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[L][Riku] Uma paz aparente

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Malaman, 9 Jun 2007.

  1. Malaman

    Malaman Passion, what else?

    Uma historia velha escrita por mim e por uns colegas...
    Fizemo-la juntos...
    Espero que gostem

    [FONT=&quot]Uma pequena introdução [/FONT][FONT=&quot]


    Ao contrário do que dizem os contos populares, ou histórias fantásticas que todos conhecem. Lobisomens e vampiros, não são muito diferentes uns dos outros.
    Os lobisomens, na realidade, não se transformam em grandes lobos tal como os vampiros, não se transformam em morcegos ou morrem com estacas ou alho ou até mesmo com prata! Tudo isso é ficção...
    Os lobisomens dependem da carne viva para sobreviver. A sua transformação não tem nada a ver com as luas. Um lobisomem transforma-se quando entra na sua corrente sanguínea uma substância produzida pelo cérebro. A sua transformação dá-se a nível muscular. Quando um lobisomem se transforma, os músculos de todo o corpo aumentam pelo menos um terço do seu tamanho normal, sua cara sofre uma ligeira transformação, fica com um ar mais felino e suas orelhas crescem um pouco.
    Já os vampiros, não sofrem mutações. São completamente dependentes de sangue quente, é o seu único alimento.
    O verdadeiro perigo é o SOL!

    [/FONT]
     
  2. Malaman

    Malaman Passion, what else?

    1º. Capítulo



    A minha história começa numa época de Paz.
    Frágil esta Paz, mas mesmo assim Paz...





    O ano, já nem lembro bem. Deixei de contar os anos há já alguns séculos. Pelas minhas contas tenho mais de seis séculos.

    Mas, o que aconteceu naquela época está gravado na minha memória e no meu corpo para todo o sempre...

    Confesso que me mudou para toda a eternidade...

    O ano, já vos disse que não me lembro, mas vou relatar o que aconteceu:

    Tudo se passa na minha segunda infância, já que a minha primeira infância foi como humano...

    Meu nome é Zolam. Nesse dia eu ia como sempre visitar meu amigo Beowolf (sim leram bem, vampiros e lobos eram amigos! Pelo menos alguns).

    Beowolf morava numa boa casa, no cimo de um belo monte. Podíamos ver uma grande extensão de vales, rios, aldeias. Bem, era um bom local para se viver.

    Beowolf era um membro importante na comunidade dos lobos e eu dava-me muito bem com ele.

    Eu gostava de ir à casa dele a pé pois pelo caminho passava por uma pequena aldeia com casas muito baixas, mais ou menos arranjadas, mas com umas belas cavalariças! O meu local preferido daquela aldeia. Sempre que passava lá escolhia o melhor cavalo para lhe sugar todo o sangue.
    Pois é, nessa altura eu não matava humanos! Mas até isso ia mudar...


    - Olá Beo, vamos á nossa caçada?

    - Zol, hoje não vamos á caça. Vejo que não estás a par dos acontecimentos...

    - Não Beo, de que falas?

    - Zol, mataram um ancião (um dos lobos antigos) da nossa comunidade. Tudo leva a crer que foi um dos vossos!

    - Não pode ser o que estás para ai a dizer.

    - O que te estou a dizer Zol, é que vocês, violaram o acordo e tu sabes o que isso significa, não vamos poder continuar a ser amigos. Peço-te que te vás embora.

    - Beo a nossa amizade não pode terminar assim, isto tudo só pode ser um mal entendido.

    - Pode ser um mal entendido mas tu, sabes que a trégua já estava muito frágil. Mais tarde ou mais cedo isto tinha que acontecer.

    - Zol, pela ultima vez, vai-te embora! Daqui a pouco vou ter aqui uma reunião com o alto conselho. Não te recomendo ficar aqui.

    - Beo, tenho muita pena de ouvir essas palavras, mas continuo a ser teu amigo. Eu vou mas volto, não desisto assim da nossa amizade.

    - Zol na próxima vez que nos encontrarmos vais mudar de opinião, isso eu posso te garantir. Agora vai.
    Nessa noite fiquei destroçado. Fui até ao meu local preferido.

    Era uma grande colina coberta de erva que me dava pelo joelho e, mesmo no cimo, tinha um grande carvalho quase tão velho como eu com uns ramos muito grandes que, não sei explicar porquê, fazia-me sentir seguro...

    Fiquei ali por baixo do carvalho pelo menos duas horas a pensar em tudo aquilo, e resolvi avisar o meu povo.

    Eu não era um vampiro muito importante, até se podia dizer que eu era um vampiro insignificante. Até havia quem não gostasse de mim devido à minha amizade com o Beowolf, mas isso também ia mudar.

    Dirigi-me à casa do supremo conselheiro Zagot.

    Era uma casa imponente com uma fachada em pedra toda esculpida e tinha uma porta de madeira muito grande e pesada. Tinha no centro uma enorme figura de bronze que parecia um género de arcanjo mas com uma expressão diabólica e tinha um batente num material que eu nem sabia bem o que era, mas toquei no batente e pouco tempo depois Zagot abriu-me a porta só com um ligeiro estalar de dedos.

    O conselheiro era um dos mais poderosos vampiros das Quatro Terras, como era conhecida toda aquela zona.

    Todos conhecíamos as muitas histórias que se contavam dos tempos das grandes guerras, e não havia rival conhecido para ele. Ele perguntou-me o que eu queria e eu contei-lhe toda a história.

    - Zolam - Disse-me zagot.

    - Diga senhor.

    - Não vejo grande problema no que me contas, mas vou reunir o conselho, e tomaremos uma resolução. Volta aqui amanha à noite.

    O conselheiro mestre, mandou reunir todo o grupo de mestres guardiões na noite seguinte, para discutir o assunto.

    O grupo era composto por quatro vampiros mestres, um de cada zona das Quatro Terras.

    Primeiro, chegou Ragul, um vampiro alto, com uns belos cabelos brancos, uma pele ainda mais branca, com uns olhos assustadores e trazia consigo, uma bela espada comprida com um cabo todo trabalhado em marfim branco.
    Ele era o guardião da zona Norte mais conhecida como Norvampália (era uma espécie de capital dos vampiros), terra de grandes combates há muitos séculos atrás.

    Depois, chegou o Pasci, o guardião da zona Sul. Conhecida como Survália, terra de grandes heróis.
    Pasci, era um vampiro baixo, mas muito bem constituído. Trazia consigo um enorme machado, grande demais para o seu tamanho o que queria dizer que Pásci era muito forte. O machado tinha um cabo em madeira negra com um belo desenho com cordas de várias cores entrelaçadas.

    Entretanto, chegou o Orty, o guardião da zona Este, conhecida como Estilvânia, conhecida pelas suas belas paisagens, e seus imponentes castelos. Orty, era um vampiro normal conhecido pela sua inteligência. Vinha acompanhado com duas espadas curtas brilhantes e muito afiadas.

    Por fim, chegou Kya. Era a guardiã de zona Oeste conhecida como Orlândia, e era a mais bela vampira que eu já tinha visto. Ela era alta e bela, de uma maneira difícil de explicar. Trazia consigo um grande arco com uma corda muito bem esticada. O arco era em madeira e marfim todo entalhado com belas gravuras de batalhas.

    Estavam todos reunidos á volta de uma bela mesa redonda, muito bem adornada, e havia cinco cálices de prata todos trabalhados cheios de sangue ainda quente. Eu estava a um canto esperando ser chamado.

    - Zolam - Chamou-me. - Zagot. - Conta a todos o que me disseste ontem.

    Eu contei toda a história e, depois de acabar, Orty lançou uma grande e ruidosa gargalhada.

    - Como te chamas? - Virou-se Orty para mim.

    - Meu nome é Zolam mestre.

    - Bem, achas mesmo que vamos convocar uma guerra por tu te teres zangado com o teu amigo Bolf, ou Bife, ou sei lá como se chama.

    - Senhor ele chama-se Beowolf e não estava a brincar, aliás eles iam ter uma reunião com os altos conselheiros para avaliar a situação.

    - Bem Zolam, eu sou a Kya, e acho que como diz o Orty, não nos devemos precipitar. Não vejo um problema assim tão grande para nos teres feito perder nosso tempo.

    Mas de repente Ragul interrompeu Kya.

    - Zolam, eu acho que tomaste a atitude correcta. Eu já tinha ouvido algumas histórias de problemas com lobos que tinham morrido de forma duvidosa, mas um lobo ancião... acho que é mais grave.

    - Na minha opinião. - Disse Pásci. - Já todos sabemos que a trégua é frágil, mas também sabemos que os lobos são fracos e têm medo de nós, somos mais poderosos, por isso também acho que não devemos dar grande importância ao assunto.

    - Mas senhores... - Disse Zolam.

    - SILENCIO!!! - Gritou Zagot num tom cortante e zangado. - Já disseste tudo, agora retira-te. Este assunto está encerrado e não te quero ouvir a falar mais sobre isto.

    Claro que fiquei desolado na minha opinião, isto era muito grave.

    Resolvi ir para casa, nunca me tinha sentido tão pequeno.
     
  3. Malaman

    Malaman Passion, what else?

    2º. Capítulo

    A minha casa era pequena, pelo menos a parte visível, já que a cave era muito mais ampla, e sem dúvida, a melhor parte da casa.
    O meu quarto, ficava por trás de uma grande estante repleta de livros. Só eu conhecia a entrada.
    Para abrir a porta secreta, eu tinha que empurrar três livros, A história dos Ancestrais, Os Contos de Nosferatus e A Maldição dos Lobisomens.
    A minha sala, era acolhedora, não tinha luz directa, o que era perfeito, tinha cortinas vermelho sangue em várias paredes e na parede principal um quadro do meu criador.
    O meu criador. Quantas histórias podia contar sobre ele. Mas só vou contar duas.
    Demir, este era seu nome era um vampiro poderoso ensinou-me tudo o que sei.
    Demir contou-me que o meu nascimento foi, um acto de caridade que ele fez.
    Eu pertencia a uma família abastada, e certo dia tinha ido andar a cavalo, quando de repente, tive um acidente.
    Bati com a cabeça num ramo e fiz um grande golpe. Perdi os sentidos.
    Quando acordei novamente, a minha vida tinha mudado para sempre.
    Meu mestre Demir, contou-me que estava a caçar, quando sentiu o odor de sangue, e ai me viu deitado no chão quase morto. Num acto de misericórdia mordeu-me. Eu tinha vinte e cinco anos nessa altura.
    Assim foi como eu nasci, ou renasci!
    Meu mestre, morreu de forma inglória. Tinha saído para caçar sangue fresco de humanos depois de me ter treinado algumas horas.
    Nesse dia, caiu numa armadilha feita pelos humanos, e ficou preso num grande buraco e quando amanheceu foi queimado pelo sol.
    Depois de ter dormido durante todo o dia, levantei-me, e decidi procurar uma coisa que á já muito tempo não tocava.
    Tanto tempo, que pensei que não ia voltar a precisar dela.
    Era bela a espada que meu mestre me deixou. Uma espada de lamina muito longa, ligeiramente curvada, e tinha gravado símbolos da língua antiga dos Ancestrais. O punho era simples, de marfim todo negro.
    Nessa noite, resolvi ir falar com o Beo.
    Parei como sempre na aldeia, para me alimentar e de seguida fui até há casa dele.
    - Olá Beo como estás? Mais calmo?
    - Zol, que fazes aqui, já te tinha dito para não voltares.
    - Beo, eu também te disse que não desistia da nossa amizade.
    - A nossa amizade acabou, o alto conselho dos lobisomens tomou uma resolução... ESTAMOS EM GUERRA!!!
    - O que dizes Beo, podemos resolver de outra forma tudo isto.
    - Não! A decisão é definitiva. Vai e não voltes mais...
    - Beo, recuso-me a ir embora. Já te disse que não desisto da nossa amizade.
    - Então prepara-te vais morrer!
    Não sei bem de onde surgiu aquele enorme machado, mas desviei-me dele por um triz.
    - Beo estás louco pousa isso!
    - Zol, vou te enviar para junto dos teus ancestrais...
    Com uma força brutal, Beo desferiu um golpe, que me atingiu o braço de raspão. O machado, bateu com tanta força num grande móvel que o destruiu por completo.
    Beo não parava e, desferiu outro golpe, mas por instinto eu peguei na minha espada e consegui desviar o golpe.
    Foi nessa altura, que o meu instinto de sobrevivência veio ao de cima...
    Então o combate começou.
    Eu era muito rápido, mas Beo, tinha uma força impressionante uns reflexos muito bons. Eu preparei-me para o atacar quando Beo lançou um golpe que me apanhou no abdómen provocando-me um golpe profundo.
    Fiquei de joelhos a sangrar abundantemente, e olhei Beo nos olhos, mas só vi raiva... Pura raiva.
    Ele preparava-se para o golpe final, mas eu com um grande esforço levantei-me e saltei para o lado dele e ataquei-o.
    Atingi Beo no ombro com violência, ele ficou desorientado, e eu aproveitei atingi-o numa perna com a minha espada
    imobilizando-o.
    Beo, estava ajoelhado á minha frente, e eu estava preparado para o golpe final...
    - Vamos Zolam, acaba com isto, porque esperas!
    E eu, com um golpe tão rápido que a visão humana era incapaz de acompanhar, apliquei-lhe o golpe final...
    Com uma grande precisão fiz-lhe um corte na face.
    - Beowolf, já te disse que não desisto da nossa amizade, assim tão facilmente. Virei-lhe as costas e sai da casa quando ele me gritou...
    - Zolam vais te arrepender de não teres acabado comigo!
    Fui para casa arrasado, e gravemente ferido, mas sabia que não havia problema. Nosso organismo recupera facilmente de ferimentos. Deitei-me, e adormeci imediatamente.
    Quando acordei, já era noite. Já estava melhor dos meus ferimentos, no braço, até já não tinha nada.
    Resolvi viajar até Estilvânia, para ver o vampiro mestre Orty que na altura da reunião, foi o único que ficou preocupado.
    Quando cheguei a Estilvânia, reparei na grande azafama. Todos andavam armados e haviam muitos vampiros de vigia. Pedi para falar com mestre Orty e levaram-me imediatamente á sua presença.
    - Mestre Orty, vejo que me levou a sério?
    - Sim Zolam, levei a sério, mas não é só isso. Soube que os lobos, preparam algo, não sei bem o quê, mas estou a preparar-me.
    - Noto que estas ferido! O que aconteceu?
    Contei-lhe tudo sobre a luta.
    - Imbecil devias ter terminado com ele.
    - Mas mestre, somos amigos não fui capaz.
    - Eram amigos, se é que isso é possível. - Lobos e vampiros não se entendem está no nosso sangue...
    - Mestre Orty perdoe-me mas não acredito nisso. Recuso-me a aceitar isso. Acredito que podemos viver todos em paz.
    - Zolam trata-me por Orty. Se quiseres, podes ficar por aqui alguns dias a treinar, ou a descansar.
    - Obrigado mestre Orty.
    - Já te disse trata-me por Orty.
    - Orty agradeço a oferta, e aceito humildemente.
    - Podes ficar em casa de meu melhor soldado Fálim é um bom amigo e um excelente espadachim. Pode ser que aprendas algo com ele.
    Quando cheguei a casa de Fálim fiquei admirado. Era uma casa muito simples, sem decorações. No meio da sala, só haviam uns aparelhos estranhos, que eu acho que eram para treinar. Entretanto aparece Fálim.
    - Olá, então tu és Zolam, eu sou Falim! Bem vindo há minha humilde casa.
    - Obrigado Fálim só vou ficar uns dias espero não te incomodar.
    - Não incomodas nada, não tinha hospedes há alguns séculos, fica á vontade.
    Estilvânia era como eu pensava. Belas paisagens e até a lua, parecia mais bela...
    Já estava em casa de Fálim á quatro noites. Mas começava a ficar aborrecido! Já não caçava a alguns dias, ia bebendo o sangue que ele me dava. Ele sabia como tratar bem um hóspede.
    Disse a Fálim que ia caçar e então ele indicou-me uma aldeia a alguns quilómetros dali com muitos habitantes.
    Eu para não ficar mal perante ele (já que não caçava humanos) disse que ia até lá.
    Na verdade, fui para a floresta que havia ali perto, para caçar um veado ou um porco ou, com um pouco de sorte um cavalo selvagem.
    Estava a perseguir um belo veado, quando de repente senti qualquer coisa fora do normal. Nós vampiros temos todos os sentidos muito desenvolvidos.
    Pus-me á escuta. Foi quando percebi que ao longe um grupo enorme de lobisomens se dirigia para a nossa vila. Rapidamente como só um vampiro consegue corri para avisar todos...
    Não demoraram mais de vinte minutos a chegar aos muros da vila. Eram pelo menos uns cem lobos, todos bem armados. Nós éramos apenas uns sessenta contando com as vampiras.

    A luta começou!

    Toda a linha de defesa nos muros, foi dizimada em poucos minutos os combates, travavam-se agora dentro da vila.
    Ao longe vi Fálim lutando ferozmente contra dois lobos, mas foi ferido. Eu corri para o ajudar quando um enorme lobo apareceu á minha frente. Tinha na mão direita uma espada enorme em forma de catana e na mão esquerda um punhal que mais parecia uma pequena espada.
    Atacou-me com toda a sua fúria, eu defendi-me de sua primeira investida e passei ao ataque. Flanqueei-o pelo lado esquerdo e cravei-lhe a minha espada nas costelas.
    O uivo foi assustador, mas ele ainda teve forças para me atacar com a sua espada, desferindo um golpe com muita força eu rolei pelo chão para o lado. A espada bateu com tanta violência no chão que projectou milhares de pequenas pedras por todas as direcções... Levantei-me com um grande salto e...
    Com um golpe certeiro separei-lhe a cabeça do resto do corpo.
    Por todo lado havia combates, fui a correr até Fálim. Ele estava gravemente ferido mas, não sei como tinha eliminado seus dois oponentes. Peguei nele e dirigi-me para a floresta...

    Já dentro da floresta virei-me para trás e vi toda a vila em chamas. Não tinha escapado uma única casa era um cenário desolador. Virei-me para Fálim e perguntei-lhe onde havia um refúgio, já que não demoraria muito a amanhecer. Fálim, antes de desmaiar mandou-me ir para sul na direcção de uma grande montanha.
    Penso que andei pelo menos uma hora até encontrar o refúgio... Era uma pequena caverna no meio de um emaranhado de arbustos.
    Antes de entrar senti uma presença no interior, preparei-me para o pior, mas depois de espreitar melhor, vi que estavam lá mais alguns vampiros.
    Dirigimo-nos mais para o interior da caverna porque o sol começava a nascer e adormecemos.
    Acordamos na noite seguinte e tentamos nos organizar. Éramos perto de vinte. Provavelmente os únicos sobreviventes daquele massacre!
    Eu e outro vampiro de nome Orvaz, fomos á vila ver se encontrava-mos sobreviventes, mas o local estava arrasado, ainda encontramos casas a arder. Encontramos cerca de quarenta ou cinquenta corpos de lobos, com membros decepados, cabeças cortadas, era um cenário assustador.
    Não encontramos um único vampiro, com certeza tinham sido incinerados pelo sol. Foi uma luta desigual!

    Deslocamo-nos para a caverna, e resolvemos passar lá mais uma noite para recuperarmos os feridos.
    Fálim já estava melhor, e pensei que nada melhor do que um veado ou um porco selvagem para ele recuperar por completo. Depois de nos alimentar-mos, fomos descansar...

    Na noite seguinte depois, de nos reunirmos resolvemos dividir o grupo em quatro.
    Eu, Orvaz e Fálim íamos para Orlândia avisar Kya do sucedido.
    O segundo grupo dirigiu-se para Norvampália para avisar Ragul. O terceiro grupo dirigiu-se para Survália para avisar Pásci. O quarto grupo foi para casa do conselheiro mestre Zagot.

    Eu e meus novos amigos, corremos a grande velocidade e demoramos apenas algumas horas a chegar até Orlândia. Quando chegamos ficamos horrorizados!

    A destruição era total, não havia nenhuma casa em pé estava tudo queimado...
    Procuramos por sobreviventes, mas não vimos ninguém.
    Foi quando Orvaz, se lembrou que havia um esconderijo ali perto.
    Quando chegamos lá ficamos aliviados estavam lá muitos vampiros e encontrei Kya.

    - Olá Zolam – cumprimentou-me Kya. – Devo-te um pedido de desculpas...

    - Pois deve senhora. Mas não precisa de pedir. Conte-nos o que aconteceu...

    - Trata-me por Kya. – disse-me ela com seus olhos ternos.
    - Tu tinhas razão, fomos atacados com grande força e violência, só tivemos tempo de fugir. Mesmo assim tivemos muitas baixas.

    - Também fomos atacados em Estilvânia só sobreviveram perto de vinte vampiros. Envia-mos vários grupos para avisar todos, mas parece que é tarde...

    - Sim Zolam, parece que é tarde. Eles planearam muito bem, não tivemos hipóteses.

    - Sim também acho. Devíamos enviar um grupo para ver como estão os outros.

    - Concordo contigo Zolam vou chamar alguns soldados da minha confiança...

    Kya escolheu três soldados, um vampiro e duas vampiras.

    O vampiro, chamava-se Haldo e tinha uma lança com mais de dois metros com uma lâmina muito afiada na ponta.
    As vampiras, Sani e Valdi duas irmãs traziam arcos, era a arma de eleição das vampiras.

    O grupo estava formado mas como era quase dia fomos descansar ali mesmo.

    Na noite seguinte, pusemo-nos ao caminho íamos precisar de dois dias para chegar a Survália.
    Fomos andando sempre na penumbra para não sermos vistos pelos lobos. Como faltava pouco para amanhecer, resolvemos procurar um sítio para descansar. Dirigimo-nos na direcção de uma montanha ali perto e entramos numa gruta.
    Ao entrar-mos reparamos que cheirava a madeira queimada e ficamos preocupados, mas de repente, uma voz forte e muito segura mandou-nos entrar.

    - Entrem e sejam bem vindos á minha humilde casa!

    Ficamos todos muito admirados, e entramos mais para o interior.
    Foi então que reparamos... Aquela parte da gruta era muito grande, era uma espécie de casa. Tinha alguns móveis meio rústicos e velhos, havia também uma mesa quadrada pequena tão velha, que eu nem sabia como é que estava em pé. Em cima da mesa estavam cálices muito velhos e cheios de pó, quatro cadeiras em pele que já tinham tido melhores dias e armas... muitas armas de todos os tipos.

    Lá, num canto junto a uma espécie de lareira estava um vulto que parecia humano, não se via a cara porque estava na penumbra.

    - Quem és tu? – Perguntou-lhe Kya com um pouco de arrogância.

    - Quem sou eu? – Respondeu o estranho...

    - Antes de mais, Kya filha de Kaly, entraste em minha casa por isso quem faz perguntas sou eu...

    - Mas... como sabe meu nome, e o nome do meu pai!

    - Tudo a seu tempo... Por agora acomodai-vos, já é dia, e vocês teem que descansar...

    Quando acordaram, o estranho já estava junto deles.
    O velho ancião, reuniu todos os guerreiros num círculo.

    - Eu sou Borax. Talvez já tenham ouvido falar meu nome...

    - Sim. - Respondeu Kya. – Já ouvi muitas vezes seu nome. Meu pai contava muitas histórias sobre um mestre ancestral de nome Borax. Até á altura, em que foi banido do nosso povo á muitos séculos atrás.

    - Sim tens razão, eu sou Borax o Ancestral, comandante dos batalhões da morte. Banido por ter cometido o pecado capital (O pecado capital é quando um vampiro morde e transforma uma criança antes que ela tenha pelo menos quinze anos).

    - Dizia-se que tinha morrido á séculos atrás.

    - Vagueei por muitos séculos, e depois acabei aqui nesta gruta a que chamo casa, onde continuei a treinar o meu pupilo nas artes antigas.

    - Seu pupilo! Quem é seu pupilo? – Perguntou Kya.

    - A criança que mordi á séculos atrás! Brax vem cá.
    Este é Brax meu pupilo e meu único herdeiro do conhecimento das artes antigas.

    Todos ficamos admirados, um vampiro treinado nas artes antigas. Existiam muito poucos com essas habilidades.

    - Brax vai vos acompanhar na vossa missão, é um dos melhores guerreiros que conheço, já me superou á muitas dezenas de anos por isso vai ser muito útil. Aprendam com ele. Agora vão o tempo urge...

    Depois de andarem um bom par de horas, chegaram a uma grande montanha. Survália ficava por trás dessa montanha...
    Atravessaram-na e mais uma vez ficaram destroçados estava tudo a arder. Ainda viram um grupo de lobos a correr de um lado para o outro. Havia também um grupo de cinco lobos de vigia á entrada da vila.
    Resolvemos ataca-los...

    Aproximar-mos o mais possível sem sermos detectados, escondemo-nos por trás de umas rochas. Sani e Valdi ficaram mais para trás prontas para dispararem seus arcos. Dependia-mos muito delas... Com uma precisão assustadora, dispararam seus arcos... acertaram em cheio e quase ao mesmo tempo em dois lobos que estavam um pouco mais afastados do grupo. Tombaram imediatamente com as flechas cravadas entre os olhos.
    Nós, fizemos o resto, aproximamo-nos o mais possível dos lobos e atacamo-los com uma violência, quase selvagem conseguimos surpreende-los e acabamos com eles facilmente.

    Com o factor surpresa do nosso lado, mas em menor número, resolvemos fazer uma emboscada aos lobos. Mas, de repente fomos descobertos.
    Não demorou mais de um momento para estarmos cercados por lobos, então a luta começou. Dois lobos lançaram-se para cima de nós, mas não deram mais de três ou quatro passos... caíram por terra.
    Tinham duas flechas cravadas na parte de trás da nuca. Então todo o grupo se precipitou para cima de nós, eram talvez quinze, eu estava costas com costas com o Brax e lutamos ferozmente contra aquela massa de carne bruta que parecia não ter fim. Toda a zona, era iluminada por milhares de faíscas das armas a baterem umas nas outras, mais parecia uma espécie de fogo de artifício... quase parecia belo...
    Estávamos em desvantagem, ali ao lado vi Orvaz a tombar, Kya foi ferida, Sani também estava no chão estávamos a perder a batalha... Eu, já tinha três lobos a meus pés sem vida, mas mesmo assim estávamos perdidos... até que...
    Para nossa surpresa, Pásci e um grupo de vampiros apareceram por trás dos lobos surpreendendo-os. A batalha terminou pouco tempo depois.

    Tivemos muita sorte dessa vez... Menos sorte, teve Orvaz e Sani que estavam prostrados sem vida no chão. Valdi chorava deitada sobre o corpo de sua irmã, e Kya ferida também lamentava a perda de Orvaz um bom soldado e amigo.

    Eu, também estava ferido, nem tinha reparado, era só um arranhão na perna.
    O que se passou de seguida foi no mínimo estranho, Brax virou-se para mim e disse-me:

    - Zolam, meu mestre tem razão, precisas de ir ter com ele o mais rápido possível.

    - Mas porquê? O que quer teu mestre de mim?

    - Isso amigo Zolam é entre o meu mestre e tu, não me cabe a mim dizer-te o que quer que seja. Vamos descansar e amanhã á noite partes.

    - Está bem Brax, assim farei.

    Na noite seguinte, acordamos todos e reunimos para tomar decisões. Eu informei todos que partiria para casa de Borax. Todos ficaram surpreendidos.
    O resto do grupo, resolveu ir para Norvampália. Tínhamos a certeza que os lobos também tinham atacado nossa capital.
    Antes de os deixar, virei-me para Kya, e desejei-lhe boa sorte e disse-lhe para ter cuidado, ela agradeceu e num gesto que me surpreendeu beijou-me a face e disse-me:
    - Desculpa-me por te ter julgado mal és mais forte do que pensava e tens um bom coração começo a... bem... deixa lá desejo-te boa sorte.

    Eu dirigi-me para casa de Borax o ancestral mas minha cabeça não parava de pensar. O que queria dizer Kya, eu estava atraído por ela, será que estaria Kya a sentir alguma coisa por mim? Tentei afastar esses pensamentos já que havia coisas mais importantes a fazer. O que poderia querer de mim Borax, porque não me disse nada da ultima vez que nos encontramos. Brevemente ia ter minhas respostas...

    O grupo, liderado por Pásci dirigia-se para Norvampália.
    Já andavam há um par de horas por entre florestas e montes, quando viram um pequeno grupo de lobos junto a um riacho.
    O grupo de vampiros preparou uma emboscada...

    Desta vez tinham um plano, tentar capturar um lobo para o fazer falar.

    Completamente desprevenidos, os lobos não tiveram tempo de esboçar uma reacção.
    Durante a luta três lobos tombaram, Pásci e seu grupo conseguiu capturar dois.

    Depois de encontrar um abrigo para passar o dia, resolveram interrogar os prisioneiros.
    Não foi fácil faze-los falar, mas depois de algumas horas de tortura, eles cederam. O plano dos lobos era simples, atacar todos os vampiros ao mesmo tempo e sem piedade.

    Agora havia a certeza, Norvampália estava a ser atacada.
    Na noite seguinte puseram-se a caminho, demoraram algum tempo a chegar há periferia da cidade.

    Não havia memória de haver tantos lobos juntos...
    A cidade estava cercada, mas os lobos ainda não tinham conseguido entrar nos grandes portões.
    O grupo tinha pouco mais de trinta vampiros os lobos eram ás centenas...

    Os lobos, estavam a ter dificuldade em forçar a entrada na cidade, por isso estavam a construir umas máquinas estranhas. Com certeza queriam rebentar com os portões.

    Pásci, resolveu que a missão dele era destruir as máquinas, e elaborou um plano...
    Era um plano suicida... Ele queria chegar até ás máquinas e incendiá-las.
    Como era muito arriscado, Pásci disse que ninguém era obrigado a segui-lo, mas quase sem o deixar acabar de falar, e numa demonstração de grande união todos se ofereceram para a missão.

    Pásci virou-se para Kya e disse-lhe, que tinha outra missão para ela. Ele queria que ela fosse para a cidade, e fala-se com Mestre Ragul, para lhe contar o plano. Ele queria que Ragul se prepara-se para uma investida em grande escala, mal desse as quatro da manhã, hora a que ele atacaria os lobos por trás tentando destruir as máquinas.

    Pásci, lembrou a importância da missão de Kya e pediu-lhe para não falhar, senão eles estavam a sacrificar a vida deles em vão. Deu-lhe a conhecer uma passagem secreta para a cidade, e ela foi.

    Kya encontrou a passagem, mas também encontrou um problema. Estavam dois lobos naquela zona, junto á passagem. Kya preparou-se para o pior. Pegou no seu arco, colocou uma seta e esticou tanto a corda que o arco rangeu tão alto, que os dois lobos olharam imediatamente para ela. Ela disparou a seta. Apanhou o lobo no ombro, ele, ficou desequilibrado, quase caiu mas recompôs-se e continuou a avançar rapidamente na direcção dela.

    Kya rapidamente, colocou outra seta no arco disparou e desta vez não falhou... Acertou em cheio no coração. Uma fracção de segundo depois, o segundo lobo já estava junto a ela. Kya tirou sua espada, e defendeu-se de um golpe tosco que o lobo lançou na sua direcção. Kya desferiu-lhe um golpe mas o lobo, desviou-se dele e atacou-a novamente. Desta vez acertou-lhe nas costelas, Kya estremeceu de dor, mas lembrou-se da importância de sua missão, e ignorando as fortes dores que sentia, atacou ferozmente o lobo. Ele ainda defendeu e primeiro e o segundo golpe, mas o terceiro apanhou-o em cheio na cabeça colocando parte do cérebro á vista, mesmo assim o lobo lançou um derradeiro ataque. Kya desviou-se para o lado esquerdo mas mesmo assim foi atingida de raspão no braço. Aquele foi o último fôlego do lobo que caiu a seus pés sem vida.

    Ela entrou na passagem, e dirigiu-se para a cidade.

    Quando chegou ao fim do túnel, apareceu-lhe um grande alçapão em madeira, e ela bateu nele com o resto das forças que ainda tinha.
    Passados alguns momentos, o alçapão abriu-se e ela saiu do túnel e antes de desmaiar pediu para falar com o Ragul.

    Acordou, estremecida e perguntou as horas. Eram três horas da madrugado Kya pediu para falar imediatamente com Ragul. O vampiro que estava a cuidar dela disse que Ragul estava na frente de batalha junto aos muros. Kya foi ter com ele.

    Parecia um inferno todo aquele cenário. Muitos feridos, muito desânimo, parecia que estavam quase derrotados. Então, encontrei Ragul berrando muito alto com os soldados. Defendam o portão, defendam o raio do portão.

    - Ragul – gritou Kya – Tenho uma mensagem do Pásci.

    - Kya como estás não sabia se estavas viva? Agora não posso te atender depois falamos.

    - Ragul é importante – e então contou-lhe o plano.

    - Ele é louco, devia ter vindo para aqui, vou enviar alguém para o deter, esse plano é um suicídio.

    - Ragul, não vale a pena, ele não vai desistir por isso organiza os soldados, vamos aproveitar a distracção que ele vai criar.
     

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