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[L] [Saranel][Alva escuridão II)

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Saranel Ishtar, 18 Mai 2004.

  1. Saranel Ishtar

    Saranel Ishtar Usuário

    [Saranel][Alva escuridão II)

    Esse é a continuação em prosa de um poema meu que está lá no poemas Góticos. Fiz pra facul, tirei dez heheheh!^^
    Espero que gostem.

    Alva Escuridão II

    Lá estava eu, às 2 da manhã. Na cozinha. Era o décimo copo d'água, pegando bem por baixo. Saco de gripe. Nunca, em toda a minha vida, nada havia me tirado o sono. Decepções, preocupações, dorzinhas - deixava tudo de lado e sempre dormia feito uma pedra. Mas aquela gripe... nem que eu quisesse! Era um inchaço na garganta, parecia uma bola de tênis! E o nariz? De cinco em cinco minutos era assoar. Uma dor na cabeça... pegava tudo, desde a testa até os dentes. Sim, os dentes! Parecia que alguém os estava apertando, todos. Saco!! Pra que, servem essas porcarias de vírus?! Nem decompõem cadáver! Só sabem parasitar a gente, até serem expulsos uns, mortos outros, só pros sobreviventes ficarem latentes por mais uns anos e pegarem outras vítimas.

    Olhei a paisagem pela área de serviço, que tinha uma baita janela. Um prédio, que ficava a uns cem metros de distância do meu, tinha uma bo,a de discoteca no salão de festas, dessas bem luminosas, girando. Estava tudo apagado, só a bola lá, rodando e rodando. E uma música techno alta que era uma beleza; dava pra ouvir bem do meu prédio.

    Desviei o olhar, com inveja. Admito sim! Inveja! Todo mundo tem, mas poucos são os que assumem. Porcaria. Estava sentindo tanto a falta de uma baladinha! E aquela gripe ali, enchendo!

    Foi aí que percebi aqueles dois olhos verdes. Ah, não! De novo não!! Bem, chega de medo! Fui direta:

    -Vá embora, seu chato! Não vê que estou numa péssima hora?!

    Ele saiu da penumbra que havia no canto mais escondido da área de serviço. Sob o luar (aquela era uma noite limpíssima e de lua cheia), revi aquele rosto lindo, aqueles cabelos longos, negros e cacheados, aquela pele que era mais-que-perfeita, além de mais-que-branca. E aqueles olhos terríveis, claro. Mas naquela hora eles estavam tranqüilos e, sob a luz etérea, quase azuis.

    -Lusbel, o arcanjo, quase sempre aparece nos momentos mais difíceis.

    -E eu lá quero saber! Além de tudo, seu tempo de arcanjo já se foi. Vai pro inferno, Capeta!

    Aquilo não combinava com ele. Capeta? Não era nomenclatura daqueles bichos ruins, monstruosos, fedidos, que sequer indicam que um dia já foram anjos? Aquele ali ainda era um anjo, vestido de preto!

    Como não obtive resposta, disparei:

    -O que quer comigo? Saco!! Sou cristã, quase praticante! Não quero você aqui!!

    -Mas cá estou. Que me importa se as portas estão fechadas? Entro mesmo assim.

    -Sei. Então vamos direto ao assunto: da outra vez veio encher, perguntando quem sou eu, e respondendo também. E agora?!

    -Leio seus olhos. Está com inveja daqueles, não?

    Apontou com os brancos e lindos dedos para o tal prédio da festinha.

    -Estou... estou sim.

    Ele se chegou muito perto. Que olhos, meu Deus! Sei que não prestava, aquele coisa-ruim, mas era bonito que só. Botava os galãs das novelas no chinelo.

    -Tem medo de admitir, não?

    -Droga!! É péssimo, mas tenho. Admito sim! Porém, junto com isto admito que me considero inferior a eles!

    -"Eles" quem?

    -É óbvio que aos que estão na festa!

    -Quem está lá? Não vejo ninguém.

    -Mas daqui ia dar pra ver?!

    -Vultos, talvez... mas não se vê nada. Apenas uma sala vazia, escura e fria, com uma música para ser dançada sem emoção, e um lustre exótico, porém típico, que roda e roda sem parar.

    Prestei atenção. É mesmo, nem um ukto. Apenas a bola e as luzes, girando, girando, acompanhadas da música impessoal. E eu, que gostava tanto das baladas, agora via o que elas eram. Apenas isso, uma sala escura, vazia, mesmo quando chapada de gente. E uma bola, o pleneta Terra.

    -Não há por que invejar. Este é um fato corriqueiro, é verdade, mas quem pode dizer que um fato é mais importante do que outro?

    Depois de dizer isso, calou-se. Eu também. Quando o primeiro choque passou, falei:

    -Mas vem cá, de que me servem essas porcarias que você me ensina, mesmo que elas possam, e pareçam, ser verdades? Se eu sou terra de vaso, ou uma parede, e daí? Isso não diminui minha gripe, oras!!

    Ele, que estava de costas, provavelmente já pronto para ir, voltou-se, sorriu um sorriso de dentes brancos e perfeitos, mas em seu olhar brilhou novamente aquele veneno, um veneninho, porém não menos letal que o das outras vezes:

    -As baladas também não diminuem. Para quê servem as minhas verdades? Para quê servem as baladas?

    Ele veio até mim e, com um abraço fraternal, beijou-me a testa. Um misto de agrado e repulla tomou minha pessoa.

    -Adeus, minha filha!

    Revoltada, revidei:

    -Minha filha é o caramba!! Sou filha de Cristo, entendeu? De cristo!

    Antes de a neblina o envolver, ele me olhou de novo.

    -Todos sempre disem isso. Mas não tenho nada contra ele! Para quê o antagonismo?

    Mal acabou de diser isto, desapareceu na alva escuridão da noite.
     
  2. Evestar

    Evestar Usuário

    nossa adorei os dois textos viu saranel, muito bom mesmo :mrgreen:

    parabens :wink:
     

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