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[L] [thrain][Domingo, à mesa]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Thrain..., 13 Jun 2003.

  1. Thrain...

    Thrain... Usuário

    [thrain][Domingo, à mesa]

    Lá vai( :oops: ):


    Domingo, à mesa

    Todo domingo, minha família – eu, meus pais, meu irmão e minha irmã caçula – se reúne à mesa da cozinha e “conversa”.

    A idéia surgiu, há muito tempo do meu pai; foi uma tentativa, um tanto quanto patética e desesperada, de aproximar a família e estabelecer um diálogo constante; mas, atualmente, funciona somente para comunicados, avisos gerais, convocações, memorandos e discussões generalizadas que levam, invariavelmente, a nada.

    Domingo passado parecia um domingo qualquer, e, como num domingo qualquer, eu não tinha nada para fazer e só esperava dar a hora de me juntar aos outros à mesa.

    Deram-se as infelizes oito da noite, meus pais saíram da frente da televisão e nos chamaram, eu e meus irmãos, para a mesa.

    Em casa, a falta de diálogo é total. Meus pais vivem para o trabalho e, quando estão em casa, nem ligam um para o outro. Meu irmão é todo voltado para seu mundinho, um perfeito altista, enquanto que minha irmã é uma pré-adolescente, semigótica, revoltada que não se sujeitaria a se dirigir a alguém diretamente nem que sua vida dependesse disso. E eu? Não sei, só não gosto muito de conversar.

    À mesa, tudo é, ou deveria ser, falado. A “conversa” se inicia com um tom formal e termina, geralmente, com cabeças quentes ou indiretas frias.

    Mas não, naquele domingo não foi assim. A “conversa” começou normalmente. Relatório sobre as notas da escola de cada um, anúncio do término do castigo da mais nova e do início do castigo do mais velho; o de sempre.

    Foi então que meu pai disse uma coisa que não esperávamos, e que, por sinal, nem mamãe esperava:
    – Tio Arnaldo vem passar alguns dias aqui conosco; ele chega amanhã e é muito importante que vocês se comportem, ele é de muita estima para mim.

    Confusão geral. Tio Arnaldo era o meio irmão de meu pai e o conhecido bicão da família. Ninguém gostava realmente dele e todos achavam que meu pai era o que mais o odiava, embora ele nunca o tivesse demonstrado em público. Aparentemente estávamos todos errados quanto a isso.

    Minha irmã retrucou veemente, ela odeia profundamente o Arnaldo. Foi logo repreendida e devidamente castigada. Meu irmão só não disse nada, pois ainda não havia assimilado a idéia, ele demora a fazer isso às vezes.
    A surpresa maior foi ver meu pai defendendo o meio irmão dele da mamãe.Ver os dois discutindo foi, no mínimo, interessante, mesmo que não tenha durado muito.

    Passado o choque inicial, todos vimos que não adiantava espernear. Ele vinha e ponto. Como em todas as situações terminadas em “ponto” paterno, essa foi deixada de lado.

    Parecia tudo calmo novamente, e achávamos que a reunião havia terminado por falta de assuntos em pauta.Nos preparávamos para levantar, quando minha mãe nos segurou à mesa. Ela tinha um último comunicado a fazer:

    – Fui ao Dr. Joarez sexta pela manhã, e acho que vocês deveriam saber o quanto antes. O doutor me disse que tenho câncer de colo. Não é desesperador, mas é bem grave – os olhos de mamãe começaram a ficar vermelhos e os de papai a arregalar – Eu vou estar passando por um longo tratamento e vou precisar do apoio de todos vocês.

    Ficamos sem saber o que dizer. Papai estava pálido, enquanto nós três nos olhávamos com tristeza. Ninguém dizia nada. Mamãe baixou a cabeça; ela chorava baixinho.

    Depois de um tempo razoavelmente longo de silêncio embaraçoso, nós três nos levantamos e, ainda sem dizer nada, fomos abraçar a mamãe, que nos abraçou e chorou forte.

    Papai juntou-se a nós num grande e quente, no entanto triste e silencioso, abraço em família. Ficamos assim por um tempo, e fomos todos dormir. Mamãe não gosta que durmamos tarde.

    *********************************************************


    Por favor digam o q acharam, por mais infeliz que seja o comentário!!!!!
     
  2. Inho

    Inho Usuário

    Interessante. Merece continuação.

    Descreve mais os personagens, tipo, como cada um se relaciona com cada um. Tudo bem, você fez algo do tipo no texto. Mas se limitou a dar arquétipos, não enriqueceu em nada cada um deles. Você, ou o Eu do texto, a gente acaba conhecendo melhor porque vemos tudo que voce pensa, mas e os outros?

    Isso é fundamental em contos com muita trama e poucos personagens.
     
  3. Thrain...

    Thrain... Usuário

    O que realmente importa é a situação em que eles se encontram; o como eles são, vem da visão que o "eu" tem deles, algo realmente superficial.
     
  4. Hal

    Hal Usuário

    Legal. Achei que faltou um pouco mais de história, mas está bem escrito.
     
  5. Primula

    Primula Moda, mediana, média...

    Eu ficaria até o tio Arnaldo, e daria prosseguimento. Foi muito interessante ver as reações. O ás da doença da mãe (previsível, desculpe, mas previsível...) podia ser usado muuuuito mais tarde.

    O universo da família não parece muito bom ainda... se o irmão é autista eu sugiriria uma pesquisa mais detalhada sobre como as famílias lidam com o problema. É difícil uma mãe tentar um segundo filho, se ele for o mais velho. Mas se tiver outro, dificilmente ela trabalharia: os dois filhos consumiriam todo o tempo dela. (é o que alguns depoimentos me levaram a concluir)

    Ah, sim... é autista, com "u" (tem a ver com ser auto-suficiente em si mesmo) :wink:
     
  6. Goba

    Goba luszt

    Interessante. Mas o abraço em família, bem. Não creio que o autista nem a irmã concordariam muito com isso, o que faria bem mais pesado o ambiente. Mas está legal. :D
     
  7. Thrain...

    Thrain... Usuário

    O irmão ficou parecendo autista? não tinha reparado, por isso é bom ver opiniões de fora 8-)

    A doença da mãe foi previsível mesmo, ms o que interessa realmente é a relação entre eles, independente da situação.
     
  8. Primula

    Primula Moda, mediana, média...

    Então o que você quis dizer com "altista"? :o?: :o?:
     

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