecem na vida real, infelizmente :twisted: hehehe zoera...

    Melkor: Como assim minúsculo?!
     
  5. Eldarwen

    Eldarwen Usuário

    Nossa, gostei muito!

    Realmente sinistro :twisted: ...... Vc gosta de Edgar Allan Poe? só por curiosidade.

    E a continuação?
     

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