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[L] [Skylink] [Tempestade]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Skylink, 6 Dez 2004.

  1. Skylink

    Skylink Squirrle!

    Pessoas atravessavam por todos os cantos, em ritmo frenético e divagante; com frias faces taciturnas a fitar o nada que reluz por trás dos olhos cansados, dos corações destoados diante dos espelhos às suas voltas. Passavam...E repassavam inconstantes; por todos os lados, fantasmas a assombrar meus pensamentos e angústias.

    Minha mente irresistia ao doce hiberne dos sonhos dos sonhos, ilusões de aconchego que se projetavam sobre uma tela preta, com uma luz escura e um negrume dissonante a cobrir tudo a sua volta. Mas as pálpebras se abriam, insatisfeitas com a perfídia de minha essência, que acabara de condena-las a respirar novamente as matizes sem contraste que permeavam tudo ao redor daquele lugar.

    E eis que havia o movimento! O movimento que transitava bestializado, cada qual ali buscando a própria fuga daquele inferno desterializado, tornado real diante da face melancólica de cada alma que por lá permanecera. E havia também um homem, um homem que se movia inconstante, com olhos psicóticos a mirar algum canto obscuro de uma sala desconhecida nos corredores de sua própria mente.

    Mas apesar de tudo isso, o silêncio era apenas um breve resquício das lembranças por entre os gritos ressonantes e o ricochetear da chuva na estrutura metálica e fatídica da estação. E até os surdo-mudos compunham suas falas em meio ao vazio inexorável do local, que me afligia enquanto se prolongava a espera.

    As horas já passavam em frente aos meus olhos diletantes, em outras eras, em outros momentos... E atravessavam os dias, os meses, as estações e os anos de toda uma vida em frente a eles enquanto o tédio se adiantava para tomar o seu lugar nas divagações que me rodeavam.

    Só que logo ele era deixado de lado enquanto meu corpo cedia ao frio, agora real também e não apenas etéreo. E a mente se rendia involuntariamente à fome dos olhos esmaecidos que fitavam o conforto e o aconchego dos outros, pouco mais que parcas blusas de liquidação ou peças sem cor. Mas ao menos eles detinham sapatos secos, ainda que não fossem de marca alguma e comprados na feirinha de uma esquina qualquer...

    Mesmo assim, o falso fantasma do consumismo e sua austera sensação de sobrepujação não escondiam de mim a impressão de inferioridade ante os fantasmas que se remexiam à minha frente, muito menos pálidos do que eu. E que revelavam suas almas num ciclo intermitente, de simples andares destinados a mais um simples ato, um simples passo ou uma simples troca.

    Sim, que ele ainda existia em tudo a minha volta, impregnado como peste sanguinolenta. E seu serviçal, o dinheiro, se movia por entre todas as mãos, das mais duras até as mais ávidas, num circunlóquio semi-alienante. Mas era pobre o dinheiro, sujo, e eram pobres os que trocavam as notas e pequenas moedas, e que engordavam um abutre distante, dono da velha estação suburbana calcada em sua arcaica e ao mesmo tempo moderna estrutura metálica. Sim, pois diziam que tudo que era velho se tornava novidade ao seu novo tempo num futuro promissor...

    E eu, alheio a tudo isso, era agora só um velho no presente, mais um fantasma que observava os outros espíritos ao redor de um corpo resfriado. E no meio da cena patética um fantasma falava, ao que outro também o fazia. Se diziam poetas, eles, simples criaturas notívagas que complementavam a etérea emoção de um dia acinzentado, com o horizonte escurecido desde o seu início. Que o negrume da noite engolira a tudo enquanto o dilúvio não parara, e tudo agora se separava mais ainda nas pequenas ilhas...

    Mas a mente estava distante do vazio, e havia apenas um suspiro baixinho ressoando no ambiente: “Quissá pudessem existir sobre cores...”
     
  2. Tisf

    Tisf Delivery Boy

    Nossa e ele me pediu pra zoar ainda :tsc:


    Você escreve muito bem meu!!
     
  3. Tive que procurar no dicionário o que era perfídia... :disgusti:
    Mas seu texto está ótimo! Vc escreve muito bem, mesmo! :D
     
  4. Itarillë

    Itarillë Usuário

    Adorei! Ao contrário do meu, parece um poema em forma de prosa! :D
     
  5. Goba

    Goba luszt

    Bom texto. :) Você tem um uso absurdamente produtivo do vocabulário... mas restringe o alcance do texto.

    Enfim, belo texto, boa crítica e bom narrador.
     
  6. Hansi Kürsh

    Hansi Kürsh Usuário

    CA*****... mto bom seu texto, com um vocabulário riquíssimo... e uma narrativa muito interessante... no início, achei que vc seguiria uma narrativa não-linear, mas vi que no meu ponto de vista se trata de uma única linha de pensamento..vc expoe comentários sobre tempo, silêncio, movimento e acabou num único objetivo... adorei...
     
  7. Masei®

    Masei® Usuário

    Realmente é um texto em que tem que se ler com um dicionário do lado... MAs fico mto bom... Soa muito bem qdo se le... Parabéns...
     
  8. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    Nossa, esse texto é atonal. Me lembrou o poema noturno de Scriabin.

    Achei interessante a forma que vc usa as dissonâncias, e às vezes dá a falsa imrpessão de tonalidade, mas, rapidamente oculta o centro tonal e não deixa a polarização tomar conta.

    Interessantíssimo, Rafa, e muitoi lindo também.

    Assim, vejo que no meu ponto de vista, a visão é essencial para os que vêem.

    E o pato pia. Na pia, o pato pia.
     
  9. Evestar

    Evestar Usuário

    nossa super 10, vc escreve muito bem mesmo adoro seus texto :grinlove:
    Parabens :wink:
     

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