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[L] [Skylink] [Etriak e o mundo de Celériab]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Skylink, 21 Jul 2005.

  1. Skylink

    Skylink Squirrle!

    E foi assim que o fim surgiu: sem palavras, sem frases, sem versos... apenas simples gestos, motivados por um não sei o quê que encanta, que já ali despontava e tornava a vida um momento d'uns segundos; um olhar, um cálido abraço...


    A égide do princípio:

    " Racional, e ao mesmo tempo sonhador, ali estava eu então - mais um simples mortal."

    Os cantos do começo

    Surgem miasmas e vê-se que são fantasmas.
    Sugerem-se caçadores - suprema ação clerical!
    Mas a reação é extremada diante de tão simples fato:
    "Um retrato tentava falar, tentava respirar!"

    Pois bem, que se há então de fazer,
    senão dar-lhe a prova mista do que requisita?
    Senhor abade, venha cá, já!

    Olhe para ele, sinta sua vida e entenda:
    Os vapores são somente um mero chamariz.
    Os odores são pouco disfarce diante do mundo,
    e servem somente para enganar um distraído nariz

    Se a vida torna a si mesma entre átomos e moléculas,
    que impede que d'um universo ela se forme espontânea?
    Que seria ela além de algumas camadas subcutâneas,
    subterrâneos de desejos mais profundos que o mundo?

    E veja, ou reveja! Temos aqui um retrato indignado,
    uma história ambulante! Que acontece se voltarmos,
    penetrarmos novamente na mesma sala assombrada;
    e... - PLOFT - descobrirmos senão o perfume de rosas!

    Aí está: temos não apenas mais uma foto de vincas,
    mas uma verdadeira flor da sinestesia!
    Compartilhamos o reflexo de seus sonhos,
    de seus versos risonhos, por ora tão misteriosos que...

    - Oh! Olá senhorita, que fazes por aqui, no mundo dos tontos?

    - Apenas visito, nobre sonhador. E me divirto.

    - Como pôde tu saltar de um quadro, ser tão.. tão... tão belo!

    - Ora, um quadro, padre? Não era um retrato? Mas bem, são seus olhos...

    "Minha alma nada é alem da viscitude de meus reflexos.
    E como temas complexos, desdobro-me diante da vida,
    sinto-a plena pelos caminhos de meus desejos.
    E arquejo por entre os mundos, por sob o segredo da..."

    -Viste, senhor padre? Não há nada aqui. Apenas uma sala,
    um quadro, um tapete e um pergaminho mofado.

    -Mas, mas, mas...

    -Nada de mais, como bem se poderia esperar.

    - Sim, sim - gaguejo - Mas, mas...!

    - Não grite, padre! - sons abafados - Alguém pode nos ouvir...

    - Mas...

    -Sem mais, nem menos, padre. Estamos nos demorando a toa.

    -Ademais, meu senhor, lhe espero na taverna! PLOFT

    A doce flor de lírios enfim saiu de seu esconderijo enquanto o estabanado Edgard fazia um gigantesco barulho descendo as escadas. Ela se aproximou, tímida e receosa, do velho estupefato, que olhava ao redor e não sabia o que discernir diante da confusão de seus pensamentos e memórias.

    -Senhor! - Um susto! Um grito! - Porque o senhor não ouve os outros? - lamentou ela. - Bem... - continuou, enquanto puxava uma adaga dourada - é bom ir se acostumando com isso. Aqui não é um bom lugar para se quebrar regras ou crias novos valores, a não ser que esteja preparado para as conseqüências.


    O velho continuava sem entender nada, embora ainda tentasse se apoiar numa janela e não desmaiar. A jovem moça pulou então, num súbito impulso semicalculado, e o agarrou pela borda do manto, atravessando, junto dele, o ar e o vidro que se espatifavam em milhares de pequenos pedaços, . A sala atrás de ambos principiou a ficar cor de jade, para então soltar pequenos vapores algentes enquanto as moléculas de ar se dissolviam e o vácuo cedia lugar a um portal.

    Uma série de pequenas figuras, pálidas e encaixadas numa forma humanóide como cubos de gelo, começou a entrar na sala e realizar uma pequena marcha ao redor do perímetro. O padre, ainda sem saber o que significava tudo aquilo, soltou um sonoro: "Céus!". As criaturinhas não apenas o perceberam do outro lado, agarrado ao resto de janela que ainda existia após a passagem do elo dimensional, como também sentiram no âmago de seu ser o efeito daquela única palavra chave que lhes incutia uma transformação certamente celestial.

    -Oh, não! - lamentou-se a menina - Você acaba de conseguir a proeza de os transformar em demônios do gelo, meu nobre amigo.

    -Demônio?! AH!!!!!! - um raio cristalizado o atingiu e ele caiu, arquejando inutilmente enquanto seu corpo se contorcia. Uma hora etérea se passou, e ao passo de um segundo o padre já estava em pé novamente, vociferando quase como se estivesse no rompido mar vermelho das palavras :

    -Como! O que raios esta besta de satanás fez com a pureza de meu corpo, até então totalmente imaculado!! Como pode Deus permitir que tamanho flagelo exista por sobre os percalços da humanidade?! E o que afinal aconteceu com meu corpo?

    -Lamento, mas os Squinqs não gostam de comer picolé de velhos... - explicou a menina - Mas... sabe que... você até que ficou bonitinho?

    Ambos subitamente pararam de correr pela sucessão de escadarias que surgiam nos mais diversos formatos, e tomaram fôlego por alguns segundos. Haviam acabado de descer para longe daquela sala de clima já quase frigorífico, mas ela não entendera quando ele, por algum esperançoso motivo infundado, gritara "geladeira!" diante dos gélidos seres de quase dois metros e meio de altura. E era ele agora que não a compreendia, e que fitava abobado os olhos negros e profundos da belíssima garota, que fazia jus ao apelido que Edgard lhe dera.

    Porém, o tempo para reflexões era um pouco escasso naquele momento, já que o teto acabava de rachar acompanhado de um estrondo gigantesco. Uma série de seres dantescos fitou, através de seus olhos carmins injetados de suco de uva, aquelas duas presas fáceis que haviam se colocado diante deles. Cális, a flor de lírios de seu amado Edgard, se preparou para o combate, mesmo ele significando provavelmente a sua morte. Empunhou sua adaga mágica e puxou sua sabre encantada, de onde tirou, em menos de um terço de movimento congelante, um feitiço de fogo que inundou o a sala inteira e chamuscou até mesmo as ridículas suíças de Etriak, o padre.

    Entretanto, os monstros de gelo continuaram impassíveis, e seus ferimentos aquosos logo foram curados sem nenhuma dificuldade. Eles riram entre si por um momento, mas perceberam então que as duas presas não seriam suficientes para alimentar a todos, ou mesmo para aquecer seus negros e gélidos corações com doces poesias antes de se tornarem o prato principal da noite. Sendo assim, logo se iniciou uma intensa disputa, que só foi devidamente assistida por conta do encantamento de amarras congeladas que eles obviamente lembraram de lançar.

    Continua...
     
    Última edição: 21 Jul 2005

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